   Corao Eterno

      Sarah's Child

   Linda Howard

Nora Roberts


        Em frao de segundos as pessoas que ele mais amava no existiam mais...
        Um trgico acidente tomou de Rome Matthews seus bens mais preciosos: Diane, sua esposa, e os dois filhos. E deixou Sarah Harper sem sua melhor amiga. Nos
dois anos que se seguiram  tragdia, Sarah desejava se aproximar de Rome, mas ela sabia que deveria guardar para si seu maior segredo: sempre fora apaixonada por
ele. Agora, contudo, Rome precisa dela. E, ainda que o corao dele pertena eternamente a outra mulher, Sarah aceita ser sua esposa, sabendo que tudo tem um preo,
inclusive o amor. Ela acredita que na vida h sempre uma segunda chance, e um acontecimento inesperado lhe d esperanas de que seu casamento por convenincia se
torne uma verdadeira unio. Continuar Rome lutando contra os prprios desejos ou finalmente ceder ao poder do amor?

      Digitalizao: Akeru
      Reviso: Projeto Revisoras




        Linda Howard  presena constante na lista de best sellers do The New York Times. Seu desejo de ser escritora foi inspirado em Margareth Mitchell, autora
do clssico ...E o vento levou. Com mais de 30 ttulos publicados, o estilo apaixonado e intenso de Linda  sua marca registrada.


       HARLEQUIN
       B O O K S

       2010

PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES M B.V/S..r.l.
Todos os direitos reservados. Proibidos a reproduo, o armazenamento ou a transmisso, no todo ou em parte.
Todos os personagens desta obra so fictcios. Qualquer semelhana com pessoas vivas ou mortas  mera coincidncia.

Ttulo original: SARAH'S CHILD
Copyright (c) 1985 by Linda Howington
Originalmente publicado em 1985 por Silhouette Special Edition

Arte-final de capa: Isabelle Paiva
Editorao Eletrnica: ABREU'S SYSTEM
Tel.: (55XX21) 2220-3654/2524-8037
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     Captulo Um




        Era o fim de uma longa semana e Sarah sabia que devia ir para casa, mas o simples pensamento de enfrentar o forte calor do fim de agosto era o bastante para
mant-la sentada na cadeira com o ar-condicionado central ligado  temperatura mxima. O expediente havia se encerrado. Ela virar a cadeira e passara os ltimos
15 minutos contemplando a paisagem atravs da janela, relaxada demais para perceber que estava ficando tarde. O sol h muito havia se posto e as estruturas dos deslumbrantes 
arranha-cus de vidro e ao de Dallas delineavam-se contra um cu de bronze, o que significava que perdera o noticirio das 6h novamente. Era sexta-feira  noite. 
Seu chefe, o sr. Graham, deixara o escritrio uma hora atrs. No havia nenhuma razo para no se unir ao xodo de pessoas nas ruas, contudo se sentia relutante 
em ir para casa. Esforara-se muito para transformar seu apartamento em um lar o mais confortvel possvel, mas, ultimamente, a solido que sentia l dentro a assombrava. 
Podia ench-lo com msica, alugar um filme e assisti-lo no vdeo, relaxar lendo um livro e fingir que estava em qualquer outro pas do mundo, mas ainda assim estaria 
s. Nos ltimos tempos, estava se tornando um estado de isolamento, em vez de solido.
        Talvez fosse o tempo, pensou esgotada. O vero abafado afetava a todos, mas no fundo sabia que no era o calor que a estava aborrecendo. Era a sensao inevitvel 
de tempo passando. Logo o vero cederia lugar a outro outono. Tinha a impresso, mesmo com o forte calor, que podia sentir o frio do inverno nos ossos. Era mais 
que o simples transcurso de outra estao. Era sua prpria mocidade escapulindo, escoando inexoravelmente pelas suas mos. Os anos passaram e ela se dedicara apenas 
ao trabalho, porque no havia mais nada. Agora percebia que todas as coisas que desejara na vida passaram por ela. No desejava riqueza ou bens materiais. Desejava 
amor, um o marido, filhos, uma casa repleta de risadas e segurana, coisas que nunca tivera quando criana. Havia parado at mesmo de sonhar com elas, percebeu, 
o que era o mais triste de tudo. Entretanto, nunca tivera uma chance de fato. Apaixonara-se pelo homem que no pde ter e pelo visto era uma dessas mulheres que 
s amam uma vez na vida.
        Nesse instante, o telefone tocou. Uma leve carranca franziu seu cenho ao alcanar o receptor. Quem estaria ligando para o escritrio quela hora?
        - Sarah Harper - disse ela num tom vivido.
        - Sarah,  Rome.
        Seu corao deu um salto, ficando preso na garganta. No precisava ouvir o nome dele para saber quem estava do outro da linha. Conhecia aquela voz to bem 
quanto a sua e o sotaque apressado, que no melhorara, apesar dos anos no sul, sempre o denunciaria. Mas ela engoliu em seco, endireitou a espinha e fingiu tratar-se 
de apenas outra chamada empresarial.
        - Sim, sr. Matthews?
        Ele emitiu um som impaciente.
        - Droga, no me chame assim! No escritrio, tudo bem, mas isto... no se trata de negcios.
        Sarah engoliu em seco novamente, mas no conseguiu dizer nada. Ser que o teria evocado? O simples fato de pensar nele o fizera ligar? Afinal, fazia meses 
desde que ele no dissera algo alm de um corts "bom dia" sempre que entrava no escritrio para falar com o sr. Graham.
        - Sarah? - Agora parecia realmente impaciente e a raiva ascendente era revelada pelo modo como rosnou o nome dela.
        - Sim. Ainda estou aqui.
        - Vou vender a casa - disse ele abruptamente. - Estou encaixotando os pertences de Diane... e dos meninos... e vou mandar tudo para o Exrcito da Salvao. 
Mas achei uma caixa de bugigangas que Diane guardava. Retratos e coisas que vocs duas fizeram juntas na escola secundria. Achei que talvez voc quisesse ficar 
com isso. Se no...
        A frase no foi concluda, mas Sarah sabia o que ele ia dizer. Se no, ele as queimaria. Pegaria todas aquelas recordaes e as destruiria. Estremeceu por 
dentro s de pensar em pegar a caixa e reviver os anos que vivera com Diane, porque a perda da amiga ainda era muito dolorosa, mas no podia deix-lo queimar aquelas 
lembranas. Talvez no pudesse mexer na caixa agora, mas a guardaria e da a alguns anos seria capaz de tirar as coisas l de dentro e recordar, sem muita dor, apenas 
com tristeza e nostalgia.
        - Sim - disse num tom rouco, forando as palavras a sarem. - Sim, eu a quero.
        - Estou indo para casa agora para terminar de embalar as coisas. Pode passar l esta noite a qualquer hora, para buscar a caixa.
        - Eu irei. Obrigada - murmurou Sarah. Ele desligou, deixando-a com o fone encostado ao ouvido, ouvindo o som de ocupado do outro lado da linha.
        Tinha a mo trmula ao recolocar o receptor no aparelho e, de repente, notou que j no estava sentada. Em algum momento durante a conversa, a tenso a impelira 
a se erguer. Inclinou-se apressada e pegou a bolsa na gaveta de baixo da escrivaninha. Em seguida, fechou tudo, apagou as luzes e trancou a porta ao sair do escritrio.
        No eram apenas as mos que tremiam, mas o corpo inteiro. Sempre ficava assim quando falava com Rome. Mesmo aps anos de treinamento para no pensar nele, 
para no se permitir sonhar com ele, o simples fato de ouvir sua voz tinha o poder de transform-la em uma geleia. Trabalharem na mesma empresa j era ruim o bastante. 
Poderia pedir transferncia para um departamento diferente, assim no o veria com tanta frequncia, mas o tiro certamente sairia pela culatra. Ele havia sido promovido 
e agora era um dos vice-presidentes da empresa. Seu cargo como secretria do vice-presidente snior os colocava, constantemente em contato. Sua nica salvao era 
que Rome a tratava com estrito profissionalismo e ela se esforava para trat-lo do mesmo modo. Que mais podia fazer, j que fora tola o bastante para se apaixonar 
pelo marido da melhor amiga?
        Embora o estacionamento de vrios nveis estivesse com uma temperatura de menos dez graus em relao  rua, o calor ainda lhe afogueava a face, quando Sarah 
caminhou apressada at o carro, um Datsun 280-ZX, modelo antigo e rebaixado. O carro era um exemplo da sua tendncia crescente de colecionar coisas para substituir 
o vazio em casa, receou. Durante toda a sua vida, jurara evitar a vazio frio que havia na casa dos pais. Agora, mais velha, tentava incansavelmente preencher os 
lugares vazios com coisas. O carro era deslumbrante e a levava aonde ela precisava ir, com mais rapidez do que o necessrio. Gostava de dirigi-lo, mas no tinha 
necessidade dele. O carro que ela vendera era uma boa mquina e ainda no estava to ultrapassado.
        Em vez de ir direto para a casa onde Rome e Diane viveram, em um dos bairros mais elegantes de Dallas, Sarah, deliberadamente, dirigiu at um restaurante 
e passou uma hora e meia beliscando frutos do mar, enquanto todos os seus instintos gritavam para se apressar e ir ver Rome o mais depressa possvel. Mas uma parte 
de si relutava em entrar na casa onde ele vivera com Diane, onde ela e a amiga riram e brincaram com os bebs. No entrava l havia dois anos... J haviam se passado 
quase dois anos desde o acidente.
        Quando o relgio marcou 8h, ela pagou a conta e dirigiu lenta e cuidadosamente at a casa de Rome. Seu corao voltou a disparar, fazendo-a sentir um aperto 
no peito. As palmas de suas mos estavam midas. Apertou o volante com mais firmeza para se certificar de que no deslizariam.
        Como estaria? No conferira a aparncia antes de sair. O batom por certo estava passado, mas no se preocupara em retoc-lo. Com uma das mos apalpou para 
ver se alguma mecha de cabelo escapara do coque formal que costumava usar para trabalhar, mas ainda parecia estar razoavelmente em ordem. Ento, exalou um suspiro 
e o esqueceu.
        O Mercedes azul-escuro de Rome estava estacionado sobre a calada. Sarah parou atrs dele e saiu do carro. Em seguida, caminhou devagar, subiu os cinco degraus 
e pressionou o dedo no boto da campainha. Dava para notar que a grama havia sido aparada e os arbustos podados. A casa no parecia vazia, mas estava. Dolorosamente 
vazia.
        Aps um momento, Rome abriu a porta e se afastou para deix-la entrar. Ao fit-lo de relance, Sarah sentiu como se tivesse levado um soco no estmago. No 
esperava v-lo vestido com um terno, mas de alguma maneira havia esquecido como o corpo dele era perfeito, o quanto aparentava ser extremamente viril com um jeans. 
Ele estava usando tnis sem meia, um jeans surrado e uma camiseta branca que se aderia aos contornos do seu torso musculoso. Parecia absolutamente lindo para ela.
        Rome a fitou, reparando no elegante terninho que ela ainda estava usando.
        - Ainda no esteve em casa? - perguntou.
        - No. Parei para jantar em um restaurante, mas no fui para casa.
        A casa estava incomodamente quente. Rome abriu algumas janelas, mas no ligou o ar-condicionado central. Sarah retirou o blazer de linho claro e ia guard-lo 
no armrio, como sempre fazia, quando visitava Diane, ento se lembrou a tempo e, em vez disso, simplesmente o lanou sobre o corrimo da escada. Enquanto ele a 
conduzia ao andar superior, ela afrouxou o colarinho da blusa branca de seda e enrolou as mangas at os cotovelos.
        Rome parou junto  entrada do quarto que compartilhara com Diane, a boca se contraiu e a tristeza sombreou seus olhos escuros, ao olhar para a porta fechada.
        - Est l no armrio. Vou at o quarto dos meninos pegar as coisas deles. Fique o tempo que quiser para olhar o material.
        Sarah esperou at ele entrar no outro quarto, antes de abrir a porta lentamente e entrar no quarto que fora de Diane. Em seguida, acendeu a luz e ficou parada 
por um longo momento, olhando ao redor. Tudo permanecia do mesmo jeito que estava no dia do acidente. O livro que ela estava lendo ainda se encontrava sobre o criado 
mudo. A camisola lanada aos ps da cama. Rome no passara nem mais uma noite ali, desde que Diane morrera.
        Retirando a caixa do armrio, sentou-se no cho para olhar o contedo. Lgrimas toldaram sua viso, ao pegar a primeira fotografia dela e Diane juntas. Deus, 
se para ela era to dolorido ter perdido uma amiga, como Rome devia estar se sentindo? Ele perdera a esposa e os dois filhos.
        Ela e Diane sempre foram muito amigas, durante o tempo de escola. Diane era um dnamo humano, rindo e tagarelando, impulsionando a tmida Sarah a seguir 
em frente. Seus olhos azuis brilhavam, os cachos, castanho-mel, balanavam e ela contagiava todos que a cercavam com seu entusiasmo pela vida, que costumava brilhar 
diariamente para ela. Oh, e os planos que fazia! Dizia que nunca se casaria. Queria ser uma estilista famosa e viajar pelo mundo. Sonhos diferentes dos seus, que 
eram apenas constituir uma famlia amorosa. Mas em algum momento no tempo, seus planos foram trocados. Diane se apaixonara por um rapaz alto, de olhos escuros, um 
jovem executivo que trabalhava para a mesma empresa onde Sarah arrumara um emprego. A partir da Sarah percebeu que o seu sonho jamais se tornaria realidade. Diane 
considerou a fascinante carreira de estilista perdida, quando podia ter Rome Matthews, dar  luz a duas crianas adorveis e se aquecer nesse amor. Sarah, conformada, 
se dedicou ao trabalho, Seu nico consolo.
        Tentou no amar Rome, mas logo descobriu que emoes no eram facilmente controladas. Se j no o amasse, antes mesmo de ele conhecer Diane, poderia ter 
refreado seus sentimentos, no os deixando transformarem-se em algo mais srio. Mas ela o conhecera primeiro. Desde o primeiro momento em que o vira, soubera, bem 
no fundo da sua alma, que ele no seria apenas um colega. Eram os olhos dele, pensou. Profundos e escuros com uma intensidade interior ardente. Rome Caldwell Matthews 
no era um peso-leve. Tinha energia e ambio, aliadas a uma inteligncia que o fez galgar cargos de gerncia to rpido quanto um meteoro. No era um homem que 
pudesse ser chamado de bonito. Sua face aparentava ter sido esculpida em pedra com golpes nervosos. Tinha as mas do rosto proeminentes e angulosas. O nariz j 
havia sido quebrado e a mandbula parecia um slido bloco de granito. Conseguia o que queria na vida e a moldava de acordo com a sua vontade. Sempre fora bastante 
agradvel com ela, mas Sarah sabia que era muito apagada e reservada para atrair a ateno de um homem com a personalidade forte de Rome.
        Contudo, no vero em que convidara Diane para acompanh-la ao piquenique da empresa, no imaginara que ele pusesse os olhos na beleza vibrante da amiga e 
se apaixonasse por ela. Mas aconteceu e Diane e Rome se casaram cinco meses depois. Trs meses aps o primeiro aniversrio de casamento, nascera Justin e dois anos 
mais tarde Shane. Dois lindos garotinhos, com a aparncia da me e a determinao do pai. E Sarah os amava porque eram filhos de Rome. Continuara to ntima de Diane 
quanto antes, mas sempre tivera o cuidado de no infringir o tempo que Rome passava com a famlia. Ele costumava viajar com bastante frequncia e Sarah limitava 
suas visitas aos dias que ele estava fora da cidade. No sabia dizer por qu, mas sentia que Rome desaprovava sua amizade ntima com Diane. Embora, pelo que sabia, 
ele nunca dissera nada. Talvez, fosse porque, simplesmente, no gostasse dela, mesmo sem ela nunca ter feito nada para merecer isso. Sempre procurava se manter afastada 
do caminho dele e nunca revelara nada a Diane sobre os seus sentimentos. No havia sentido naquilo. S teria afligido a amiga e prejudicado uma amizade to duradoura.
        Sara com alguns rapazes e ainda saa, mas apenas casualmente. No era justo encorajar outro homem a uma relao mais ntima, quando no havia chance de 
ela retribuir o amor que lhe era dedicado. Todos que a provocavam, perguntando quando ela iria se casar, recebiam a mesma resposta: amava demais o trabalho para 
lavar meias sujas de algum homem. Era uma resposta despreocupada e comum que servia ao propsito de proteger seu corao vulnervel, mas no passava de uma mentira. 
Nunca almejara uma carreira, mas era tudo que lhe restara, logo tinha que dar o melhor de si. A farsa enganava a todos, menos a ela.
        Rome era devotado a Diane e aos meninos. O acidente na autoestrada, quase dois anos antes, praticamente o aniquilara. Destrura sua alegria de viver, o fogo 
feroz em seus olhos. Diane estava levando os meninos para a escola, quando um motorista bbado, voltando para casa no trfego da manh, atravessara a pista atingindo-a 
de frente. Se o homem no tivesse morrido na hora, Sarah achava que Rome o teria sufocado com as prprias mos, to louco que ficara ao saber do ocorrido. Justin 
morrera com o impacto. Shane dois dias depois. Duas semanas aps o acidente, fora a vez de Diane, sem ao menos recuperar a conscincia ou saber que os filhos haviam 
morrido. Durante essas duas semanas, Sarah passou tanto tempo quanto possvel ao lado da cama da amiga, segurando a mo flcida e tentando traz-la de volta  vida. 
Mas receava que Diane no quisesse acordar do seu sono da morte. Rome era uma presena permanente do outro lado da cama, segurando a mo da esposa, que ostentava 
a aliana de casamento dos dois. Tinha a fisionomia abatida e distante, parecia fechado dentro de si. Diane era a sua nica esperana, seu ltimo raio de sol. Mas 
sua luz delicada tremeluziu e apagou, deixando-o na escurido.
        Devagar, Sarah contemplou foto por foto, vendo a si mesma e Diane em diferentes fases da infncia e da adolescncia. Tambm havia fotografias dos meninos 
quando eram bebs, quando comearam a engatinhar e depois j mais crescidinhos. Rome aparecia em algumas, brincando com os filhos, lavando o carro, aparando a grama, 
fazendo todas as coisas normais que os pais e os maridos fazem. Deteve-se mais tempo em uma das fotos em que ele estava deitado na grama, com apenas um short de 
brim, segurando Justin pendurado em cima da sua cabea. Os braos morenos e fortes segurando a criana com firmeza e era evidente que o menino se sentia seguro nas 
mos do pai. Justin estava rindo. Na grama ao lado deles, Shane tentava se firmar com seus pezinhos de beb e a mozinha rechonchuda minscula se agarrava aos pelos 
escuros do peito de Rome num esforo para tentar se erguer.
        - Achou algo que lhe interesse?
        A pergunta a assustou. Sarah saltou, colocando a foto de volta na caixa. Ento percebeu que Rome fizera uma pergunta normal. No havia notado que ela olhava 
a foto dele com um desejo doentio. Mesmo assim seus olhos verdes sombrios se alargaram cautelosos, quando ela se ergueu, alisando a saia com as mos.
        - Sim. Vou ficar com a caixa. H muitas fotos aqui de Diane e dos meninos... Se voc no...
        - Fique com elas - disse ele sucinto, entrando no quarto. Ento, parou sobre o piso, olhando ao redor, como se nunca tivesse estado l antes. Seus olhos 
pareciam desertos e a boca aparentava como se nunca mais fosse voltar a sorrir. Ele at ria de vez em quando, se lembrou Sarah, mas no passava de um movimento corts 
de lbios. No havia humor. Certamente, o sorriso nunca lhe alcanava os olhos, para reacender o fogo escuro que antes ardia neles.
        Rome enfiou as mos nos bolsos, como se tivesse que fazer algo para impedi-las de se fechar em punhos. Tinha os ombros tensos, suportando o impacto das recordaes 
que aquele quarto lhe suscitava.
        Dormira naquela cama com Diane, fizera amor com ela, brincara de lutar com os meninos, aos sbados pelas manhs, quando eles vinham correndo acord-los. 
Sarah se curvou depressa e pegou a caixa, desviando o olhar para se privar de testemunhar aquela angstia.
        Angstia que ambos sentiam com a mesma intensidade. Amava-o o bastante para desejar que Diane voltasse para ele, s para v-lo sorrir novamente. Rome sempre 
seria de Diane, porque a morte dela no apagara o seu amor. Ainda se afligia por ela, ainda sofria a perda da amada.
        - Terminei l no quarto dos meninos - disse ele distante. - Est tudo embalado. Eu... eu... - A voz falhada fez o corao de Sarah se partir de tristeza. 
Rome respirou fundo, o trax arfando com o esforo que fazia para se controlar.
        De sbito, sua face se contorceu com raiva e ele girou para bater o punho com fora contra a cmoda, sacudindo os vidros de perfume e cosmticos que ainda 
recobriam seu topo.
        - Droga, que desperdcio! - amaldioou-se violentamente, ento tateou na cmoda enquanto seu corpo se curvava sob o peso da raiva e aflio que sentia. Rome 
jamais conhecera a derrota at sua famlia lhe ser usurpada. A morte era o fim, era permanente, golpeando sem avisar e destruindo a vida que ele construra para 
si.
        - Em alguns aspectos, perder os meninos foi pior que perder Diane - disse ele num tom amortecido. - Eles eram to crianas. No tiveram chance de viver. 
Jamais souberam o que era participar de jogos na escola secundria, ir para a faculdade ou beijar as namoradas pela primeira vez. Nunca fizeram amor ou tiveram a 
alegria de ver seus filhos nascerem. Nunca tiveram a chance.
        Sarah apertou a caixa contra o peito.
        - Justin beijou a namoradinha - comentou trmula, com um breve sorriso, a despeito da dor que sentia. - O nome dela era Jennifer. Havia quatro Jennifers 
na turma dele. Mas ele me disse que a Jennifer dele era a mais bonita. Beijou-a na boca e a pediu em casamento. Mas a menina se assustou e fugiu. Ele me disse que 
ela ainda no estava preparada para o casamento, mas que ficaria de olho nela. Isso  quase literal acrescentou com um risinho. Ela imitou o modo de falar de Justin, 
arrastado e consistente, para um menino de 7 anos e a boca de Rome se contraiu. Ele a fitou e, de repente, o castanho-escuro dos seus olhos tremeluziu com luzes 
douradas. Deixando escapar um som sufocado, jogou a cabea para trs e deu uma gargalhada.
        - Meu Deus, ele no era fcil. Pobre Jennifer, no teria sossego.
        Nem a pobre Sarah. Justin herdara todo o charme e encanto do pai.
        Seu corao vibrou com o riso de Rome, a primeira risada genuna que o ouvia dar em dois anos. Ele no falava sobre os meninos ou Diane, desde o acidente. 
Refreara todas as lembranas, juntamente com a dor, como se tivesse que mant-las armazenadas para poder seguir adiante.
        Sarah se moveu, ainda apertando a caixa.
        - Estas fotos... Se um dia voc as quiser, so suas.
        - Obrigado. - Ele encolheu os ombros largos, como se tentando aliviar a tenso. - Isto  mais difcil do que imaginei que seria.  mais do que posso suportar.
        Sarah abaixou a cabea, incapaz de responder ou encar-lo sem chorar. Era bastante traumtico para ela, que comeava a duvidar da prpria capacidade de superar 
tudo aquilo, mas no podia tornar as coisas ainda piores para Rome. Se ele comeasse a chorar, ela provavelmente morreria naquele mesmo lugar. Parte da agonia que 
sentiu aps o acidente fora por ele, por saber o quanto ele estava sofrendo. No fora sequer capaz de abra-lo no funeral. Rome permanecera imvel, a face plida 
e distante, fechado para todos que o cercavam, pelo seu luto. Ficara sozinho, incapaz de dividir sua dor.
        Quando o fitou novamente, ele estava sentando na cama onde dormira com Diane, com a camisola de seda da esposa nas mos. Com a cabea curvada, revirou a 
seda inmeras vezes nos dedos.
        - Rome... - Sarah parou, no sabendo o que dizer. O que poderia dizer?
        - Ainda desperto no meio da noite e a procuro - confessou ele num tom rouco. - Esta  a camisola que ela usou na ltima noite que passamos juntos, na ltima 
noite em que fizemos amor. No consigo me acostumar a no t-la a meu lado.  uma dor vazia que no me abandona, no importa com quantas mulheres eu saa.
        Sarah ofegou, os olhos verdes se arregalaram e em seguida se fecharam. Ele a fitou com um olhar amargo.
        - Isso a choca, Sarah? O fato de eu sair com outras mulheres? Fui fiel a Diane durante oito anos, sequer beijei outra mulher. Embora, s vezes, quando viajava, 
despertava  noite, desejando tanto uma mulher que chegava a doer. Mas ningum mais serviria. Tinha que ser ela. Ento eu esperava at chegar em casa. E passvamos 
aquela noite inteira em claro.
        Sarah sentiu a garganta apertada e desviou o olhar, quando uma dor pungente e inesperada a atingiu. No queria ouvir aquilo. Sempre tentou no pensar nele 
na cama com Diane, no sentir inveja da amiga, esforando-se para impedir que o cime destrusse a amizade das duas. Obteve xito enquanto Diane era viva. Mas agora 
aquelas palavras a dilaceravam, forando uma torrente de imagens em sua mente que no estava disposta a ver. Virou o rosto para evit-lo. No queria ouvi-lo.
        A cama rangeu quando ele se ergueu. Ento, de repente, num gesto firme, ele a segurou pelos braos e a virou, forando-a a encar-lo. Tinha a face plida 
e repleta de raiva, um msculo se contraiu em sua tmpora.
        - O que h de errado, santa Sarah? Est to enterrada nesse seu convento mental que no pode ouvir falar sobre pessoas normais que desfrutam a atividade 
pecaminosa do sexo? - rosnou ele. Sarah congelou, aturdida por aquela exploso de raiva. Ento, vagamente percebeu que ele no estava to bravo com ela quanto estava 
com o destino que lhe roubara a esposa, deixando apenas um vazio em seus braos. Mas mesmo assim, Rome, irritado, era um homem para se temer.
        Sacudiu-a, como se quisesse castig-la por ser uma mulher quente, viva, quando Diane se fora para sempre.
        - Ainda no consigo dormir com outra mulher -- disparou ele num tom amargurado. - No me refiro a sexo. Fiz sexo com outra mulher dois meses aps a morte 
de Diane e me odiei por isso na manh seguinte... Alis, to logo terminei! Sentia como se tivesse sido infiel a ela e to culpado que voltei ao meu quarto de hotel 
e vomitei. Para ser franco nem desfrutei muito, mas voltei a fazer na noite seguinte e me senti culpado novamente. Tentei me auto-flagelar, me fazer pagar por estar 
vivo, quando ela estava morta. Houve muitas mulheres desde ento. Toda vez que preciso de sexo, sempre h uma mulher disposta a se deitar comigo. Preciso de sexo 
e fao sempre que posso, mas no consigo dormir com elas. Quando tudo termina, tenho que partir. Ainda me sinto marido de Diane e no posso dormir com outra mulher 
que no seja ela.
        Sarah se sentiu sufocar, suspensa no tempo pelo aperto frreo daqueles dedos em seus braos, pelo hlito quente que lhe tocava as mas do rosto e pela face 
enfurecida perigosamente prxima a sua. Com um movimento gil, conseguiu se afastar e fechou as mos em punhos. No podia ouvi-lo falar sobre intimidades com outras 
mulheres. Fitou-o com um olhar furioso, desesperado, mas ele no notou. Com um gemido, Rome se ajoelhou no cho, enterrando a face entre as mos, os ombros sacolejando.
        No havia oxignio suficiente no quarto. Sarah ofegou, sentindo dificuldade para levar ar aos pulmes. Seus sentidos rodopiaram, como se fosse desfalecer, 
mas isso no aconteceu. De alguma maneira, se viu de joelhos ao lado dele, abraando-o, como tantas vezes desejara fazer. De imediato, os braos fortes de Rome a 
envolveram num abrao to forte, que ameaava quebrar suas costelas. Aninhando a face na maciez dos seios dela, ele deu vazo ao seu pranto. A torrente de soluos 
fazia seu corpo estremecer. Ela o apertou, acariciando-lhe os cabelos, deixando-o chorar. Sentia que precisava confort-lo. Era um direito que ele tinha. J passara 
tempo demais sem compartilhar sua dor com outra pessoa. Sarah tinha a face molhada, mas no se preocupou com as lgrimas quentes que lhe toldavam a viso. Tudo que 
importava era Rome. Embalou-o suavemente, de um lado para outro, sem nada dizer, apenas com sua presena para proteg-lo da amarga solido que transformara o corao 
dele em uma terra fria e desolada.
        Aos poucos, ele se acalmou, puxando-a mais para si, as mos deslizando pelas costas dela. Sarah sentiu a respirao profunda estufar o trax dele e ento 
uma lufada de ar quente foi expelido contra os seus seios. No mesmo instante seus mamilos enrijeceram, uma reao vergonhosa, escondida sob o suti rendilhado e 
a blusa de seda. Agindo por impulso, afagou-lhe os cabelos.
        Rome ergueu a cabea, com os olhos ainda midos. O tom escuro das pupilas se tornara to intenso que o castanho havia desaparecido. Ele a encarou e com o 
dedo polegar enxugou-lhe as bochechas molhadas.
        - Sarah... - murmurou em meio a um suspiro, encostando os lbios suavemente nos dela.
        Imvel, ela mal conseguia respirar. Suas milhares de oraes haviam sido atendidas naquele toque sutil. Deslizando as mos pelos ombros dele, explorou as 
linhas das costas musculosas. Fora um simples beijo de agradecimento, mas o suficiente para abalar-lhe os alicerces e fazer seu sangue fluir apressado para a cabea, 
to intenso era o prazer que a assaltava. Num movimento lnguido, moldou o corpo macio de encontro ao dele, desde o ombro at as coxas, enquanto os dois continuavam 
ajoelhados no cho. Automaticamente, Rome a apoiou, os braos firmes ao redor das curvas femininas, pressionando-a para obter um contato mais ntimo.
        Afastando-se, voltou a fit-la, agora a expresso em seus olhos exibia um brilho afiado de conscincia. Era um homem bastante experiente para no reconhecer 
aquela reao feminina. Seu olhar recaiu sobre os lbios generosos e trmulos, levemente apartados e o instinto o levou a inclinar a cabea para provar novamente 
sua doura. Dessa vez, no havia leveza em seu toque. No era um simples roar de lbios, mas um beijo faminto e ansioso. Sarah ofegou quando a lngua de Rome invadiu-lhe 
a boca, passando a explor-la com desejo e exigncia, que quase a fez desfalecer de prazer. Seus braos fortes a envolveram e, sem parar de beij-la, deitou-a no 
cho.
        Os sentidos de Sarah hesitaram. Tudo estava acontecendo to igual aos sonhos proibidos, que esqueceu onde estavam, esqueceu o mundo ao redor, concentrando-se 
apenas no homem que se deitava sobre ela, na boca quente com sabor de paixo. Suas unhas cravando-se na pele dele telegrafavam sua reao quele homem. O corpo aceso 
arqueava de encontro ao dele, buscando o inebriante peso daqueles msculos.
        No havia mais noo de tempo ou lugar, nada alm do desejo fsico, inesperado e descontrolado, que ardia entre os dois. Sarah sentiu as mos de Rome em 
seu corpo, tocando-lhe os seios, imergindo sob o tecido da saa para acarici-la intimamente entre as coxas, o que arrancou um murmrio de satisfao dos seus lbios. 
Nenhuma palavra de protesto surgiu em sua mente. Deixou-o fazer o que queria, desligando-se de tudo que no fosse o prazer que aquelas mos lhe proporcionavam. Rome 
conhecia as mulheres e sua experincia a estava enlouquecendo. Ofereceu o corpo esbelto para o deleite dele, sem pensar em mais nada, exceto no quanto era doce e 
agradvel estar em seus braos, provar seus beijos e suas carcias.
        Rome se ergueu, trazendo-a consigo, sem nenhuma dificuldade para os msculos poderosos dos seus braos. Com algumas passadas firmes, alcanou a cama, deixou-a 
sobre o colcho e curvou-se sobre ela, deixando escapar um gemido abafado. Apartando-lhe as pernas, posicionou-se entre elas com um movimento to natural e to bsico 
quanto o ato de respirar.
        Sarah o abraou, atordoada com o desejo que ele lhe despertava, a boca macia e quente sob a dele. Amava-o h tanto tempo e, no momento, sentia como se todos 
os desejos que fizera s estrelas cadentes estivessem se tornando realidade. Estava disposta a deix-lo fazer qualquer coisa com ela e sabia perfeitamente o que 
ele queria. Podia sentir a rigidez viril do corpo que a pressionava de encontro ao colcho. As camadas de roupas entre eles eram barreiras insuportveis, que mantinham 
suas carnes ardentes separadas.
        Ento, de repente, o paraso chegou ao fim. Rome enrijeceu sobre ela, rolou para o lado e se sentou na extremidade da cama, curvando-se para enfiar a cabea 
entre as mos.
        - Maldita - disse num tom tenso, a voz cheia de desgosto. - Voc era amiga de Diane, mas no se importa de rolar comigo na cama que era dela.
        Estupefata, Sarah se sentou, endireitou a roupa e afastou os cabelos dos olhos. O tom acusatrio no conseguia faz-la ficar brava com ele. Entendia o quanto 
Rome se sentia culpado e como estava vulnervel depois da tempestade emocional que vivenciara.
        - Eu era a melhor amiga de Diane - disse trmula.
        - No est agindo como tal!
        Sarah se ergueu da cama, com as pernas bambas.
        - Estamos ambos nervosos - disse ela com a voz hesitante. - Um pouco descontrolados. Diane era como uma irm para mim e sinto muita falta dela tambm. - 
Sarah comeou a se afastar, incapaz de permanecer ali por mais tempo. Sentia como se tivesse suportado tudo que podia por uma noite, sua lngua estava descontrolada, 
balbuciava sem ela escolher as palavras que ia dizer. - No h necessidade de se sentir culpado por isso. No houve nada realmente de sexual no que aconteceu.  
que ambos estamos nervosos...
        Rome se ergueu, a face colrica.
        - Nada de sexual? Inferno! Eu estava entre as suas pernas! Mais um pouco estaramos fazendo sexo! Ou que chamaria a isso ento? Diria que estvamos "confortando" 
um ao outro? Meu Deus, voc no entende nada de sexo!  fria como um iceberg para entender de homens ou o que eles querem!
        Sarah se virou e o fitou, a face plida e os olhos verdes feridos.
        - Eu no mereo isso - murmurou e fugiu pela porta, voando pelos degraus, antes que ele percebesse que ela estava partindo.
        Com um rugido, Rome a seguiu.
        - Sarah! - gritou furioso, alcanando a porta da frente ao mesmo tempo em que ela virava a chave de ignio, engrenava a marcha e deixava a calada cantando 
pneus. Ficou parado na porta, vendo o brilho vermelho das luzes traseiras do veculo desaparecerem quando ela virou a esquina. Irritado consigo mesmo, bateu a porta 
e se amaldioou violentamente por vrios minutos. Ento, notou que ela havia deixado o blazer do terninho e o apanhou. Droga! Como podia ter dito aquilo a ela? Sarah 
tinha razo. Ela no merecia aquilo. Ele a censurara, mas a culpa era dele, no apenas pelo que acabara de acontecer, mas pelos anos que passara prestando ateno 
nela e desejando lev-la para a cama, mesmo sabendo que ela era a melhor amiga de Diane.
        Encarando o blazer de linho nas mos, pressionou-o contra os lbios. Ser que Sarah no percebia o desafio que era para os homens? Era to fria, fechada 
e distante. Dedicada  carreira, sempre deixara claro que no precisava de um homem para nada alm de um relacionamento casual. Durante anos, os rumores davam conta 
de que era amante do presidente da companhia, mas Diane no acreditava nisso, e ele confiava no julgamento da esposa. Em vez disso, Diane achava que Sarah devia 
ter tido um caso de amor que terminara mal. Mas, como dissera mais de uma vez, Sarah mantinha muitos aspectos da vida dela em segredo.
        Rome lembrou-se da primeira vez em que desejara Sarah. Fora no dia do prprio casamento. Estava to impaciente para partir com Diane e ento vira Sarah, 
aparentando to solitria como sempre, os cabelos loiro-claros presos no alto da cabea, a face de marfim usando uma mscara corts. Ser que nunca ficava excitada 
ou desarrumada? Nunca ficava nervosa?, desejou saber. Ento tentou imaginar como seria se a levasse para cama. Os cabelos loiros desalinhados pela selvageria da 
paixo, a boca vermelha intumescida pelos seus beijos, o corpo esbelto mido pela transpirao. De repente, seu prprio corpo ficara excitado de desejo e precisou 
se virar para disfarar sua reao. Lembrou-se de como ficara ressentido com ela, por t-la desejado at mesmo no dia do seu casamento com Diane.
        Os anos no haviam mudado a situao. Sarah sempre se mostrara fria e distante com ele. Nunca ficava por perto se ele viesse para casa, quando ela vinha 
visitar Diane. Amava a esposa, era fiel e se sentia totalmente satisfeito com ela na cama, mas sempre soubera, no fundo da sua mente, que desejava Sarah. Se ela 
tivesse correspondido, ele teria permanecido fiel a Diane? Queria acreditar que sim, mas no tinha certeza. Veja s o que acontecera na primeira vez que a beijara! 
Estava pronto para possu-la l mesmo no cho, mas pelo menos tivera um momento de preocupao por aquela pele macia e a levara para a cama, uma interrupo que 
por certo o fizera parar. Mas Sarah no ficara fria e reservada em seus braos. Pelo contrrio, se mostrara morna e suscetvel, apartando as pernas e o acolhendo 
sem hesitao. Tinha a face corada e algumas mechas dos belos cabelos loiros livres da priso que os mantinha no alto da cabea, emaranhando-se ao redor das suas 
tmporas.
        Era assim que a desejava. A imagem asseada e indiferente totalmente arruinada. Certa vez, chegara de uma viagem mais cedo e ela estava na piscina com Diane 
e os meninos, rindo e brincando como uma criana. Os cabelos longos soltos pela primeira vez, flutuando ao seu redor como uma nuvem mgica. Colocara um traje de 
banho e descera para se unir a elas e no momento em que ele apareceu, Sarah parou de rir. Agiu com bastante casualidade, mas pediu desculpas a Diane e saiu da gua. 
Secando-se rapidamente, colocou um short de brim que s acentuara ainda mais as pernas longas e adorveis. A viso de Sarah em um biquni amarelo claro o excitara 
tanto que precisou mergulhar depressa na gua, e quando voltou  superfcie, ela j havia partido.
        Um homem no poderia ter desejado uma esposa melhor ou mais amorosa que Diane. Mas por mais que a tivesse amado, por mais que sofresse por t-la perdido, 
ainda assim desejava Sarah. No era uma questo de amor. No havia emoes envolvidas. A atrao que sentia por ela era puramente fsica. Censurara-a porque, com 
ela, sexo seria uma traio muito mais grave do que com outras mulheres sem nome, sem cara. Eram apenas corpos, sem personalidade. Mas ele conhecia Sarah e no podia 
apagar sua identidade da mente. Desejava fazer sexo com ela. Desejava contempl-la quando ela enlouquecesse embaixo dele. Queria ouvi-la murmurar o nome dele durante 
a agonia da paixo. E ela era a melhor amiga de Diane.
        
        
        Horas mais tarde, Sarah revirava de um lado para o outro na cama, as lgrimas finalmente haviam cessado, mas no conseguia dormir. Sentia-se esgotada e ferida 
por dentro. Quando o telefone tocou, tentou ignor-lo, porque no importava quem fosse, no estava com vontade de falar com ningum. Mas um telefonema s 2h da manh 
poderia ser alguma emergncia e por fim estendeu o brao e ergueu o aparelho. Quando disse al, estremeceu ao som da prpria voz que ainda estava espessa pelas lgrimas 
que derramara. 
        - Sarah, eu no queria dizer...
        - No quero falar com voc - interrompeu ela ao ouvir aquela voz grave que destrua o frgil controle que conseguira sobre as suas emoes e comeou a chorar 
novamente. Os soluos macios eram evidentes, apesar dos esforos que fazia para escond-los. - Posso no saber nada sobre homens, mas voc no sabe nada sobre mim! 
No quero mais conversar, entendeu?
        - Deus, voc est chorando - ele gemeu suavemente, o som msculo inundou o ouvido dela com pores iguais de dor e desejo.
        - J disse que no quero falar com voc! 
        Rome de alguma maneira pareceu adivinhar as intenes dela e disse num tom irritado:
        - No desligue o telefone!
        Mas Sarah desligou assim mesmo. Enterrando a cabea no travesseiro, chorou at seus olhos ficarem secos e ardendo.
        - Voc no sabe nada sobre mim - disse ela em voz alta na escurido do quarto.
        
        
        
     Captulo Dois
        
        
        
        Sorte que o dia seguinte era sbado, pois aps a noite horrvel que passara, alternadamente, chorando e olhando para o teto, Sarah dormiu at tarde e levantou 
ainda se sentindo cansada, com as plpebras pesadas e os movimentos letrgicos. Esforou-se para fazer as tarefas rotineiras e  tarde aninhou-se no sof, exausta 
demais e sem vontade de fazer qualquer outra coisa. Precisava comprar mantimentos, mas simplesmente no podia enfrentar tamanha chatice. Um inventrio mental rpido 
nos armrios lhe garantiu que no passaria fome, pelo menos no durante uns dois dias.
        A campainha tocou e ela se ergueu, atendendo ao chamado sem pensar em nada. Assim que abriu a porta e se deparou com a face morena de Rome, um sentimento 
de desespero desabou sobre seus ombros. Por que ele no pde esperar at segunda-feira? Teria se recuperado at l e no estaria em to terrvel desvantagem. Sequer 
podia contar com o conforto de estar vestida adequadamente. Os cabelos longos caiam-lhe livres sobre as costas. A cala jeans era velha, justa e desbotada e a blusa 
enorme com certeza revelava o fato de que possua seios pequenos demais. Sarah lutou contra o desejo de cruzar os braos sobre o trax protetoramente, mesmo quando 
os olhos dele comearam a inspecion-la desde os ps, envolvidos em meias azuis, at a face desprovida de qualquer trao de maquiagem.
        - No vai me mandar entrar - perguntou ele, a voz ainda mais grave que o habitual.
        Sarah no proferiu um convite verbal. No foi capaz. Em vez disso, se afastou e abriu a porta. Rome passou por ela e entrou na sala. Usava um traje informal, 
cala comprida cor de bronze e um pulver azul, mas ainda a fazia se sentir como algo encontrado no depsito de lixo da cidade.
        - Sente-se - disse ela, finalmente controlando a voz o bastante para falar. Rome se sentou no sof e ela se acomodou em uma imensa poltrona em frente a ele, 
incapaz de entabular uma conversa, apenas esperando que ele falasse para quebrar a tenso.
        Rome no percebera qualquer tenso. Ficara surpreso demais com a aparncia de Sarah e estava tendo dificuldade para lidar com aquele aspecto novo e surpreendente 
do carter dela. Esperava v-la vestida com sapatos de saltos altos, calas pretas macias e brilhantes e blusa de seda, a habitual frieza como uma barreira entre 
eles. Em vez disso parecia bastante jovial, relaxada e muito sensual naquelas roupas velhas e confortveis. Possua uma graa polida e aristocrtica que lhe tornava 
possvel usar qualquer coisa, at mesmo uma camisa de futebol americano velha, com uma elegncia casual. Sabia que ela e Diane eram da mesma idade, logo Sarah tinha 
33 anos, mas havia um frescor naquela face nua que a fazia aparentar uns 10 anos a menos. Era daquele modo que sempre imaginara v-la, ou pelo menos com algo diferente. 
A estabilidade remota que esperara havia desaparecido e ele percebeu que a tinha em desvantagem. Com um olhar de apreciao, examinou-a novamente, demorando-se nos 
contornos dos seios sob o tecido da blusa e, para sua surpresa e para intensificar ainda mais o seu desejo, um rubor morno aqueceu as faces delicadas de Sarah.
        - Sinto muito por ontem  noite - disse de repente. - Pelo menos, sobre o que eu disse. No me arrependo de t-la beijado ou por quase ter ido para cama 
com voc.
        Sarah desviou o olhar, incapaz de encar-lo.
        - Eu entendo. Ambos estvamos...
        - Transtornados. Eu sei. - Seus lbios se curvaram num breve sorriso ao interromp-la. -- Mas transtornado ou no, eu a beijei a segunda vez porque quis 
beij-la. Senti vontade de v-la, de convid-la para jantar, se puder me perdoar pelo que eu disse.
        Sarah umedeceu os lbios. Parte dela desejava se agarrar quela oportunidade, qualquer oportunidade de passar algum tempo com ele, mas a outra estava cautelosa, 
com medo de ser ferida.
        - No acho que seja uma boa ideia - disse por fim, libertando as palavras presas na garganta seca. - Diane... Diane sempre estar na minha mente.
        Os olhos dele escureceram com a dor que os assaltou.
        - E na minha. Mas no posso deitar e morrer com ela. Tenho que continuar vivendo. Sinto atrao por voc e um dia lhe contarei como sempre me senti. - Ele 
deslizou uma mo agitada pelos cabelos escuros, agitando as mechas que normalmente lhe caam sobre a testa. - Inferno, no sei - disparou confuso. - Mas ontem  
noite, pela primeira vez, consegui falar sobre eles. Voc os conheceu e entende. Estava tudo preso dentro de mim e com voc pude falar. Por favor, Sarah, voc era 
amiga de Diane. Agora seja minha amiga.
        Respirando fundo, ela o encarou dolorosamente. Que ironia do destino, o homem que ela amara durante anos vir procur-la, implorando sua amizade, porque sentia 
que podia conversar com ela sobre a esposa morta. Pela primeira vez se ressentiu com Diane, com o lao com que ela envolvera Rome que no se soltava nem mesmo aps 
a sua morte. Mas como podia lhe dizer no, quando ele a encarava com as feies contradas de desespero? Como podia dizer no a qualquer coisa que ele lhe pedisse? 
A verdade nua e crua  que no conseguia lhe negar coisa alguma.
        - Certo - sussurrou ela.
        Rome se sentou por um momento. Ento, as palavras dela penetraram em sua mente e ele fechou os olhos, aliviado. E se ela tivesse recusado? De uma maneira 
que no podia compreender, se tornara vital para ele que Sarah no o repelisse. Era seu ltimo elo com Diane e, alm disso, na noite anterior, finalmente conseguira 
romper o gelo que a cercava, descobrindo que ela no era to fria assim. E queria fazer isso novamente. O pensamento de excit-la mexeu com a sua respirao e fez 
seus quadris enrijecerem.
        Para dispersar o desejo crescente, deu uma olhada ao redor do apartamento e voltou a ficar surpreso. No havia vidros ou cromados, apenas texturas confortveis 
e cores relaxantes. A moblia era toda robusta e repleta de estofados, um convite ao repouso de um corpo cansado. De repente, sentiu uma imensa vontade de se estirar 
no sof, que era longo o bastante para acomodar suas longas pernas e assistir a um jogo de beisebol na televiso, comendo pipoca salgada, com uma lata de cerveja 
gelada na mo. A sala era assim, calma e confortvel. Era ali que Sarah libertava os cabelos, literalmente, pensou, contemplando, deleitado, os longos cabelos loiros 
soltos sobre as costas dela. Quando os torcia no coque formal, que usava no trabalho, subjugava todos os cachos, mas agora podia ver que no eram to lisos assim, 
as pontas tendiam a enrolar. Era surpreendentemente loira.
        - Gosto desta sala - disse ele, fitando-a.
        Sarah olhou nervosa ao redor, ciente do quanto de si era revelado pela atmosfera que havia criado para a sua toca particular. Montara uma casa que lhe proporcionava 
o calor e a segurana que sempre almejara durante toda a vida. Crescera em uma casa provida de conforto fsico, porm deixava a desejar no que se referia a amor. 
Impecvel, decorada por um renomado designer de interiores, mas a frieza que havia entre as paredes a fazia tremer e inventava desculpas, mesmo quando criana, para 
escapar l de dentro. A frieza refletia a hostilidade do homem e da mulher que viviam em seu interior. Duas pessoas to amargas por estarem unidas por um casamento 
sem amor, que no conseguiam demonstrar afeto a uma criana, que embora inocente, fora a priso que os manteve juntos. Quando por fim se divorciaram, apenas algumas 
semanas depois de Sarah entrar para a faculdade, fora um alvio para os trs. Como nunca fora prxima dos pais, desde ento passara a ficar ainda mais distante deles. 
A me casara novamente e fora viver nas Ilhas Bermudas. O pai tambm voltara a se casar e se mudara para Seattle. Agora, ao 57 anos, era pai de um menino de 6 anos 
de idade.
        O nico exemplo de vida familiar que Sarah conhecera fora proporcionado por Diane. Primeiro com os pais de Diane, depois com o lar que ela construra ao 
lado de Rome. Diane tivera a ddiva do amor, uma efuso morna de afeto que atraa as pessoas para ela. Com Diane, ela rira e brincara e fizera todas as coisas normais 
que uma menina adolescente faz. Mas agora Diane se fora. Pelo menos, morrera sem saber que sua melhor amiga estava apaixonada pelo marido dela, pensou angustiada.
        De repente, ela se recomps e se ergueu.
        - Sinto muito. Gostaria de beber algo?
        Uma cerveja gelada e pipoca salgada, pensou Rome. Apostaria qualquer coisa que possua, que Sarah no bebia cerveja, mas podia imagin-la enrolada no sof 
ao lado dele, tomando um gole do refrigerante e enfiando a mo na tigela de pipoca. Ela no falaria durante o jogo, mas na hora dos comerciais ele inclinaria a cabea 
dela para trs e a beijaria lentamente, provando o sal nos seus lbios macios. Quando o jogo terminasse, estaria to louco por ela, que a possuiria l mesmo no sof 
ou talvez no tapete em frente  televiso.
        Sarah se remexeu apreensiva, desejando saber por que ele a observava to atentamente. Ento, ps uma mo na bochecha, pensando na possibilidade de ir at 
o quarto colocar um pouco de maquiagem.
        Qualquer coisa seria melhor que nada.
        - Suponho que no tenha cerveja? - perguntou ele suavemente, sem tirar os olhos dela.
        Mesmo sem querer, Sarah riu da pergunta. Nunca comprara uma cerveja na vida. Tudo que sabia sobre essa bebida vinha dos comerciais de televiso.
        - No. Est sem sorte. Suas opes se limitam a um refrigerante, gua, ch ou leite.
        As sobrancelhas escuras se ergueram.
        - Nenhuma bebida alcolica?
        - No sou de beber. Meu metabolismo no suporta lcool. Descobri na faculdade que fico bbada com muita facilidade.
        Quando sorriu, a face delicada assumiu uma animao que o fez prender a respirao. Rome se remexeu incomodamente no sof. Droga! Tudo naquela mulher o fazia 
pensar em sexo.
        - Acho que vou dispensar a bebida, a menos que queira me convidar para jantar?
        Sarah afundou novamente na poltrona, enervada pela rapidez com que ele abusava da amizade recentemente nascida entre os dois. Como poderia convid-lo para 
jantar? J estava quase anoitecendo e no sara para comprar mantimentos. A refeio mais nutritiva que poderia lhe oferecer seria um sanduche de manteiga de amendoim 
e Rome no parecia ser um homem de apreciar manteiga de amendoim. O que ele gostaria de comer? Desesperada, tentou se lembrar das refeies que Diane preparava. 
Mas a amiga era um desastre total na cozinha, tanto que seus esforos se limitavam a coisas simples, que pudesse preparar sem muito risco e que suprisse apenas a 
necessidade e no a preferncia de algum. No era o seu caso. Era uma excelente cozinheira, mas havia um limite para o que podia ser feito com fatias de po e um 
pote de manteiga de amendoim.
        Por fim, virou as palmas para cima, impotente.
        - Meus armrios no esto vazios, mas falta pouco para isso. Posso convid-lo para jantar, mas a comida sair bem tarde, porque terei que ir fazer compras, 
primeiro.
        Sua sinceridade o deleitou e Rome riu, um riso genuno que fez os olhos escuros brilharem com intensidade. Sarah prendeu a respirao. Certamente no era 
um homem bonito, mas quando ria, podia encantar os pssaros l fora nas rvores. O riso aveludado profundo fez sua espinha formigar e a levou a imaginar-se deitada 
na cama com ele, no escuro, depois de fazerem amor. Conversariam e a voz grave e ressonante a faria sentir-se segura e protegida.
        - No  melhor eu lev-la para jantar, em vez disso? - ofereceu, ele de repente. Sarah percebeu que ele havia planejado aquilo desde o incio, mas decidira 
importun-la primeiro.
        - Certo - aceitou ela suavemente. - O que tem em mente?
        - Bife. Se no pudermos achar o maior bife do mundo no Texas, no acharemos em mais lugar nenhum. Eu no almocei - confessou.
        Porque Rome estava faminto, saram para jantar cedo. Sarah sentou-se em frente a ele e mastigou o bife, sem de fato sentir o sabor da carne, sua mente estava 
toda voltada para ele, para suas expresses e todas as palavras que proferia. Estava confusa com aquela sucesso de eventos. Simplesmente, no podia acreditar que 
estavam jantando juntos, conversando e fazendo coisas normais, como se os repentinos e trridos momentos nos braos dele, na noite anterior, nunca tivessem acontecido. 
J havia sado para jantar fora uma centena de vezes, mas sempre com homens que nunca conseguiram arrepiar suas camadas de indiferena. Mas com Rome se sentia nua, 
exposta, embora fosse uma vulnerabilidade interna que no era revelada pela sua expresso tranquila. Seus nervos tremiam e as batidas do corao ficavam cada vez 
mais aceleradas.
        Todavia, conseguia conversar educadamente e foi inevitvel que a conversa se voltasse para o trabalho deles. O chefe de Sarah, o sr. Graham, vice-presidente 
snior, possua um cargo mais alto que o de Rome, mas no era nenhum segredo que quando o sr. Edwards, presidente da empresa, se aposentasse, Henry Graham no seria 
o seu substituto. Apesar de jovem, Rome era um estrategista brilhante e possua experincia em todos os setores da empresa. Sarah o achava perfeitamente capaz para 
assumir tal posio. Tinha personalidade forte, inteligncia e carisma necessrios para desempenhar aquele cargo. Desde que o conhecia, s o vira perder o controle 
uma vez no trabalho e tal demonstrao fizera as pessoas se dispersarem assustadas. Tinha um temperamento forte, mas normalmente o mantinha sob rgido controle. 
Fora uma dupla surpresa ele ter se descontrolado com ela na noite anterior, com to pouca provocao.
        A princpio, Rome estava um pouco tenso, como se cauteloso de revelar demais. Mas com o passar das horas, relaxou, curvando-se para frente na mesa e fitando-a 
com interesse. Sarah em geral no omitia opinies, mas o observava atentamente e seus anos de concentrao no trabalho lhe garantiam compreenso suficiente dos mecanismos 
ocultos, das polticas do escritrio e das capacidades e fraquezas das pessoas com quem trabalhava. Com Rome, suas defesas habituais desapareceram, sendo varridas 
completamente para fora da sua conscincia. Simplesmente respondia a ele em todos os nveis, feliz demais para pensar em se proteger. Sua face, normalmente to distante 
e fechada, parecia viva sob o brilho da ateno que ele lhe dispensava. E seus olhos verdes perderam as sombras, fitando-o com um reluzir de encantamento.
        A conversa continuou durante o trajeto de volta para casa e quando ele parou o carro em frente ao edifcio dela, permaneceram sentados no carro, como dois 
adolescentes relutantes em terminar o encontro, em vez de entrar para tomar um caf e terminar a noite.
        As luzes da rua banhavam o interior do veculo com um brilho prateado, ofuscando todas as sombras de cor, com exceo da escurido dos cabelos e dos olhos 
de Rome e do tom claro dos cabelos de Sarah. Ela aparentava etrea sob a luz artificial e sua voz soava aveludada na escurido da noite.
        Rome a alcanou de repente e segurou-lhe a mo.
        - Eu adorei. Parece que faz uma eternidade desde que pude conversar com uma mulher. No tive nenhum relacionamento depois que Diane morreu. No me refiro 
a sexo - explicou calmamente. - Estou falando sobre poder ser amigo de uma mulher, falar com ela, desfrutar sua companhia e relaxar a seu lado. Acho que sinto muita 
falta disso. Esta noite... Bem, foi maravilhosa. Obrigado.
        Sarah virou a mo e apertou os dedos dele ligeiramente.
        - Amigos so para isso.
        Rome a acompanhou at o apartamento. Sarah destrancou a porta e a abriu. Em seguida, alcanou o interruptor e acendeu a luz, antes de se virar de frente 
para ele mais uma vez. Seu sorriso estava suavemente triste, porque odiava ver aquela noite chegando ao fim. Fora um dos melhores momentos da sua vida.
        - Boa noite. Foi divertido. - Mais que divertido. Fora divino, pensou.
        - Boa noite - respondeu ele, mas no partiu. Em vez disso, permaneceu parado junto  entrada, fitando-a sobriamente. Sem conseguir resistir, ergueu o brao 
e acariciou-lhe a face com o dedo indicador, ento desceu e envolveu-lhe o queixo com a palma da mo carinhosamente. Quando se curvou na direo dela, Sarah se derreteu 
em antecipao, os olhos se alargaram, uma onda de calor varreu seu corpo. Rome ia beij-la mais uma vez. Os lbios experientes tocaram os dela de leve, apartando-lhe 
a boca ofegante. O gosto morno a inundou. Seus clios tremularam, ento lentamente se fecharam. Exalando um suave suspiro, se aninhou nos braos dele. Rome no precisou 
de outro encorajamento. Fechando os braos ao redor da cintura esbelta, puxou-a de encontro ao peito e gradualmente aprofundou o beijo, como se receasse estar indo 
rpido demais, lhe dando o tempo necessrio para ela aceit-lo ou rejeitar cada novo movimento.
        No havia nenhuma chance de Sarah rejeit-lo. No era capaz de dizer no a Rome. Sentia o calor do corpo dele queimando-a atravs das camadas de roupa que 
usava e aquela quentura era como um fogo que a atraa para mais perto. Rodeou-lhe o pescoo com os braos e, avidamente, aceitou a invaso mais ousada da sua lngua. 
Um desejo ardente e primitivo comeou a crescer em seu interior. Queria senti-lo mais perto, moldar-se firmemente quele corpo at suas carnes se fundirem.
        As mos geis moviam-se vidas ao longo das suas costas, desejando explorar mais, apenas contidas pelo rgido controle que ele se auto-impunha. Percebendo 
que se sentia segura com ele, Sarah o beijou com indisfarado desejo, no se preocupando que Rome pudesse enxergar alm da explicao bvia para o comportamento 
dela e chegar  concluso de que sua atrao por ele transcendia ao sexo. Mas fazer sexo com ele seria to bom, pensou zonza, puxando-o mais para si. Sua experincia 
podia ser percebida pelo modo firme, porm suave, como a tocava, o vagar como conduzia todas as suas carcias. Se a tivesse levado diretamente para o quarto, ela 
o teria seguido sem um murmrio de protesto.
        Mas ele terminou o beijo. Exalando um suspirou, descansou a testa de encontro  dela, por um momento, antes de alcanar os braos que lhe rodeavam o pescoo, 
afastando-a para longe dele.
        - Agora  de fato boa noite. Vou ficar em maus lenis se isto continuar. Ento  melhor parar por aqui. Eu a verei segunda-feira pela manh, no trabalho.
        Depressa Sarah recuperou a compostura e tentou disfarar a respirao ofegante. Seu corpo se sentia trado, mas ele estava certo. Aquilo tinha que ter um 
fim ou no pararia nunca.
        - Sim. Boa noite - Sarah inspirou o ar, antes de entrar no apartamento e fechar a porta devagar.
        Rome foi para o carro, mas ficou sentado em seu interior por um longo tempo, antes de ligar o motor e partir. No, ela no era fria, apesar de sua aparncia 
e da postura de rainha de gelo que costuma adotar. No queria deix-la. Todos os seus sentidos clamavam pelo conforto que encontrara naquele corpo macio e morno, 
mas para sua surpresa, percebera que no podia ter um relacionamento to casual com Sarah como costumava acontecer com outras mulheres com quem sara nos ltimos 
dois anos. Ela era a amiga de Diane e Diane a amava. A conscincia no lhe permitiria trat-la como um objeto sexual. Alm do mais, no mentira ao dizer que apreciara 
ter sado com ela para jantar. Sarah possua um surpreendente senso de humor e quando relaxava era realmente adorvel, os olhos brilhavam e a boca macia se curvava 
num sorriso atraente. E quando o beijava, deixava claro que desejava beij-lo. A reao inquestionvel que demonstrara o levara alm dos limites do controle. O contato 
dos quadris suaves pressionando-o fora o bastante para faz-lo esquecer tudo, concentrando-se apenas no corpo feminino e morno em seus braos. Longe de diminuir 
com a intimidade, o interesse fsico que sentira por ela durante todos aqueles anos estava se intensificando a cada vez que a via.
        Vira os longos cabelos louro-claros como um halo brilhando ao redor dos ombros dela e agora desejava v-los esparramados sobre um travesseiro, enquanto ela 
esperava por ele deitada. O esbelto e gracioso corpo nu, a boca intumescida pelos seus beijos. Uma onda repentina possessiva o fez trincar os dentes e pensar na 
ducha fria que teria que tomar antes de dormir. Se tivesse ficado com ela, estaria relaxado e sonolento agora, livre de todas aquelas tenses.
        Mas Sarah no era uma mulher qualquer. No podia us-la e depois descart-la. Alm do fato de trabalharem juntos, no queria s isso com ela. Um relacionamento 
sexual passageiro no seria suficiente. Queria desvendar todos os seus segredos, deleitar-se repetidas vezes com o jeito doce e quente ela se derretia em seus braos. 
Desejava ter um caso com ela e ficara surpreso quando, de repente, se achou desejando saber se um caso seria o bastante para satisfaz-lo. Queria saber tudo sobre 
Sarah. Queria quebrar completamente aquele frio controle e aprender todas as coisas que pudesse para satisfaz-la. Estava desorientado e precisava dela, de todos 
os modos, e isso ia alm da sua compreenso.
        No era apenas atrao fsica, percebeu de repente. Podia conversar com ela. Sarah era inteligente, divertida, alm do mais se quisesse podia ficar calado, 
porque ela possua uma serenidade que tornava o silncio possvel. Sempre que olhava nas sombras dos seus exticos olhos verdes, tinha a impresso que ela entendia 
tudo, sem precisar de palavras.
        Mas era uma mulher dedicada  carreira. Deixara isso bem claro, durante todos aqueles anos. Dizia estar muito bem sozinha, graas a Deus, sem um homem exigindo 
sua ateno. Provavelmente, rejeitaria qualquer interesse mais srio da sua parte. Logo teria que manter o relacionamento em um nvel leve, casual, deix-la se acostumar 
 companhia dele. Entretanto, tinha dvidas, quanto a sua capacidade de conseguir tal feito, sempre que a tinha nos braos, correspondendo aos seus beijos com tanto 
ardor. Desejava deit-la na cama e beij-la da cabea aos ps. Deleitar seus sentidos na suavidade daquele corpo feminino. Mas o que ela diria?
        Talvez no rejeitasse a possibilidade de terem um caso. Era, acima de tudo, uma mulher moderna e adulta. E se a reao dela aos seus beijos fosse um indcio, 
estava disposta a fazer sexo com ele. Mas por trabalharem juntos h tanto tempo, sabia que Sarah tinha por princpio manter a vida pessoal estritamente separada 
da profissional. Isso poderia ser um empecilho, mas achava que podia convenc-la do contrrio. Seria paciente, no a apressaria, permitindo que ela baixasse todas 
as suas defesas. No sabia dizer por qu, mas sentia que Sarah estava cautelosa a seu respeito, bem fundo, onde ele no podia ver. Talvez fosse cautelosa com todos 
os homens. Diane, s vezes, conjecturava em voz alta sobre a amiga, imaginando que ela tivesse um amante casado e sofresse demais por esse amor.
        Sarah camuflava muito bem sua vulnerabilidade e Rome desejou saber que tolo teria sido estpido o bastante para ter uma mulher maravilhosa daquelas na cama 
e deix-la escapar.
        
        
        Sarah no esperava ter notcias de Rome novamente naquele fim de semana, logo, quando atendeu ao telefone na tarde do dia seguinte e ouviu a voz dele, uma 
onda de alegria a envolveu. Antes que pudesse dizer algo alm de al, ele a interrompeu.
        - Sarah, o Henry teve um ataque cardaco e est mal.
        Chocada, ela quase deixou o telefone cair e reforou seu aperto. Seu chefe no parecia o tipo que sofria do corao. Era um homem baixo, to magro que lembrava 
um arame e bastante ativo. Era um vido golfista. Jogava diariamente e pelo que ela se recordava, nunca fora viciado nem dado a excessos. No era um homem dinmico 
como Rome, mas ela o adorava.
        - Ele vai sobreviver? - perguntou por fim, indo diretamente  pergunta mais importante.
        - Ainda no se sabe. A esposa dele me ligou. Estou no hospital agora. - Ao fundo algum murmurou algo e Rome disse: - Espere um minuto. - Cobrindo o receptor 
com a mo, reduziu as palavras a uma confuso amortecida de sons. Ento voltou a falar, a voz agora bem viva. - Ele levou alguns relatrios para casa este fim de 
semana que precisaremos na segunda-feira de manh. Voc pode ir  casa dele e peg-los? A empregada a deixar entrar.
        - Sim, claro - concordou ela automaticamente. - De quais relatrios voc precisa?
        - A demonstrao financeira da Sterne e o padro de crescimento projetado. Olhe dentro da pasta dele e retire tudo que achar que possamos precisar. Eu a 
verei amanh de manh.
        - Mas em que hospital ele est? - perguntou Sarah. 
        Rome, porm, j havia desligado. Bem, de qualquer maneira, no havia nada que pudesse fazer no momento. Descobriria mais na manh seguinte e talvez a essa 
altura j houvesse um prognstico mais definido sobre o estado de sade de Henry. Aflita pela doena sbita do chefe, penteou os cabelos depressa e saiu. Como havia 
sido instruda, a empregada a deixou entrar e a colocou a par dos detalhes. O sr. Graham parecia bem naquela manh e havia acertado nove buracos de golfe. Depois 
do almoo, reclamara de dores no brao esquerdo e de repente desmoronou no cho.
        - Isso pode acontecer a qualquer momento - disse a empregada solenemente, meneando a cabea. - Nunca se sabe.
        - No, nunca se sabe - concordou Sarah.
        Foi na manh do dia seguinte, ao ser chamada para uma reunio incomum no escritrio do sr. Edwards, que Sarah percebeu que o ataque cardaco do sr. Graham 
poderia afetar seu emprego drasticamente. Rome tambm estava presente, seus olhos escuros fitando-a com interesse.
        Sarah o fitou de relance, tremendo ao lembrar o modo como ele a beijara e ento desviou o olhar depressa. No podia enfrentar a intensidade daquele olhar 
e se manter concentrada no trabalho. E isso a estava afligindo. No importava o quanto estivesse sob presso, sempre fora capaz de desempenhar seus deveres. Era 
perturbador perceber que Rome podia desequilibr-la com um simples olhar.
        - Sarah, sente-se, por favor - disse o sr. Edwards, os olhos astutos suavizaram ao fit-la. Sarah sempre se dera bem com o sr. Edwards, mas ele nunca lhe 
pedira para participar de uma reunio antes. Ela se sentou e calmamente dobrou as mos sobre o colo.
        - Henry no voltar - explicou o homem num tom sereno. - Falei com o mdico dele pessoalmente. Se ele levar uma vida calma, evitar se estressar e no sofrer 
outro ataque, ainda poder viver alguns anos. Mas no poder voltar a trabalhar. Ter que se aposentar mais cedo do que esperava. Rome est sendo promovido ao cargo 
de vice-presidente snior.
        Novamente, Sarah arriscou um relance rpido a Rome e mais uma vez se deparou com aquele escrutnio intenso e enervante. Ele se curvou para a frente na cadeira 
e explicou:
        - No posso aceit-la como minha secretria. Kali trabalha para mim h muitos anos e,  claro, que continuar comigo.
        Aquilo no era surpresa. Sarah lhe tornou um sorriso suave que mexeu com seus interiores, fazendo o punho dele se apertar de repente. No esperava ser secretria 
dele. Isso jamais daria certo. Simplesmente no poderiam trabalhar to prximos todos os dias. J era ruim o bastante ter que v-lo ocasionalmente.
        - Sim, claro. Estou sendo demitida?
        - Santo Deus, no! - disse o sr. Edwards, chocado. - Nem pense nisso. Mas queramos lhe dar o direito de escolha. Estou trazendo um homem de Montreal para 
substituir Rome e a secretria dele no quer se mudar. Se voc quiser, o cargo  seu. Ele  agradvel. Mas se preferir ser transferida para algum outro departamento, 
 s dizer. Voc tem feito um excelente trabalho para a Spencer-Nyle durante todos esses anos. A escolha  sua.
        Sarah pensou em pedir transferncia, mas realmente gostava da atmosfera intensa dos escritrios executivos, onde as decises que afetavam milhares de pessoas 
eram tomadas. O desafio a mantinha interessada e embora estivesse prxima a Rome, o ritmo rpido do seu trabalho tendia a evitar que ela pensasse nele durante o 
dia.
        - Eu gostaria de ser a secretria dele - respondeu por fim. - Como ele se chama?
        - Maxwell Conroy. Dirige o nosso escritrio em Montreal com muita competncia. Acho que ele  ingls.
        - Sim - confirmou Rome. 
        Provavelmente, Rome j havia puxado o arquivo pessoal de Maxwell Conroy no computador e memorizado todas as palavras que continha, pensou Sarah
        - Bom - disse o sr. Edwards num tom cordial, erguendo-se e dando a entender que o assunto estava encerrado. Rome acompanhou Sarah at a porta, mas no voltou 
para o prprio escritrio. Seguiu-a de perto at o escritrio dela e fechou a porta. Sentindo-se absurdamente nervosa, ela se afastou, buscando refgio atrs da 
escrivaninha.
        - Gostaria que soubesse - murmurou ele, curvando-se sobre a escrivaninha e aproximando-se do rosto dela. - Que eu a queria para minha secretria. Muito... 
Mas meu bom senso me advertiu que eu teria dificuldades para desempenhar meu trabalho. Eu seria o esteretipo do chefe perseguindo a secretria ao redor da escrivaninha. 
Ento, pelo bem da empresa, acho que terei que manter Kali.
        Sarah o encarou, perdendo-se na profundidade dos seus olhos escuros.
        - Eu entendo - murmurou.
        - Mesmo? - Ele se endireitou, um sorriso interrogativo curvando-lhe os lbios enquanto a fitava. - No tenho tanta certeza quanto a mim. Talvez voc possa 
me explicar. Sai comigo para jantar hoje  noite?
        Sarah no costumava marcar encontros durante a semana, j que no sabia quando precisaria ficar trabalhando at tarde, mas ao ouvir o convite de Rome, a 
precauo habitual voou pela janela.
        - Claro, com prazer. - Seus olhos verdes no escondiam a satisfao que sentia e ele a encarou por um momento antes de se curvar mais uma vez e beij-la.
        - Eu a pegarei s oito. Que tal comida chinesa?
        - Maravilhoso. Eu adoro.
        As mos de Sarah tremiam quando tentou organizar a papelada rotineira, depois que Rome partiu. Aquilo estava comeando a parecer um relacionamento srio 
e no havia nada que a fizesse retroceder agora, que a impedisse de fazer o que queria. Pensou em Diane e seus olhos se fecharam brevemente. Teria morrido no lugar 
da amiga, se pudesse. Mas ningum tinha direito a fazer tal escolha. Rome estava livre agora, fsica, legal e, porque no dizer, emocionalmente. E qualquer chance 
que pudesse ter com ele, no seria desperdiada.
        
        
        Se no tivesse um jantar de negcios agendado, Rome teria sado com ela todas as noites da semana. Sarah no questionava sua boa sorte. Simplesmente, desfrutava 
todos os momentos que passavam juntos. Lembrando-se que ele pedira apenas para serem amigos, tentava no dizer nada ou fazer qualquer gesto que ele pudesse interpretar 
como flerte, embora isso, s vezes, parecesse pouco importar. Quando Rome lhe dava um beijo de boa-noite, o beijo leve acabava se prolongando, como se ele fosse 
inexoravelmente atrado pelo calor suave dos lbios dela. No instante seguinte, ela se achava presa entre aqueles braos fortes e se beijavam com o fervor contido 
de dois adolescentes. Mas no acontecia nada alm disso. Rome sempre se afastava antes de as carcias se tornaram mais ntimas, o que ela interpretava como falta 
de interesse da parte dele em terem um relacionamento mais srio. Parecia satisfeito com as coisas do jeito que estavam. Tinha companhia, conversa agradvel, bem 
como o conforto de interesses compartilhados. Sarah desejava mais. Queria tudo que ele tivesse para lhe oferecer, mas talvez eleja estivesse lhe oferecendo tudo 
que podia. Sabia que Diane jamais saa da mente dele e sempre que falavam sobre ela, como inevitavelmente acontecia, a expresso de Rome se tornava distante.
        Uma semana aps o ataque cardaco do sr. Graham, Maxwell Conroy chegou de Montreal. Era um ingls alto e magro, com o sotaque formal da classe alta britnica, 
cabelos loiros e os olhos azul-esverdeados mais vivazes que Sarah j vira na vida. Era extremamente belo. Possua uma imutvel beleza aristocrtica que prendia e 
confundia as mulheres. Se Sarah conseguisse enxergar algo alm de Rome, por certo teria se apaixonado  primeira vista por Maxwell Conroy. Mas como sempre, ele recebera 
apenas o seu habitual e ligeiramente reservado sorriso corts.
        O ingls no perdeu tempo. A primeira vez que ficara sozinho com Sarah, convidou-a para jantar.
        Ela o fitou assustada com os olhos arregalados. No havia modo de se equivocar quanto s intenes dele, no com aqueles olhos brilhantes, telegrafando todos 
os seus pensamentos to claramente. Apreensiva, mordeu o lbio inferior. Como podia recusar sem tornar as coisas difceis entre eles no trabalho? No queria se comprometer, 
porque Rome poderia cham-la para sair a qualquer momento.
        - No acho que seja uma ideia boa - recusou por fim, mantendo a voz suave. Temos que trabalhar juntos e voc sabe... Embora no haja regras atuais na companhia 
que impeam o relacionamento entre funcionrios, geralmente  desencorajado no mesmo departamento.
        - Tambm sei que contanto que as pessoas sejam discretas, geralmente  ignorado.
        Sarah respirou fundo.
        - Estou saindo com uma pessoa.
        - Ele se importaria? - Maxwell perguntou de pronto e ela no conseguiu conter o riso.
        - Talvez no - admitiu, o riso enfraquecendo em um eco de dor revelada pelas sombras que escureceram o verde suave dos seus olhos.
        - Ento ele  um tolo - Maxwell disse num tom abafado, os olhos fixos no asseado coque que ela usava. - Se decidir dar uma chance a outra pessoa, deixe-me 
saber.
        - Certo. - Por um momento, ela se deparou com o olhar morno e penetrante do ingls. - Eu o avisarei.
        Para falar a verdade, sentia-se mais atrada por Maxwell do que por qualquer homem que passara pela sua vida, com exceo de Rome. Gostara dele  primeira 
vista e, de um modo curioso, se sentia relaxada com ele, porque tinha certeza que ele reconhecia os limites que ela impusera e os respeitaria at que ela lhe desse 
permisso para ir alm.
        Naquela tarde Rome e Maxwell ficaram algum tempo no corredor conversando, antes de terminarem o expediente. Sarah fechou o escritrio e murmurou um boa-noite 
ao passar pelos dois, policiando-se para o seu olhar no se demorar em Rome. Maxwell se virou para observ-la caminhar ao longo do corredor, os olhos brilhantes 
se estreitaram com visvel interesse. Rome tambm se virou para assistir Sarah se afastar, reparando no seu andar gracioso, no modo como a saia flua ao redor das 
pernas adorveis. No gostou do jeito como o ingls a olhava, como um gato mirando um canrio que estava prestes a transformar em refeio. Uma onda lenta de raiva 
comeou a brotar em seu interior.
        - Ela  uma mulher muito bonita - comentou, sondando uma resposta e todos os nervos do seu corpo esperaram pela resposta de Maxwell.
        O homem lhe lanou um olhar incrdulo.
        - Bonita? Ela  lindssima! E  to delicada, to suave, que voc tem que olhar atentamente para perceber a pureza clssica da sua face.
        Rome tinha visto a face de Sarah ardendo de prazer, os lbios intumescidos pelos beijos dele, implorando por mais. Estava agindo num passo dolorosamente 
lento, esperando por um sinal de que ela tambm se sentia frustrada por terminarem as noites apenas com beijos. Sim, ela gostava dos beijos dele, mas ainda impunha 
uma distncia que ele no conseguira vencer e no importava o quo torridamente a beijasse, ela no o encorajava a ir adiante. Estava comeando a se sentir desesperado, 
o corpo ansiando por satisfao. Vinha dedicando suas noites a ela, logo no sara com outras mulheres para aliviar seus desejos sexuais. No sentia tal ansiedade 
desde que era um adolescente desordeiro, tentando seduzir a namorada virginal todas as noites no banco traseiro do seu carro.
        Mas se Sarah perdesse o autocontrole o bastante para se entregar  paixo, teria que ser cora ele. No tinha a menor inteno de deixar Maxwell ver aquela 
reserva fria derreter-se em calor primitivo e luxria. O desejo dela seria seu, s seu.
        - J reparei nela - disse com a voz uniforme, mas o tom sinalizando uma advertncia ao outro homem. Maxwell o encarou, ento suspirou.
        - Ento, voc levou vantagem sobre mim, no ?
        - Conheo-a h anos - Rome respondeu evasivo. Maxwell deixou escapar um suspiro exasperado.
        - Tambm conheo a empregada da minha me h anos, mas no fico advertindo os homens a se afastarem dela.
        Rome riu, as coisas pareciam ter ficado mais fceis durante aquela ltima semana. Apesar de tudo, gostava de Maxwell. O ingls podia perseguir Sarah implacavelmente, 
mas nunca agiria como um ladino. Apenas se agarraria as suas chances. Isso no abalava a determinao de Rome de t-la toda para si, mas o fez relaxar, fitando o 
outro homem com completa compreenso masculina.
        Max encolheu os ombros magros com um movimento elegante.
        - Estarei esperando nos bastidores, caso voc falhe.
        - Estou tranquilo - disse Rome sardnico. Um sorriso torto curvou os lbios de Max.
        - No fique.
        
        
        
     Captulo Trs
        
        
        
        O coquetel de boas-vindas de Max  sede de Dallas estava transbordando de pessoas ansiosas para conhecer e conversar com o novo escalo superior da Spencer-Nyle. 
Rome, sr. Edwards e Max eram o centro das atenes, j que se tratava do triunvirato que controlava bilhes de dlares e milhares de empregos. O sr. Edwards, um 
homem ilibado e tranquilo, cuja astcia e experincia na rea empresarial o mantinha na presidncia da corporao h 15 anos, escolhia a dedo seus assessores e era 
bem-recompensado pela confiana que lhes depositava.
        Rome vinha sendo treinado para a presidncia, cargo que certamente assumiria quando o sr. Edwards se aposentasse. Observando os jovens e ambiciosos executivos 
circulando ao redor dele, Sarah percebeu que era do conhecimento comum, na ciranda das posies, que Rome seria escolhido por Edwards como seu sucessor. Max, por 
outro lado, era um desconhecido, mas j havia uma certa naturalidade entre ele e os seus superiores que deixava claro a todos que ele fazia parte da equipe.
        Cansada de ser bombardeada por pedidos de informaes sobre Max, Sarah desenvolveu a estratgia de ficar se movimentando. O que exigiu um cronograma bem 
planejado, pegar um punhado de amendoins ou emergir um talo de aipo no dip de queijo e ento circular sem parar tempo suficiente para dar abertura a algum. Apertando 
sua nica taa de bebida da noite, tomou minsculos goles e tentou comer bastante para minimizar os efeitos do lcool, antes que lhe subisse  cabea. Um pouco mais 
cedo, em uma ida rpida  minscula cozinha, onde os servios de buf eram freneticamente preparados para tentar manter o ritmo do apetite dos convidados, tomara 
um pequeno copo de leite que sorvera com a delicadeza de um estivador, tomando a primeira cerveja gelada, aps um dia de trabalho sob uma temperatura de quarenta 
graus.
        - Est engolindo amendoins como se estivesse h dias sem comer - murmurou Rome ao ouvido dela, assustando-a. Tomando-lhe a taa das mos substituiu-a por 
um copo alto repleto de um lquido claro e ambarino e cubos de gelo. - Tome. Beba isto. Cerveja - disse com uma piscadela e terminou de beber o coquetel dela.
        - J ataquei o refrigerador  procura de leite. - Ela riu, os olhos reluzindo ao fit-lo. -- Acha que corro o risco de cair com a cara no cho, antes de 
a festa terminar?
        Rome a contemplou com um olhar sombrio, no que houvesse qualquer trao da tristeza habitual nos olhos dela naquela noite. Se era a pequena quantia de lcool 
que ela ingerira que a deixara to contente, ou se algo acontecera que a fez ficar feliz, ele no sabia dizer, mas tambm no importava. J que a ocasio era mais 
um evento de negcios do que uma reunio social, ele no a trouxera para a festa, mas pretendia visit-la quando a noite terminasse. Pelo modo como o fitava agora, 
talvez relaxasse aquelas defesas invisveis que a impediam de corresponder as suas investidas.
        - No, voc jamais faria qualquer coisa to infame quanto ficar bbada - disse ele por fim em resposta  pergunta dela. -  uma secretria perfeita. J conseguiu 
fazer o Max comer na sua mo.
        - Max  um amor - Sarah respondeu num tom caloroso, lanando um olhar  figura alta e graciosa do ingls e no percebendo o modo como os olhos de Rome se 
tornaram tempestuosos. - Eu adorava o sr. Graham, mas devo admitir que gosto mais de trabalhar com o Max. Ele  mais dinmico.
        Introduzir o novo chefe dela na conversa fora um erro. Movendo-se por instinto, Rome se posicionou entre Sarah e o resto dos convidados, bloqueando-lhe a 
viso.
        - Importa-se se eu for visit-la esta noite? - perguntou, mas havia uma nota de comando em sua voz que denotava imposio em vez de interrogao c Sarah 
o fitou cautelosa.
        - Se quiser... No estou pretendendo ficar aqui muito tempo mesmo. Voc jantou ou aquilo o satisfez? - Com um aceno de mo, ela indicou para as bandejas 
de dips, pastas e legumes frescos, coloridas e enfeitadas, porm pouco saciveis, que ela beliscara a noite toda.
        Rome tinha um apetite salutar.
        - Estou faminto - admitiu. - Quer sair para jantar?
        - No, preferia ficar em casa - disse ela, aps considerar o convite por um momento. - Tenho sobras de frango em casa. Que tal um sanduche?
        - Trocaria toda aquela comida de coelho por um sanduche de frango - comentou bem humorado, fitando-a com um sorriso nos lbios. Sarah retribuiu o sorriso. 
Rome parecia mais relaxado agora, como nunca estivera antes, e ela florescia com a ateno que ele lhe dispensava. Talvez estivesse comeando a pensar nela como 
algo diferente de uma amiga. A esperana de tal possibilidade ser verdadeira deixou-a radiante e o brilho em sua face atraiu olhares de outros homens na sala.
        De repente, Max alcanou Rome. Seu sorriso suavizou ao olhar para Sarah.
        - Voc deveria estar a meu lado - disse num tom jovial, notando como a cor abric do vestido dela combinava cora a cremosidade da sua tez. - Afinal, ainda 
fico totalmente perdido sem voc. Se no a tivesse a meu lado nestes ltimos dias, apontando-me a direo certa, teria agido como um perfeito idiota.
        Max j havia esticado a mo para Sarah, quando Rome o impediu com o brao, bloqueando o gesto. Uma expresso dura e assustadora dominava a face morena quando 
ele olhou para o ingls.
        - J o adverti uma vez - disse num tom sereno, ronronando a ameaa. - Sarah no  para o seu bico.
        - Rome! - Chocada e completamente pega de surpresa, Sarah ofegou o nome dele, desolada. Como ele podia se comportar daquela maneira em um ambiente profissional?
        - Ela no  casada com voc - rebateu Max com a voz calma, sem mexer um fio de cabelo. - Portanto, ter que se arriscar.
        Plida de angstia pelo modo como a conversa casual e descontrada de repente se transformara em um bate-boca agressivo entre os dois homens, Sarah se colocou 
entre eles.
        - Parem com isso! - ordenou, a voz tremendo tanto que soou como um simples sussurro. - Nenhum dos dois ouse dizer outra palavra!
        As narinas de Rome se alargaram e ele se moveu rapidamente, o brao forte rodeando a cintura esbelta de Sarah.
        - Vou lev-la para casa - disse deliberadamente, os dedos firmes apertando a carne macia. As palavras foram proferidas em um tom alto o bastante para ser 
ouvido e, vrias pessoas se virarem para fit-los. - Ela no est se sentindo bem. Desculpe, Max. Eu o vejo no escritrio.
        Sarah sabia que aparentava plida o suficiente para dar credibilidade  mentira e Rome a retirou do recinto antes que algum pudesse se aproximar. O brao 
ao redor da sua cintura quase a erguia do cho. Ele a estava praticamente carregando.
        - Rome, pare! - protestou Sarah, tentando se livrar e caminhar com os prprios ps.
        Rome blasfemou num tom abafado e ajustou o aperto, inclinando-se at conseguir deslizar o brao livre sob os joelhos dela e a erguer completamente nos braos. 
Sarah prendeu a respirao quando o movimento repentino fez sua cabea rodopiar e o envolveu pelos ombros. Os elevadores situavam-se no fundo de um longo corredor 
e os dois passaram por um homem com um casaco branco que os fitou com grande interesse.
        - No v que est fazendo uma cena - murmurou ela. - O que est havendo com voc? - Estava assustada demais para ficar brava, mas sentia como se estivesse 
tateando no escuro, porque no compreendia os motivos dele.
        Rome apertou o boto do elevador com o cotovelo, ento curvou a cabea e a beijou com tamanha intimidade que Sarah se encolheu em seus braos, apartando 
os lbios para a invaso da lngua dele. No fazia a menor ideia de onde estavam. Quando ele a beijava daquela maneira, todos os pensamentos abandonavam a sua mente, 
deixando-a preocupada apenas com o prazer ardente e lento que ele lhe proporcionava cora um simples beijo.
        Um tinido eltrico sinalizou a chegada do elevador. Ainda com ela nos braos, Rome entrou na cabine. Eram os nicos ocupantes e ela o encarou confusa. A 
expresso do rosto dele era claramente revelada sob a iluminao artificial, mas ainda assim no conseguia decifr-la.
        - Pode me colocar no cho, agora - arriscou ela suavemente. - Ou pretende me carregar pelo saguo de entrada do hotel?
        - Estamos no Texas - respondeu ele com uma sugesto de desagrado. - Ningum se surpreenderia, embora por formalidade, acho que deveria carreg-la sobre os 
ombros. - Mas ele a colocou no cho, mantendo, porm, o brao firmemente ao redor da sua cintura.
        - O que significa isso? - perguntou Sarah quando as portas se abriram e os dois entraram no amplo e ultramoderno saguo de entrada, com suas paredes de vidro 
e muito verde.
        - Isso se chama fazer valer meus direitos. 
        Sarah ponderou a resposta em silncio por um momento. No era pudica, nem acreditava em fingimento. No se fingiria de desentendida. Entretanto, instintivamente, 
estava um pouco alarmada pela velocidade com que Rome se movimentava. Lanou-lhe um olhar alarmado, um que ele interceptou, leu e contraiu a boca de leve. Olhando 
para aquela expresso determinada, Sarah soube que fora retirada da multido de pessoas do mesmo modo que um garanho isola uma gua quando a escolhe. O pensamento 
fez sua boca secar e os joelhos fraquejarem. Talvez, mesmo no sendo um texano, Rome soubesse agir como um. O movimento que Max fizera na direo dela provocara 
uma onda de possessividade em Rome e, agindo por instinto, ele a arrebatara para longe do outro homem. Agora estava determinado a legitimar essa posse.
        - Meu carro est ali - disse ela, fazendo um movimento com a mo como se quisesse faz-lo parar.
        - Esquea isso. - Ele sequer a fitou quando sara para a calada, onde a brisa morna da noite soprou em seus rostos. - Mandarei devolv-lo amanh de manh.
        - Eu me sentiria melhor dirigindo de volta para casa - disse Sarah num tom firme e Rome sentiu a deciso no tom dela, percebendo de imediato que o carro 
lhe proporcionava um sentimento de independncia do qual ela precisava, depois do modo como ele a arrancara da festa. No a queria fora de vista um minuto sequer, 
mas temia pression-la demais e correr o risco de faz-la voltar a adotar a mscara fria habitual. Estava perto, bem perto de quebrar a reserva com que ela o tratava 
e a impacincia poderia por tudo a perder. Possu-la estava se tornando uma obsesso. Por um fim quele rgido controle era uma meta que ocupava cada vez mais tempo 
em seus pensamentos.
        - Certo - concordou, decidindo aproveitar o tempo durante o trajeto at o apartamento dela para se acalmar. Sentia-se furioso e enjaulado e precisava se 
aliviar com a magia da carne macia de uma mulher. A carne de Sarah. Ela era a nica que ele desejara de verdade, desde a morte de Diane e a queria com tamanho desespero 
que quase se ressentia com ela por deix-lo daquela maneira.
        Sarah aparentava to composta e segura de si, como uma rainha de gelo. Seria assim to fria e controlada na cama ou aqueles olhos verdes sombrios brilhariam 
tomados por uma necessidade animalesca? Imaginou-a embaixo dele, contorcendo-se na agonia do desejo que lhe despertara, com gritos selvagens irrompendo das profundidades 
do seu corpo esbelto, enquanto ele a penetrava, repetidas vezes, com movimentos febris.
        Rome ps um ponto final  fantasia, o suor brotando-lhe na testa, enquanto contemplava o bamboleio gracioso dos quadris de Sarah,  medida que ela se afastava. 
Alcanando o prprio carro, esperou at ela arrancar com seu carrinho vermelho e passar por ele. Ento deu partida no motor, seguindo-a de perto.
        Sarah j havia destrancado a porta quando ele chegou. Fitou-o cautelosa ao v-lo entrar atrs dela. Os olhos escuros ainda exibiam aquele brilho perigoso, 
um desejo que ela compreendia, mas no era capaz de mensurar. Desejava-o, sempre o desejara, mas ao mesmo tempo no estava disposta a ser uma aventura de uma noite, 
um encontro breve com o propsito de alivi-lo, esquecido to logo terminasse. Espontaneamente, tentou acalm-lo.
        - Gostaria de um caf? - ofereceu, derrubando a pequena bolsa sobre o sof e caminhando em direo  cozinha.
        - No - a recusa foi concisa.
        - Acho que vou providenciar algo para comermos, s para no correr riscos - disse ela por sobre o ombro. - Que tal um daqueles sanduches de fran...
        Rome a agarrou por trs, as mos fortes circundando-lhe a cintura e puxando-a. Ele curvou e cabea e sua respirao quente tocou a curva do pescoo dela, 
acariciando a pele sensvel de leve e despertando-lhe todas as terminaes nervosas. Sarah estremeceu, mas no tentou se afastar. Em vez disso, pressionou os quadris 
de encontro aos contornos firmes do corpo viril.
        - No quero sanduche nenhum - murmurou ele, mordiscando-lhe o pescoo e em seguida passando a ponta da lngua no local, com movimentos to suaves quanto 
o roar das asas de uma borboleta. Os olhos de Sarah se fecharam em xtase. Jogando a cabea para trs, repousou sobre o ombro dele, expondo a curva vulnervel da 
garganta.
        A respirao de Rome tornava-se cada vez mais ofegante, roando-lhe a orelha e o modo como ele se movimentava sinuosamente de encontro s suas ndegas, evidenciava 
o quanto estava excitado. Erguendo a mo direita, ele passou a acariciar-lhe ousadamente os seios, o toque a fez arder mesmo atravs do tecido do vestido.
        - Tenho mpetos de quebrar a mandbula do Max quando ele olha para voc como se quisesse fazer isto. - A voz dele soou rouca como ela jamais ouvira, um tom 
gutural carregado de desejo. As mos experientes estavam por toda parte no seu corpo, acariciando-a, reclamando seus direitos como ele lhe dissera antes. Sarah abandonou-se 
naqueles braos fortes, os olhos fechados, tremendo, enquanto ondas de prazer a assaltavam, cada uma mais forte que a outra. Com um murmrio impaciente, Rome abriu 
o zper do vestido dela, deslizando a pea at a curva arredondada dos quadris. Em seguida, livrou-a do suti, expondo-lhe os seios s suas carcias e olhar.
        Sarah gemeu baixinho, quando os dedos hbeis lhe tocaram os mamilos rosados, beliscando-os suavemente.
        - Voc  to linda - gemeu ele e o desejo em sua voz a fez sentir-se bonita. Sarah amava o modo como seus seios preenchiam as palmas das mos dele, empinados, 
arfando em busca do toque prazeroso.
        Num gesto impulsivo, ele a virou, segurando-a to firmemente contra o corpo que as costelas dela doeram. Ento a beijou com uma fome devastadora. Sua lngua 
deixou claro o que ele gostaria de fazer e o simbolismo era inconfundvel. Sarah ofegou sob os lbios dele, buscando ar para saciar os pulmes vazios.
        - Rome... por favor! - No sabia se implorava por clemncia ou se desejava sentir mais do prazer primitivo que ele lhe proporcionava. Seu corpo a cada instante 
ficava mais pesado e instvel e um latejar interno a fazia se mover de encontro ao dele.
        - Sim - gemeu ele contra a curva da garganta macia, interpretando aquele argumento ao seu modo. Ento, inclinou-a sobre o brao, para ter acesso queles 
seios tentadores. Sarah deixou escapar um leve murmrio, quando a boca quente e mida tocou-lhe a pele excitada, sugando-lhe os mamilos com sofreguido. O mundo 
escureceu a sua volta, uma escurido morna e aveludada que deixou de lado qualquer reserva que ela pudesse ter sobre se entregar a Rome. Ela se dissolveu em sensaes 
puramente fsicas, instintivamente, buscando mais do prazer que lhe era oferecido. Suas mos vagaram pelo corpo masculino como as dele haviam vagado pelo seu, vidas, 
tentando se livrar das camadas de tecido que as separavam daquele torso musculoso. Ele tremeu de modo selvagem ao sentir o toque ntimo e suplicou por mais.
        Em determinado momento, ambos se deitaram no cho, sobre o tapete felpudo e macio da sala. Impaciente demais para despi-la completamente, Rome ergueu-lhe 
a saia e a livrou da meia-cala. Sarah ansiava pelos toques daquelas mos, tinha a expresso extasiada, perdida na paixo que ele lhe despertara. Ele prendeu a respirao.
        - Calma, calma - disse num tom rouco, no querendo que as coisas terminassem rpido demais e sabendo que estava prestes a alcanar o clmax. Queria ter certeza 
que lhe proporcionaria a mesma satisfao. Queria ver o rosto dela no momento do xtase supremo. Tentando se conter, afastou-se das mos estimulantes de Sarah, enquanto 
a acariciava e a estimulava intimamente, fazendo-a gemer e arquear o corpo em sua direo.
        A tenso que crescia dentro dela provocava-lhe sensaes to assustadoras quanto prazerosas, como se a qualquer momento fosse explodir em mil pedacinhos. 
A mo morna de Rome e a dana diablica dos seus dedos ousados estavam destruindo seu autocontrole.
        - Solte-se, Sarah - pediu ele baixinho de encontro ao seu ouvido. E, tomada pelo desejo, ela deixou-se levar, murmurando sons ininteligveis de paixo, apertando 
as mos, enquanto seu corpo se contorcia na glria que a consumia.
        Quando comeava a relaxar, Rome a aprisionou no cho com seu peso. Posicionando-se entre as coxas dela, penetrou-a com um movimento deliberado e impetuoso. 
Sarah no conseguiu conter o grito afiado que rasgou sua garganta e seu corpo estremeceu em choque. Mas o envolveu pelo pescoo, abraando-o e oferecendo-lhe o conforto 
do seu corpo amoroso. Rome gemeu profundamente de encontro  curva do pescoo dela e perdeu o controle sobre si mesmo, possuindo-a rapidamente, apesar do desconforto 
de Sarah. E ento tudo terminou, antes que a fasca aumentasse e se transformasse no inferno que a consumiria. Deixando escapar um gemido entre os dentes trincados, 
Rome atingiu o ponto mximo do prazer.
        O tumulto causado em seus sentidos deixou Sarah zonza. Continuou deitada sobre o tapete, depois que ele rolou para o lado, sentindo o corpo golpeado, chocado 
e bem diferente do que era: sensaes estranhas ainda lhe enviavam mensagens frenticas ao crebro e ela tentou sair daquele estado de torpor para poder compreend-las. 
Podia ter ficado l, imvel, e at mesmo dormir, se a voz de Rome, firmemente controlada, no a fizesse recuperar a conscincia.
        - Maldio, Sarah, voc podia ter me advertido! 
        Ainda um pouco desorientada, ela se sentou sem muita coordenao. Com uma leve carranca de interrogao, pegou o vestido e o ajustou sobre os ombros, empurrando-o 
em seguida at cobrir as pernas outra vez.
        - Eu... o qu? - resmungou confusa. Ento suspirou com um sbito cansao e ergueu a mo para cobrir os olhos.
        Rome blasfemou, uma palavra anglo-saxnica bsica que explodiu contra a sua pele sensvel, fazendo-a recuar ligeiramente. No podia entender por que ele 
estava bravo. Seria por causa de Diane? Lanou-lhe um sbito olhar assombrado que o fez congelar, como se os seus olhos tivessem perdido o vu brevemente, deixando 
transparecer a dor que a devastava diariamente. Ento, virou o rosto e tentou juntar as pernas trmulas para se erguer.
        Rome disse algo violento num tom abafado e cruzou a sala com trs passadas largas e rpidas. Ao alcan-la, curvou-se e ergueu-a nos braos, endireitando-se 
sem qualquer sinal de tenso.
        - O que estava pretendendo? - indagou, levando-a para o quarto e colocando-a sobre a cama. - No me contar nada foi uma estupidez! - Apesar da raiva que 
sentia, seus movimentos eram suaves ao despi-la.
        Sarah permaneceu imvel, deixando-o fazer o que queria. Agora entendia a razo para aquela raiva toda. Rome no esperava que ela fosse inexperiente. S gostaria 
de saber se ele ficara desapontado ou se estava bravo porque fora pego de surpresa. Depois de colocar uma camisola nela e deit-la nos travesseiros, ele sentou-se 
na cama a seu lado, a luz do nico abajur lanava sombras dissonantes no rosto asperamente esculpido. Respirou fundo, como se tentando recuperar o controle.
        Uma sugesto de humor, bastante imprpria, fez um sorriso erguer os cantos dos lbios de Sarah. Esforou-se para cont-lo, sabendo que o temperamento de 
Rome no estava dos melhores, mas no conseguiu evitar. A boca macia curvou-se num sorriso e ela provocou suavemente:
        - Fazer sexo no me tornou uma invlida. Eu poderia ter colocado a camisola sozinha.
        Rome a fitou, ento viu a ternura em seu sorriso, convidando-o a compartilhar o momento com ela. Percebendo que a estava tratando como uma pessoa ferida, 
procurou se acalmar e acabou se sentindo embaraado. Lutou contra o sentimento, mantendo o semblante fechado.
        - Ento  mais afortunada do que merece ser. Eu poderia t-la machucado. Droga, deveria ter me dito que era a sua primeira vez!
        - Sinto muito - ela se desculpou com uma expresso sria. - Eu no conhecia o procedimento.
        Por um momento, ele aparentou como se fosse explodir, pura fria ardendo nas profundidades escuras dos seus olhos. Mas era um homem que conseguia controlar 
seu temperamento e exibia tal controle agora, evitando falar, at se sentir capaz outra vez. Por fim, deslizou a mo asperamente pelos cabelos desalinhados, arrepiando-os 
ainda mais.
        - Voc tem 33 anos. Por que diabos ainda  virgem?
        Rome soou totalmente confuso, como se aquilo estivesse alm da sua compreenso.
        Sarah se remexeu embaraada, percebendo que era um completo anacronismo. Se pelo menos tivesse nascido uma gerao antes, no estaria to ultrapassada. Castidade 
seria uma virtude necessria at ela se casar. Mas em vez disso, era uma mulher no to moderna vivendo em uma sociedade liberal. No que no tivesse a curiosidade 
e os desejos normais ou que fosse uma puritana. Mas sua profunda e inveterada necessidade de segurana a impedira de arriscar "tudo", em uma relao casual e passageira, 
apenas para satisfazer seus instintos. Ento, conhecera Rome e isso destrura as chances de qualquer outro homem com ela. Mas Rome tambm estava fora de alcance. 
E se no podia t-lo, no queria mais ningum. Era to simples e totalmente impossvel de lhe explicar.
        No fez nenhuma tentativa de lhe responder. Apenas o fitou, com as sombras mais uma vez se unindo para escurecer a luz que brilhara em seus olhos.
        De repente, Rome estremeceu como se tivesse sido golpeado e a encarou com uma expresso de tormento. O que Diane diria se soubesse que ele acabara de seduzir 
a melhor amiga dela? Uma dor profunda o atingiu, dor e culpa, como se de sbito tivesse percebido que a satisfao que buscava com outras mulheres no significasse 
uma traio fsica to grave comparada ao modo como trara Diane com Sarah. Ela no fora um simples corpo sem cara. Estava atento a ela em todos os instantes. Desejava-a 
pelas qualidades e caractersticas que a faziam nica. E no era s isso, o prazer que sentira em seus braos fora alucinante, espantando as recordaes que normalmente 
o infestavam depois de fazer sexo. Recordaes de fazer amor com a esposa, de se deitar lado a lado com ela na escurido e abrir seu corao. No pensara em Diane. 
Sarah preenchera toda sua mente e sentidos, o que era a maior traio de todas.
        Precisava se afastar dela. Com esse pensamento, ergueu-se e comeou a caminhar pelo quarto, passando mais uma vez os dedos por entre os cabelos. Por que 
Sarah tinha que ficar l, deitada daquele jeito e fitando-o com aqueles olhos misteriosos? Mal comeara a compreend-la. Sempre imaginou que ao possu-la, a reduziria 
ao status comum de todas as mulheres com quem se deitara durante os ltimos dois anos e ento ela perderia o mistrio. J no se sentiria to obcecado por ela. Mas 
isso no aconteceu. Em vez disso, ela revelou um segredo que a tornara ainda mais misteriosa. E agora voltara ao seu casulo habitual, distante demais para ser alcanada.
        Era, inesperadamente, mais do que ele podia aguentar. Sentindo-se sufocado, fitou-a com raiva pelo pnico que o estava consumindo.
        - Inferno - vociferou desgostoso. - Escute, voc est bem?
        Sarah ergueu uma sobrancelha.
        - Sim. - Ela soou fria e controlada, como sempre.
        - Tenho que ir embora daqui - murmurou ele. - Sinto muito. Sei que estou agindo como um bastardo, mas no posso... - Fez uma pausa, sacudindo a cabea em 
confuso. - Ligarei para voc amanh.
        Rome j estava junto  porta quando Sarah recobrou a voz.
        - No h necessidade. Estou bem.
        O olhar que ele lhe tornou foi quase violento. Ento saiu e alguns segundos depois ela ouviu o estrondo da porta batendo. De imediato, ergueu-se da cama 
e foi tranc-la. A seguir, voltou para a cama, estremecendo quando seu corpo protestou pelo movimento.
        Pelo visto, o companheirismo frgil que crescera entre os dois fora destrudo por um ato trrido e breve de luxria. Era tudo que representara para ele, 
embora tivesse se atirado em seus braos por amor. Sabia que a relao deles era muito recente para suportar um envolvimento sexual. Rome a possura e ela vira a 
raiva, a culpa em seus olhos quando a fitou. Porque era to intensamente sensvel a ele, sabia que ele estava pensando em Diane e lamentando aqueles momentos luxuriantes 
no tapete.
        Sarah no chorou. Nutrira esperanas, mas o sonho fora to breve que de fato ainda no havia comeado a acreditar que aquilo fosse verdade. Rome se fora, 
mas afinal ela nunca o tivera, no do jeito que desejava. Jamais conseguira sua confiana ou seu amor. O interesse dele por ela no fazia sentido nenhum.
        E agora? Poderia trabalhar na mesma empresa que ele, vendo-o todos os dias? Ou finalmente havia alcanado um ponto, onde no podia suportar mais e teria 
que agir como uma covarde pelo bem da prpria sanidade? Afinal, tinha sido valente durante mais anos do que podia se lembrar. E a coragem no lhe trouxera nada alm 
de uma constante dor no corao e um apartamento vazio. Estava com 33 anos. J passara da idade de casar e ter filhos e o amor que sempre almejara a iludira. Sua 
vida se resumia a um apartamento agradvel, um bom carro e anos desperdiados, amando o marido da melhor amiga. O tempo e a vida estavam passando por ela, deslizando 
para longe dos seus braos estendidos, sem uma pausa sequer para prestar ateno nela.
        Meia-noite era a hora ideal para fazer planos para o futuro, quando o passado se provara estril. Continuou deitada, se forando a ser lgica e ponderada, 
mesmo que isso a ferisse. Para o seu prprio bem, teria que arrumar outro emprego. Jamais esqueceria Rome se o visse todos os dias. Comearia a procurar na manh 
de segunda-feira. No seria muito difcil, pensou. Havia estabelecido muitos contatos e feito muitos amigos durante todos aqueles anos na Spencer-Nyle, quando se 
empenhara tanto para conseguir uma carreira que de fato jamais almejara. Diane era a ambiciosa, fazia planos estupendos, aos quais abdicou no momento em que conheceu 
Rome. O seu caso era diferente. Tudo que desejava era algum para amar, um marido que cuidasse dela com devoo, filhos para criar da melhor maneira possvel e uma 
casa para prover um porto, morno e seguro, protegido do resto do mundo. O homem que a amaria no seria Rome, percebeu novamente, e a dor a golpeou to forte quanto 
da primeira vez.
        Que bem lhe faria deixar a Spencer-Nyle se continuasse chorando por um homem que no podia ter? J estava na hora, mais do que na hora, de esquecer Rome 
e comear a procuram algum que correspondesse ao seu amor. O rosto esguio e inteligente de Max lhe veio  mente e ela prendeu a respirao. Max?
        No. No o usaria. Ele merecia coisa melhor que isso. Mas na verdade, se sentia mais atrada por Max do que jamais estivera por qualquer homem que no fosse 
Rome. Se ele a convidasse para sair outra vez, aceitaria. Afinal, estaria se desligando da empresa, logo no haveria os riscos inerentes a uma relao entre chefe 
e secretria.
        Poderia acabar at mesmo amando-o. Talvez jamais conseguisse am-lo com a profundidade ou impetuosidade com que amava Rome. Mas havia diferentes tipos de 
amor no mundo e todos eram preciosos. No rejeitaria mais nenhum.
        Seus novos e audaciosos planos nunca tiveram chance de se concretizar. O som estridente da campainha a despertou antes das 7h da manh do dia seguinte. Erguendo-se 
da cama um pouco tonta, procurou o roupo para vestir, antes de ir atender  porta.
        Apoiando-se no batente e estirando os msculos doloridos, perguntou cautelosa:
        - Quem ?
        - Rome.
        Sarah enrijeceu, repentinamente alarmada. Como poderia esquec-lo se ele continuava aparecendo em sua vida? No queria mais sofrer. Ainda no parar para 
pensar no modo como ele a possura, porque no se sentia capaz de lidar com aquilo. No podia comear a aceitar que ele fizera amor com ela e depois fora embora. 
Diane havia se colocado entre eles e sempre estaria entre os dois.
        - Sarah - chamou ele com a voz baixa, quando ela no atendeu. - Precisamos conversar. Deixe-me entrar.
        Mordendo o lbio inferior, ela destrancou a porta e a abriu. A seguir, afastou-se para o lado para deix-lo entrar no apartamento. Fitou-o de soslaio e desviou 
o olhar.
        - Caf?
        - Sim. E bastante. No dormi nada.
        Rome estava com a aparncia de quem no dormira. Havia mudado de roupa. Colocara uma cala jeans e uma camisa plo vermelha que combinavam maravilhosamente 
com a sua pele morena. Mas as linhas do seu rosto estavam mais marcadas do que nunca e ao redor dos olhos havia crculos roxos. Parecia sombrio, at mesmo severo. 
Seguiu-a at a cozinha e, enquanto Sarah preparava o caf, ele encostou o quadril contra o tamborete alto, um dos ps apoiado na barra inferior e a outra perna relaxada. 
Observou-a atentamente, desejando saber como podia aparentar to arrumada, quando ele acabara, de tir-la da cama. Com exceo dos vastos cabelos louros desalinhados, 
parecia to distante quanto uma esttua de alabastro. Fria e graciosa de se olhar, mas no convidativa ao toque.
        - Eu a quero - afirmou Rome de repente, assustando-a. Os olhos de Sarah se alargaram. - Eu havia planejado tudo - continuou, avaliando cada detalhe da expresso 
dela, reparando em suas reaes. - A noite passada no aconteceu por acaso. Eu pretendia lev-la para a cama desde o momento em que a tirei daquela festa. Ia possu-la 
e depois esquec-la. Mas as coisas no aconteceram desse modo - explicou com a voz suave.
        Sarah encarou a cafeteira como se o pingar lento do caf na jarra de vidro a fascinasse.
        - Eu diria que tudo aconteceu de acordo com o planejado - ela se forou a dizer. - No tenho parmetros para comparar, mas quer me parecer que em matria 
de seduo houve um grande xito. Eu nem cogitei em lhe dizer no.
        - Foi a que as coisas comearam a dar errado. Voc era virgem e no posso simplesmente esquec-la. Eu a coloquei em risco com a minha falta de controle...
        Sarah ergueu a cabea, o pensamento sobre uma gravidez lhe ocorreu pela primeira vez. Encarou-o por um longo momento, ento relaxou contra a bancada.
        - No corro esse risco - murmurou. - No estou no meu perodo frtil.
        - Graas a Deus - suspirou Rome, fechando os olhos. - Eu no suportaria. J estou com a conscincia pesada demais.
        - Sou uma mulher adulta - lembrou-o enftica, tentando espantar a inquietao que a assaltava.
        - No precisa se sentir responsvel por mim.
        - Eu sei que no, mas me sinto. Diane a adorava - disse, encarando-a atentamente. - Cortaria relaes com qualquer pessoa que a magoasse e eu consegui tal 
feito em alto estilo. Ela... ela gostaria que eu cuidasse de voc. - Rome respirou fundo, os olhos brilhando, o corpo inteiro rijo de tenso.
        - Sarah, quer se casar comigo?
        
        
        
     Captulo Quatro
        
        
        
        Sarah o encarou. Como proposta de casamento, aquela era definitivamente insultante, tanto que, por um longo minuto, ela no foi capaz de reagir. Amava-o, 
mas aquilo era demais. Ento, Rome pensava que ela se casaria com ele para aliviar-lhe a conscincia pesada? Que estava to desesperada que se agarraria  primeira 
a chance? E o pior, ser que ele teria razo? Tremendo por dentro, no sabia se teria foras para rejeit-lo, mesmo sabendo o motivo que o levara a fazer tal pedido.
        Para ganhar tempo, virou-se para pegar duas canecas no armrio de baixo, mantendo-se de costas para ele, enquanto se concentrava em regular a respirao 
e restabelecer o equilbrio dos sentidos confusos. Revirando uma caneca de cermica nos dedos, por fim conseguiu administrar uma palavra normal.
        - Por qu?
        A pele de Rome apresentava uma leve palidez e Sarah percebeu que fazer aquele pedido no fora fcil para ele. Como podia ser, se ainda esperava, bem no fundo 
do corao, por Diane?
        Como todo homem de negcios, ele comeou esboando as vantagens de uma unio.
        - Acho que nos daramos bem casados. Ambos temos uma carreira. Entendemos as presses que cada um sofre, as exigncias que afetam o tempo que normalmente 
teramos juntos. Estamos nos dando melhor agora do que nunca e as viagens que preciso fazer nos dariam a possibilidade de respirar um pouco longe um do outro. Sei 
que est acostumada a ser independente, a ter tempo s para voc - disse cauteloso, observando-a em um esforo de adivinhar o que ela pensava sobre aquela proposta, 
mas era como procurar por expresses na face fria e macia de uma boneca de porcelana. - Saberamos como respeitar a individualidade do outro.
        O caf ficou pronto. Sarah verteu a deliciosa bebida fervente nas canecas. Em seguida, ofereceu-lhe uma e apoiou-se na bancada, soprando a sua suavemente 
para esfriar o caf.
        - Se precisamos tanto ficar separados, para que perder tempo em nos unir? - perguntou por fim. - Por que no continuarmos do modo que estamos?
        Uma nova expresso suavizou o rosto moreno, quando Rome olhou para os cachos de cabelos louros que se enrolavam ao redor dos ombros dela como braos vivos.
        - Sarah, se voc fosse uma mulher experiente poderia aceitar um romance casual, mas at ontem  noite era uma virgem.
        Tremendo, ela se lembrou que Rome era um bom jogador de xadrez. Sabia como se defender e atacar e como se safar de um argumento fraco. No, ela no era uma 
mulher de romances casuais, porque jamais fora capaz de ver outro homem na frente que no fosse ele.
        Ser que Rome no conseguia enxergar o bvio? Uma mulher para se manter virgem por tanto tempo, apesar das oportunidades normais para mudar tal condio, 
s podia ter uma razo muito forte para ter se atirado nos braos dele na noite anterior.
        - E foi bom ontem  noite - continuou ele suavemente, as palavras se enredando ao redor do corao de Sarah como uma trepadeira, atraindo-a para ele, curvando-a 
 vontade dele. - Foi to bom que acabei ficando um pouco louco. Ainda assim consegui sentir como se abriu para mim. Se eu tivesse conseguido esperar um pouco mais, 
teria sido capaz de enlouquecer por mim tambm? Estava comeando a ficar bom para voc?
        Rome deixou o tamborete e aproximou-se dela, a voz grave e aveludada seduzindo-a novamente. Ento, parou e bebeu o caf, fitando-a o tempo todo sobre a beirada 
da caneca.
        Sarah tambm tomou um gole de caf, segurando-o na lngua de modo que seu gosto forte deleitasse suas papilas gustativas. Podia sentir o calor aquecer sua 
face e amaldioou a cor clara da sua pele que denunciava os mais lnguidos rubores.
        - Sim, eu gostei - admitiu tensa.
        - Eu seria um bom marido. Fiel, trabalhador e leal como o Fido, o Wonder Dog, ou seja l qual for o nome do vira-lata. - Ela o fitou depressa e viu o brilho 
de divertimento no fundo dos olhos dele, agora dourados com o humor que os iluminava. - Gosto da vida domstica - continuou, o sotaque rpido reduzindo de velocidade, 
 medida que ele pensava nas palavras. - Gosto de estabilidade, da companhia de algum para tomar caf nas manhs chuvosas e nas noites frias de inverno. Est chovendo 
agora. No  agradvel? - Com a palma da mo, ele envolveu a curva do ombro de Sarah, apertando a junta delicada entre os dedos. Ento escorregou a mo, deliberadamente, 
at o colarinho do roupo que ela usava, os dedos movendo-se sob a camisola para lhe afagar a curva macia dos seios.
        Sarah se manteve imvel, o corpo tremendo pelo prazer inesperado. Aquilo no era justo. Como ela podia raciocinar com clareza quando seu corpo, majestosamente 
elaborado pela natureza para responder ao toque do homem que ela amava, exigia toda sua ateno? Intelecto era uma coisa boa, mas ele a estava ensinando bem rpido 
o quo pouco a mente podia controlar o desejo natural do corpo.
        Rome a observou de perto, vendo a nvoa suave da paixo toldar a fria lisura dos seus olhos verdes. Os clios espessos curvando-se, as plpebras se tornando 
mais pesadas e a respirao cada vez mais instvel, atravs dos lbios apartados. Seu prprio corao comeava a bater descompassado quando ele sentiu o intumescimento 
dos seios mornos sob o toque dos seus dedos, o encantador cheiro feminino que penetrava em suas narinas, dizendo-lhe, mesmo sem ele estar pensando nisso, que ela 
estava pronta para ser possuda. Antes que fosse tarde demais, afastou a mo, mas o desejo de toc-la o levou a alcan-la novamente, envolvendo-a pela cintura esbelta 
e puxando-a para si. O caf de Sarah espirrou perigosamente perto da beirada da caneca. Salvando-os de um possvel incidente, Rome colocou a caneca sobre a bancada 
e em seguida pegou a dela, pousando-a ao lado da outra.
        Ento Sarah se viu cativa daqueles braos fortes. Seu corpo macio se aconchegou ao dele, amoldando-se, instintivamente, aos contornos do fsico musculoso, 
o que fez ambos suspirarem.
        - Est vendo? - murmurou ele, mergulhando o rosto na seda escorregadia dos cabelos dela. - Somos bons juntos. Bons demais.
        Sarah o abraou, sentindo a umidade da camisa, onde a chuva o atingira. O aroma fresco da chuva e o outono que se aproximava misturaram-se ao cheiro msculo 
e cheio de vida, atraindo-a e ela esfregou o nariz no vo do ombro dele. Que tipo de casamento teriam? Cu ou inferno? Ficaria satisfeita com o que Rome pudesse 
lhe oferecer? Ou secaria lentamente por dentro, morrendo porque o desejava por inteiro, desejava um corao que sempre seria de Diane? Naquele momento, em p na 
cozinha, abraados, sentia que no podia querer mais nada da vida. Mas quando o cotidiano a desgastasse, no exigiria mais dele?
        Lentamente, as mos grandes de Rome afagaram-lhe as costas, acariciando cada vrtebra.
        - Diga que sim, amor - murmurou rouco, era a primeira palavra de amor que ele usava com ela, o que a fez se derreter. - Eu a quero. Sempre a quis, todos 
esses anos em que voc me esnobava. No havia nenhuma chance de arriscar meu casamento com Diane, assediando-a. Eu amava a minha esposa. Mas sempre desejei voc 
e Diane no est mais entre ns. Acho... acho que ela at gostaria da ideia de ns dois cuidarmos um do outro.
        Com a face escondida no ombro dele, Sarah revirou os olhos de dor. Sempre que o ouvia falar de Diane, as palavras soavam como uma espada atravessando seu 
corao. Como poderia ser forte o bastante para viver com a constatao de que nunca substituiria Diane nos sentimentos dele? Mas a despeito do seu sofrimento mental, 
Rome a apertou ainda mais de encontro ao corpo e o movimento provocou uma grande confuso em seus pensamentos. Invertendo as posies suavemente, ele se encostou 
na bancada e afastou as pernas para apoi-la, puxando-a de modo a obter um contato mais ntimo entre seus corpos.
        - Se eu a levar para a cama, ento terei que me casar com voc.
        Envolvendo-lhe a mandbula entre os dedos, ergueu-a com ternura, forando-a a encar-lo.
        - Voc no  o tipo de mulher que possa lidar com algo diferente. Estou lhe oferecendo um compromisso, uma relao verdadeira, com todos os direitos que 
lhe so inerentes. Serei fiel a voc. Prefiro um compromisso com uma mulher a mil encontros casuais com mulheres, cujos nomes no consigo sequer lembrar. Ns nos 
conhecemos. Sabemos o que esperar. E somos amigos. Podemos conversar um com o outro sobre os problemas do escritrio, sobre todas as coisas que temos em comum. Teramos 
uma parceria que muitas pessoas invejariam.
        Rome acabara de expor todas as razes lgicas para justificar um casamento entre os dois. A casa deles seria uma extenso do escritrio, com sexo como cobertura 
do bolo. Sarah at j podia imaginar ambos arrumados, colocando documentos nas respectivas pastas e ento lanando-se um sobre o outro com um desejo feroz, quebrando 
o decoro do escritrio, movidos pela necessidade feroz de fundir seus corpos no ritual mais antigo que assegurava a sobrevivncia das espcies.
        De repente, as mos dele apertaram-na e Sarah pde senti-lo enrijecendo contra o seu corpo.
        - Antes de voc se decidir, h algo que deveria saber. - Uma nota dissonante, porm disfarada, deixava claro o quanto ele no queria dizer o que estava 
pensando. Mas em um negcio os prs e os contras eram sempre pesados e Rome estava tratando aquilo como uma fuso empresarial. - No quero filhos - afirmou num tom 
rspido. - Nunca. Depois de perder Justin e Shane, no posso mais suportar ficar perto de crianas. Se voc quiser filhos, ento vou embora agora, porque no posso 
lhe dar. Uma dor retorceu seu semblante. Procurou control-la e uma expresso de resignao distante a substituiu. - Simplesmente no consigo superar... -- a voz 
dele morreu e Sarah percebeu que os ombros de Rome se endireitaram, como se suportando um fardo pesado demais para ser erguido.
        Engolindo em seco, ela desejou saber quantas propostas de casamento haviam sido seguidas por uma abrupta e honesta declarao do noivo previdente, expondo 
os motivos por que a noiva no deveria se casar com ele. Quantas mulheres desejariam se casar com um homem que oferecia companhia em vez de amor, que no queria 
formar uma famlia, um homem que se ausentaria em viagens frequentes? E se lembrou do que ele lhe dissera na noite em que embalara os pertences dos meninos... Que 
no fora capaz de dormir na mesma cama com uma mulher desde a morte de Diane. No teria direito sequer de compartilhar as noites com ele! Uma mulher s poderia estar 
louca para aceitar tal proposta. Ou loucamente apaixonada, pensou.
        Afastando-se, fitou o rosto moreno de Rome, o rosto que povoara seus sonhos durante anos. Ento pensou brevemente no sonho de ter uma casa cheia de filhos, 
seus filhos, e suavemente deu adeus a esse sonho. Afinal, essas crianas s viviam em seus sonhos mesmo, enquanto Rome era real e se o rejeitasse agora, o paraso 
poderia escapar para sempre das suas mos. Ele no a amava, mas gostava dela, respeitava-a o bastante para querer formalizar a relao deles. Milagres s vezes aconteciam 
e, contanto que pudessem viver juntos, sempre haveria a chance de ele acabar gostando dela. Mas mesmo que nunca lhe oferecesse o seu corao, estaria lhe oferecendo 
tudo que podia. Rejeit-lo seria uma opo, at uma questo de amor prprio, mas amor prprio no substituiria o calor de um homem. No faria amor com ela com a 
impetuosa paixo que ele demonstrara na noite anterior. Com a sabedoria intuitiva de uma mulher, sabia que enquanto ele a desejasse com aquela intensidade, existiria 
uma chance de ela aquecer aquele corao frio outra vez.
        - Sim - disse ela num tom calmo. - E agora? 
        A aquiescncia breve e prtica no o alterou. Sua nica reao foi respirar to fundo a ponto de estufar o trax e pux-la novamente para si.
        - Gostaria de despi-la e fazer amor com voc na primeira superfcie que encontrar.
        Sarah o interrompeu, gemendo.
        - No cho outra vez - protestou zombeteira.
        - Ou na mesa. Ou sobre a bancada. - A reao poderosa do corpo de Rome demonstrava que, enquanto suas palavras soavam divertidas, seu corpo parecia srio. 
Sarah prendeu o flego, desejando saber se seus msculos, j tensos, poderiam sobreviver a um encontro amoroso no piso duro do cho da cozinha. Com o corpo pressionado 
de encontro ao dele, no podia ver-lhe a face ou teria se emocionado com a paixo que lhe moldava as feies.
        Rome a segurou com firmeza, como se quisesse absorv-la. O alvio que o inundara fora to grande, quando Sarah aceitou sua proposta, que o deixara fraco. 
Ento, se viu dominado por um desejo primitivo de finalizar o acordo entre eles do modo mais bsico possvel. Queria marc-la a ferro com as suas iniciais, sentir 
a suavidade daquele corpo feminino mais uma vez sob o seu. Planejara a proposta com extremo cuidado, expressando-a com as condies mais lgicas que pde apresentar, 
deixando claro que no interferiria na ordem meticulosa do mundo dela. A ideia de se casarem surgira durante a noite e ele realmente sentia que Diane aprovaria esse 
casamento. Alm do mais, gostava da ideia de Sarah usar o nome dele, da perspectiva de t-la a seu lado na cama todas as noites. Seu sentimento exagerado de posse 
queria proteg-la do assdio de outros homens, principalmente Max Conroy. Mas at Sarah fit-lo, aps ele a pedir em casamento e num tom calmo lhe perguntar "Por 
qu?", no havia percebido o quo desesperadamente precisava que ela lhe dissesse sim. Quando a resposta afirmativa, por fim foi proferida, e de uma maneira casual 
que o deixou abalado pelo pouco entusiasmo que ela demonstrara pela ideia, um peso enorme sara de cima dos seus ombros, um peso que ele nem sabia que existia, fazendo-o 
se sentir livre de suas limitaes. Deus, como a desejava!
        Rome esfregou o queixo, spero pela barba crescida, na tmpora de Sarah e relutantemente a afastou.
        - Podemos esperar - disse, querendo enred-la em planos, antes que ela tivesse a chance de reconsiderar o assunto. - Temos que planejar tudo e tomar providncias.
        - Temos que tomar o desjejum - acrescentou ela, aceitando a sugesto dele e mantendo tudo leve e prtico. - A menos que voc j tenha comido?
        - No, nem pensei sobre isso. No percebi que estava faminto at voc falar em comida, mas estou morrendo de fome.
        Sarah sorriu, pensando que ele quase revelara que estava  beira de um ataque de nervos. Porm, no ia se martirizar, tentando decidir se ele estava assustado 
com a possibilidade da sua proposta ser rejeitada ou aceita.
        - Deixe-me pentear os cabelos. Ento vou preparar o desjejum mais completo que voc j viu.
        - Enquanto penteia os cabelos, comearei a preparar o desjejum mais completo que j vimos - emendou ele. - Quer que eu v pegando a loua?
        Sarah assentiu com a cabea, sentindo-se mais feliz que nunca e seu apetite parecia ter aumentado em resposta. Embora costumasse comer pouco, sentia-se faminta 
o bastante para devorar um caf da manh do tamanho de um homem.
        - Prefiro os meus ovos bem passados - informou, enquanto se afastava.
        - Espero que retorne antes disso. No leva tanto tempo assim para pentear o cabelo.
        - Como sabe? - replicou presunosa. - Voc nunca me viu pentear os cabelos.
        A risadinha baixa de Rome a seguiu at o quarto. Aps fechar a porta, Sarah sentou-se na cama e apertou os joelhos com as mos, todos os msculos do corpo 
tremendo de deleite. Mal podia acreditar. Depois de sofrer durante anos por aquele homem, ele entrara pela sua porta e a pedira em casamento. Suas razes eram lgicas, 
mas isso no importava.
        Para uma mulher faminta, meio po era melhor que nada. Pensou nas manhs que compartilhariam, preparando o caf da manh juntos, tomando a ltima xcara 
de caf bem devagar e seu corao se encheu de felicidade, dificultando a entrada de oxignio em seu trax. Um casamento abria um mundo novo e inteiro de intimidade. 
No apenas intimidade sexual, mas pequenas coisas como dividir o espelho do banheiro, quando estivessem com pressa para se arrumar para o trabalho, trocar sees 
do jornal aos domingos pelas manhs, ter algum para massagear a tenso do pescoo e ombros aps um dia rduo.
        De repente, no queria ficar longe dele um momento alm do necessrio. Espirrou gua fria no rosto, penteou o cabelo e os prendeu com uma presilha de cada 
lado. Depressa colocou uma cala jeans e uma camiseta branca enorme. Enrolou as mangas e voltou  cozinha.
        Ao entrar, inalou o delicioso cheiro de bacon fritando. Rome estava revistando os armrios e se ergueu com uma caixa de mistura instantnea para panquecas.
        - Panquecas e ovos - anunciou ele.
        Sarah encolheu os ombros e concordou, no estava certa de que seu apetite era to grande a ponto de comer panquecas, mas o dele provavelmente era. Enquanto 
Rome misturava a massa, ela colocou a mesa, verteu o suco de laranja e pegou os ovos.
        - Teremos que arrumar um novo apartamento. Os nossos no so grandes o suficiente para guardar todos os nossos pertences.
        - Ummm. - Pensando em poup-lo da necessidade de lhe dizer que no dormiria com ela, Sarah disse num tom casual: - Gostaria de ter um apartamento de trs 
quartos, se conseguirmos achar um a um preo razovel,  claro. Seria agradvel ter um quarto extra no caso de algum vir nos visitar.
        Rome estava virado para o fogo, logo Sarah no pde ver sua expresso. Para faz-lo saber que no ia enfatizar o assunto, ela acrescentou no mesmo tom casual.
        - Terei que deixar meu trabalho. - Ele se virou, os olhos escuros fitando-a incrdulos. - Sim,  verdade. - Ela sorriu. - No posso continuar trabalhando 
na Spencer-Nyle se me casar com voc. E antitico e acho que no conseguiria trabalhar direito, at mesmo se o sr. Edwards concordasse.
        A mandbula de Rome se contraiu.
        - Eu no havia pensado nisso. No posso lhe pedir que deixe o trabalho por minha causa. Sei o quanto isso significa para...
        - Voc no sabe nada - interrompeu ela. - Eu j estava mesmo pensando em pedir demisso. - J era hora de Rome Matthews comear a aprender um pouco sobre 
a mulher com quem planejava se casar e a primeira lio seria faz-lo entender, gradualmente, que ela no era uma mulher de negcios dedicada, que s encontrava 
prazer se realizando na profisso. -  apenas um trabalho. Gosto do que fao e sempre dei o melhor de mim, porque no acredito em coisas pela metade, mas no acho 
que seja a coisa mais importante da minha vida. Depois da noite passada, no vejo como poderia trabalhar no mesmo lugar que voc.
        Rome lhe lanou um olhar descrente.
        - Vai pedir demisso s porque fizemos sexo?
        - Acho que eu no conseguiria manter as coisas em um nvel profissional no trabalho.
        - Oua, eu podia...
        - No - disse ela suavemente, no lhe dando tempo para concluir. - No estou pensando em sentar-me e esperar que voc me sustente, se  o que o est preocupando. 
Trabalhei muito para acabar em uma rotina de novelas e sem outras coisas para ocupar meu tempo. Vou arrumar outro emprego.
        - No  isso - ele rosnou furioso. - Posso muito bem sustent-la mesmo que queira ficar sentada por trs geraes. S odeio o pensamento de voc deixar seu 
trabalho por minha causa.
        -  a coisa mais sensata a fazer. No sou assim to apegada a esse emprego e voc  um executivo. Eu no.
        - Vai procurar outro emprego de secretria?
        - No sei. - Pensativa, Sarah quebrou um ovo na frigideira. - Tenho algumas economias. Gostaria de abrir um negcio prprio. Poderia abrir uma butique. Afinal 
no  o que toda mulher desocupada com tempo e dinheiro nas mos faz. - O pensamento a fez rir.
        Rome sacudiu a cabea.
        - Faa o que quiser, contanto que seja o que realmente queira fazer. Se quiser ficar na Spencer-Nyle, usarei da minha influncia para mant-la l.
        - Acho que ficarei mais feliz fora da rotina do escritrio. Trabalho nisso h muito tempo e estou preparada para uma mudana.
        Aps um momento, um riso perverso curvou os cantos da boca de Rome.
        - Isso realmente vai deixar o Max louco.
        - Rome! - Sem poder se conter, Sarah sacudiu a cabea e riu tambm. - Que pensamento diablico! Voc me pediu em casamento s para obrigar o Max a arrumar 
uma nova secretria?
        - No, mas isso veio a calhar.
        - Voc no gosta dele? Rome ergueu as sobrancelhas.
        - Gosto muito. Ele  um excelente executivo. Gostar do trabalho dele  uma coisa, mas o modo como ele olha para voc  outra completamente diferente.
        Sarah decidiu que de fato devia um grande favor a Max se seu interesse por ela despertara a possessividade em Rome que acabara resultando na noite anterior. 
Enquanto acabava de fritar os ovos, lanava olhares a Rome, sentindo arrepios de emoo o tempo todo. Trabalhavam to bem juntos, aquele podia ser o centsimo caf 
da manh que compartilhavam em vez do primeiro. S esperava que aquele primeiro caf da manh fosse um indcio de quo suave a vida de casados poderia ser. No o 
pressionaria, mas esperava com todas as fibras do seu ser poder ensin-lo a amar novamente.
        
        
        Falar com Max na segunda-feira da manh seguinte, no fora uma das tarefas mais fceis que ela fizera na vida. A princpio, ele no acreditou. Ento ficou 
furioso ao perceber que ela de fato estava se demitindo.
        - Aquele tirano fez de propsito - resmungou, caminhando de um lado para o outro no escritrio, to irritado que os olhos vivazes cintilavam. A raiva irradiava 
do seu corpo como fascas de eletricidade. - Ele sabe que se voc me deixar vou ficar completamente perdido.
        - Obrigada - Sarah disse secamente. - No posso lhe dizer o quanto isto me faz acreditar que Rome s me pediu em casamento para transtornar a sua rotina.
        Max estacou, encarando-a e seus olhos suavizaram.
        - Eu merecia um pontap no traseiro - admitiu arrependido. - Ignore-me, meu bem. Estou mordido, porque ele venceu a corrida e eu fiquei na linha de largada. 
Que vergonha.
        Sarah riu, porque a imagem de Max se lastimando por causa dela era absurda demais. Um homem sofisticado da cabea  ponta dos ps, que todas as mulheres 
da empresa dariam tudo para ter uma chance com ele... Todas, menos ela. Max a observou enquanto ela ria, a face iluminada por aquele brilho interior que o fascinava 
toda vez que o via. Como se atrado pelo seu suave calor, aproximou-se, um pouco triste porque aquele brilho no era por ele e Sarah jamais enfeitaria a sua vida 
como frequentemente imaginara.
        - Se ele a fizer infeliz, sabe onde me procurar - murmurou, afagando a face acetinada com o dedo indicador. - Cuide-se, meu bem. Sob a imagem de um executivo 
controlado Rome  um lobo e voc apenas um cordeirinho inocente. No o deixe faz-la de almoo.
        Max no declarou o bvio, que Rome no a amava, mas ela sabia que o pensamento estava na mente dele. Era um homem observador o bastante para perceber atitudes 
que vinham da libido, no da emoo.
        - Voc sabe o que est fazendo? - perguntou preocupado.
        - Sim, claro. Eu o amo h muito tempo.
        - Ele sabe? - Sarah sacudiu a cabea, negando. - Ento no lhe conte nada. Faa-o lutar pelo seu amor. Ele lhe dar mais valor. - Um olhar astuto cruzou 
sua expresso. - Por que ser tenho o pressentimento que o cordeiro vai levar a melhor sobre o lobo?
        - No sei, mas espero que esteja certo. No sabe o quanto.
        - Apenas se lembre que se no der certo, no precisa ficar se lamentando. Estarei aqui se precisar de mim. Tenho uma fantasia - meditou Max. - Bem simples. 
Fantasio em lev-la comigo para a Inglaterra, nos casarmos na antiga igrejinha de pedra, onde minha famlia tem se casado h mais geraes que eu possa contar, e 
termos um monte de filhos. Fazer herdeiros seria minha ocupao favorita.
        Sarah riu novamente, ruborizando-se e parte dela desejou ter se apaixonado por Max. Seu amor estaria seguro com ele. Mas em vez disso entregara o corao 
a um homem martirizado pelo passado, um homem que queria o seu corpo e a sua companhia, mas no a riqueza do amor que existia dentro dela.
        - Posso lhe dar um beijo? - perguntou ele, os dedos escorregando pela face dela at o queixo, forando-a a encar-lo. - S uma vez e prometo nunca mais voltar 
a pedir... enquanto voc estiver com Rome.
        Olhando aqueles pecaminosos olhos turquesa, Sarah sabia que ele no tinha em mente um simples beijo de adeus. Queria beij-la com paixo, com todo o ardor 
do seu corpo viril. Sabia muito bem que Max no estava apaixonado por ela, mas tambm sabia, assim como ele, que as coisas seriam diferentes se pudessem se casar. 
Apenas haviam se conhecido tarde demais. Saber que poderia am-lo para sempre e nunca mais se interessar por outro homem, se no tivesse conhecido Rome primeiro, 
a deixou um pouco triste e feliz ao mesmo tempo.
        - Sim, um beijo de adeus - concordou e se ergueu nas pontas dos ps para lhe oferecer a boca.
        No exato momento em que seus lbios se tocaram, Sarah ouviu a porta se abrir. Sabia que Max ouvira tambm, mas ele no se afastou. Com sua personalidade 
diablica, em vez disso, puxou-a mais para si, mesmo quando ela enrijeceu de encontro ao seu corpo, envolvendo-a no calor dos seus braos. Ento, beijou-a profundamente, 
a lngua deslizando sobre a dela, explorando, saboreando o seu gosto. Todos os nervos do corpo de Sarah vibravam, avisando-a de que era Rome que acabara de entrar, 
mas se viu totalmente desamparada nos abrao de Max. Sob aquela constituio esbelta e elegante havia msculos de ao. Por fim, ele afastou a boca e ela ofegou, 
presa nos braos dele. Max olhou para a porta e se deparou com os olhos escuros de Rome, um sorriso brilhante iluminou seu rosto.
        - Tem alguma objeo? - perguntou num tom calmo.
        Rome cruzou o escritrio e suavemente livrou Sarah dos braos do executivo. Envolvendo-a na segurana do seu abrao, aninhou-a contra o peito.
        - No desta vez - respondeu com a voz calma. - No por um beijo de adeus. Mas esse foi seu prmio de consolao e no levarei em conta apenas porque voc 
perdeu a batalha. Mas se houver outro, vai pagar caro por isso.
        - Bastante justo. - Max sorriu e estendeu a mo a Rome. - Parabns.
        Os dois apertaram as mos, sorrindo como idiotas. Sarah revirou os olhos. Estava esperando uma briga e em vez disso eles agiam como amigos. Homens! Quem 
os entendia?
        - Vou roub-la para um longo almoo hoje - informou Rome. - Temos muitas coisas a fazer. Exames de sangue, pedidos de licena, procurar apartamento. - Estarei 
livre s 12h30. Tudo bem para voc? - perguntou ele olhando para Sarah.
        Como ela j havia feito outros planos, sacudiu a cabea em sinal de discordncia.
        - No posso. Tenho um compromisso  1h. Max se virou, aparentando demasiado feliz ao ouvi-la rejeitar os planos do futuro marido. Rome dirigia o escritrio 
com mo de ferro e sua frieza e sarcasmo cortante eram conhecidos em todos os vastos departamentos da Spencer-Nyle. Apenas Anson Edwards se encontrava acima da famosa 
tirania de Rome. Mas o temperamento severo de Anson Edwards tambm era legendrio, quando se tratava de lidar com incompetncia e estupidez. Max esperou com prazer 
para ver a reao de Rome ante a recusa de Sarah.
        Mas se estava esperando o barco virar, ficou desapontado. Rome ergueu uma sobrancelha interrogativamente e disse:
        - Ento faremos isso amanh.
        Precisou lanar mo de sua frrea fora de vontade para se privar de exigir saber aonde ela ia, mas se lembrou dos argumentos que usara para convenc-la 
a se casar com ele. Um deles era respeitar a individualidade um do outro. Sarah ainda continuava a mesma mulher indiferente e solitria que ele sempre conhecera. 
Concordara em se casar, mas apenas depois que ele detalhara, cuidadosamente, os prs de uma unio entre os dois. Teria que ser cauteloso e lhe dar o espao pessoal 
que ela necessitava, a privacidade mental e fsica com as quais estava acostumada. Poderia conviver com aquilo, contanto que ela se atirasse de boa vontade em seus 
braos e lhe proporcionasse o conforto quente e doce do seu corpo, embora talvez nem isso ele tivesse. Sarah deixara clara sua inteno de dormirem em quartos separados 
e fora obrigado a trincar os dentes para no lhe dizer que ela devia dormir na cama dele. No desejara dormir com outra mulher desde a morte de Diane, at ter Sarah 
nos braos. Ela era to esquiva. Ele desejava... precisava... passar as noites a seu lado, j que o simples ato de estarem deitados lado a lado poderia criar laos 
que a prenderiam a ele. Mas no ainda. Teria que agir com cautela, no a fazendo temer o casamento.
        Deixando a caracterstica possessividade de lado, acompanhou-a at o escritrio dela e seu olhar crtico percebeu que o beijo de Max no provocara o delicado 
matiz abric na face de Sarah que ele notara quando fizeram amor. Apoiando-se na escrivaninha, lhe deu um beijo firme e rpido, mais para ver aquela cor extasiante 
surgir do que para provar o gosto e a doura dos lbios dela.
        - Hoje  noite? Podemos dar uma olhada nos jornais e marcar alguns apartamentos que parecem satisfatrios.
        Contente, Sarah sorriu.
        - s 7h estaria bem? Isso me dar tempo para preparar alguma coisa para comermos.
        - Esquea isso. Levarei algo. 
        Observando-o caminhar para fora do escritrio, Sarah teve que se beliscar para se certificar de que no estava sonhando. Iam mesmo se casar.
        Rome fizera amor com ela na noite anterior. O simples fato de pensar nisso fez seu corao bater na garganta. Se a primeira vez fora paixo desenfreada, 
a segunda fora uma lio sobre as recompensas do autocontrole. Tudo comeara de maneira casual, enquanto assistiam o noticirio da noite na televiso. Durante um 
comercial, ele a beijara e o beijo se prolongou, se transformando em vrios beijos. Logo ela estava deitada nua no sof e ele paciente e cuidadosamente levando-a 
 satisfao total, num ritmo lento e torturante, saboreando a reao do corpo dela, deixando-a to louca quanto ele. Tambm tomara as medidas de proteo que haviam 
incitado Sarah a ir ao mdico naquela manh, motivo pelo qual no aceitara sair com Rome na hora do almoo.
        Eram 2h30 quando por fim voltara ao escritrio, com um pacote de plulas anticoncepcionais na bolsa e a cabea repleta de conselhos e advertncias da dra. 
Easterwood. Com 33 anos, estava ficando velha demais para tomar plulas como controle de natalidade.
        A dra. Easterwood prescrevera a dosagem mais baixa disponvel, com a advertncia de que queria v-la a cada seis meses e que lhe daria dois anos no mximo 
at encontrarem um mtodo alternativo.
        Max saiu do escritrio quando a ouviu entrar, uma leve carranca arruinando as sobrancelhas clssicas.
        - Voc est bem? Demorou mais do que eu esperava.
        - Estou bem. Fui ao mdico e voc sabe como ... Nunca somos atendidos no horrio marcado.
        - Rome j ligou duas vezes - informou ele num tom cnico.
        Sarah trabalhou com um sorriso nos lbios e uma felicidade interior que se baseava nas atitudes que Rome estava exibindo. Amor ou no, o modo como agia deixava 
claro que se preocupava com ela e aceitaria de bom grado tudo que ele quisesse lhe oferecer. No estava mostrando a habitual possessividade e impacincia com que 
exigia o tempo de Diane, mas no esperava que ele agisse daquele modo com ela, mesmo que um dia viesse a am-la. Diane era bonita, vibrante, um condutor eltrico 
que prendia a ateno de todos no momento em que entrava pela porta. Muitas vezes, Sarah costumava se achar parecida com um rato branco. Maquiagem forte a fazia 
parecer um palhao, pouca maquiagem tendia a aparentar sempre a mesma. Acomodara-se durante tantos anos, que se manteve misturada ao pano de fundo. Sua cor era to 
clara que nunca poderia usar o tipo dramtico de maquiagem que atraa todos os olhares de imediato para ela. Gostaria de fazer Rome erguer o rosto e a notar sempre 
que entrava na sala dele, mas de alguma maneira sentia que esse papel estava alm dela.
        Naquela noite, depois de jantarem frango agridoce que ele trouxera, espalharam os jornais sobre a mesa e conferiram os anncios de apartamentos para alugar, 
com Rome circundando com caneta vermelha os que julgava satisfatrios. Sarah, por sua vez, folheara cuidadosamente as colunas de casas  venda, sabendo que ele jamais 
aceitaria comprar uma. A rotina do subrbio o faria lembrar da famlia que perdera. Isso o deixaria louco, Rome bateu a caneta sobre um anncio que julgou particularmente 
provvel e Sarah se inclinou para olhar o que estava escrito. Seus cabelos soltos caram para frente, roando o antebrao bronzeado e ele estacou. No percebendo, 
ela leu o anncio e enrugou os lbios considerando-o.
        - Parece bom...  bastante espaoso... Mas deve valer uma fortuna - Enquanto falava, virou a cabea para fit-lo. Com um movimento rpido, Rome a interrompeu 
com um suspiro ao mesmo tempo em que a puxava para o colo e a beijava, engolindo o restante das palavras que ela estava dizendo. Envolvendo-a com o brao esquerdo, 
deslizou a mo direita de modo provocante pelo corpo dela, procurando todas as zonas erticas que o recompensariam pela sua ateno.
        Sarah emitiu um suave murmrio, aninhando-se nos braos dele. Aquele corpo poderoso a fazia se sentir protegida. No precisava de um apartamento confortvel 
para se sentir segura, contanto que ele a abraasse daquela maneira. O esforo que Rome fazia para se manter controlado, ao lidar cora ela, era evidente nos tendes 
de ao das suas coxas e a rigidez do trax. Introduzindo a mo por baixo do tecido da camisa dele, ela buscou os slidos contornos da sua carne morna. Rome mordiscou-lhe 
os lbios de leve, libertando-lhe a boca, por fim. Ento, inclinou-lhe a cabea para trs e traou uma linha descendente de beijos at seu pescoo alvo.
        - E o que tem se valer uma fortuna? - murmurou. - Vamos v-lo amanh.
        - Hum hum... - concordou Sarah sonhadora, j no muito interessada em apartamentos.
        Com movimentos geis, Rome desabotoou-lhe a blusa e beijou-lhe a curva dos seios, sobre a extremidade rendilhada do suti.
        - Aquele patife do Max! Ele sabia que eu estava olhando.
        - Sim. - Ela abriu os olhos e sorriu, os olhos enevoados de prazer. - Ele  um diabo.
        - Ele teve sorte de voc no estar correspondendo. - Ele retribuiu o sorriso, mas seu tom era severo e os olhos escuros se estreitaram. - Caso contrrio 
eu no teria sido to civilizado.
        Como era de se esperar, Rome no gostara nem um pouco de v-la nos braos de outro. No gostava da ideia de Max beij-la demoradamente. Apenas o seu gosto 
deveria permanecer nos lbios dela. Logo tentaria apagar qualquer resqucio dos beijos do outro homem. Com esse pensamento, voltou a beij-la. Ento, relutantemente, 
abotoou-lhe a blusa e a afastou.
        -  melhor no abusarmos da sorte. Vim direto do escritrio e no tenho nenhum preservativo comigo.
        Sarah clareou a garganta.
        - Sobre isso... O meu compromisso de hoje era com uma mdica. Fui pedir uma receita de plulas anticoncepcionais.
        Rome se reclinou, passou o brao sobre o espaldar da cadeira dela, fitando-a, analisando-a, alarmando-se com a hesitao em suas maneiras que ela tentava 
arduamente no revelar.
        As sobrancelhas escuras baixaram.
        - No tem problemas se as tomar?
        - Ela me deixou experimentar, mas s se eu voltar para exames de rotina - admitiu com um suspiro. - E me deu dois anos no mximo, antes de trocar por um 
mtodo alternativo.
        - Se for perigoso, no as tome. - Esticando o brao, ele alcanou-lhe a mo e com o polegar acariciou a pele macia da parte de trs da mo dela. - Tenho 
pensado na possibilidade de fazer uma vasectomia.  seguro e permanente.
        Sarah rejeitou aquela soluo. No seu ponto de vista, permanncia era a grande desvantagem. Quem sabe algum dia, no futuro, Rome mudasse de ideia e quisesse 
ter filhos, mesmo que o casamento dos dois no desse certo. Tinha cincia de que ele no a amava e que precisava encarar a possibilidade de Rome vir a se apaixonar 
por outra mulher e talvez essa mulher quisesse ter filhos. Talvez ele quisesse ter filhos com essa outra mulher. Sentindo-se despedaada s de pensar nisso, afastou-se, 
antes que revelasse demais como se sentia. Ento, evitando encar-lo, disse com a voz abafada:
        - Podemos conversar sobre isso mais tarde, se eu no me der bem com as plulas.
        Confuso, Rome a encarou, repassando na mente as palavras que haviam trocado e tentando decidir o que dissera para faz-la se afastar e fechar o semblante 
com aquela expresso gelada que ele tanto detestava. Sarah vinha agindo de maneira to relaxada e natural com ele nos ltimos tempos, esquecendo de vigiar suas aes 
e ele acabara se acostumando com os seus sorrisos, com suas suaves provocaes. Agora a rainha de gelo estava de volta. Comeara a ficar irritada no instante em 
que mencionara as plulas anticoncepcionais. Estava lhe escondendo algo, ele tinha certeza.
        Ao fazer amor com ela pela primeira vez, imaginou ter descoberto a razo para toda aquela reserva. Mas agora, vendo-a daquela maneira outra vez, ficava claro 
que Sarah mantinha outros segredos escondidos atrs das sombras verdes dos seus olhos. Gostaria de poder entrar na sua mente e descobrir como funcionavam seus pensamentos, 
por que ela se escondia tanto. Desejava conhec-la melhor. Queria todos os seus segredos expostos onde pudesse v-los. O modo como ela se afastara dele, lhe provocara 
uma violenta reao primitiva de alcan-la e subjug-la, um instinto da poca em que os homens moraram em cavernas, usavam peles de animais e escolhiam suas mulheres 
 fora.
        - Qualquer dia desses... - disse ele com a voz suave, mas mortalmente decidida. - ...vou descobrir o que a faz ficar assim.
        Sarah o fitou com o pnico fluindo sob a superfcie da imagem controlada que exibia. E se Rome descobrisse que ela o amava, o que faria? Aceitaria? Ou prontamente 
desistiria de tudo por ser mais do que ele desejava de um casamento?
        
        
        
        
        
        
        
     Captulo Cinco
        
        
        
        Os dois se casaram trs semanas mais tarde, em uma sexta-feira  noite, depois do trabalho. O casamento foi realizado por um juiz que concordou em realizar 
a cerimnia em seu gabinete. Para total surpresa de Sarah, Max foi uma das testemunhas e piscou para ela quando o casal assumiu seus lugares perante o juiz. Aproximadamente 
15 colegas de trabalho se encontravam em p atrs deles no pequeno gabinete. O som de ps se movendo e um burburinho discreto conferiam um fundo sussurrante  cerimnia. 
Sarah trabalhara as duas semanas de aviso prvio. A ltima semana passara cuidando do novo apartamento e vendendo ou armazenando o que no seria necessrio.
        Sarah julgou o apartamento, que por fim escolheram, caro demais, mas Rome no ligara para suas objees. Era espaoso, to grande quanto uma casa de tamanho 
mdio. Possua sete quartos e uma enorme varanda, onde podiam fazer churrasco, se bronzear ao sol e ter muitas plantas. Tambm possua uma lareira a gs na sala 
de estar, a qual ela suspeitava ter sido o motivo principal que o levou a optar pelo apartamento.
        Rome olhara para a lareira com uma diablica expresso de satisfao e ela fora obrigada a concordar, com alguns arrepios de antecipao, quando pensou no 
inverno que se aproximava e nas noites que passariam em frente s chamas acolhedoras.
        Mas para Sarah, o melhor do lugar era a sndica do condomnio, que morava no andar inferior. Marcie Taliferro era uma mulher de 32 anos, divorciada, jornalista 
autnoma e me do menino de 15 anos mais fantstico que Sarah j conhecera. Derek Taliferro, j com 1,83m de altura, elegante com seus 77 quilos, precisava se barbear 
a cada dois dias, o que era espantoso na sua idade. O garoto possua uma voz de bartono suave e profunda e herdara as feies clssicas do pai italiano, desde os 
cachos de cabelos escuros ao nariz romano imperioso. Trabalhava depois da escola em um pequeno supermercado, ajudava a me no condomnio e ainda era o primeiro aluno 
da turma. Rome ainda no conhecia o garoto prodgio, como Marcie o chamava com uma nota de temor na voz, como se no pudesse acreditar que era me de um espcime 
to perfeito. Derek estava economizando dinheiro para a faculdade, mas segundo Marcie, ainda tinha muito pouco e, a menos que tivesse sorte de conseguir uma bolsa 
de estudos, teria que trabalhar duro para custear a faculdade at o final.
        Sarah no sabia se Rome possua conhecimentos em alguma faculdade, mas se havia algum que merecia uma fora, era Derek Taliferro.
        Marcie era uma mulher agradvel e de bom senso. Um pouquinho baixa e rechonchuda, mas o que parecia gordura, em sua maior parte, eram msculos. Tinha cabelos 
ruivos e sardas no nariz, mas no possua o temperamento que normalmente era associado s pessoas de cabelos vermelhos. Desempenhava quaisquer tarefas de maneira 
casual, o que as faziam parecer bem mais fceis do que na realidade eram. Fora ela que ajudara Sarah a arrumar a moblia no apartamento, j que Rome havia partido 
naquela manh de segunda-feira em uma viagem de negcios e no retornara at quinta-feira  noite.
        Sarah o fitou disfaradamente enquanto o juiz dava andamento  cerimnia. Ele trajava um terno azul escuro, com uma impecvel camisa risca-de-giz azul-claro, 
uma discreta gravata de seda azul-marinho e um leno, tambm de seda, no bolso do palet. As nuances de cores combinavam perfeitamente com sua pele morena. De repente, 
ela sentiu dificuldade de respirar e seu corao disparou em antecipao  noite que estava por vir. Tiveram oportunidade de fazer amor apenas em trs ocasies, 
com a inundao de viagens que afastava Rome por diversas vezes e suas prprias tarefas, as agendas dificilmente se combinavam. Ela o desejava e seu corpo se sentia 
vulnervel e morno.
        Rome estava tenso, o brao rgido onde seus dedos se apoiavam no cotovelo dele; A voz grave parecia cansada e a mo tremeu quando deslizou a aliana de ouro 
no dedo dela. Sarah fechou os dedos com fora, como se quisesse fundir o anel a sua carne. Ento, ele roou seus lbios com um beijo leve e a cerimnia terminou. 
Com a mo unida  dela, ergueu os cantos da boca num breve sorriso e voltou a ficar srio.
        Todos se aproximaram para felicit-los. Max foi o ltimo. Deu um aperto de mo em Rome. E em seguida, envolveu o rosto de Sarah com as mos e disse suavemente:
        - Voc est adorvel! Est feliz?
        - Sim, claro - murmurou ela, erguendo a face para que ele a beijasse.
        - Maldio, Max - disse Rome impaciente. - Por que tenho a impresso que voc a beija mais do que eu?
        - Talvez eu seja mais inteligente que voc - Max devolveu, sorrindo.
        Sarah apertou a mo do marido, desejando saber se ele a estava achando bonita. Vrias pessoas, alm de Max, haviam comentado sobre a sua aparncia brilhante 
e ela sabia que isso se devia tanto  maquiagem quanto  felicidade que sentia. Passara horas em um salo de cabeleireiro. O maquiador lhe aplicara um conjunto de 
tons delicados e translcidos que deram cor ao seu rosto, sem ficar muito afetada. Nos olhos algo mais escuro que o habitual, mas que fez uma diferena gigantesca, 
deixando-os mais exticos. Uma cor abric tingia de leve suas mas do rosto e a boca exibia um brilho suave e luxuriante. No era o batom. Era o modo como se sentia 
por dentro.
        Sob o vestido de seda rosa-claro que usava, seu corpo tremia, sofria, o desejo dominava os seus sentidos.
        Mas ainda teria que esperar. Haviam feito reservas em um elegante restaurante e todos foram para l. Lagosta e champanhe parecia o banquete perfeito, mas 
Sarah estava to nervosa que mal prestava ateno  carne branca como neve da lagosta ou ao champanhe cintilante que deslizava por sua garganta. No percebeu que 
estava ficando levemente tonta, at virar a cabea de repente para dizer algo a Rome e sentir o salo rodar. Piscou, surpresa.
        Pela primeira vez naquela noite Rome sorriu, os dentes brancos contrastando com tez morena.
        - Duas taas de champanhe  demais para voc?
        - Voc me deixou beber duas taas? - perguntou ela debilmente, apoiando-se na extremidade da mesa. - Rome, eu no estava brincando quando falei sobre a minha 
intolerncia a lcool. No vou conseguir sair daqui andando!
        - Acabamos de casar. Todos acharo romntico se eu a carregar nos braos.
        - No se eu agitar a toalha de mesa como uma bandeira e cantar baladas das Terras Altas com toda potncia dos meus pulmes - disse aborrecida.
        Rome riu, mas afastou o copo de champanhe para longe dela e sinalizou para o garom. Pouco tempo depois, apareceu um copo de leite a seu lado e Sarah o tomou 
agradecida. Todos na mesa murmuraram e pregaram contra os resultados medonhos de misturar champanhe e leite, mas ela reconhecia um salvador quando via um, e no 
estava a fim de dispens-lo.
        Mas mesmo com o leite reduzindo a velocidade com que o lcool era absorvido pela sua circulao sangunea, sabia que no ia conseguir sair do restaurante 
andando.
        E no conseguiu. O brao de Rome circundava-lhe a cintura como um torniquete, ajudando-a a chegar at o carro. Aps acomod-la no assento, ele contornou 
o veculo e se sentou atrs do volante, dando adeus e agradecendo a todos os desejos de felicidade recebidos dos amigos. Em seguida, fechou a porta e permaneceu 
parado por um momento, apenas mexendo nervosamente na aliana em seu dedo anular. Por fim, ps a chave na ignio e se virou para fitar Sarah, que estava quase deitada 
no assento, com os olhos meio-fechados e um sorriso intrigante nos lbios. Sob a luz da iluminao da rua, seus olhos verdes adquiriram um reflexo prateado. Era 
to macia e feminina. O sutil perfume floral que exalava penetrou as narinas dele, inebriando-o, tentando-o a inspir-lo ao longo daquela pele acetinada. Agora ela 
era sua esposa, uma companheira legitima e ntima... Sua esposa!
        Rome quase gemeu em voz alta, lembrando do seu outro casamento e da face radiante de Diane, caminhando a seu lado no corredor da igreja, os beijos ardentes 
que trocaram ao trmino da cerimnia.
        Sua esposa! Diane fora sua esposa. Jamais cogitara a possibilidade de outra mulher ocupar aquela posio, arcar com aquele ttulo. At a cerimnia ter incio, 
no tinha dvidas quanto quele segundo casamento, mas quando as familiares e assustadoras palavras do juiz alcanaram seus ouvidos, comeara a suar frio. No podia, 
no queria se arrepender do seu casamento com Sarah, mas de repente a as lembranas do passado o assombraram. Diane se fora para sempre. No podia mais cham-la 
de esposa, porque pelas leis do Texas e dos Estados Unidos e, por sua prpria vontade, a mulher a seu lado agora era a sua esposa.
        Sarah Matthews. Proferiu o nome mentalmente, imprimindo-o l. Sarah Matthews, sua esposa. A rgida e elegante Sarah, sempre to distante, agora era sua. 
Rome sabia que nenhuma outra mulher deveria ocupar seus pensamentos naquela noite, mas no conseguia parar de pensar em Diane. No podia deixar de compar-la a Sarah. 
Diane era uma mulher forte, capaz de discutir e enfrent-lo cara a cara. E depois simplesmente beij-lo com todo o ardor da sua natureza impetuosa. Era uma exploso 
de cores. A pele bronzeada, a cabea repleta de cachos castanho-mel luminosos, os olhos to azuis quanto o cu do solstcio de vero. Diane era o sol, quente e brilhante. 
Sarah era a lua, plida, fria e distante. Sarah... O que havia nela que a tornava to intrigante? Seriam os olhos to velados e misteriosos? Algum dia ele teria 
desejado algum mais do que a desejava? Seus mistrios s o atraam ainda mais, fazendo-o querer desvend-los.
        Mas ao entrarem no apartamento, na primeira noite em que ambos passariam juntos, soube que no poderia fazer amor com ela. Passara a semana toda pensando 
nesse momento, desejando-a, querendo sentir sua carne macia sob a dele, mas agora percebia que simplesmente no conseguiria. A aflio que o enfraquecera nas ltimas 
semanas voltara  vida, fresca e amarga como sempre fora. Teria que dizer adeus a Diane.
        Quando a porta se fechou, Sarah se virou nos braos dele, contorcendo-se, envolvendo-o pelo pescoo. Ele a beijou de leve, odiando a rigidez do prprio corpo. 
Ento, abaixou-lhe os braos e a afastou.
        - Deixe-me dar uma olhada neste lugar - protelou. - No o vi desde que voc colocou a moblia.
        - Ficou timo!
        Rome caminhou pelo apartamento e Sarah o seguiu, Confusa por ele ter se livrado do seu abrao. Desequilibrada, abaixou-se e retirou os sapatos, sentindo-se 
mais estvel descala do que cambaleando sobre os saltos dos sapatos. Rome aprovou a decorao, ento parecia no ter mais palavras. Suspirou e correu uma das mos 
pelos cabelos. Conseguindo por fim tomar uma deciso, caminhou at Sarah e passou o brao em torno da sua cintura novamente. Firmando-a, levou-a at a porta do quarto 
dela. Apesar da necessidade que sentia de ficar s, o fato de no poder entrar naquele quarto sem um convite, ainda o irritava. Abriu a porta, alcanou o interruptor 
e acendeu a luz. Ento segurou-a pelos ombros.
        - Sinto muito - proferiu num tom baixo e frio.
        - A cerimnia me afetou demais e no posso... Preciso ficar sozinho esta noite. Sinto muito - repetiu, esperando pela reao dela.
        No houve nenhuma. Sarah se limitou a encar-lo, parecendo menor que o habitual porque estava descala. Os olhos exticos desprovidos do brilho de minutos 
atrs.
        - Boa noite - disse ela e se afastou, fechando a porta, antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, se  que viria outra palavra a sua mente. Rome 
ficou parado olhando para a madeira branca da porta, os ombros largos cados, as recordaes atingindo-o dolorosamente durante vrios minutos at ele se virar e 
seguir para o prprio quarto.
        Deitou-se, mas no conseguiu dormir. Os anos que vivera com Diane passaram pela sua mente como um filme, voltando a familiariz-lo com todas as expresses 
que cruzavam a face bonita e expressiva da esposa. Os planos que fizeram durante as duas gravidezes dela. O orgulho e a profunda adorao que sentira ao pegar os 
filhos pela primeira vez nos braos. Lgrimas quentes queimaram o fundo dos seus olhos, mas no rolaram. Seus filhos. Justin. Shane.
        A dor de perd-los era to grande, que tentava evitar pensar neles. Era algo que ainda no podia controlar. As crianas eram uma parte dele. Sentira-os crescer 
na barriga de Diane. Estava presente no momento em que nasceram, fora o primeiro a segur-los. Os primeiros passos hesitantes de Justin terminaram em seus braos. 
Lembrou-se das alimentaes matutinas, o vigoroso som das bocas infantis sugando a mamadeira. Relembrou a perplexidade de Justin, com dois anos de idade, quando 
um novo beb entrou em seu mundo, tomando a maior parte do tempo de Diane. Mas logo se apegara a Shane e os dois meninos se tornaram inseparveis.
        Lembrou-se das risadas das crianas, da inocncia delas, da explorao destemida do mundo e da barulheira que sempre faziam quando ele chegava em casa.
        Coloc-los nas sepulturas fora a coisa mais difcil que fizera na vida.
        Santo Deus, isso no devia ser permitido. Um pai nunca deveria ter que enterrar um filho.
        No se lembrava de um dia em que o sol brilhara para ele desde ento.
        Uma dor sbita e feroz fez sua cabea latejar e ele pressionou as tmporas com os dedos. Queria gritar sua dor em voz alta, mas trincou os dentes e logo 
o tormento enfraqueceu. Exausto, fechou os olhos e dormiu.
        Em seu quarto, deitada na extenso vazia da cama, Sarah no conseguia dormir. Imvel, ainda sentia os efeitos do champanhe pelo modo como o quarto parecia 
girar lentamente ao seu redor. Mas no era por causa da bebida que estava to imvel. Sentia uma imensa dor e temia se cristalizar se tentasse se mover.
        Deveria saber, deveria ter percebido, como a cerimnia o afetaria. Todavia, no notara o inferno nos olhos dele. Em vez de estar celebrando o casamento, 
Rome estava lamentando, porque ela no era a mulher que ele amava.
        Teria sido uma tola de pensar que poderia ganhar o amor dele? Rome teria mais amor para dar ou o teria sepultado todo com Diane? No havia como saber, e 
ela tomara sua deciso quando concordara em se casar. Aceitaria o que ele quisesse lhe dar.
        Custasse o que custasse, no o deixaria perceber o quanto estava ferida. No queria acrescentar o peso da sua dor  dele, fazendo-o se sentir culpado. Agiria 
normalmente, como se aquele fosse o modo como todo casal comeava um casamento. Rome no tentaria sondar a fundo se ela assumisse uma mscara de desinteresse, em 
vez disso aceitaria aliviado. Tudo que precisava fazer era aguentar firme o final de semana. Ento ele voltaria a trabalhar e ela poderia comear a procurar com 
afinco um emprego ou decidir se queria montar uma pequena empresa.
        Sua mente cansada se agarrou ao assunto com alvio, querendo algo, qualquer coisa, que a impedisse de pensar em Rome. No podia fazer planos que o inclussem. 
Apenas devia viver a realidade de cada momento. Assim, Sarah o tirou do pensamento e tentou decidir que tipo de negcio lhe despertava o interesse. Desejava fazer 
algo prazeroso e que preenchesse seu tempo. Fez uma lista mental de todos os seus passatempos e interesses e vrias possibilidades surgiram para serem anotadas. 
Pensou e repensou as ideias, at que por fim o sono a envolveu.
        Acordou cedo no dia seguinte, o ambiente estranho a impediu de dormir profundamente. O relgio ao lado da cama marcava 6h30. Sarah levantou-se e tomou um 
banho rpido. Ento, colocou a camisola novamente e um roupo, j que no estava com vontade de se vestir e a temperatura do incio de outono baixara surpreendentemente 
durante a noite. No dia anterior ligara o ar condicionador do carro, mas agora, com a tpica imprevisibilidade do Texas, o tempo estava frio. Caminhou direto at 
o termostato e girou o boto para "aquecer" e no momento seguinte o rudo confortante da calefao deixou claro que logo o apartamento estaria confortvel.
        Embora ela mesma tivesse colocado tudo nos lugares, a cozinha ainda era uma novidade. Teve que procurar a cafeteira. Depois no conseguia achar o medidor 
de caf. Abriu todas as gavetas e procurou, fechando-as com fora e irritada quando a busca no gerou resultados. Simplesmente no estava com humor para nada que 
desse errado e murmurou ameaas medonhas ao medidor por ter desaparecido.
        Por fim, o encontrou dentro da lata de caf. Fechou os olhos pela prpria estupidez, porque agora se lembrava de t-lo colocado l, onde no se perderia... 
Deus, odiava mudanas! Odiava mixrdia, com as coisas fora dos lugares onde estava acostumada a ach-las. O refrigerador se encontrava ao lado oposto do fogo, diferente 
do seu antigo apartamento, e caminhava na direo errada toda vez que precisava de algo. Aquela cozinha era maior que a antiga e ficava aturdida, andando ao redor, 
sem saber para onde se virar. Sentia-se um pouco perdida, da mesma maneira que se sentia quando era criana deitada em seu asseado e inspido quarto, escutando as 
discusses amargas dos pais.
        Sabia que Rome estava acostumado a madrugar, ento comeou a preparar o caf da manh, tentando se forar a relaxar e desempenhar a rotina familiar, embora 
todos os seus utenslios de cozinha estivessem nos lugares errados. Quando o caf ficou pronto, verteu uma xcara e tomou um gole, fechando os olhos e tentando se 
tranquilizar. Tinha certeza de que com o tempo se acostumaria ao novo ambiente. Era apenas uma questo de se adaptar.
        Mas e quanto a Rome? Ele era a causa de seu nervosismo, porque no sabia o que lhe dizer e tambm sabia que teria que enfrent-lo em breve. O que uma mulher 
poderia dizer a um homem que acabara de virar seu marido e que passara a noite de npcias sozinho? Talvez no devesse ter se casado com ele. Talvez ele simplesmente 
no estivesse preparado para assumir uma relao permanente com outra mulher.
        Devia ter recusado a proposta dele e esperado que ele voltasse a pedir quando o tempo o tivesse curado? Mas e se ele no voltasse a pedir? E se apenas desse 
de ombros, seguisse o seu caminho, encontrasse outra mulher e se casasse? Sarah repudiou o pensamento. Fora ruim o bastante perd-lo para Diane. No suportaria a 
ideia de v-lo casado com outra.
        O cheiro de bacon frito era um m universal. Logo Rome entrou na cozinha, inalando o ar com prazer. Sarah o fitou e ento rapidamente desviou o olhar, antes 
que seus olhares se encontrassem. Os cabelos dele exibiam um brilho mido de quem acabara de tomar uma ducha. Estava de jeans e uma camisa xadrez que deixara desabotoada 
e para fora da cala. Usava meias, mas nenhum sapato. Acostumada a v-lo vestido num estilo mais formal, a casualidade daquela manh fez seu corao acelerar. Estava 
vestido como os maridos normalmente se vestiam nas preguiosas manhs de sbado.
        - Por que estava tentando demolir a cozinha? - perguntou Rome, sufocando um bocejo e fitando-a um pouco desajeitado. Desejava saber como seria recebido por 
ela naquela manh. Sua atitude na noite anterior era imperdovel para a maioria das mulheres e se sentia como estivesse andando de salto alto. Deveria pelo menos 
ter conversado com ela sobre aquilo.
        Sarah estava tensa e se sentia ridiculamente  beira das lgrimas.
        - Eu o acordei? Sinto muito. No pretendia.
        - No, eu j estava acordado.
        Depressa, ela lhe ofereceu uma xcara de caf. Rome a aceitou e dirigiu-se  pequena mesa, onde puxou uma cadeira e espreguiou as longas pernas. Sarah estava 
chateada, mas no parecia brava. Ele bebeu o caf, no sabendo o que dizer.
        Sarah virou o bacon e caminhou at a geladeira para pegar os ovos, mas uma vez mais tomou a direo errada. Deixando escapar um som irritado, esfregou os 
punhos sobre os olhos, lutando contra as lgrimas que ameaavam rolar.
        - Droga - disse debilmente. - Sinto muito, mas no consigo me organizar. No acho nada! - explodiu, a voz falhando de tenso. - Sinto-me to perdida!
        Rome se ergueu, as sobrancelhas franzindo-se ao ouvir a nota de pnico na voz dela. Sarah estava caindo em pedaos porque precisava cozinhar em um ambiente 
pouco conhecido! No era nenhum artifcio e ela no estava usando aquilo como desculpa. Seu pnico era real e ela no era capaz de lidar com o problema.
        Sem pensar em mais nada, apenas sabendo que precisava confort-la, caminhou at ela e a abraou.
        - Ei, fique calma - aconselhou com ternura, acariciando-lhe os cabelos e comprimiu a cabea dela contra o peito. - O que est acontecendo?
        Rome devia estar pensando que ela era uma completa tola. Sarah podia sentir que estava tremendo quando ele retomou seu assento e a sentou no colo dele, embalando-a 
como se ela fosse uma criana ferida em uma brincadeira. As mos grandes acariciaram-lhe as costas lentamente.
        - No foi voc mesma que arrumou tudo? - perguntou ele.
        - Sim. Isso  o que faz tudo parecer to estpido! - respondeu, buscando sentir o calor do corpo masculino, afagou-lhe as costelas atravs da camisa aberta. 
Ento esfregou o rosto contra o dele como um gato. - E que tudo mudou e no estou acostumada. Odeio mudanas! - murmurou. - Voc no me ver mudando a moblia de 
lugar em meses ou at mesmo em anos. Gosto de me sentir segura em minha prpria casa, no uma constante estranha.
        Golpeado por aquelas palavras, Rome a embalou suavemente, desejando saber por que a conhecia h tanto tempo e nunca percebera que Sarah tinha uma forte necessidade 
de uma base estvel. Tentou se lembrar se ouvira falar algo a respeito da vida familiar dela quando criana, mas sua mente era um espao em branco.
        Normalmente, era to serena e competente, que chegava a assustar senti-la aninhada contra o seu peito, buscando a segurana dos seus braos, mas gostou da 
nova situao. Sarah era to delicada, apenas um pompom no seu colo, macio e leve, mas com o calor e a seduo das curvas de uma mulher. Ela suspirou e correu as 
mos pelos msculos fortes das costas dele. Rome estremeceu de prazer e algo mais. Os cabelos louros espalhados sobre seu brao formavam uma cascata morna e sedosa 
e ele podia sentir o doce cheiro feminino que vinha da curva aveludada dos seios dela. Sarah possua um cheiro todo prprio, no baseado em perfumes, mas na qumica 
maravilhosa da sua pele macia e brilhante, aquecida pelo fluir do sangue nas veias. E esse cheiro flutuava no ar toda vez que ela respirava, empinando-lhe os seios 
de modo provocante.
        Um desejo poderoso e intenso comeou a enrijecer o corpo dele. Erguendo os cabelos de Sarah, curvou a cabea e roou os lbios lentamente pela coluna esbelta, 
localizando a fonte do seu cheiro feminino.
        - Prometo nunca tirar nada do lugar - murmurou, encontrando o tremular minsculo e traidor na base da garganta dela. No era merecedor, mas Sarah estava 
reagindo a ele sem fazer um nico comentrio sobre o seu comportamento na noite anterior. No o rejeitaria ou passaria o dia fazendo beicinho e magoada. Estava aceitando 
o que ele podia lhe oferecer.
        E o aceitava feliz, jogando a cabea para trs para lhe permitir maior acesso.
        Rome aproveitou aquela generosidade, beijando e acariciando a carne macia, enquanto a desnudava. Sarah afagou-lhe os cabelos, ofegando quando ele lhe abriu 
o roupo. Removendo a pea rapidamente, ele deslizou as alas da camisola de seda que escorregou pelos seios dela. Curvando a cabea, fechou a boca quente e mida 
sobre um mamilo sensvel, fazendo-a emitir um gemido de prazer.
        - Voc gosta disso? - perguntou ele, usando as mos e a boca para excitar os mamilos rijos e aveludados.
        - Sim... sim. - a resposta soou inaudvel e distante e Sarah tentou colocar os braos ao redor do pescoo dele, mas as alas da camisola a impediam de se 
mover. Frustrada, lutou contra as alas de seda, tentando se livrar, mas ele a segurou firmemente. Estava to prximo e as coisas que fazia eram encantadoras demais 
para faz-lo parar.
        Rome fez o caminho inverso, beijando-lhe a linha do pescoo at por fim tomar-lhe a boca num beijo faminto. O caf da manh foi esquecido pelo calor que 
aquecia seus corpos. Sarah no teria parado, mesmo se tivesse se lembrado da refeio que estava preparando. No conseguia toc-lo o suficiente, no podia satisfazer 
a necessidade de pressionar o corpo completamente contra o dele. Desesperada, moveu-se, buscando aconchegar os seios nus e sensveis nos pelos escuros e encaracolados 
do trax dele. Rome a ajudou, erguendo-a e atraindo-a para si de forma a eliminar toda a distncia entre seus corpos. Com movimentos sfregos, ergueu-lhe a camisola 
de seda at sentir suas ndegas nuas.
        - Voc... me deixa louco! - murmurou, lutando com a cala jeans at abri-la e descart-la. Sarah moveu os lbios, prolongando o beijo enquanto ele a penetrava 
com um movimento suave que a fez ofegar.
        Gemendo o nome dele, ela se acomodou melhor para desfrutar o prazer da unio. Sua pele ardente parecia tomada por um fogo selvagem. O corpo esbelto danando, 
inflamando, at os nicos sons audveis no recinto serem as palavras incoerentes da paixo, do desejo, do desespero sexual que fez Rome enrijecer na cadeira, levando-o 
s raias da loucura. Sarah por fim conseguiu se livrar da camisola e erguer os braos, apoiando as mos naqueles ombros morenos. Ele se conteve, quase desfalecendo 
com o esforo, mas queria sentir o tremor interno e delicado dela, os espasmos de satisfao. Quando Sarah se cansou, Rome assumiu os movimentos, as mos fortes 
segurando-a pelos quadris, arrancando minsculos gemidos de prazer, gemidos que ele sufocou com a boca, incitando-a a continuar. Ondas de puro xtase fsico comearam 
a atingi-la. Por fim, exausta, desmoronou sobre o trax dele. Chorando de alegria e alvio e, totalmente alheia a esse fato, sentia apenas o corpo dele, enquanto 
Rome a segurava com firmeza e desfrutava do prprio prazer.
        Quando a velocidade que aquecia o seu sangue reduziu, Sarah deixou-se repousar no colo masculino, no querendo se mover. Jamais imaginara que seu casamento 
seria consumado em uma cadeira de cozinha, mas o desejo impaciente com que ele a possura era to tranquilizador que isso no importava. Feliz, fechou os olhos e 
roou os lbios de encontro ao trax dele.
        - Rome - murmurou com uma ternura dolorida.
        Erguendo-a nos braos, ele a carregou para a cama.
        O caf da manh se transformou em almoo e os dois comeram o bacon em sanduches. Sarah ardia pelas horas de intenso prazer que os dois viveram, em uma confuso 
de braos e pernas na cama dela. Longe de imaginar a satisfao de Rome, sempre que ela se perdia na loucura da paixo, quando sua face nua revelava todo o desejo 
que sentia, simplesmente se entregou sem reservas e em retorno experimentou uma satisfao fsica que jamais sonhou poder existir. Com um incrvel esforo, ele se 
controlara, dedicando todo o tempo e cuidado para lhe proporcionar prazer. Uma mulher inexperiente, como ela, jamais poderia imaginar o quanto isso era raro. Rome 
continuara sobre ela, deliberadamente imprimindo sua marca na carne macia, usando toda sua experincia para se certificar de que, sempre que Sarah pensasse em fazer 
amor, se lembraria dele.
        O dia transcorreu em uma nvoa de sensualidade. Sarah tinha a mente ofuscada e o corpo satisfeito. Aquela noite era real. Rome fizera amor com ela com uma 
intensidade perturbadora. A sanidade s voltou quando ele a beijou de leve na boca, deixou a cama, e foi para o quarto dormir sozinho, porque ela sabia que no corao 
dele s havia uma esposa, Diane.
        Sarah ficou deitada, desejando que ele voltasse, rezando em silncio para que aquela noite no fosse uma repetio da anterior. Mas a porta no se abriu 
novamente e ela se encolheu triste, morrendo um pouco por dentro. Rome lhe dissera uma vez que quando a noite chegava, preferia pass-la sozinho. Jamais o recriminara 
por isso, inclusive escolhera aquele apartamento com as palavras dele em mente. Mas, na magia do dia que passaram juntos, a maior parte naquela mesma cama, acabara 
esquecendo e agora chorava baixinho, desejando que ele no a ouvisse.
        
        
        
     Captulo Seis
        
        
        
        Rome ps a chave na fechadura e abriu a porta, entrando no apartamento com um profundo sentimento de alvio e antecipao. Aquela viagem parecia ter durado 
uma eternidade e j estava farto de quartos e comida de hotel. Ao entrar na sala, a atmosfera de conforto e serenidade que Sarah conseguira criar no apartamento, 
chamou sua ateno. A sensao era de estar em casa, algo que no sentia h muito tempo. No sabia dizer o que ela havia feito, mas de alguma maneira tudo parecia 
mais confortvel.
        Embora estivessem casados h apenas duas semanas, esperara aquela viagem com uma necessidade inquietante de se distanciar dos laos suaves, no visveis, 
que o prendiam ali.
        No que Sarah lhe exigisse alguma coisa. Pelo contrrio, no exigia nada. Mas mesmo assim, se achava pensando nela durante horas estranhas do dia, querendo 
conversar com ela sobre assuntos de trabalho ou querendo fazer amor. Um desejo que poderia ter resultados embaraosos em um ambiente de trabalho. No precisava muito 
para faz-lo lembrar de fazer amor com ela. Bastava ouvir algum mencionar o nome de Sarah. Ou quando ia ao escritrio de Max. Qualquer pequeno detalhe o fazia lembrar 
o gosto dela, o seu toque, a sua reao a ele. Sarah era incrivelmente sensual. Ainda estava surpreso pelo contraste da imagem fria e reservada que ela sempre passara 
com a da mulher gemendo e se contorcendo em seus braos.
        Desejara ficar um tempo afastado, mas a viagem acabara demorando mais do que o previsto. O que originalmente seria uma viagem de trs dias acabara se transformando 
em uma viagem de oito dias e Sarah no parecia chateada quando ele ligou dizendo que ia demorar. Simplesmente dissera que estava tudo bem, que a avisasse sobre o 
dia da sua chegada e ento abordou outros assuntos. Ficara um pouco frustrado pela falta de interesse da parte dela e, de repente, a viagem e os incontveis detalhes 
com os quais precisava lidar se tornaram cansativos. Queria voltar para casa.
        A necessidade de relaxar e de estar com Sarah se tornara to imperiosa que acabara se exaurindo e levando todos ao ponto de exausto, mas conseguira resolver 
tudo um dia antes do previsto. Agora contemplava o apartamento silencioso, a luz do sol se infiltrando pelas janelas. No ar, um lnguido e tentador cheiro de torta 
de ma caseira. Rome respirou fundo e sorriu. Torta de ma era a sua favorita.
        - Sarah? - chamou ele, derrubando a pasta e o sobretudo, repentinamente ansioso para t-la nos braos outra vez. O que ela pensaria quando ele a carregasse 
apressado para a cama? Mas afinal, ficara longe oito longos e frustrantes dias e no estava acostumado ao celibato. Porm, era como se descrevera para Sarah, um 
marido fiel. Preferia a vida domstica e uma nica mulher, a vrios encontros casuais. Alm do mais, no queria outra mulher. Desejava Sarah, com sua reserva fria, 
o silncio confortvel e seus cabelos louros emaranhados ao redor dos braos dele como fios de seda.
        Mas ela no veio ao seu encontro e uma carranca tiniu suas sobrancelhas escuras. Impaciente, procurou pelo apartamento, j sabendo que ela no estava em 
casa. Aonde teria ido?
        Fazer compras? Podia estar procurando emprego. Ela mencionara que recebera algumas propostas interessantes. Conferiu o relgio. Eram quase 4h, logo a qualquer 
minuto Sarah poderia estar de volta.
        Trocou de roupa e se sentou para ler o jornal. Ento assistiu o noticirio da tarde. Quando o sol se ps, a temperatura caiu vertiginosamente, o que o obrigou 
a acender a lareira. Sentado, observou por um longo tempo a luz azul bruxuleante do fogo. Em outubro o crepsculo era breve e logo no havia mais resqucios da luz 
do dia.
        Mantendo a irritao sob controle, preparou o prprio jantar e comeu sozinho. Em seguida, se serviu de um grande pedao de torta de ma. Enquanto limpava 
a cozinha, uma sbita onda de raiva o invadiu. Em parte, constituda, pelo medo no mencionvel, que no nomearia, nem para si mesmo. Diane havia sado e no voltara. 
No se permitira considerar a possibilidade de ter acontecido algo com Sarah.
        Mas, droga, onde ela estava?
        Eram quase 10h quando finalmente a ouviu destrancar a porta. Ergueu-se, entre aliviado e furioso. Ento a ouviu dizer:
        - Obrigado, Derek. No sei o que eu faria sem voc! Eu o vejo amanh.
        Uma voz grave e serena respondeu:
        - A qualquer hora que precisar de ajuda, sra. Matthews,  s me chamar. Boa noite.
        - Boa noite - disse Sarah entrando na cozinha e, em seguida, na sala onde Rome estava. Nesse instante, se deu conta do enigmtico fato das luzes estarem 
acesas, quando o apartamento devia estar mergulhado na escurido, e estacou de repente. De p onde se encontrava, Rome pde ver o corpo esbelto enrijecer. Ento 
ela se virou e a face delicada tornou-se luminosa como um Quatro de Julho.
        - Rome! - exclamou e correu para abra-lo.
        O entusiasmo sincero o desarmou, fazendo-o esquecer a irritao. Estava feliz por v-la outra vez. Abriu os braos para abra-la, mas na ltima hora segurou-a 
pelos ombros e a afastou.
        - Pare! - ordenou, com um risinho. - No estou certo... Quem  voc? A voz  familiar, mas nunca a vi to suja antes.
        Sarah riu, to feliz por t-lo em casa novamente, que sentia vontade de rodopiar como uma criana.
        Queria muito beij-lo, mas reconhecia que estava imunda. Olhou para a cala jeans, preta de graxa e vrias outras manchas, incluindo uma de catchup do cachorro-quente 
que comprara para o almoo e derrubara sobre o colo. Infelizmente, a graxa e a sujeira se estendiam, desde a cabea at as pontas dos ps. Tinha os cabelos cobertos 
por um leno vermelho que retirou cuidadosamente. Os cabelos, ainda presos em um coque, eram um contraste incongruente.
        - Estou uma baguna - admitiu. - Deixe-me tomar uma ducha rpida e depois conversamos sobre isso.
        - Mal posso esperar - disse Rome, desejando saber que catstrofe poderia ter transformado sua imaculada e impecvel esposa naquele farrapo humano.
        A manga da blusa dela estava rasgada, notou. Teria se envolvido em uma briga? Impossvel. E tambm no havia contuses ou cortes que evidenciasse um acidente.
        Rome a seguiu at o banheiro.
        - S me diga uma coisa: Voc fez algo ilegal ou aconteceu alguma coisa que exigiu uma interveno policial?
        Sarah deu aquela risada baixa e atraente que sempre o seduzia.
        - No, nada disso. As notcias so boas!
        Rome a observou tirar a roupa suja, o nariz delicado enrugando de nojo, enquanto derrubava pea por pea no cho do banheiro. Morto de desejo, contemplou 
as curvas esbeltas e graciosas, os doces mamilos e os cachos dourados, o corpo que lhe pertencia. Era todo seu. Notou o modo como ela flexionou os ombros como se 
estivessem tensos e deixou escapar um suspiro inconsciente de cansao.
        - Comeu alguma coisa? - perguntou ele.
        - Mais nada desde o almoo.
        - Vou preparar algo, enquanto voc toma banho.
        Ao deixar o banheiro, sentindo-se limpa novamente, Sarah teve a impresso de que a gua morna levara toda a sujeira e tambm seus ltimos sedimentos de energia. 
Estava to cansada, que teve vontade de se deitar e dormir at o dia seguinte, mas Rome a estava aguardando. Ele ainda nem lhe dera um beijo e parecia ter passado 
uma eternidade desde que sua boca tocara a dela pela ltima vez. Colocando um roupo, a nica pea de vesturio que se preocupou em vestir, rumou para a cozinha.
        Rome havia aberto uma lata de sopa e preparado um sanduiche de queijo grelhado para ela. Sarah tropeou na cadeira, j alcanando o sanduche, quando ele 
colocou um copo de leite ao lado do prato.
        - Ento, conte-me as boas notcias - incitou ele, virando uma cadeira e se sentando com os braos apoiados no longo espaldar. Por um longo momento, ela simplesmente 
o encarou, incapaz de acreditar quo belo Rome lhe parecia. Tinha os cabelos escuros desalinhados e a face cansada, mas era o homem mais bonito que ela j vira.
        - Comprei uma loja - disse ela.
        Um pouco surpreso com a notcia, ele esfregou as mas do rosto com as pontas dos dedos. Certa vez dissera a Sarah que a profisso de ambos lhes proporcionariam 
a independncia necessria. Mas agora diante da realidade, no queria dividir a ateno da esposa. Lembrando-se novamente que no devia pression-la, que ela esperava 
e merecia o direito de tomar aquela deciso, disfarou sua reao e perguntou:
        - Que tipo de loja?
        - E uma espcie de bazar. Comprei-a a preo de banana, porque o prdio estava em pssimo estado de conservao. O local  timo e fica a apenas 1,5km daqui. 
O estoque estava includo e a maior parte so produtos artesanais. Espere s at ver a cermica! A roda de oleiro fica em um quarto nos fundos. Posso exercitar minhas 
habilidades. Fiz algumas peas de cermica na escola secundria. Quase me matei de tanto trabalhar para t-la pronta antes de voc chegar. Limpamos, pintamos e colocamos 
estantes novas e o Derek cuidou das instalaes eltricas...
        - Quem  Derek - interrompeu Rome, lembrando-se do homem que a acompanhou at a porta.
        Sarah fez um som exasperado.
        - Derek Taliferro, o filho de Marcie. J falei dele com voc. Ele veio me trazer at aqui.
        - Aquele era o Derek? Pensei que ele tivesse 14 ou 15 anos.
        - Tem 15. Espere at conhec-lo! Parece que tem 20, no mnimo.  uma criana grande. No sei o que teria feito sem ele. Ele deveria estar em casa estudando, 
mas no quis me deixar sozinha.
        - O garoto prodgio - ironizou Rome, erguendo as sobrancelhas de modo a deixar claro que no gostava da ideia de ela ficar sozinha na loja at to tarde.
        Ignorando o comentrio, Sarah se dedicou  refeio, devorando-a com uma avidez bem-comportada. Assim que terminou, se deparou com o olhar atento e ilegvel 
de Rome.
        - Voc chegou um dia antes do esperado - disse ela por fim.
        - Resolvi todas as pendncias esta manh e peguei o primeiro voo para casa. Cheguei por volta do meio-dia, fiquei no escritrio durante uma hora e cheguei 
aqui um pouco antes das quatro.
        - Sinto muito por no estar aqui para receb-lo - disse ela suavemente. Se eu soubesse...
        Rome encolheu os ombros e o gesto de indiferena a fez se retrair. Estava prestes a alcan-lo e abra-lo, mas agora mantinha as mos firmemente no colo.
        -- Comi metade daquela torta - disse ele, mudando de assunto. - Quer uma fatia?
        - No. No, eu... - Fez uma pausa, o corpo sofrendo os efeitos da fadiga. Tentou lutar para se manter firme, mas o esgotamento a subjugou. - Estou to cansada 
- suspirou, fechando os olhos por um momento.
        Sarah ouviu o rudo de pratos, enquanto ele tirava a mesa e com um esforo supremo abriu os olhos para lhe dar um sonolento e breve sorriso, um que o fez 
sentir um arrepio eletrizante.
        - Vamos para a cama - convidou ela.
        Sem esperar por um segundo convite, Rome a ergueu nos braos, sua boca por fim tomando a dela num beijo profundo e demorado. Sabia que Sarah estava cansada 
e pretendia esperar, mas quando a ouviu dizer "vamos para a cama", todas as suas boas intenes desapareceram. Depois de lev-la depressa para o quarto dela, puxou 
as cobertas e a colocou na cama. Curvando-se, abriu-lhe o roupo, expondo-a ao seu olhar.
        Sarah suspirou e fechou os olhos. Depressa, Rome se livrou das prprias roupas, derrubando-as no cho. Em questo de segundos, deslizou o corpo nu sob os 
lenis e a tomou nos braos.
        Aninhando-se no peito quente, ela deixou escapar um pequeno murmrio. Os seios nus pressionados contra os msculos do trax dele. Com dedos firmes, Rome 
envolveu-os, friccionando os mamilos tmidos com os polegares. Morrendo de desejo, curvou a cabea para beij-la e, naquele momento, percebeu que ela havia adormecido.
        Um resmungo baixo de frustrao escapou da sua garganta, mas permaneceu deitado de costas no travesseiro, embalando-a porque necessitava sentir a carne sedosa 
em seus braos, nem que fosse por pouco tempo. Sarah estava exausta e ele podia esperar, mas todas as fibras do seu corpo, todo o instinto masculino que possua, 
ansiavam por fazer amor com ela. Tempos viriam, quando seu trabalho lhe exigisse longas horas de dedicao, que estaria cansado demais para sequer lembrar de fazer 
amor, pensou, tentando no se ressentir pela loja, que ele ainda no vira, mas que j a estava afastando dele. Q problema era que... Inferno, sentia-se to confortvel 
com ela por perto! Tudo estava onde deveria estar e organizado  ensima potncia. Tinha a impresso de que se desse a Sarah um quarto cheio de lombrigas, dentro 
de uma hora ela as teria rastejando em uma fila. O pensamento iluminou seu humor. Continuou deitado por bastante tempo, abraando-a enquanto ela dormia. Comeou 
a se sentir sonolento e ento se lembrou que se no se levantasse naquele momento, provavelmente acabaria adormecendo e Sarah deixara bem clara sua posio sobre 
dormirem juntos. Fazer amor com ele era bom e ela obviamente gostava, mas depois queria ter privacidade. Afastando-se, Rome deixou a cama e foi para o seu quarto.
        Sarah despertou vrias horas mais tarde, sentindo-se mal com o copo de leite que havia ingerido no jantar. Automaticamente, esticou o brao  procura de 
Rome, mas sua mo encontrou o travesseiro vazio. No estava l e, no importava com que frequncia a deixava para ir para sua prpria cama, ela no se acostumava 
com aquilo. Seu corpo, sua mente no podiam aceitar que ele no estivesse onde deveria estar.
        Levantou-se, sentindo-se repentinamente vazia e desejando saber se algum dia teria uma chance de despertar no marido alguma emoo diferente daquele afeto 
moderado. E luxria, lembrou-se. Mas isso no era uma emoo... era uma reao fsica.
        Sentindo um gosto ruim na boca, escovou os dentes, bocejou e encarou sua imagem refletida no espelho do banheiro. Os cabelos estavam uma baguna. Sentia-se 
cansada demais para se preocupar em ajeit-los, mas os afastou do rosto e voltou para a cama, onde adormeceu de imediato mais uma vez.
        A luz cinzenta do amanhecer, Sarah despertou lentamente, espreguiando-se sob suaves e mornas carcias que afagavam seu corpo com uma intimidade familiar. 
Havia um calor magntico ao seu lado e ela se virou, a cabea deparando-se com a rigidez do trax de Rome. Ela o abraou, sem pensar em mais nada.
        - Acorde - disse ele baixinho ao ouvido dela. Mordiscando o lbulo delicado, depositou-lhe minsculos beijos ao longo da mandbula, at encontrar alcanar-lhe 
a boca.
        - Estou acordada - murmurou ela, acariciando as costas dele com as palmas das mos, sentindo os contornos firmes dos msculos sob a pele morena.
        Rome a possuiu de imediato. Estava morna e flexvel, o corpo corado e a respirao tornou-se ofegante de prazer, quando ele passou a se mover lenta e poderosamente 
dentro dela.
        - No posso esperar. Tenho que t-la agora.
        O quarto estava consideravelmente mais iluminado quando Rome ergueu a cabea dos seios delicados.
        - Droga, vou me atrasar para o trabalho - disse com uma nota de surpresa.
        - Voc ficou fora durante oito dias - murmurou ela, aconchegando-se mais ao calor do corpo msculo. - Merece dormir at mais tarde.
        - Mas eu no estava dormindo. - A observao mordaz provocou um sorriso sonolento nos lbios de Sarah, um sorriso de completa satisfao fsica.
        Durante o curso normal do dia, Rome a tratava como se ela fosse um chinelo velho e confortvel. Fcil de se ter ao redor, mas nem um pouco excitante. No 
era afetuoso, tampouco se referia a ela com palavras carinhosas. Na realidade, frequentemente, parecia desencorajar qualquer sinal de aprofundar uma intimidade emocional 
entre eles. Mas na cama no havia barreiras, no havia distncia. Quando estava na cama com ele, podia esquecer tudo e simplesmente saborear a proximidade que os 
unia. O mundo ao redor parecia desaparecer quando estava entre aqueles braos fortes, sob a presso pesada do seu corpo viril.
        Rome deslizou a mo pela lateral do corpo dela, at encontrar a curva dos quadris. Com as pontas dos dedos roou com suavidade as ndegas macias. No sentira 
falta apenas do modo apaixonado como Sarah fazia amor, percebeu surpreso. Mas do silncio que to frequentemente desabava entre eles. Um silncio confortvel, desprovido 
de tenso. Tanto podiam conversar quanto ficar calados. Uma imensa sensao de bem-estar o envolvia sempre que estavam juntos, como se Sarah fosse uma velha amiga 
que no esperava nada alm da sua companhia.
        - Se no me levantar agora - anunciou ele cinco minutos depois, quando a mo que a acariciava, agora mais ousada, j comeava a deix-lo excitado.
        - Max provavelmente vir at aqui s para me arrancar da sua cama.
        - Ento, vou ajud-lo a se livrar da tentao - disse Sarah, rolando para longe da mo dele e sentando-se cuidadosamente na beirada da cama. Adoraria ficar 
ali o dia inteiro com ele, mas sentia que a qualquer momento Rome se levantaria e se afastaria. E seria insuportvel v-lo levantar-se e deix-la mais uma vez.
        A coisa mais certa a fazer era parar com aquilo e se levantar primeiro, tomar a deciso, como se tivesse outros afazeres. Ficou de p um pouco tensa, os 
msculos protestando, tanto pelo trabalho pesado do dia anterior, quanto pelo exerccio vigoroso que ambos haviam feito nas ltimas duas horas. Quando ela caminhou 
para o outro lado do quarto, Rome carranqueou ao perceber a tenso nos seus movimentos, normalmente leves e graciosos.
        Ergueu-se da cama e caminhou at ela, tocando-a no ombro, enquanto Sarah escolhia roupas ntimas na cmoda.
        - Voc est bem? - perguntou um pouco spero e ela entendeu o significado da pergunta. Rome era um homem grande, forte e bastante viril. Fazia-a sentir-se 
pequena na cama, em todos os sentidos. Normalmente, tratava seu corpo esbelto e delicado com muito cuidado e pacincia. Porm, havia horas, quando a paixo O dominava, 
que a tomava com uma impetuosidade chocante. E aquela manh fora um dessas vezes.
        - Sim, estou bem - disse ela, e porque ele ainda estava carranqueando, acrescentou: - Estou toda dolorida pelo trabalho na loja e  para l que preciso ir 
agora mesmo. Voc no  o nico que est atrasado. 
        Rome baixou a mo, no gostando da ideia de Sarah fazer trabalho fsico pesado. Algumas mulheres poderiam lidar com isso, mas ela era delicada como uma pea 
frgil e translcida de porcelana. Queria dar uma olhada na loja, decidir o que devia ser feito e contratar profissionais capacitados para o servio. Se Sarah quisesse 
supervisionar, podia. S no queria que ela se desgastasse. Apenas o conhecimento de que no tinha o direito de interferir o impediu de proferir suas restries. 
Se bancasse o dspota como fazia na Spencer-Nyle, com certeza receberia um daqueles olhares de iceberg patenteados por ela, lembrando-o do acordo que haviam feito.
        - Eu gostaria de ver a loja - comeou cauteloso, seguindo-a at o banheiro.
        Sarah lhe lanou um olhar surpreso.
        - Claro. Talvez eu ainda esteja l esta tarde quando voc sair do trabalho. Por que no vai at l? O nome  Tool and Dyes, com y.
        - Eu sei - disse pensativo. - Mas pensei que fosse uma loja de mquinas. Inferno, aquele lugar  um lixo!
        - Era um lixo - corrigiu animada, entrando no banheiro. Quando a gua estava morna, entrou no box e fechou a porta que se abriu no minuto seguinte. Rome 
tambm entrou, o corpo grande ocupando a maior parte do espao, fazendo-a sentir-se excessivamente pequena. Sarah o fitou, os olhos verdes com uma expresso interrogativa, 
enquanto ele pegava o sabonete e ensaboava as mos.
        - Vire-se - ordenou ele e ela obedeceu. Com movimentos suaves comeou a deslizar as mos pelas costas e ombros dela, massageando-lhe os msculos doloridos. 
O misto de dor e prazer a fez gemer em voz alta. Ela curvou a cabea para frente lhe permitindo acesso completo ao pescoo e ombros. Quando pensou que seus joelhos 
no suportariam mais o peso do corpo, Rome abaixou-se e despendeu a mesma ateno as suas pernas. Sarah sentia os msculos relaxando  medida que a dor aliviava 
e suspirou em xtase. Era maravilhoso t-lo ali, mimando-a e no se passava um dia que no se beliscasse para ter certeza de que no estava sonhando.
        Queria que ele fizesse amor com ela novamente, mas isso no aconteceu. Estava atrasado e embora ela soubesse que provavelmente poderia atra-lo para a cama, 
Rome se ressentiria por ela estar interferindo em seu trabalho.
        
        
        Rome j havia partido quando Sarah caminhou at seu carro. Ele tomara o caf da manh apressado e sara sem lhe dar um beijo de adeus, uma omisso que destruiu 
totalmente o calor provocado por aquela manh de paixo. Lembrou-se repetidas vezes que devia aceitar os limites da daquela relao. Estavam casados, mas ele no 
a amava, logo no podia esperar que agisse como um amante.
        Marcie a saudou quando ela abriu a porta do carro. Sarah fez uma pausa, os olhos se estreitando contra o sol luminoso da manh, enquanto a outra mulher cruzava 
a pequena faixa de grama entre a rua e o edifcio. O tempo continuava frio, mas Marcie usava apenas uma blusa de manga comprida. Uma leve carranca fechava o seu 
semblante.
        - Bom dia - disse sucinta e ento foi direta ao assunto. - Sarah, voc vai contratar algum para ajud-la na loja?
        - Claro - disse ela de pronto. Seria necessrio, pelo menos para ela ter tempo de almoar. Uma pessoa sozinha no daria conta de tudo e at mesmo em sua 
condio periclitante, a pequena loja possua um fluxo bem grande de clientes fixos.
        - O que acha de Derek? Ele s poderia ajud-la depois da escola e nos finais de semana, mas eu apreciaria se o contratasse. No gosto do supermercado onde 
ele est trabalhando agora - disse Marcie num tom preocupado. - Uma das caixas o est assediando.
        - Eu adoraria ter o Derek comigo - disse Sarah, sincera. O menino era forte e eficiente, poderia fazer tudo que precisava ser feito depois da escola. Ela 
olhou para Marcie e percebeu que a amiga estava realmente preocupada com o filho. - Que idade tem essa caixa?
        - Est mais para a minha idade do que para a do Derek - Marcie resmungou desgostosa.
        - Ela sabe que ele s tem 15 anos? Ele parece bem mais velho.
        - Eu sei, eu sei... Sarah, as meninas da escola o acompanham at em casa! Ele acha tudo normal, mas est ficando cada vez mais difcil para mim ter que lidar 
com isso. Ele era o meu beb! - lamentou. - Ainda  s um beb! No fui talhada para ser me de... um deus grego! Um deus italiano - corrigiu-se com uma lealdade 
escrupulosa aos fatos.
        - Se o Derek quiser trabalhar na loja, eu agradecerei aos cus todas as noites.
        - Ele adoraria. Gosta de voc e desse tipo de trabalho. No sabe como isso me deixaria feliz!
        Sarah sorriu e acenou com a mo rejeitando o agradecimento. Derek tiraria uma carga enorme dos ombros dela e gostava de t-lo por perto. Apesar da sua aparncia 
espetacular, o menino possua uma serenidade, um ar de capacidade, que a fazia sentir-se mais confortvel. A nica pessoa capaz de lhe proporcionar maior sentimento 
de segurana fsica era Rome.
        - Por que no vai at a loja para ver como est ficando - ela convidou Marcie.
        - Obrigada, eu vou. Se tiver tempo hoje, que tal se eu lhe levar o almoo?
        - Nunca rejeito um almoo!
        Sarah estava orgulhosa da loja, pensou, enquanto estacionava o pequeno carro no estacionamento atrs do prdio. As paredes reluziam com a pintura nova, agora 
branca. Havia uma faixa decorativa em tons de azul ao redor da porta e das janelas, que depois de limpas, com uma mistura de vinagre e suco de limo, cintilavam 
 luz do sol da manh. As vidraas em forma de losango conferiam um ar de lar  lojinha, com cho rstico de tbuas corridas e compartimentos antigos para a mercadoria.
        Prateleiras novas se enfileiravam nas paredes e a cermica tomava uma parede inteira. Tons luminosos de vermelho, azul, ocre e salmo se misturavam num desenho 
abstrato, pois toda a cermica fora vitrificada com cores vivas. Colchas caseiras haviam sido dispostas sobre duas cadeiras com espaldar alto, enquanto outras dobradas 
cuidadosamente e empilhadas nos fundos nos assentos de tecido. Havia pregos, martelos, chaves de fenda, porcas e parafusos, tesouras, alfinetes e agulhas e inmeras 
outras miudezas necessrias, mas Sarah j tinha inteno de ampliar o estoque. Incluiria materiais para macram, bordados em ponto de cruz, pavios de vela e trabalhos 
de tric. Bonecas artesanais estavam muito em voga e essa poderia ser outra seo. Havia dois quartos menores nos fundos, alm do quarto de cermica e do minsculo 
escritrio, e ela poderia transformar um deles em um quarto para fazer as bonecas de porcelana. Bichos de pelcia eram outra possibilidade. Tinha tantas ideias, 
que temia no ter espao para por todas em prtica.
        A pequena loja lhe proporcionava muito mais satisfao do que o trabalho da empresa. Gostava do ritmo exigente da Spencer-Nyle, mas a estrutura de uma grande 
corporao realmente no combinava com ela. Era distante, impessoal. Aquela lojinha acolhedora e rstica era muito mais pessoal, exclusivamente sua, mesmo possuindo-a 
h to pouco tempo. As cores calmas, a exposio confortvel dos artigos, tudo tinha o seu toque pessoal. No hesitara nem um segundo ao saber que a loja estava 
 venda. A intuio lhe dizia que era o que ela queria. Ao olhar para o prdio e para o estoque, no regateou. O preo fora bem razovel, talvez devido s condies 
lastimveis da construo. Compr-la significara um rombo considervel em sua poupana e as reformas esvaziaram ainda mais suas reservas. Mas valera  pena. Agora 
era dela, algo que comprara e moldara para refletir sua personalidade.
        O prdio antigo estava num estado precrio. Ao se virar para caldeira de calefao obsoleta, pensou que ali estava outra coisa que precisava ser substituda.
        Ainda estavam em outubro. Mas como seria no ms de janeiro e fevereiro? Um telhado novo e isolamento eram uma necessidade.
        A loja ficara fechada durante a limpeza e pintura e Derek cuidara da parte eltrica. Fora uma surpresa para Sarah, que um menino da idade dele demonstrasse 
tamanho conhecimento sobre o assunto. Mas ele lhe explicara e tudo parecera mais simples. S depois do trabalho concludo  que Sarah ficou sabendo atravs de Marcie 
que Derek jamais havia mexido em uma fiao eltrica antes. Simplesmente aps ler sobre o assunto, decidiu por em prtica. Ao acender as luzes, percebeu o quanto 
a mercadoria parecia mais atraente com a iluminao mais brilhante e bem direcionada.
        O que teria feito sem Derek? Estaria longe de poder abrir.
        Sarah respirou fundo e virou a tabuleta na porta da frente pela primeira vez de "Fechada" para "Aberta". A loja estava oficialmente inaugurada.
        A lojinha contava com clientes regulares acostumados a fazer uma visita informal e perambular ao redor, sempre que precisavam de um pacote de pregos de arremate 
ou uma meada de l. O movimento nunca era muito intenso, mas raramente ficava vazia. A atmosfera era calma e relaxante, com pessoas examinando as mercadorias, confortavelmente, 
comentando as mudanas que haviam sido feitas. Sarah mantinha uma garrafa trmica com caf sobre o balco, o que encorajava as clientes a aparecerem para um bate-papo 
enquanto bebiam uma xcara de caf grtis. Gostava especialmente de conversar com pessoas idosas que possuam histrias fascinantes sobre como faziam quase todos 
os trabalhos manuais antigamente.
        O tempo passou to depressa, que quando Sarah se deu conta, Marcie estava entrando na loja. Era hora do almoo. Alis, j havia passado, era quase 1h da 
tarde.
        - Sinto muito, estou atrasada - desculpou-se Marcie. - J estava saindo, quando recebi um telefonema de uma revista para discutir uma proposta que eu havia 
apresentado.
        Os olhos de Sarah se iluminaram calorosos.
        - Eles gostaram?
        - Gostaram - respondeu Marcie depressa. - Agora tudo que preciso fazer  pensar em algo para escrever.
        Marcie era to organizada. Podia escrever umas mil pginas de material de pesquisa, logo Sarah no levou a srio o ltimo comentrio.
        - Que tipo de artigo ser?
        - E para uma revista feminina. Andei pensando muito sobre isso. - Marcie comeou a esvaziar a bolsa de papel que havia trazido, pondo um prato de papel na 
frente de Sarah e o enchendo com galinha frita, salada de repolho e com rolinhos primavera por cima. - "Casamentos por Convenincia - Passado e Presente". Acho que 
 assim que vou intitular a matria. Sei que voc j leu algo sobre eles. As vezes, so mais regra do que exceo. Podemos cham-los de casamentos arranjados. O 
fato  que pessoas se casam por inmeras razes diferentes de amor. Convenincia  um das mais comuns, o que provavelmente os faz ser chamados de casamentos por 
convenincia. Duas pessoas juntam seus bens, amparam um ao outro, como um negcio em sociedade, porm  um casamento e dormem juntos.
        Um brilho de divertimento suavizou os olhos verdes de Sarah.
        - Voc no acredita em casamentos s no nome? 
        Marcie lhe lanou um olhar descrente.
        - Honestamente, voc conhece algum homem feliz com um casamento platnico? Estou falando sobre um homem normal e saudvel.
        - Normalmente, no. Embora eu ache que h algumas situaes...
        - Situaes incomuns.
        - Certo, situaes incomuns...
        - Continuo achando que no - Marcie a interrompeu novamente com um tom jovial e despreocupado. - E voc tambm, porque posso ver o modo como est mordendo 
sua lngua.
        Sarah riu, porque realmente estava tentando arrancar um argumento de Marcie, que amava discutir.
        - Eu me rendo. Vamos voltar ao seu artigo.
        - Tirei essa ideia de uma reunio que tive com seis das minhas velhas amigas da escola secundria. Passamos um bom tempo juntas e os martnis fluram livremente. 
No so mulheres incomuns, apenas normais, mulheres do dia-a-dia. De ns sete, duas haviam se casado porque ficaram grvidas, uma porque nunca tivera muitos namorados 
e pensou que a proposta seria a ltima chance de se casar, uma admitiu que ela s se casou porque estava namorando o sujeito h tanto tempo que todos j davam como 
certo o casamento dos dois e a outra foi sincera o bastante para admitir que se casou com o marido por dinheiro. Gostava dele, mas o dinheiro era a atrao principal. 
Cinco em sete mulheres.
        - E as outras duas?
        - Uma porque estava apaixonada e ainda continua. E a outra... bem, a outra sou eu. Casei porque pensei que estava apaixonada. Se voc visse o pai do Derek, 
entenderia por qu. Mas em vez de amor, era apenas sexo, que era muito bom e permaneceu bom, mas sexo no  suficiente para manter um casamento. - Por um momento, 
Marcie apoiou as mos sobre o queixo, pensando no ex-marido. - Dominic e eu vivemos bem durante algum tempo, mas no fim, simplesmente no ligvamos mais um para 
o outro. Mas eu faria tudo novamente, mesmo sabendo que acabaramos nos divorciando, porque eu queria ter o Derek.
        - Ento, das sete, s uma se casou por amor?
        - Ummm. Ainda no fiz uma pesquisa profunda, mas tenho conversado com alguns homens e estou quase acreditando que os homens se casam mais por convenincia 
do que as mulheres. Homens so mais diretos nas suas necessidades e ainda guardam muito dos instintos trogloditas.
        - Eu Tarzan, voc Jane?
        - De certo modo. Eles ainda querem um fogo e algum para cozinhar a carne que trazem para casa, que cuide de seus ferimentos, lave suas roupas e um corpo 
morno quando precisam de um. Necessidades simples, bsicas e que no mudaram muito na substncia, s o ritual  diferente. Eles se casam para satisfazer essas necessidades.
        - Voc no pinta um quadro muito romntico - Sarah comentou, comeando a sentir arrepios pelas descries precisas de Marcie.
        A conversa a remetia dolorosamente a seu prprio casamento. Rome se casara com ela por todas aquelas razes e fora bem honesto a respeito disso. Queria uma 
casa, uma relao estvel e sexo conveniente. Em retorno, seria um marido fiel e consciencioso. Um casamento por convenincia para ele. Para ela, um casamento por 
amor.
        - H romance nisso - continuou Marcie pensativa, saboreando uma coxa de galinha. - Algumas pessoas aprendem a amar o outro depois de casados. A maioria cuida 
um do outro em vrios aspectos, mesmo que nunca se torne amor. Alguns casamentos no duram. Mas estou convencida de que convenincia  a base para mais casamentos 
do que a maioria de ns gostaria de admitir.
        - Gostaria de saber quantas pessoas se apaixonam depois de casadas? - Sarah pensou em voz alta, alheia  nota de melancolia que conferiu  voz.
        Marcie lhe lanou um olhar penetrante com uma expresso de piedade. Sarah captou o olhar e percebeu de imediato que a amiga adivinhara o quanto os sentimentos 
de Rome pela esposa eram mornos. Plida, olhou para baixo e Marcie colocou a mo sobre a dela.
        - Estou sendo muito pessimista - disse com uma falsa alegria. - Provavelmente, os homens se apaixonam to prontamente quanto as mulheres, mas no conseguem 
admitir,  s isso.
        No. Rome admitia que amava. O problema era que ele amava Diane.
        Mas novamente Sarah se lembrou que aproveitaria o que pudesse. No podia se dar ao luxo de ser orgulhosa e mand-lo embora apenas porque queria sua devoo 
total ou nada. O passar dos anos lhe ensinara que no existia outro amor para ela, nenhum outro homem seria capaz de tirar Rome do seu corao.
        Marcie tentou suavizar o clima, dando uma olhada ao redor e elogiando as mudanas feitas na loja.
        - Teve muitos clientes hoje?
        - Mais do que eu esperava - disse Sarah agradecida, aceitando a mudana de assunto e arrancando Rome do pensamento. Deu uma olhada ao redor da confortvel 
lojinha e um doloroso pensamento lhe ocorreu. Dali a alguns anos, aquela loja poderia ser tudo na sua vida. O tempo e a intimidade diluiriam o desejo de Rome por 
ela. As viagens a negcios com certeza se tornariam mais frequentes e mais longas. Haviam alcanado uma intimidade fsica serena e conversavam confortavelmente sobre 
vrios assuntos que nunca se aprofundavam muito. Rome fixara um limite para deix-la se aproximar e jamais permitiria que esse limite fosse ultrapassado. Mantinha-a 
a uma distncia emocional e Sarah tremeu, sentindo frio outra vez.
        
        
        
     Captulo Sete
        
        
        
        O pequeno sino localizado acima da porta da loja tocou s 17h10, anunciando a chegada de algum. Como aquele som se fazia ouvir durante todo o dia com surpreendente 
frequncia, Sarah ergueu o olhar em um gesto automtico. E com o mesmo automatismo, as batidas de seu corao aceleraram e a pele corou ao deparar com os olhos escuros 
de Rome na outra extremidade da loja.
        Sarah atendia um cliente, portanto ele no se aproximou. Fitou-a, erguendo uma das sobrancelhas negras e comeou a vagar atravs das ilhas, examinando as 
mercadorias, com as mos enfiadas nos bolsos e o blazer do terno aberto. Rome afrouxara o n da gravata, o que lhe deixava expostos uns cinco centmetros de pele 
abaixo do pescoo. Sarah tentava ajudar a cliente, mas ao mesmo tempo queria observar Rome. Sentia-se nervosa, ansiosa pela aprovao dele, como uma me cuja filha 
estava estreando em uma pea escolar. E se ele fizesse algum comentrio pouco entusiasmado? No sabia como iria reagir.
        A mulher de meia idade, por fim, comprou vrios novelos de l e um livro de modelos de pontos para confeccionar xales. Quando a cliente partiu, Derek emergiu 
dos fundos da loja e se aproximou de Sarah.
        - Coloquei aquela fechadura eletrnica na porta dos fundos e limpei l atrs. Vai fechar s 17h30? Porque nesse caso, s comearei a pintar o outro cmodo 
amanh.
        Rome aproximava-se lentamente, ainda observando as mercadorias e Sarah o fitou por sobre o ombro de Derek.
        - Sim, fecharei s 17h30.
        - Eu a acompanharei at a sua casa, sra. Matthews - ofereceu Derek, mas o tom firme mostrava que aquilo era mais que um oferecimento.
        - No  necessrio - disse Rome em tom leve, aproximando-se por trs do rapaz. - Ficarei aqui at ela fechar a loja, se quiser ir para casa.
        Derek girou. Os olhos castanho-dourados encontrando os de Rome. Vira-o um dia,  distncia, portanto soube imediatamente quem ele era, mesmo sem terem sido 
apresentados, o que Sarah providenciou de imediato.
        - Rome, este  Derek Taliferro. Derek, este  meu marido, Rome.
        Rome estendeu a mo e trocou um aperto de mo masculino com Derek, que no esperava outra coisa.
        - Senhor - disse, com esmerada educao.
        - Fico feliz em finalmente conhec-lo - retrucou Rome. - Sarah fala muito bem de voc. Pelo que ouvi dizer, ela no seria capaz de abrir a loja to cedo 
sem a sua ajuda.
        - Obrigado, senhor. Fiquei feliz em ajudar. Gosto de trabalhos manuais.
        Obviamente, percebendo que havia dito tudo que era necessrio, Derek se voltou para Sarah.
        - Vou para casa, ento. Telefonei para minha me quando sa da escola e ela me disse que est trabalhando em um artigo, o que significa que, provavelmente, 
esqueceu de comer. Acho melhor for-la a comer um sanduiche antes que se torne muito fraca at mesmo para digitar. Vejo-a amanh, sra. Matthews.
        - Est bem. Tome cuidado - advertiu Sarah. Derek exibiu um sorriso to luminoso que a surpreendeu.
        - Sempre sou cuidadoso. No posso me arriscar a ser pego.
        Quando ele se foi, Rome se referiu a Sarah em tom suspeito.
        - Como ele vai para casa?
        - Dirigindo - respondeu ela, sorrindo.
        - E s tem 15 anos? 
        Sarah anuiu.
        - Mas nunca foi pego, porque aparenta ser mais velho. Esse rapaz dirige muito bem. No esperava outra coisa dele. - E ento, sem poder esperar mais, acrescentou: 
- Muito bem, o que achou?
        Mais uma vez Rome ergueu uma das sobrancelhas, sarcstico, recostando-se ao balco.
        - Da loja ou de Derek?
        - Ambos.
        - Estou muito surpreso - declarou ele em tom brusco. - Tanto com um, quanto com outro. Esperava um bocado de lugares vazios, e no essa aparncia de permanncia, 
de estar aqui h sculos. Os trabalhos manufaturados so impressionantes. Onde os encontrou?
        - As pessoas os trazem at aqui. Eu os vendo por comisso. Os clientes pagam bem por colchas e cermicas feitas  mo.
        - Deu para perceber pelo preo daquelas colchas - murmurou Rome. - Derek tambm parece muito competente. Tem certeza de que tem s 15 anos?
        - Marcie jura que  essa a idade dele e ela deve saber. Derek far aniversrio no ms que vem.
        - Dezesseis anos no soa muito melhor. Aquele garoto  uma rocha.
        - Contratei-o para me ajudar nas tardes e nos finais de semana. Ele trabalhava em uma mercearia, mas uma moa que trabalhava no caixa o estava perseguindo, 
ento Marcie pediu-me para que o contratasse. Eu aceitei na hora.
        -  muito jovem para trabalhar dessa forma.
        - Est poupando para cursar a faculdade. Se no estivesse trabalhando aqui, certamente estaria em outro lugar, quer Marcie goste ou no. Tenho a impresso 
de que quando ele toma uma deciso, nada pode demov-lo de seu objetivo.
        A conversa foi interrompida pelo toque do sino. Uma jovem me entrou carregando uma criana no colo e um menino que aparentava cinco anos em seu encalo. 
Rome girou a cabea naquela direo e algo pareceu congelar em seu olhar ao ver as duas crianas. Uma mscara inanimada substituiu a vivacidade de suas feies, 
enquanto permanecia paralisado. Rome deu um passo atrs e Sarah lhe voltou um olhar impotente, enquanto se encaminhava para dar assistncia a sua nova cliente.
        A jovem mulher sorriu e demonstrou interesse em uma coleo de palhaos com corpos empalhados e cabeas e membros de porcelana. A me colecionava palhaos 
e faria aniversrio era breve. Enquanto a cliente examinava aquela seo, colocou a criana pequena no cho. O menino mais velho fitava a prateleira dos palhaos 
com os olhos arregalados.
        Em um momento de descuido, que nem Sarah nem a me perceberam, a criana pequena caminhou era passos vacilantes at o fim do balco, dirigindo-se diretamente 
a Rome.
        - Justin, volte aqui! - chamou a me.
        Uma pontada de dor atingiu o peito de Sarah ao ouvir o nome da criana e quase gritou, quando percebeu o olhar ptreo de Rome, que se desviava para evitar 
a criana, sem nem ao menos lhe dirigir o olhar.
        - Esperarei no carro - avisou ele era um tom spero e contido que no parecia seu e saiu, com a coluna ereta. A jovem me no notou a reao de Rome. Ergueu 
seu filho errante, fazendo ccegas em sua barriga e lhe arrancando uma sonora gargalhada.
        - Acho que tenho de mant-lo no colo, seu fujo!
        A cliente comprou dois palhaos e, to logo saiu, Sarah pendurou o aviso "FECHADO" na porta e comeou a trancar as portas. O corao batia forte contra as 
costelas, enquanto se apressava para ir ao encontro de Rome. Espreitando pela janela, viu-o sentado no carro, estacionado um pouco mais adiante da loja, olhando 
para a frente.
        Decidindo que era melhor deix-lo, sozinho, alguns minutos, terminou de trancar a loja, e se dirigiu ao prprio carro. Quando saiu da ruela dos fundos e 
virou para entrar na rua principal, o carro de Rome embicou atrs do dela.
        O silncio era absoluto dentro do elevador, enquanto subiam. A mandbula de Rome estava contrada e os olhos glidos.
        - Rome? - chamou Sarah, hesitante, mas ele no lhe dirigiu o olhar nem pareceu ouvi-la. Ela esperou at que fechassem a porta do apartamento e colocou a 
mo em seu brao.
        - Sinto muito. Sei como se sente...
        - No tem a menor ideia de como me sinto - retrucou Rome em tom spero, retirando-lhe a mo do brao com fora. - Avise-me quando o jantar estiver pronto.
        Sarah se deteve na antessala por um instante aps ele ter lhe virado as costas e se afastado, sentindo como se tivesse sido esbofeteada.
        Movendo-se como em estado de choque, retirou a capa e a pendurou. Em seguida, encaminhou-se ao quarto e trocou de roupa antes de comear a preparar o jantar. 
O reflexo de sua face no espelho era plido e tenso. Os olhos, escurecidos pela dor. Deliberadamente, adotou uma expresso vazia. Havia ultrapassado os limites de 
Rome e fora friamente repelida. Tinha de se lembrar que ele queria manter uma distncia emocional entre ambos.
        Recusou-se a ficar escondida em seu quarto, embora sentisse a necessidade de lamber as prprias feridas. Dirigiu-se  cozinha e comeou a preparar o jantar 
que havia planejado, calmamente, evitando pensar sobre a ausncia de Rome na cozinha. Geralmente, ele a ajudava e Sarah se acostumara a ter a figura alta ocupando 
um bocado de espao e a conversar enquanto trabalhavam.
        Sarah o chamou quando a mesa estava posta, no demonstrando estar aborrecida ou ferida. Rome no tomou a iniciativa de conversar, portanto ela agiu da mesma 
forma. Quando terminaram a refeio, ele permaneceu mais algum tempo  mesa, como se procurando por algo para dizer. Sem querer deix-lo pouco  vontade, Sarah se 
manteve ocupada, retirando a loua da mesa e limpando a cozinha, at mesmo cantarolando para si mesma enquanto executava aquelas tarefas, apesar de no ter noo 
do tom no qual cantarolava. Quando terminou, disse em tom casual:
        - Vou tomar um banho e dormir cedo, j que  uma boa oportunidade para colocar o sono em dia.
        Rome no lhe voltou resposta, mas seguiu-a com o olhar estreitado at que entrasse no quarto.
        Sarah no lhe desejou boa noite aps tomar uma ducha e colocar a camisola. Havia um limite para seu autocontrole. Simplesmente desligou a luz e escorregou 
para baixo das cobertas, deitando-se enroscada de lado e fitando a parede, incapaz de preencher o vazio que sentia em seu ntimo.
        Muito tempo depois, ainda se encontrava acordada, escutando os barulhos de Rome no quarto ao lado e o som da gua do chuveiro escorrendo. Quando ele o desligou, 
no escutou mais nada. At que a porta de seu quarto se escancarou e Sarah se sobressaltou, rolando na cama e olhando naquela direo.
        Divisou a silhueta escura de Rome. No instante seguinte, ele estava puxando as cobertas para o lado e lhe retirando a camisola pela cabea. Sarah sentiu 
as mos fortes em seus seios e coxas. Em seguida, todo o peso de Rome se derramou sobre ela e os lbios exigentes pressionaram o dela. Um arrepio de alvio a fez 
estremecer, enquanto passava os braos em torno do pescoo largo, permitindo que ele lhe apartasse as pernas e a possusse.
        - Tome-me todo - ordenou ele em tom rouco, enquanto Sarah lhe oferecia os lbios. - Tome tudo de mim. Mais! Mais! Assim! Exatamente assim.
        E ento Rome silenciou, enquanto a possua quase com violncia. Sarah se entregou sem resistir s tumultuosas respostas que ele exigia dela, sabendo que 
seu corpo fora o nico conforto que Rome aceitara. Sarah atingiu o clmax rapidamente e ento ele diminuiu o ritmo, forando-se uma cadncia mais lenta e um toque 
mais suave. Quando a sentiu se mover sob seu corpo, em um aviso tcito de que a tenso sexual crescia dentro dela de novo, Rome libertou a fora que continha e investiu 
com uma impetuosidade que lhe tirou o ar e lhe despedaou os sentidos, levando-a em uma espiral ao pice do prazer pela segunda vez. Rome nunca fizera amor com ela 
daquela forma. Cora um desejo primitivo e desenfreado, abraando-a com uma fora que a fazia se sentir esmagada.
        Porm, quando terminou, Rome comeou a se afastar dela e o pnico a engolfou. Antes que pudesse se conter, esticou a mo e o segurou.
        - Por favor - sussurrou ela. - Abraa-me por mais algum tempo.
        Rome hesitou e, em seguida, se deitou a seu lado, puxando-a contra o corpo e pousando a cabea de Sarah em seu ombro. Ela fechou os dedos sobre os cabelos 
do peito de msculos definidos, como se assim pudesse mant-lo a seu lado durante toda a noite. Fundiu-se a ele, moldando o corpo macio aos contornos firmes dos 
msculos de Rome. De repente, sentiu que iria adormecer. Relaxou e deixou escapar um suspiro de contentamento.
        Algum tempo depois, estava quase adormecida, quando foi acordada com a sensao de Rome cautelosamente desprendendo as pernas que se encontravam entrelaadas 
s dela. Em seguida, ergueu-se da cama, obviamente tentando no acord-la e Sarah se forou a permanecer imvel, com os olhos fechados at que o ouviu sair do quarto. 
S ento descerrou as plpebras e deu vazo s lgrimas. Enroscou-se at ficar em posio fetal e colocou a mo sobre os lbios para abafar o som dos soluos que 
no conseguia controlar.
        Na manh seguinte, durante o caf da manh, Rome se referiu a ela em tom abrupto.
        - Desculpe-me se feri seus sentimentos ontem  noite.
        Lembrando a si mesma para no reagir exacerbadamente ou atropelar os limites de Rome, exibiu um sorriso amigvel, porm, indiferente.
        - Tudo bem - disse ela, dispensando o pedido de desculpas e, em seguida, mudando de assunto e lhe perguntando se tinha algum terno que precisasse ser lavado.
        Rome a fitou, pensativo. Havia algo de rgido e tenso na forma com que ele contraa a mandbula. Sarah se preparou para uma de suas tpicas interrogaes 
que eram o terror da Spencer-Nyle, mas em seguida, lembrou-se que no era mais uma funcionria daquela empresa e no devia permitir que ele sondasse suas emoes. 
Talvez Rome estivesse percebendo o quanto ela estava distante, porque aps alguns instantes, aceitou a mudana de assunto.
        Antes de sair, Rome se dirigiu mais uma vez a ela.
        -- Tenho um jantar de negcios esta noite, portanto chegarei tarde.
        - Est bem - respondeu Sarah em tom calmo, sem indag-lo onde estaria ou a que horas deveria esper-lo em casa.
        Franzindo o cenho, Rome estacou.
        - Gostaria de me acompanhar? Voc o conhece, Leland Vascoe da Aames & Vascoe. Posso telefonar para ele e pedir que leve a esposa tambm.
        - Obrigada, mas terei de declinar. Derek e eu pintaremos durante a tarde, portanto, provavelmente trabalharemos at mais tarde. - O sorriso de Sarah era 
casual, assim como o beijo que ele recebeu quando inclinou a cabea em direo a ela. Sentindo que Rome aprofundaria o beijo, recuou, ainda sorrindo. - Vejo-o  
noite.
        Enquanto partia, a expresso rgida e tensa de Rome havia se intensificado. Determinada a no cair em depresso, Sarah no deixou que os pensamentos se voltassem 
para ele durante o dia. Manteve-se ocupada e, toda vez que a loja se encontrava cheia de clientes, esmerava-se em atend-los. Derek chegou logo aps sair da escola, 
com um hambrguer em uma das mos e um grande copo de refrigerante na outra.
        Quando a loja se encontrava vazia, Derek se mostrava caloroso e amvel. Sorriu para Sarah, erguendo o hambrguer.
        - Mame est mesmo absorta no artigo que est escrevendo. Provavelmente terei de viver dessas coisas at que termine.
        Sarah lhe devolveu o sorriso.
        - Vou lhe dizer uma coisa. Rome trabalhar at mais tarde esta noite. Portanto, quando terminarmos aqui, podamos pedir uma pizza e com-la em sua casa, 
o que acha? Talvez possamos convencer sua me a deixar o artigo de lado por algum tempo.
        - Escolha a de peperone e eu garanto que ela concordar - garantiu ele.
        Derek pintou sozinho at que Sarah fechasse a loja. Em seguida, ela colocou um avental e se juntou a ele. Pintando a quatro mos, conseguiram terminar s 
19h. Derek foi para casa, enquanto Sarah se dirigiu a uma pizzaria e comprou uma pizza gigante. Quando manobrou para estacionar em frente ao edifcio, Derek surgiu 
para pegar a pizza e ela soube que o rapaz estivera esperando na entrada.
        Quando entraram no apartamento do andar trreo, em que ele Marcie viviam, Derek sussurrou:
        - Veja isso. No mximo dez segundos - disse, antes de se encaminhar em direo  porta fechada, atrs da qual se ouvia o barulho montono das teclas do computador. 
Balanou a pizza de um lado para o outro e, em questo de segundos, o barulho das teclas cessou.
        - Derek, seu tratante! - exclamou Marcie, antes de escancarar a porta. - D-me essa pizza!
        Gargalhando, ele a manteve fora do alcance da me.
        - Vamos, sente-se  mesa e coma a pizza como deve ser comida. Depois pode voltar para seu computador e juro-lhe que no toco no assunto de alimentao at 
amanh.
        - Pelo caf da manh? - perguntou Marcie em tom cnico. E ento, viu Sarah. - Est envolvida nesse compl?
        Sarah anuiu, admitindo tudo.
        - Ns o chamamos de plano peperone.
        - E sempre funciona. Danao! - Marcie suspirou. - Muito bem, vamos atacar essa pizza.
        O aconchego familiar, o amor inquestionvel entre Marcie e o filho, atraa Sarah como um im e a fez permanecer naquele apartamento por muito mais tempo.
        Seu prprio apartamento, o qual se esforara para tornar aconchegante, encontrava-se dolorosamente vazio porque no possua a coisa mais importante para 
torn-lo caloroso: o amor. Marcie a colocou a par do artigo que estava escrevendo e, em seguida, desculpou-se e se trancou em seu escritrio. Derek a convidou para 
jogar baralho, mas em algum ponto do jogo comearam a conversar sobre como jogar vinte e um e Derek comeou a ensin-la como memorizar o valor das cartas, empregando 
o mtodo mais indicado para colocar um jogador para fora de qualquer cassino do mundo! Depois, comeou a discorrer sobre diferentes tipos de pquer e Sarah percebeu 
que Derek era um excelente jogador alm de um menino admirvel. Era craque em ler as pessoas tambm, porque Sarah pressentia que o rapaz percebia que ela estava 
passando o tempo e a mantinha entretida at que sentisse que estava preparada para voltar ao seu apartamento. Era um menino amvel e de uma esperteza incomum para 
aquela idade.
        s 22h, despediu-se de Derek e voltou para casa. Abriu a porta que revelava os aposentos imersos na escurido e sentiu um arrepio. Rapidamente, acendeu as 
luzes e, em seguida, o aquecedor de ar.
        Depois de cinco minutos, a porta se escancarou, sinalizando a chegada de Rome. Sarah se encontrava em seu quarto, preparando-se para tomar uma ducha e se 
encaminhou  porta para receb-lo. Quase colidiram um com o outro e ela deu um passo atrs, apressada.
        - Onde diabos esteve? - rosnou Rome, entrando no quarto e a obliterando com sua altura como um feroz anjo vingativo. - Estou ligando para c desde as 19h30 
e no me diga que estava naquela maldita loja porque tentei ach-la l tambm.
        Sarah o fitou, perplexa, incapaz de atinar a razo pela qual se encontrava to enfurecido. De fato, estava com muita raiva. Os olhos, escurecidos pela ira. 
Furioso, a ponto de dizer "maldita loja". O que aquilo significaria? Pensou que Rome aprovasse a ideia de ela ter outro emprego, mas percebera o menosprezo no tom 
e nas palavras. No tinha o dom de discutir, opor-se  exploso de tempera de Rome com a mesma fria, como Diane certamente teria feito. Em vez disso, se retraa, 
erguendo um escudo mental contra qualquer mgoa que ele pudesse lhe impingir.
        - Derek e eu pintamos a loja at s 19h. Depois, comprei uma pizza e jantei na casa de Marcie e Derek, em vez de com-la sozinha. Fiquei jogando cartas com 
Derek at h pouco. Por que estava tentando falar comigo?
        A voz calma, fria e distante parecia inflam-lo ainda mais.
        - Porque... - Rome sibilou entre dentes. - Leland Vascoe levou a esposa e queriam convenc-la a ir se juntar a ns. No precisava ter jantado com os Taliferro, 
se o seu problema era jantar sozinha. Eu a havia convidado para jantar comigo, mas tinha de pintar uma horripilante sala de fundos qualquer. Agora, diz que terminou 
s 19h. Poderia ter jantado comigo. Seu apoio  impressionante - disse, com um sarcasmo cortante.
        Sarah se encontrava imvel. Os ombros delicados, eretos.
        - No sabia a que horas iria terminar - explicou calmamente.
        - Droga, Sarah, trabalhou para a corporao durante anos e conhece a rotina. Esperava que estivesse disponvel para esses eventos que misturam negcios com 
vida social e no perdendo tempo naquela...
        - Lojinha horrorosa - terminou ela, sem se intimidar ou desviar o olhar. Comeava a se sentir nauseada. Um frio glido se espalhando por seu peito. - Antes 
de nos casarmos, disse-me que respeitaramos nossas responsabilidades profissionais. Estou disposta a comparecer em qualquer jantar de negcios que deseje e, depois 
que os reparos na loja estiverem prontos, no precisarei ficar at tarde. Mas esse no  o problema, certo? No quer que sua esposa trabalhe fora, no  isso?
        - No h necessidade de voc trabalhar - disparou Rome.
        - No ficarei sentada em casa o dia todo, contando as horas passar. O que mais restaria para eu fazer? Apenas limpar a casa o dia todo at que essa fascinante 
ocupao se tornasse entediante.
        - Diane no se sentia entediada.
        O disparo letal atingiu o alvo em cheio. Os olhos de Sarah se arregalaram, porm foi o nico indcio do quanto aquilo a magoou, antes de encar-lo com olhar 
frio.
        - No sou Diane.
        Aquele era cerne do problema, pensou Sarah, virando-lhe as costas. No poderia permanecer ali e permitir que Rome continuasse a feri-la. Diane o enfrentaria 
de igual para igual, e a discusso teria se desviado do assunto principal. Em dois minutos estariam se beijando e se atirando na cama. Aquele era o modo que, segundo 
Diane, sempre terminavam as discusses que tinham. Porm, Sarah no conseguia fazer aquilo. No era Diane, mas sim ela mesma. No possua o fogo nem a fora da amiga. 
Aquilo era algo pelo qual Rome nunca a perdoaria: no ser Diane.
        Estacando  porta do quarto, Sarah girou para encar-lo. A expresso facial era uma mscara plida.
        - Vou tomar um banho e me deitar - disse sem inflexo na voz. - Boa noite.
        Os olhos de Rome se estreitaram e, de repente, sentindo um arrepio, Sarah soube que cometera um erro recuando. Era da agressiva natureza masculina de Rome 
perseguir sua presa. Ela congelou, esperando v-lo cruzar o quarto e captur-la. Tal inteno se refletia em nos olhos negros e na tenso da postura de Rome. E ento, 
visivelmente controlando a urgncia em arrebat-la, embora os olhos parecessem duas bolas de mrmore negro ao fit-la, respondeu com voz contida.
        - Voltarei mais tarde - avisou em tom de quase ameaa.
        - No. No esta noite.
        O macho primitivo floresceu outra vez. Como um tigre enfurecido, Rome cruzou o quarto em direo a ela e lhe ergueu o queixo com a mo.
        - Est se recusando a ir para a cama comigo? Tome cuidado, querida - preveniu ele, ainda em tom perigosamente ameaador. - No comece uma guerra que no 
pode vencer. Ambos sabemos que posso faz-la suplicar por isso.
        A face de Sarah se tornou ainda mais plida. A fora dos dedos que a seguravam com firmeza deixava marcas vermelhas era sua mandbula.
        - Sim - admitiu ela em tom tenso. - Pode me persuadir a fazer qualquer coisa que queira, se  assim que realmente deseja.
        Rome baixou o olhar para fitar a face sem cor, com expresso fechada e algo selvagem se refletiu em seus olhos. Em seguida, deixou cair as mos, soltando-lhe 
o queixo.
        - Faa como quiser - disparou, marchando para fora do quarto e fechando a porta cora fora.
        Trmula, Sarah tomou uma ducha e se deitou na cama, permanecendo acordada por um longo tempo enquanto imaginava se ele viria at seu quarto de madrugada, 
como fizera na noite anterior. Porm, escutou-o se movimentar pelo prprio quarto, mas dessa vez, Rome no cedeu  tentao de vir at ela.
        Os olhos de Sarah queimavam, enquanto fitavam a escurido. Era irnico ter de defender seu lado profissional, quando sempre sonhara com uma tpica e tradicional 
vida familiar. Fora Diane que sempre defendera de modo apaixonado o direito da mulher a uma carreira. Nunca lhe faltaram argumentos ou opinies. Em determinado ponto, 
os planos de ambas foram invertidos e cada urna seguiu a rota destinada  outra. Diane  que deveria ter sido uma mulher de carreira, enquanto Sarah, a dona de casa. 
O mais irnico era que agora, que tinha a chance de se dedicar ao marido, tinha de se agarrar  carreira para manter alguma estabilidade em sua vida. Rome no lhe 
oferecia nada alm de convenincia e sexo e Sarah precisava de mais. Necessitava de um lugar onde pertencesse e que lhe pertencesse. Onde se sentisse segura. Se 
tivesse o amor de Rome, iria se sentir segura em qualquer lugar, mas no o possua. Ainda se encontrava do lado de fora perscrutando, esperanosa, pela janela.
        Rome tambm permanecia acordado. O peito agitado pela raiva e tenso. Sarah o tirava do srio quando se mostrava fria daquela maneira! Tivera vontade de 
se desculpar pela noite anterior, quando rejeitara sua compaixo, mas ela erguera aquela maldita parede de gelo e se recusara a responder ou deix-lo recompens-la 
pelo que fizera. Mostrara-se fria, como se o que ele fizera no tivesse a menor importncia para ela. E provavelmente no tinha, pensou, irritado. Porm, quando 
fora ao quarto de Sarah e fizeram amor, ela colocara a barreira de lado e se mostrara quente e doce em seus braos como sempre fazia. Desejara se fundir na carne 
de Sarah, faz-la desistir de mant-lo  distncia e pensara que havia conseguido. Porm, na manh seguinte, ela se mostrara fria e distante como sempre, como se 
no tivesse reagido apaixonadamente na noite anterior.
        Aquela maldita loja era mais importante para ela do que qualquer outra coisa, inclusive ele. Pedira-lhe para que fosse com ele ao jantar, mas a loja vinha 
em primeiro lugar. Sempre soubera o quanto Sarah era devotada ao trabalho. Quando a pedira em casamento, sabia que ela esperava que fosse respeitada a prioridade 
de sua carreira assim como a dele seria respeitada. Concordara em lhe dar o espao de que necessitava e agora descobria que aquilo o estava enlouquecendo. Toda vez 
que Sarah erguia aquelas glidas barreiras, tinha mpeto de desmoron-las e a possuir do modo mais primitivo at que ela no fosse capaz de levant-las outra vez. 
Sarah no se importava sequer em discutir. Apenas mantinha sua posio e lhe virava as costas. O modo desdenhoso com que erguera aquele queixo delicado quase lhe 
destrura o autocontrole, mas ela deixara claro que se a levasse para a cama seria um estupro. Portanto, foi forado a se retirar antes de se ver tentado a fazer 
exatamente aquilo. No queria machuc-la, apenas possu-la, total e irrevogavelmente. Desejava nunca mais ver aquela expresso distante e reservada na face de Sarah. 
Queria aquela brilhante vivacidade com que se dedicava  maldita loja para ele. O desafio que Sarah representava estava se tornando uma obsesso em sua vida. At 
mesmo no trabalho se surpreendia imaginando formas de lhe invadir as defesas. At agora, a nica que encontrara fora atravs do sexo, mas aquela maneira funcionava 
apenas temporariamente.
        Queria-a agora. Queimava de desejo, enquanto se movimentava, inquieto na cama. Esperou, sabendo que se fosse at o quarto de Sarah agora, ela se oporia e 
Rome no queria submet-la quele tipo de experincia. No confiava na prpria habilidade de se controlar. No a queria resistente. Desejava aquele corpo macio fundido 
ao dele, agarrado a ele com a fora sedosa das pernas e braos delicados. A imagem fria de Sarah despedaada pelo primitivismo do ato. Era por aquilo que esperava.
        Na manh seguinte, quando Sarah acordou, surpreendeu-se ao encontrar Rome desperto e com o caf da manh quase pronto. Ela o fitou, cautelosa, porm, os 
resqucios da raiva o haviam abandonado, embora ainda sentisse uma tenso indefinvel que a levou a cumpriment-lo apenas com comedida educao.
        - Sente-se. - As palavras eram uma ordem, no um convite.
        Sarah obedeceu e ele serviu a refeio, antes de se sentar na cadeira oposta  dela.
        Estavam quase acabando a refeio quando Rome Se manifestou.
        - Manter a loja aberta durante todo o dia, hoje? Sarah pousou a xcara de caf na mesa com cuidado.
        - Sim, o sr. Marsh, o antigo dono, disse-me que sbado era o dia que ele mais vendia. Fechava todas as quartas-feiras aps o meio-dia e acho que manterei 
essa rotina. As pessoas gostam de ver os costumes preservados.
        Sarah esperava que ele objetasse, mas em vez disso, Rome se limitou a anuir com um gesto discreto de cabea.
        - Irei com voc para a loja hoje. Gostaria de ver as coisas mais detalhadamente. J montou seu sistema de contabilidade?
        - No completamente. - Aliviada pelo fato de ele no comear outra discusso, Sarah relaxou a guarda e inconscientemente se inclinou em direo a ele, suavizando 
os olhos verde-escuros. - Montei um livro com tudo que gastei e o que vendi, mas no tive tempo para organiz-lo.
        - Se no se opuser, eu os atualizarei para voc - ofereceu Rome. - Pensou em comprar um computador e colocar seu inventrio nele? Por falar nisso, tem que 
colocar seu sistema de contabilidade nele tambm. Ser muito mais fcil e rpido se informatizar.
        - Pensei nisso, mas o computador ter de esperar. A loja est necessitando de um telhado novo e tenho vrias ideias para expandir a seleo de mercadorias. 
Tem tambm um alarme contra roubo que pretendo instalar. J gastei todas as minhas economias e preciso juntar um pequeno capital de giro.
        - Usou suas economias? - indagou Rome, erguendo as sobrancelhas espessas. Em um gesto automtico, Sarah recuou outra vez. A barreira erguida para proteg-la. 
Ele contraiu a mandbula ao perceber a mudana de expresso e uma determinao feroz se ergueu dentro dele. No permitiria que Sarah o trancasse do lado de fora 
dessa vez. Iria transpor aquela maldita barreira como se ela no existisse.
        Esticou a mo e lhe segurou o pulso, fechando os dedos fortes em torno dos ossos delicados.
        - Essa no era a maneira certa de fazer isso - afirmou, liberando toda a irritao que sentia. - No deve gastar seu capital. Deve utiliz-lo como cauo, 
para garantir o emprstimo. O certo seria pedir dinheiro emprestado e deixar o seu render, enquanto utiliza o da outra fonte. Os juros que paga no emprstimo so 
dedutveis do imposto e, acredite-me querida, necessitar de toda reduo de impostos que puder conseguir. No espere pelo lucro para fazer tais mudanas. Pea dinheiro 
emprestado e faa isso agora! Se eu estivesse aqui quando comprou a loja, a teria levado at um banco e feito um emprstimo comercial.
        Sarah relaxou e seus olhos se arregalaram. Podia lidar com as crticas e conselhos de Rome nos assuntos profissionais. Achava-os at mesmo bem vindos. Seria 
uma tola se no confiasse no senso de Rome para os negcios. 
        - Precisaremos tambm de um bom contador - continuou ele. - Poderia me oferecer para calcular seus impostos, mas tenho de me ausentar de casa por muito tempo. 
Se quer fazer isso, ento faa do modo certo.
        - Est bem - concordou Sarah em tom suave. - No sabia disso. Meu instinto  pagar por tudo  vista, para que legalmente me pertena e ningum possa me tirar. 
Nunca me interessei pelos complexos meandros das finanas, mas se acha que tem de ser feito dessa forma, aceitarei sua palavra.
        Os olhos escuros cintilaram e como um gavio, Rome mergulhou na coisa mais importante que ela dissera. No dia seguinte ao casamento deles, quando Sarah se 
sentira deslocada pelo fato de o apartamento no lhe ser familiar, percebeu que ela gostava de tudo nos seus devidos lugares. Na verdade, era quase obsessiva naquele 
aspecto. Porm agora, aquela segunda afirmao o alertara para a existncia de uma profunda insegurana em Sarah que no havia percebido antes.
        - Ningum possa lhe tirar? - indagou Rome em tom casual, embora no houvesse nada de indiferente no modo como a fitava. Sentia que finalmente estava prximo 
de contornar aquela barreira e saber o que se passava na mente reservada de Sarah. - Acha mesmo que eu a deixaria fracassar sabendo que gosta daquela loja tanto 
assim? No tem que se preocupar com falncia. Nunca.
        Sarah experimentou um tremor. Um leve movimento que ele percebeu de imediato, j que continuava lhe segurando o punho. Ela o fitou atravs do frio e rido 
terreno de sua infncia. E ento, os clios baixaram, enquanto tentava afastar aquele vazio.
        - No se trata disso - explicou de modo vago. Apenas precisava sentir que aquele negcio me pertencia. Que eu pertencia... quer dizer, que a loja me pertencia.
        - Percebeu que no sei nada sobre sua famlia? - perguntou Rome em tom de conversa. Sarah se encolheu, dizendo-lhe sem palavras que ele se encontrava no 
caminho certo. - Onde esto seus pais? Sofreu privaes em sua infncia?
        No mesmo instante, os olhos de Sarah se deslocaram para encontrar os dele.
        - Est tentando me analisar? - indagou, esforando-se para parecer casual. - No se d ao trabalho. Posso esclarecer para voc. No h nenhum grande mistrio, 
embora eu no goste de falar sobre esse assunto. No sofri privaes na infncia, no no sentido material. Meu pai era um advogado bem sucedido e pertencamos  
classe mdia alta. Porm, meus pais no eram felizes no casamento. Permaneciam juntos apenas por minha causa. Quando entrei para a faculdade e sa oficialmente de 
casa, prontamente se divorciaram. Tudo era to... frio l em casa. To formal. Acho que cresci sabendo que tudo aquilo era frgil e esperando que desmoronasse a 
qualquer momento. Pretendia formar meu prprio ninho, onde me sentiria segura - confessou por fim.
        - E ainda est fazendo isso.
        - Ainda. Fixo as coisas  minha volta e finjo que elas nunca mudaro. - Encarou-o e se mexeu, sem jeito, ciente de que havia desnudado uma parte importante 
de si mesma. Ele a observava com um olhar que Sarah interpretou como pena e no queria aquele sentimento. Forou-se a dar de ombros e adotar um tom leve. - Velhos 
hbitos nunca mudam. No aceito bem as mudanas em minha vida. Tenho que pensar sobre as coisas por um tempo para me acostumar com elas e ento, gradualmente, alter-las. 
Com exceo da loja - acrescentou, pensativa. - Eu a quis de imediato. Existia uma aura acolhedora e duradoura nela.
        Ento era aquilo que tais barreiras significavam, pensou Rome. Imaginava por que Sarah se casara com ele se detestava mudanas. Provavelmente porque ele 
lhe garantira no interferir em sua vida. Desde que se casaram, tentava romper a circunspeo de Sarah, enquanto ela tentava desesperadamente mant-la intacta. Se 
fosse cora calma, aos poucos Sarah relaxaria e aceitaria que ele fizesse parte de sua vida. No era fria ou indiferente, afinal. Algo que deveria ter percebido imediatamente 
a julgar pelo modo apaixonado com que o correspondia na cama. Era mais como uma tmida e cautelosa felina que tinha de confiar nele e aceitar sua presena antes 
de deix-lo se aproximar. Para ela, a proximidade fsica e a mental eram duas coisas distintas. Teria de se lembrar daquilo.
        Sarah no era como Diane. A personalidade de sua ex-esposa fora firmemente construda sobre uma estrutura familiar amorosa e ela possua autoconfiana suficiente 
para lidar com seu temperamento dominante. Sarah se sentia ameaada por ele. Era mais frgil e vulnervel do que imaginara.
        Movendo a mo, ela libertou o punho que Rome mantinha seguro e se ergueu, exibindo um sorrido luminoso que no o enganou.
        - Tenho de me apressar ou me atrasarei para abrir a loja.
        - V em frente. Vou retirar a loua da mesa. - Rome tambm se levantou, mas a deteve, segurando-a pela cintura. - Quero que entenda uma coisa: discutir no 
significa que sua vida virar de ponta  cabea. Fiquei preocupado ontem  noite quando no consegui encontr-la e explodi. Foi s.
        Os olhos que o fitavam pareciam duas piscinas verdes sem fundo. Sarah permaneceu imvel. Se ele queria acreditar que fora aquele o motivo pelo qual estava 
to aborrecida, deixaria que pensasse daquela forma. Seria melhor do que saber que podia feri-la profundamente pelo fato de ela o amar.
        
        
        
     Captulo Oito
        
        
        
        A vida do casal entrou em uma rotina, definida pelos detalhes cotidianos que davam a tudo um senso de continuidade. No importava o que acontecesse, sempre 
haveria roupas para lavar, refeies para cozinhar e a casa para limpar. Quando estava presente, Rome dividia igualmente o trabalho domstico com ela, mas geralmente 
se encontrava fora e quando estava sozinha, Sarah mergulhava no trabalho para tentar preencher o vazio que a ausncia do marido causava. Rome no telefonava todas 
as noites quando em viagem de negcios. Sempre lhe passava os nmeros de telefone, onde poderia ser encontrado. Sarah compreendia, embora desejasse ao menos ouvir 
sua voz. O que poderiam dizer um para o outro todas as noites? No teria coragem de lhe dizer o quanto sentia sua falta, como o tempo parecia se arrastar quando 
ele no estava presente ou o quanto o amava porque Rome no estava interessado. Era mais seguro no falar com ele a no ser que fosse necessrio. Simplesmente esperaria 
sua chegada e a urgncia sexual de Rome lhe daria a chance de lhe dar o amor que aumentava cada vez mais dentro dela. Sabia o que esperar de Rome quando ele voltava 
de viagem. Costumava transpor a porta pronto para possu-la como um homem faminto devoraria um banquete.
        Quando se permitia pensar sobre aquilo, tinha de admitir para si mesma, que apesar de Rome gostar dela e at certo ponto, se importar com ela, ainda no 
substitura Diane no corao do marido. A vida amorosa deles era fantstica: Rome era um amante viril e experiente e nunca poderia dizer que o sexo com ela era uma 
rotina. Sempre a possua onde quer que estivessem, no se dando ao trabalho de lev-la para o quarto. E aquilo, mais do que qualquer coisa, dizia-lhe que ele ainda 
sofria por Diane. Preferia que fizessem amor fora da cama. Quando as exigncias do trabalho o foravam a chegar tarde em casa, depois que ela estivesse deitada, 
Rome vinha at o quarto dela, mas quando o ato acabava, saa. Abraava-a e a acariciava, induzindo-a a dormir antes que ele deixasse o quarto. Porm, Sarah o percebia 
pouco  vontade e comeara a fingir estar adormecida para no o obrigar a dormir em sua cama. Quando a porta se fechava, abria os olhos e permanecia acordada, sentindo-se 
desolada por no ser amada. Algumas vezes, no conseguia conter o pranto, mas na maior parte do tempo, suprimia as lgrimas. Elas no resolviam nada e tinha pavor 
de que Rome a ouvisse chorar.
        Ainda assim, havia muitos momentos alegres na vida dos dois. O outono frio deu lugar ao inverno e seguiram-se noites aconchegantes em frente  lareira, vendo 
televiso. Outras vezes, Sarah lia, enquanto ele trabalhava. Demoravam-se tomando o caf da manh e nas manhs frias de domingo, assistiam aos Cowboys jogarem futebol.
        Se Rome estivesse em casa, ia com ela para a loja todo os sbados. Ele e Derek haviam se tornado bons amigos.
        Pouco antes do Natal, Sarah puxou o assunto sobre o futuro de Derek. O rapaz era brilhante. Seria uma pena que seu potencial fosse podado pela falta de dinheiro. 
Conheciam-se o suficiente para Rome captar sua insinuao de imediato.
        - Gostaria que eu lhe pagasse uma faculdade?
        - Seria timo - admitiu Sarah, voltando-lhe um sorriso luminoso. - Mas no sei se Derek aceitaria isso.  muito orgulhoso -- disse, pensativa. - Porm, se 
pudesse lhe conseguir uma bolsa de estudos integral atravs de alguma fundao, isso no lhe limitaria a escolha de que faculdade seguir. Acho que Derek mergulharia 
de cabea.
        - No se conforma com pouco, no acha? - indagou Rome, fazendo uma careta. - Verei o que posso fazer. Acho que envolverei Max nisso. Ele tem alguns contatos 
na famlia que poderiam ajudar.
        Max havia se transformado em um visitante habitual e, embora nunca deixasse de provocar Rome, ameaando-o de lhe tirar Sarah, o casamento mudara completamente 
a forma como Rome reagia. Afinal, vencera e sabia disso. O corao de Max no se despedaara. Tampouco tentaria minar o casamento do amigo. Admirava Sarah e no 
via mal algum em deixar que o marido soubesse.
        Quando Rome se dispunha a conseguir algo, no costumava esperar. No dia seguinte, apareceu na loja, acompanhado de Max. Sarah percebeu o brilho nos olhos 
vivazes do amigo quando foi apresentado a Derek. O rapaz costumava causar aquele efeito nas pessoas. Poucos minutos depois, Max se aproximou de Sarah e sussurrou:
        - Rome est mentindo, certo? Derek deve ter uns vinte e cinco anos.
        - Fez dezesseis no ms passado. - Sarah sussurrou de volta, sorrindo, divertida. - Ele no  o mximo?
        - Eu diria impressionante. D-lhe asas e uma espada e ser a imagem do arcanjo Miguel. Diga-lhe para decidir que faculdade quer cursar e, quando chegar a 
hora, Rome e eu lhe providenciaremos uma bolsa de estudos integral.
        Sarah contou a Marcie o que Rome e Max estavam planejando e, para sua surpresa, a amiga caiu em prantos.
        - No sabe o que isso significa para ns - soluou ela. - Ele  um menino especial e est partindo meu corao o fato de ter de trabalhar para economizar 
e fazer a faculdade, em vez de ter uma vida melhor. Foi o mais precioso presente de Natal que podia me dar!
        Com a aproximao da temporada de Natal, a loja de Sarah estava fervilhando. Tanto que teve de contratar mais uma atendente em horrio integral para ajud-la 
a dar conta da clientela. Rome foi totalmente a favor da ideia. No gostava que Sarah ficasse sozinha na loja durante o dia, quando Derek se encontrava no colgio. 
Contratou uma jovem da vizinhana, cujo filho mais novo entrara para o colgio e com isso ela queria ficar fora de casa. Funcionou perfeitamente bem. Erica sairia 
pouco antes da hora de buscar os filhos na escola e Derek chegava meia hora depois. Ter Erica l durante o dia dava a Sarah a oportunidade de almoar, o que at 
ento, se limitava ao consumo rpido de um sanduche entre um cliente e outro.
        Trs dias antes do Natal, Sarah chegou em casa e descobriu que Rome j estava l. Quando passou pela porta do quarto dele, estacou, observando a mala aberta 
sobre a cama. Ele se afastou da cmoda, de onde retirara algumas cuecas e camisetas e a fitou com uma carranca.
        - Uma emergncia. Ternos uma tremenda confuso acontecendo em Chicago.
        Sarah desejou protestar. Proferir os lamentos tradicionais das esposas, perguntando se no havia ningum que pudesse ir em seu lugar, mas suprimiu a reclamao, 
sabendo que Rome no apreciaria aquele tipo de atitude.
        - Quando voltar? - indagou, entrando no quarto, sentando-se na cama e suspirando, resignada.
        - No ficarei por muito tempo. J reservei o voo de volta. Devo chegar por volta das 4h da manh do dia 24.
        - Est bem. - Sarah murmurou e, pela primeira vez desde que se casaram, fez beicinho, o que lhe emprestou urna inesperada sensualidade. Era como se suplicasse 
por ser beijada ou mais que isso. Um sorriso curvou os lbios de Rome, que empurrou a mala para o lado.
        Sarah no estava preparada e ofegou, surpresa, quando ele a empurrou, deitando-a de costas na cama. Dirigindo-lhe um sorriso pecaminoso antes de se inclinar 
e descer a blusa de Sarah at a cintura. Em seguida, com movimentos calmos, retirou-lhe o suti. Ela ofegou outra vez pelo instantneo excitamento que crescia dentro 
dela toda vez que Rome a tocava.
        - Isso  para ajud-lo a resistir no exlio? - murmurou ela, com os olhos faiscando.
        - Algo desse tipo. - Rome desabotoou a cala e a arriou. Em seguida, ajoelhou-se na cama, entre as coxas macias e relaxadas. - Voc  meu carto de crdito. 
No saio de casa sem ele.
        Sarah riu, cruzando os braos em torno do pescoo do marido, enquanto ele a cobria com seu corpo. A risada ficou presa na garganta pelo choque provocado 
pela deliciosa penetrao de Rome. Extasiado, ele ouviu a inspirao profunda caracterstica de Sarah toda vez que a possua. O som era como msica para seus ouvidos 
e o fez enterrar a face no pescoo macio, enquanto enroscava as pernas longas e torneadas em volta de sua cintura.
        - Sinto muita falta de voc quando estou viajando - confessou Rome em tom gutural e com aquela admisso comeou a investir cada vez mais fundo na maciez 
de Sarah, reafirmando a cumplicidade de ambos atravs da unio de seus corpos.
        Sarah no o levou ao aeroporto. Rome preferiu deixar o carro l, para que ele tivesse transporte para casa ou escritrio sem ter de pegar um txi. Embora 
contra sua vontade, lgrimas banharam os olhos verdes, quando ele lhe deu um beijo de despedida  porta. Rome xingou em tom baixo, largando a mala e a tomando nos 
braos outra vez.
        - Estarei de volta para o Natal, prometo - afirmou ele, aprofundando o beijo. - No ter de passar o feriado sozinha.
        Como se ela estivesse preocupada com o feriado! Detestava v-lo partir, no importava a poca do ano ou qual feriado estivesse prximo.
        Sarah piscou para conter as lgrimas e conseguiu esboar um sorriso trmulo.
        - Tudo bem. Estou sendo boba.
        
        
        Aquilo tinha que acontecer. Rome ligou  meia-noite do dia vinte e trs.
        - Est tendo uma nevasca em Chicago - disse Rome, com um sarcasmo mal-humorado. - Todos os voos esto suspensos at que o tempo melhore.
        Sarah sentou-se na cama, apertando o fone com tanta fora que as juntas dos dedos se tornaram brancas.
        - Qual a previso do tempo? - forou-se a perguntar com uma boa dose de calma, embora estivesse contando as horas para a chegada de Rome.
        - Esto prevendo uma melhora para o incio da tarde. Eu lhe telefonarei quando tiver certeza do horrio do voo.
        Sarah passou a manh da vspera de Natal, movimentando-se, inquieta, pelo apartamento. Ajustando os ornamentos pendurados na pequena e fragrante sempre viva 
que montara como rvore de Natal, afofando almofadas e movimentando os objetos sobre os mveis que lhe pareciam alguns milmetros fora do lugar. Preocupava-se sobre 
como Rome se sentiria celebrando o Natal, quando a data devia lhe trazer dolorosas lembranas de seus filhos. Os olhos arregalados das crianas pelo excitamento 
de receber os presentes. O caos que criavam todo o dia de Natal, devido ao xtase em que se encontravam com os brinquedos novos.
        At aquele momento, no percebera nenhum sinal de que Rome estivesse temendo aquele dia e desejava que aquele fosse um feriado agradvel para ele.
        Mal podia esperar para que Rome chegasse em casa. Dessa vez, Sarah sentia-se mais nervosa do que em outras viagens que ele fizera e sabia que o motivo eram 
as palavras do marido na ltima vez que fizera amor com ela. "Sinto muita falta de voc quando estou viajando." Aquela fora a nica indicao que Rome lhe dera de 
que talvez no gostasse de deix-la quando tinha de viajar a negcios. Sempre achara que ele ansiava por partir e assim ficar um tempo longe dela. Mas se sentia 
sua falta...
        Tentou se controlar para no se encher de esperana. Rome era muito viril. Podia estar se referindo ao fato de sentir falta de fazer amor com ela. Mas e 
se tivesse querido dizer que sentia falta dela, de sua companhia e das coisas que compartilhavam? Sentia o corao bater, descompassado, ao simples pensamento. Afinal, 
o Natal era o dia dos milagres.
        A espera a deixou agitada e Sarah pensou em fazer uma visita a Marcie, mas no queria ser inconveniente, aparecendo durante o feriado, alm do medo de perder 
um telefonema de Rome. Para ocupar o tempo, preparou urna torta de ma para ele e trocou os lenis da cama.
        O telefone tocou e Sarah quase quebrou o pescoo, tropeando sobre o prprio p ao correr para atend-lo. Retirando o fone do gancho com urgncia, atendeu 
ofegante.
        - Al?
        - Meu voo est marcado para daqui a uma hora - disse Rome. A voz grave a fazendo fraquejar at mesmo pelo telefone. - Mas todos os voos esto atrasados, 
portanto, dever demorar mais que isso. Calculo estar em casa, prximo  meia-noite. No precisa me esperar, querida. V dormir.
        - Eu... talvez - gaguejou Sarah, sabendo que ainda estaria acordada, mesmo que ele s chegasse  meia-noite do dia seguinte.
        Rome soltou uma risada. Um som baixo e promissor que a fez engolir em seco.
        - Muito bem, ento. Fique acordada. Estarei em casa to logo puder.
        Passava um pouco das 23h quando Sarah ouviu o barulho da chave na fechadura. Com um salto, ergueu-se da mesa, onde estivera tomando uma xcara de chocolate 
quente e correu para receb-lo. Rome jogou a mala no cho com um baque surdo e a segurou quando ela se atirou em seus braos.
        Com os olhos faiscando, Rome a soltou e esfregou o queixo coberto pelos fios de barba que comeavam a nascer.
        - Preciso tomar um banho e me barbear. Passei a noite no aeroporto, portanto estou imundo. V para a cama. Estarei l em quinze minutos.
        Sarah jogou fora o restante do chocolate quente e apagou as luzes. Em seguida, dirigiu-se a seu quarto. Sentou-se na cama e uniu as mos com fora, quando 
percebeu o quanto estavam trmulas. Ele estava em casa. Mais alguns minutos e estaria ali, naquela cama a seu lado e faria amor com ela como se quisesse devor-la. 
E depois... depois o qu? Faria outra confisso tentadora, outra pequena indicao de que seus sentimentos por ela estavam se aprofundando? Ou a abraaria em silncio 
at que ela fingisse que estava dormindo e voltaria para sua cama solitria?
        Inspirou amargamente diante do pensamento e, de repente, percebeu que no suportaria que ele se afastasse dela outra vez depois de fazerem amor. Encontrava-se 
de p, antes mesmo de perceber o que estava fazendo. Se algum tivesse de se afastar depois, seria ela. Daquela forma, no teria que ver as costas de Rome viradas 
para ela, enquanto saa de seu quarto. Se, aps fazerem amor, ele no sinalizasse que queria mais, iria beij-lo e, calmamente, sair do quarto sem olhar para trs. 
No poderia ficar deitada ali, esperando Rome despedaar seu corao ao deixar o quarto.
        Rome saiu do toalete no mesmo instante em que ela abriu a porta do quarto e entrou.
        - Est com pressa? - indagou ele em tom pausado, erguendo uma sobrancelha e deixando cair a toalha que trazia enrolada em torno dos quadris.
        Os olhos de Sarah percorreram o corpo rgido e alto, sentindo a boca secar.
        - Sim - sussurrou ela, retirando a camisola pela cabea e a deixando cair ao cho tambm.
        Rome passou por ela, jogou as cobertas da cama para o lado e lhe estendeu a mo em um convite silencioso. Sarah se atirou em seus braos.
        Rome lhe disse muitas coisas: o quanto a desejava, o que queria fazer com ela, o que gostaria que ela fizesse com ele. Os sussurros eram primitivos e carregados 
de desejo. Elogiou a maciez e beleza de seu corpo, como ansiava se enterrar dentro dela, como se sentia quando a possua. Porm, no lhe disse aquilo que Sarah mais 
ansiava escutar.
        Quando a paixo tumultuosa foi saciada, Rome se esparramou na cama, acariciando-lhe as costas com preguiosa possessividade. Tremendo por dentro, Sarah percebeu 
que teria de partir naquele momento, enquanto ele ainda estivesse feliz e saciado. Antes que a costumeira impacincia comeasse a se apossar dele. Erguendo o peso 
do corpo em um dos cotovelos, Sarah depositou-lhe um beijo rpido nos lbios e sussurrou:
        - Boa noite. - Em seguida, partiu antes que ele pudesse esboar reao.
        Os olhos de Rome se abriram no mesmo segundo, observando-a apanhar a camisola e, em seguida, praticamente sair correndo pela porta. Profundas linhas de tenso 
se formaram em torno de seus lbios. Por mais que a desejasse, que enlouquecesse quando faziam amor, sempre temia quando terminavam porque sabia que Sarah iria se 
retrair. Enroscando-se num canto da cama e fingindo dormir para que ele sasse de seu quarto. Mas por fim, acabava por adormecer aconchegada em seus braos e assim 
podia t-la por algum tempo a mais. Naquela noite, apesar da resposta fogosa de seu corpo esguio quando fizeram amor, no quisera desfrutar sequer um momento de 
ternura e carcias suaves. s vezes, quando os olhos de Sarah se iluminavam ao v-lo, quando se atirava, desesperada em seus braos no calor da paixo, ele pensava 
estar fazendo progressos. Vagarosamente, desmoronando-lhe as defesas e se aproximando da mulher suave e calorosa que se escondia atrs delas. Mas ento, Sarah recuava 
outra vez, como se tivesse de deter os progressos que ele havia feito.
        O sexo com ela era fantstico... mais que fantstico. A atrao fsica e a paixo entre ambos eram to intensas que superavam em muito qualquer experincia 
sexual que ele tivera antes. Mas aquilo no era o suficiente. Rome queria mais, desejava tudo que ela pudesse lhe dar. O corpo e a mente sim, mas tambm o corao.
        
        
        Sarah lhe deu uma maleta estratosfericamente cara de presente de Natal. Fora uma afronta para o balconista da sofisticada loja, v-la retirar as iniciais 
da logomarca da maleta e substitu-las pelas iniciais de Rome. Ele riu, divertido, quando ela lhe contou a passagem. Em seguida, entregou-lhe uma pequena caixa embrulhada 
em papel dourado. Sarah se viu boquiaberta diante dos brincos cravejados de diamantes. Tentou agradecer, mas no encontrou palavras. Cada diamante brilhava como 
fogo. Aquelas pedras deveriam ter um quilate cada e Sarah no pde conter a perplexidade diante da magnitude do presente. Sorrindo cora a reao dela, Rome puxou-lhe 
os cabelos dourado-claros para trs e lhe removeu os brincos que ela estava usando. Em seguida, colocou os que acabara de lhe dar. Sarah ergueu a mo e os tocou.
        - Como ficou? - perguntou, nervosa, ao recobrar a voz.
        - Voc est magnfica - elogiou Rome com intensidade na voz. - Quero v-la nua, com os cabelos soltos e esses brincos nas orelhas.
        Sarah o fitou, observando os olhos negros se estreitarem de desejo e sentiu o corpo comear a aquecer. Um leve rubor se espalhou por suas faces. Sabia, quando 
ele a puxou para perto, que Rome estava prestes a obter o que queria.
        Porm, ele a surpreendeu ao ergu-la nos braos.
        - Para onde vamos? - indagou Sarah, ofegante, esperando que fizessem amor no sof, como muitas vezes antes.
        - Para a cama - respondeu ele, conciso, fazendo-a arregalar os olhos.
        Aps o ato, Rome a manteve cativa na cama sob seu corpo. No havia como Sarah se levantar e sair. Enterrou a face na fragrncia quente do pescoo macio, 
sentindo a profunda satisfao do prprio corpo. Cochilava e, de vez em quando, acordava quando Sarah se mexia sob ele, procurando uma posio mais confortvel.
        - Sou muito pesado para voc? - murmurou ele, pressionando os lbios em um ponto logo abaixo do lbulo da orelha de Sarah.
        - No. - A voz soou plena de satisfao e os braos delicados se fecharam em torno das costas de Rome. Ele a estava amassando. Sarah mal podia respirar, 
mas no se importava. Tudo que queria era o contato quente e pesado do corpo forte contra o dela. A felicidade quase palpvel que irradiava dele. Aquele era o modo 
como desejava que sempre fosse.
        Do lado de fora, o breve crepsculo do inverno se tornava mais escuro, diminuindo gradativamente a temperatura dentro do quarto, pois ele mantinha a calefao 
no mnimo. Rome puxou os lenis e os cobriu, deitando-se sobre ela outra vez e enterrando a face nos seios firmes. Beijou-lhe os mamilos e a pele sensvel em torno 
deles, antes de encontrar uma posio confortvel para apoiar a cabea. Cobriu um dos seios com a mo e deixou escapar um leve suspiro antes de adormecer. Sarah 
pousou a mo nos cabelos negros e a deixou escorregar vagarosamente pelo pescoo forte e os ombros largos, sentindo os msculos definidos sob a pele macia e quente.
        Sentindo-se segura e protegida, envolvida no casulo quente do corpo do marido, adormeceu em seguida.
        Rome a acordou para um jantar tardio. Os olhos sonolentos e satisfeitos ao observ-la tentar encontrar suas roupas na desordem em que ele as largara quando 
a despiu. Com a massa de cabelos revoltos lhe caindo em cascata pelas costas e o brilho dos diamantes em suas orelhas, parecia uma rainha primitiva em sua esplndida 
nudez. Nos tempos brbaros, teria sido venerada devido  cor de seus cabelos. O incrvel tom dourado com fios brancos entremeados. Sempre suspeitara que Sarah tingia 
os cabelos at v-la nua pela primeira vez. Sua esposa. O pensamento o encheu de possessividade e satisfao.
        
        
        Em meados de fevereiro, Sarah pegou um resfriado que se estendeu por um longo tempo. O nariz congestionado a impedia de dormir e a deixava mal-humorada. 
Rome tentou convenc-la a ficar em casa para se recuperar mais rpido, porm Erica tambm estava com os dois filhos resfriados em casa e no lhe restou ningum para 
abrir a loja. Portanto, tinha de trabalhar, embora cansada e dolorida.
        Rome teve de fazer outra viagem, que podia se estender at duas semanas. Quando se despediu dela, franziu a testa ao lhe beijar a face plida.
        - Cuide-se e se mantenha aquecida. Telefonarei  noite para saber como est se sentindo.
        - Ficarei bem - assegurou Sarah, odiando o som congestionado de sua voz. - No me beije ou pegar o vrus!
        - Sou imune aos seus vrus - disse ele, beijando-a assim mesmo. Em seguida, a tomou nos braos, acariciando-lhe gentilmente as costas. - Pobre menina. Gostaria 
de poder ficar com voc.
        - Gostaria que ficasse comigo tambm - rosnou Sarah, algo que nunca teria dito se no estivesse gripada. -- Na verdade, estou me sentindo um pouco melhor 
hoje. No estou to cansada.
        - Talvez esteja finalmente se recuperando. - Rome a observou com olhar crtico. - J era tempo. Se no estiver melhor amanh, v ao mdico. Isso  uma ordem.
        - Sim, senhor - respondeu, debochada, ganhando uma palmada no traseiro.
        Rome ligou aquela noite como prometera. Para no ficar presa pelo mau tempo, ela havia fechado a loja mais cedo, quando uma chuva fria se transformou em 
tempestade de granizo. Desse modo, pde relaxar durante uma hora em uma banheira de gua quente, com o vapor ajudando a lhe descongestionar o nariz e a fazendo se 
sentir bem melhor. A voz estava quase normal ao falar com Rome ao telefone.
        No entanto, na manh seguinte, acordou com uma dor de cabea latejante. Cada junta de seu corpo parecia que fora martelada. A garganta ardia e uma nusea 
intensa lhe fazia o estmago revirar ao pensar em comida.
        - Que timo! - disse Sarah ao seu turvo reflexo no espelho. - Peguei uma gripe.
        Os sintomas eram infernais. Sentia dores por todo o corpo devido  febre alta, mas toda vez que tentava tomar qualquer medicamento para baixar a temperatura, 
a nusea forte a fazia vomit-lo. Tentou beber ch quente, mas no funcionou. O mesmo aconteceu com o refrigerante gelado. Experimentou beber leite, mas o enjoo 
s aumentou. Fez gelatina e tentou com-la, mas no conseguiu passar da segunda colherada. Desistindo, tomou um banho morno, deitando-se na gua que parecia fria 
para seu corpo febril e colocou um saco de gelo na cabea. Quando um frio repentino a fez estremecer a ponto de quase no conseguir sair da banheira, desistiu de 
tentar diminuir a febre e foi se deitar. Cobria-se quando sentia frio. A cabea lhe doa tanto que Sarah imaginou que no conseguiria dormir, mas pouco tempo depois, 
adormeceu profundamente, s acordando quando o telefone tocou.
        - Sarah? - A voz ansiosa de Marcie soou do outro lado da linha. - Oh, Graas a Deus! Derek acabou de me ligar de um telefone pblico, porque a loja se encontrava 
fechada. Ele pensou que algo tivesse lhe acontecido.
        - E aconteceu - respondeu Sarah com a voz spera. - Peguei uma gripe. Desculpe-me. Deveria ter ligado para Derek esta manh, antes que ele sasse para o 
colgio.
        - No se preocupe com isso. Derek me disse que ligar daqui a alguns minutos para saber o que descobri. Depois disso, vou at a visit-la.
        - Ficarei bem e voc poder pegar... - Sarah comeou a protestar, porm Marcie havia desligado.
        - No vou morrer - gemeu Sarah, quando teve de forar o corpo enfraquecido a se erguer da cama para destrancar a porta. - Por que Marcie tinha de vir me 
visitar hoje? No podia esperar at amanh? Talvez at l eu estivesse preparada para morrer!
        Caminhava como algum que estivesse de ressaca, segurando a cabea latejante com ambas as mos, como se temesse que ela casse no cho. No entanto, a verdade 
era completamente oposta: desejava verdadeiramente que ela casse. Cada passo que dava era uma tortura. O corpo doa e a cabea pulsava. At seus olhos doam.
        Destrancou a porta e cambaleou em direo  cozinha, pensando em comer uma ou duas colheradas de gelatina. Abriu o refrigerador, avistou a massa verde trmula 
e fechou a porta outra vez. No iria comer algo que se mexia.
        A porta se abriu e Marcie a chamou.
        - Onde voc est?
        - Aqui - gemeu Sarah. - Sinceramente, Marcie, no vai gostar de pegar essa gripe. Para seu prprio bem, v embora.
        -- J peguei uma gripe este ano - respondeu Marcie, entrando na cozinha. - Nossa, voc est pssima!
        - Ento estou aparentando exatamente como me sinto. Estou faminta! Quero comer alguma coisa, mas s de olhar para a comida, tenho nsia de vmito.
        - Biscoitos salgados - disse Marcie. Tem algum?
        - No sei - gemeu Sarah.
        - Onde eles estariam se tivesse?
        - Ali em cima - respondeu ela, apontando para a prateleira mais alta do armrio.
        - Est bem - murmurou Marcie, arrastando uma cadeira, em que pudesse subir para alcanar a prateleira. Pegou a caixa de biscoitos salgados e retirou um pacote 
fechado de dentro. - Tentaremos a dieta que os mdicos aconselham as mulheres grvidas a seguirem: ch fraco e biscoitos salgados. Acha que pode comer isso?
        - Duvido, mas tentarei.
        Marcie empurrou Sarah de volta para a cama, mergulhou uma toalha em gua fria e a pousou sobre sua testa. Em seguida, enfiou um termmetro na boca de Sarah 
e saiu do quarto. Retornou minutos depois com uma xcara de ch, um pacote de biscoitos salgados e um guardanapo. Aps retirar o termmetro, aferiu a temperatura 
e ergueu uma das sobrancelhas.
        - Est mesmo com febre.
        Sarah se sentou e mordeu um pedao do biscoito, quase com medo de engoli-lo. O ch tinha um sabor agradvel e lhe lubrificou a garganta ressecada, fazendo-a 
se sentir melhor por alguns instantes. E ento, o estmago comeou a se revoltar. Sarah se ergueu da cama.
        - Oh, que enjoo - disse antes de disparar para o toalete.
        Derek veio v-la, fazendo-a gemer alto.
        - O que deu em todo mundo? Querem pegar uma gripe? Isto  contagioso!
        Derek lhe dirigiu um olhar sereno.
        - No fico doente.
        Claro que no. Que germe ou vrus ousaria se instalar naquele corpo perfeito?
        No segundo dia, Marcie quis telefonar para Rome, mas Sarah recusou-se a sequer pensar naquela possibilidade. O que ele poderia fazer a 160 quilmetros de 
distncia? Tudo que conseguiriam seria preocup-lo. Marcie estava apreensiva com a febre que aumentara e a forte tosse. Sarah no conseguiu comer nada no segundo 
dia tambm. Marcie a mantinha banhada em gua fria, tentando baixar a febre, mas ela se tornou ainda mais plida e fraca. Passou a noite ao lado da cama de Sarah, 
ouvindo o som gutural de sua tosse e preparada para lev-la para um hospital a qualquer momento.
        Na terceira noite, Rome ligou. Marcie se adiantou para atender ao telefone no primeiro toque, porque o som fazia latejar a cabea de Sarah.
        - J estava em tempo de ligar, Rome Matthews! - disse, furiosa. - Sua esposa est quase morrendo e s telefona depois de trs dias!
        Rome se manteve em silncio por uns trs segundos.
        - O qu? O que houve com Sarah?
        - Ela diz que  apenas uma gripe, mas estou com medo que esteja se transformando em uma pneumonia. Tem febre alta e no come h trs dias. Parece um tambor 
quando tosse. No consigo convenc-la a procurar um mdico. Apenas fica deitada na cama, dizendo para dar tempo ao tempo. Droga, Rome, volte j para c!
        - Voltarei no primeiro voo que conseguir.
        - Ouvi tudo - disse Sarah com um fio de voz, quando Marcie entrou no quarto. - No estou com pneumonia. Minha tosse  seca.
        - Pode protestar o quanto quiser. Quando Rome chegar em casa, far o que deve em vez de ficar deitada a esperando piorar.
        - Ele est voltando? - perguntou Sarah e, por pior que estivesse, seus olhos se iluminaram.
        - Claro que est voltando. Disse que pegar o prximo voo disponvel.
        Sarah sentiu a conscincia pesar.
        - Oh, no! Ele no pode deixar seus compromissos pela metade.
        - Eles podem esperar - retrucou Marcie em tom austero.
        Rome no gostaria de ser chamado de volta de uma viagem de negcios, pensou Sarah, taciturna. Estava doente, mas no estava morrendo. Porm, era mais certo 
que o marido cuidasse dela do que a amiga. Sabia que Marcie tinha outras obrigaes, alm do trabalho de freelancer.
        - Marcie, se tem algum trabalho a fazer, ficarei bem sozinha - disse Sarah.
        Marcie a fitou, incrdula.
        - Claro que ficar. Est to fraca que no consegue ir ao toalete sozinha. Oua, por que no para de se preocupar se est dando trabalho a algum e se deixa 
cuidar? No est sendo um transtorno e est muito doente. Ningum vai culp-la por ter pegado uma gripe.
        Sarah no parecia ouvir nenhuma lgica. A febre estava subindo outra vez, fazendo-lhe os ossos e msculos doerem e se remexer agitada na cama. Reconhecendo 
os sinais, Marcie comeou a aplicar-lhe toalhas midas outra vez.
        A febre a desorientava. O tempo se tornava elstico, fazendo minutos se arrastarem e horas voarem. Certa vez, acordou para encontrar Derek sentado ao lado 
de sua cama, lendo.
        - Por que no est na escola? - perguntou Sarah. Derek ergueu o olhar.
        - Por que so trs horas da manh de sbado. Fiz um pouco de ch. Quer tentar beber um pouco?
        Sarah gemeu alto. H trs dias vinha tentando beber ch e o vomitando. Mas estava sedenta, sentia-se ressecada.
        - Por favor.
        Derek lhe trouxe o que pareciam ser 30 ml de ch em uma xcara e Sarah bebeu.
        - E s isso a que tenho direito?
        - Por enquanto, sim. Se conseguir conserv-lo no estmago, daqui a trinta minutos lhe dou mais um gole. Estive lendo sobre gripe - disse ele.
        Aquilo explicava tudo. O que Derek experimentava, funcionava, embora Marcie tivesse tentando sem sucesso fazer cora que conseguisse tomar o ch durante trs 
dias. Sentiu o estmago revirar vrias vezes, mas no vomitou e voltou a adormecer antes que Derek lhe oferece mais um gole de ch.
        Horas depois, acordou e deparou com Rome sentado ao lado de sua cama. A mo pousada sobre a testa de Sarah e o semblante sombrio e tenso pela preocupao.
        - Vai pegar gripe tambm - disse ela, sentindo-se obrigada a preveni-lo, embora todos tivessem ignorado seu aviso. No via por que Rome prestaria ateno.
        - No fico doente - murmurou ele, distrado, fazendo-a emitir um som de enfado.
        - Voc tambm, no! Todos vocs, os saudveis, me deixam nauseada. Derek tambm afirma no ficar doente. Marcie j pegou gripe este ano. Acho que sou a nica 
pessoa em Dallas que fica doente!
        - Na verdade est havendo uma epidemia de gripe - retrucou Rome, no to irritado quanto ela. A pele de Sarah estava quente e ressecada. Os cabelos, opacos 
e sem vida. Crculos roxos lhe contornavam os olhos vtreos.
        Rome ergueu uma xcara e a encostou aos lbios de Sarah.
        - Beba isto.
        Sarah obedeceu e o gosto frio e refrescante era delicioso.
        - O que ?
        -- Ch de hortel. Derek o fez.
        As costas lhe doam intensamente e Sarah virou de lado, fazendo uma careta de dor, enquanto procurava por uma posio confortvel.
        - Desculpe-me por Marcie t-lo feito voltar. E apenas uma gripe e no pneumonia como ela disse. Acho que j estou me recuperando.
        - Ainda est muito doente e prefiro estar aqui. - Rome lhe esfregou as costas, sabendo, sem que ela nada dissesse, que estava sentindo dor. Logo, Sarah adormeceu 
outra vez.
        Dormiu por um longo tempo. Sentia-se zonza e irritada quando acordou. A febre subia e descia e quando atingia seu pico mximo, Sarah se mostrava letrgica. 
Rome a despia e a banhava com toalhas imersas em gua fria. Quando ela pareceu despertar, arriscou dar-lhe aspirina para baixar a febre. Durante aproximadamente 
uma hora Sarah pareceu se sentir melhor. Sentou-se em uma cadeira, enquanto Rome colocava lenis limpos na cama. Em seguida, alimentou-a com biscoitos salgados 
e mais ch de hortel, antes de Sarah voltar a dormir.
        Rome permaneceu acordado at sentir que no conseguia manter os olhos abertos. No ousaria deix-la sozinha, mas temia dormir no cho e no acordar quando 
ela comeasse a se agitar pela febre outra vez. Sem hesitar, retirou as prprias roupas e se deitou ao lado dela, com uma das mos a tocando.
        Daquela forma, sentiria se Sarah se mexesse. Ela o acordou duas vezes durante a noite, remexendo-se para procurar uma posio mais confortvel. Quando o 
acesso de tosse voltou, Rome fez uma careta ante o som spero e intenso. No era de se admirar que Marcie tivesse ficado preocupada!
        -- Estou bem! - afirmou Sarah em tom agressivo. A face plida exibindo uma expresso rebelde. Ele encostou a mo em sua testa, para se certificar de que 
a febre no havia aumentado. Afinal, no dissera nada para deix-la to irritada. Ela lhe dirigiu um olhar severo. - Detesto ficar doente!
        - Eu sei - disse ele em tom calmo.
        - Est dormindo em minha cama - acusou Sarah. - Voc mentiu. Disse-me que no conseguia dormir com uma mulher. Sempre quis que dormisse comigo, mas nunca 
o fez. Por que est aqui agora, quando no estou disposta a fazer sexo?
        Rome no pde conter um sorriso. Erguendo a xcara de ch at os lbios de Sarah, observou-a beber, sedenta.
        - Acho que  apenas uma questo de escolher a hora errada. Vai se arrepender do que est falando, quando se sentir melhor.
        - Eu sei - concordou ela, fazendo beicinho. - Mas  verdade. Quando vou melhorar? Estou cansada de sentir dor. Minhas pernas, costas, pescoo, cabea, garganta, 
estmago, olhos e at mesmo pele doem! J chega!
        - No sei, querida. Talvez amanh. Quer que eu lhe esfregue as costas?
        - Sim. - Sarah concordou prontamente. - E minhas pernas tambm. Isso me faz sentir melhor.
        Rome lhe retirou a camisola e a ajudou a deitar de barriga para baixo. Com movimentos suaves, massageou-lhe os msculos doloridos e, embora tivesse perdido 
um peso que no precisava perder, ele se descobriu admirando os delicados contornos do corpo curvilneo. As pernas longas eram fantsticas. Magras, porm bem torneadas. 
As ndegas, uma obra de arte feminina, talhadas para levar um homem  loucura. Pousou a mo sobre elas e, mesmo doente, Sarah exibiu um leve sorriso.
        - Gosto disso. Gosto quando me toca. Quando eu melhorar far amor comigo outra vez?
        - Pode apostar - respondeu Rome em tom baixo, movendo as mos para lhe massagear as costas c sentindo a fragilidade das costelas de Sarah sob a pele.
        - Desejo-o h anos - confessou ela. As palavras levemente abafadas pelo travesseiro, mas ele as ouviu e suas mos paralisaram por um instante. - Tinha de 
ser um pouco descorts com voc para que Diane no desconfiasse.
        - Fez melhor que isso - disse Rome em tom melanclico. - Fez com que eu nem desconfiasse tambm. H quantos anos me deseja?
        - Desde que o conheci. - Sarah bocejou e fechou os olhos.
        - Isso nos torna quites, ento.
        Sarah sorriu e adormeceu. Em vez de acord-la para faz-la vestir a camisola, puxou as cobertas sobre ela, desligou a luz e se acomodou a seu lado. Rome 
sorriu na escurido. Detestava o fato de Sarah adoecer to facilmente, mas gostava das conversas que tinham quando ela se encontrava naquele estado. Costumava admitir 
coisas que nem uma arma lhe arrancaria se estivesse pensando claramente. Sabia que no esqueceria as palavras de Sarah e esperava que ela tambm no as esquecesse.
        
        
        
     Captulo Nove
        
        
        
        Sarah sentia-se bem melhor no dia seguinte. A nusea havia passado e a febre, apesar de resistir, estava baixa. Dormiu a maior parte do dia e, quando acordou, 
Rome a alimentou com canja de galinha, o que a fez torcer o nariz.
        - Isso  comida de invlido. Quando vou poder comer algo substancial como gelatina ou bananas amassadas?
        Rome estremeceu com a ideia.
        - J tive minha cota de fazer bananas amassadas.
        - Est bem - concordou Sarah, facilmente, estampando um sorriso luminoso na face plida. - Esquecerei as bananas se me deixar tomar um banho e lavar os cabelos.
        Rome comeou a protestar, mas ela j adivinhara sua resposta e a luz pareceu se apagar de seu rosto. Ele deixou escapar um suspiro resignado, percebendo 
que Sarah estava muito fraca para tomar banho sozinha, mas podia entender como se sentia.
        - Eu a ajudarei depois que terminar de tomar a canja - concedeu Rome. No mesmo instante o sorriso retornou ao rosto de Sarah.
        Se Rome esperara qualquer sinal de vergonha pelas coisas que ela dissera, ficou desapontado. Pensara que Sarah talvez no se lembrasse daquela noite claramente, 
porque estava com febre e desorientada, mas desejara que ela se recordasse.
        - Lembra-se o que conversou comigo na noite passada? - murmurou ele, para se certificar.
        Pela primeira vez em dias a face de Sarah corou, mas ela no desviou o olhar. Recostou-se aos travesseiros e o encarou.
        - Sim, lembro.
        - timo - foi tudo que Rome disse, antes de encher uma banheira com gua quente, carreg-la at o toalete e, com cuidado, imergi-la na gua. Recostando-se 
 parede, observou-a se ensaboar, pronto para retir-la de l caso mostrasse qualquer sinal de que iria desmaiar.
        Sarah terminou o banho sem nenhum incidente e ergueu os braos para que ele a ajudasse.
        - Terminei. - A naturalidade com que ela esticou os braos em sua direo somada ao modo como o movimento ergueu os seios fartos roubaram o ar de Rome. Retirando-a 
da gua, colocou-a de p em frente a ele e a enrolou em uma enorme toalha felpuda.
        - Agora meus cabelos - pediu Sarah, determinada. Em seguida, inclinou-se sobre a banheira e ele lhe lavou os cabelos. Fazia tanto tempo que era difcil desembara-los. 
Rome resolveu o problema retirando as roupas e entrando no chuveiro com ela.
        - Deveramos ter lavado seus cabelos primeiro - resmungou ele.
        - Desculpe, mas no pensei nisso - disse Sarah, parecendo to frgil, parada em frente a ele que Rome no resistiu e a abraou, encostando-a ao corpo nu. 
Os braos delicados se fecharam em torno de sua cintura e um suspiro de contentamento escapou dos lbios dela.
        - Estou feliz que tenha voltado para casa.
        - Ummmm... Acho que merece uma palmada por no ter me chamado assim que ficou doente - protestou Rome. - Por que no me telefonou?
        - Achei que no gostaria de ser perturbado enquanto estava trabalhando. Sabia que no era nada grave, embora Marcie estivesse convencida disso.
        Rome hesitou por instantes. Em seguida, ergueu-a at que ela ficasse nas pontas dos ps para lhe tomar os lbios com impetuosidade, com a gua escorrendo 
pelos rostos de ambos.
        -  mais importante para mim do que o trabalho - murmurou ele. -  minha esposa e a quero saudvel. Se no me chamar da prxima vez que precisar de mim, 
vou lhe dar mesmo umas palmadas.
        - Estou tremendo nas bases - provocou Sarah, fazendo-o lanar um olhar significativo a seus ps descalos.
        - Estou vendo.
        Rome desligou o chuveiro e rapidamente a secou, antes que ela sentisse frio. Em seguida, secou-lhe, pacientemente, os cabelos com uma escova e um secador, 
deixando-os sedosamente brilhantes.
        Porm, quando tentou lhe vestir a camisola e lev-la de volta para a cama, Sarah se rebelou.
        - Quero vestir roupas normais e me sentar em uma cadeira na sala de estar como qualquer ser vivente. E quero ler um jornal!
        Sarah dava passos oscilantes e tinha uma aparncia fantasmagrica, porm os lbios macios se encontravam contrados, emprestando-lhe uma expresso teimosa. 
Rome suspirou, imaginando por que uma mulher que normalmente no gostava de argumentar e que era at mesmo dcil se tornaria to obstinada apenas por que contrara 
uma gripe. Queria coloc-la de volta na cama e faz-la repousar, mas tambm queria v-la feliz.
        - Vamos entrar em um acordo - sugeriu ele, tentando manter o tom de voz calmo. - Coloque a camisola, porque provavelmente no conseguir ficar sentada por 
muito tempo, est bem?
        Sarah estava de fato cansada de vestir camisolas, mas embora ele estivesse se esforando para ser sensato, sabia que se recusasse o acordo, acabaria sendo 
jogada na cama. Algo que no desejava, portanto, concordou. Os lbios de Rome estavam comprimidos em uma linha austera, enquanto lhe vestia uma camisola limpa. Em 
seguida, ajudou-a a colocar o robe e lhe vestiu os chinelos.
        - Posso andar - protestou Sarah, quando ele a ergueu.
        Rome lhe voltou um olhar firme que deixava claro que era melhor no provoc-lo.
        - Poder andar da prxima vez. 
        Sarah desistiu e passou o brao em torno do pescoo firme, aconchegando a face ao calor da pele de Rome e um leve sorriso lhe curvou os lbios. Estar nos 
braos do marido no era nenhum sacrifcio.
        Descobriu que no conseguia se concentrar na leitura do jornal. Parecia requerer muito esforo e suas mos estavam trmulas, portanto, desistiu. Porm, era 
agradvel estar em outro cmodo e sentar-se. Rome acendeu a lareira e o agradvel tremeluzir da luz do fogo a fez se sentir bem melhor. Rome se sentou ao lado dela 
no sof, lendo o jornal calmamente.
        Aps quinze minutos, Sarah comeou a se sentir cansada e sonolenta. Enroscou-se de lado e pousou a cabea no colo de Rome, roando a face contra a perna 
musculosa. Ele colocou a mo sobre a cabea de Sarah, escorregando os dedos pelos cabelos macios.
        - Quer voltar para a cama?
        - Ainda no. Aqui est timo.
        Estava mais que timo, pensou ele, engolindo em seco. Baixou o olhar aos cabelos dourados em seu colo e imaginou o que gostaria que ela estivesse fazendo. 
Tentou controlar seus pensamentos, mas com a face de Sarah pressionada contra sua coxa, lutava uma batalha inglria.
        Sarah estava ciente daquilo, a pequena feiticeira! Colocou a mo sob a face e o fez estremecer quando seus dedos o roaram delicadamente. Rome percebeu o 
discreto sorriso que lhe fugiu do controle, embora ela procurasse ocult-lo rapidamente e se descobriu sorrindo tambm.
        Jogando o jornal para o lado, ele a sentou sobre seu colo.
        - Sarah Matthews, voc  provocante. Sabe muito bem que no farei nada at que esteja recuperada, portanto pare com isso, est bem?
        - Mas senti sua falta - argumentou ela, como se aquilo explicasse tudo.
        Envolta no crculo seguro dos braos do marido, Sarah sabia que tudo ficaria bem. As preocupaes lhe fugiam da mente quando ele a abraava. Encontrou um 
ponto confortvel no ombro largo para apoiar a cabea e adormeceu.
        Rome a segurou por algum tempo, admitindo para si mesmo o quanto sentira falta daquele contato. Casar-se com ela fora uma excelente ideia. Voltar para casa 
e desfrutar de seu calor era o suficiente para seduzir qualquer homem.
        Sarah mal se mexeu quando ele a levou de volta para a cama, mas estava desperta e esfomeada quando Marcie e Derek vieram visit-la duas horas mais tarde. 
Todos se agruparam em torno da pequena mesa da cozinha, enquanto Sarah tomava um prato de canja. Pediu e recebeu um pedao de torrada e seu estmago agradeceu o 
primeiro alimento slido em quase uma semana. Ergueu o olhar para encontrar todos os olhos fixos nela e, constrangida, pousou a torrada.
        - Por que esto todos olhando para mim?
        - Estou feliz por v-la se alimentar - disse Marcie em tom brusco. - Achei que morreria na minha frente!
        - Estava apenas gripada - retrucou Sarah. - Nunca viu ningum ficar gripado?
        Marcie pensou por um momento e, em seguida, deu de ombros.
        - No. Derek nunca fica doente.
        Sarah voltou um olhar desgostoso a Derek, que lhe sorriu gentilmente.
        Derek era sempre gentil, como se sentisse na obrigao de ser amvel com os simples mortais. No, aquilo no era uma obrigao para ele. Aquele rapaz era 
mesmo gentil.
        A visita no se prolongou, j que Sarah se cansava facilmente. Quando me e filho partiram, Sarah resistiu  ideia de voltar para a cama. Encaminhou-se  
sala de estar e, dessa vez, conseguiu ler o jornal. Manteve-se sentada por pura fora de vontade at a hora que normalmente costumava dormir. S ento, aceitou de 
bom grado a ajuda de Rome para voltar ao quarto.
        Aps apagar as luzes do apartamento e se certificar de que as portas estavam trancadas, ele retornou ao quarto de Sarah para encontr-la sonolenta. Comeou 
a se despir, mas ela abriu os olhos quando o sentiu se deitar a seu lado. De repente, encontrava-se completamente desperta e o corao batia acelerado.
        Sentia-se bem melhor. Sabia que no havia necessidade de ningum a seu lado aquela noite e Rome tambm deveria saber. Ele a tomou nos braos, encostando-a 
ao corpo e Sarah apoiou a cabea em seu ombro. Em seguida, ele depositou o mais leve dos beijos na testa da esposa.
        - Boa noite - murmurou ele. Rome iria dormir com ela!
        Sarah tinha medo de se iludir. Ele dava sinais de que comeava a gostar dela. Tentando se recordar, percebeu que fazia algum tempo que no reconhecia nele 
a melancolia que sempre lhe dizia que Rome estava pensando em Diane e nos meninos. Estaria o tempo operando seu milagre de cura? Se, por fim, ele estivesse se recuperando 
de sua perda, seria capaz de comear a amar outra vez, e ela tinha a vantagem!
        - O que h de errado? - perguntou Rome, sonolento, escorregando a mo pelo brao delicado. - Seu corao est batendo como um motor de carro de corrida. 
Posso senti-lo.
        - Esforcei-me muito. - Sarah conseguiu dizer, pressionando o corpo ainda mais ao dele. A segurana que sentia com aquele contato comeou a acalm-la e a 
ajudou a dormir.
        Na manh seguinte, apesar de Sarah insistir que se sentia melhor e poderia ficar sozinha, ele telefonou para a secretria para lhe dizer que no iria trabalhar 
naquele dia.
        - Vou ficar - disse Rome em tom firme, aps desligar o telefone.
        - O que quer de caf da manh?
        - Qualquer coisa! Estou faminta!
        Sarah fez um desjejum quase normal e decidiu que a alimentao era a resposta para tudo. Sentia-se bem mais fortalecida, capaz de caminhar sem ficar tonta 
e, com exceo de uma remanescente dor de cabea e uma tosse ocasional, estava bem melhor.
        Rome trabalhou na sala de estar, espalhando papis a sua volta, em vez de trabalhar no pequeno escritrio, como normalmente fazia. Sarah sabia que o objetivo 
era mant-la sob vigilncia e o pensamento a fez se sentir prazerosamente aquecida. Ser mimada tinha suas vantagens.
        Prximo ao meio-dia, ela se sentiu sonolenta e cochilou sentada na cadeira, onde estava lendo. Rome ergueu o olhar e a viu fechar os olhos. No mesmo instante, 
levantou-se e a carregou para a cama. Sarah acordou quando ele comeou a despi-la, mas no protestou quando o viu pegar a camisola. Adormeceu antes de Rome cobri-la 
com a manta.
        Sarah dormiu por quase quatro horas. Acordou para ir ao toalete e beber vrios copos de gua. Sentia-se sedenta. Ainda sonolenta, encaminhou-se ao quarto 
e acabara de puxar a coberta sobre o corpo quando a porta se abriu e Rome entrou.
        - Pensei ouvi-la se movimentar pela casa - disse ele ao v-la acordada. Aproximou-se e sentou-se na beirada da cama, tocando-lhe a face com suavidade. No 
estava febril. A pele estava quente, mas era pelo fato de estar coberta.
        Sarah se espreguiou lentamente e, em seguida, sentou-se para abra-lo. O modo como se espreguiara fez o fino tecido da camisola se comprimir contra os 
seios firmes e agora os sentia pressionados contra o prprio peito. Rome a puxou mais para perto e lhe segurou o queixo, erguendo-o e unindo os lbios aos dela. 
Sarah se fundiu a ele. A boca macia abrindo para aceitar a invaso de sua lngua. Rome a beijou vrias vezes, com crescente intensidade e exigncia. Com um movimento 
lento, deitou-a na cama com a cabea no travesseiro e acompanhou o movimento com o prprio corpo, mantendo os lbios de ambos unidos. Sarah sentiu a mo longa se 
fechar sobre seu seio e arqueou o corpo. Parecia uma eternidade desde que fizeram amor pela ltima vez. O resfriado que havia contrado antes da gripe a deixara 
bastante abatida e Rome no havia insistido.
        - Sim - sussurrou ela contra a boca de Rome, retirando-lhe a camisa. - Por favor, no pare.
        - No iria parar - respondeu ele com a voz rouca, sentando-se para acabar de retirar a incmoda camisa. Jogou-a ao cho e, em seguida, levantou-se para se 
livrar da cala comprida. Sarah o observou com os olhos arregalados e ansiosos, sentindo formigamentos de antecipao pelo corpo. Inclinando-se sobre ela, Rome lhe 
retirou a camisola e se deleitou com a viso do corpo macio e esbelto que lhe pertencia, antes de lhe acariciar as curvas macias. Espalmou ambas as mos sobre os 
seios fartos e os beijou, sugando-lhe os mamilos at que se enrijecessem. Tonta de prazer, Sarah esticou os braos e o puxou mais para perto.
        Mais tarde, quando acordaram, sentia-se plenamente saciada e a satisfao se refletia em seu rosto.
        Tinha uma aparncia radiante. A pele brilhava com o calor gerado pelas caricias. Quando se encontravam sentados um em frente ao outro durante o jantar, Rome 
descobriu-se observando-a atentamente. Fora ele o responsvel por aquela aparncia, tinha certeza. Quando Sarah o fitava como fazia naquele momento, algo se agitava 
em seu ntimo. Desejara quebrar as barreiras de defesa que ela erguera, encontrar o calor de sua paixo, mas descobrira bem mais que aquilo. A rainha de gelo havia 
desaparecido e, em seu lugar, estava uma mulher que se mostrava irradiante com seu toque. Estaria Sarah se apaixonando por ele? Gostava da ideia. Possuir a devoo 
de uma mulher como ela no era pouca coisa. Aquele amor aqueceria os anos que estavam por vir e proporcionaria um paraso seguro e terno para o qual retornar aps 
um dia de trabalho. Um alento contra as dolorosas lembranas do passado.
        Enquanto Sarah tomava banho e se preparava para deitar, imaginou se ele dormiria em sua cama aquela noite. Trmula, ansiava pela presena dele e se perguntava 
se as duas noites anteriores no haviam sido resultado das circunstncias incomuns. Caso Rome dormisse em seu prprio quarto, no seria capaz de suportar. No depois 
de ter tido as duas melhores noites de sua vida. Ele agira como se realmente gostasse dela, dando-lhe um vislumbre do paraso. Se os portes se fechassem outra vez 
e a deixassem do lado de fora, seria um golpe do qual nunca se recuperaria.
        Uma brusca batida  porta a fez se sobressaltar.
        - Vai passar a noite a? - indagou Rome, em tom de voz impaciente.
        Sarah abriu a porta e ofegou ao encontr-lo recostado  parede, totalmente despido. A viso era impressionante. Muito alto e musculoso, com a aparncia viril 
acentuada pela rea escura dos pelos negros no peito. A respirao de Sarah acelerou. Deixou cair a toalha que havia enrolado em torno do corpo e esticou a mo para 
pegar a camisola, porm a deixou cair tambm.
        - Acho que no preciso de uma camisola - disse, ofegante.
        - Concordo. - O divertimento fazia os olhos de Rome faiscarem, enquanto estendia a mo em direo a ela. Porm, o brilho malicioso logo se transformou em 
algo mais intenso, quando Sarah se atirou em seus braos. Fizeram amor, dormiram e Rome no fez nenhuma tentativa de voltar  prpria cama. Ele acordou aps a meia-noite 
e a possuiu outra vez, penetrando-a com impetuosidade mesmo antes que ela despertasse e se deleitando com a resposta instantnea de Sarah. Dessa vez, prolongou o 
ato, utilizando a experincia para lev-la a alturas vertiginosas. Sarah se perdeu totalmente na intensidade das sensaes fsicas, enquanto Rome lhe acariciava 
os seios e lhe sugava os mamilos da maneira exata que a agradava, enquanto a tocava intimamente de formas que a faziam gritar. As investidas lentas e firmes a levavam 
 loucura, arrastando-a  beira da satisfao total sem, no entanto, a deixar experiment-la de imediato. Sarah se agarrava ao corpo musculoso com as mos midas 
e frenticas, suplicando pelo xtase total. Rome lhe segurou os quadris, impedindo-a de acelerar o ritmo e impondo sua cadncia. Tomou-lhe os lbios em um beijo 
profundo e, em seguida, afastou os lbios apenas o suficiente para pedir:
        - Diga que me ama.
        A resposta de Sarah foi automtica, arrancada de uma represa de desejo primitivo que havia aberto as comportas. Sem pensar e nem sequer perceber o significado 
do que Rome lhe pedira, respondeu, gemendo.
        - Sim, eu o amo.
        Um tremor intenso perpassou o corpo musculoso. As palavras suaves provocavam pequenas descargas eltricas em seu corpo que prenunciavam a aproximao do 
clmax.
        Escorregou as mos sob o corpo macio e a ergueu para penetr-la com maior intensidade.
        - Repita!
        - Eu o amo... eu o... amo... - A voz dela falhou e um grito agudo de prazer emergiu de sua garganta. Sentindo os espasmos que antecediam o clmax de Sarah, 
ele gemeu alto, trincou os dentes e se perdeu completamente em seu prprio orgasmo.
        Deitada sob o peso de corpo de Rome, ela se deu conta do que dissera e um temor glido a sacudiu de leve.
        - Eu... quanto ao que eu disse...
        Rome ergueu a cabea que se encontrava pousada sobre os seios fartos. Uma satisfao primitiva se estampava em sua face e olhos.
        - Queria saber. Pensei que sim, mas queria ouvi-la dizer.
        Sarah prendeu a respirao com a maneira possessiva como que ele se expressava.
        - No se importa? - sussurrou ela.
        Rome lhe afastou uma mecha de cabelos da face e, lentamente, traou o contorno macio dos lbios de Sarah.
        - Era mais do que esperava quando pedi que se casasse comigo - admitiu ele. - Mas seria um tolo se no gostasse disso. Voc  uma mulher calorosa, amorosa 
e fantstica, sra. Matthews, e quero tudo que tiver para dar.
        Grossas lgrimas lhe turvaram os olhos verdes antes de lhe rolarem pela face. Rome limpou-as gentilmente, um tanto abalado com a sinceridade e devoo que 
ela lhe oferecia. Em um arroubo de paixo crescente e no esforo de confort-la, fez amor com ela outra vez.
        
        
        Na manh seguinte, Rome foi trabalhar e Sarah ficou acordada tentando se arrumar para abrir a loja no horrio costumeiro. Porm, lembranas da noite anterior 
a distraam. Descobriu-se parada no meio do quarto, com olhar sonhador, em vez de se vestir e se maquiar como deveria estar fazendo. Rome no dissera que a amava, 
mas uma profunda intuio feminina lhe dizia que o desejo que alimentava no fundo de seu corao, imersa na escurido de incontveis noites, estava se tornando realidade. 
Rome gostava dela e aquele sentimento estava se transformando em amor. Um homem no tratava uma mulher com a solicitude, ternura e cuidado que ele demonstrava se 
no sentisse mais do que respeito e uma simples afeio. A intimidade do casamento tecera uma teia que o atrara para ela e os mantinha unidos. Sarah estava muito 
feliz. Quase cega pelo brilho ofuscante daquele sentimento.
        Forando-se a voltar  realidade, vasculhou o armrio era busca de um suti e deparou com a pequena cartela de plulas.
        - Uau! Quase esqueci -- disse em voz alta, enquanto pegava a cartela.
        De repente se deu conta e deixou cair a carteia da mo trmula. Tomara a ltima plula no dia em que contrara a gripe e duvidava que a tivesse mantido no 
estmago devido aos vmitos. Perdera seis dias de plulas. Nervosa, procurou pela bula que havia guardado e acabou encontrando-a em um canto do armrio.
        Caso fossem perdidos trs dias de plulas, no era aconselhado dar prosseguimento  cartela. Teria de esperar at o quarto dia do prximo ciclo e comear 
a tom-las normalmente. A gravidez era improvvel, mas no impossvel. Portanto, outras precaues deveriam ser tomadas durante o ato sexual.
        Sarah releu a bula, tentando acalmar as batidas aceleradas do corao. Improvvel, mas no impossvel. Tentou esquecer as trs ltimas palavras e se concentrar 
no reconfortante "improvvel".
        Pensou na reao de Rome quando lhe contasse e soube, imediatamente, que, certo ou errado, aquilo era algo que no poderia lhe dizer. Nem sequer preocup-lo 
com aquele assunto. A expresso de Rome quando aquela jovem me na loja chamara o nome Justin lhe partira o corao e ainda se lembrava a dor que sentira quando 
ele rejeitara seu apoio. No poderia enfrentar aquela situao outra vez. Porm, teria de lhe contar. Concluiu, com pesar no corao, que no haveria outra maneira 
de explicar que tinham de tomar outras precaues. Pensando na proximidade que estavam desfrutando, a possibilidade de v-la destruda a fez cerrar os punhos. No 
agora, por favor, no agora!
        Recompondo-se, conseguiu se vestir e aplicar a maquiagem. Chegou  loja ao mesmo tempo que Erica e abriu as portas no horrio previsto. A partir da, no 
teve tempo de se preocupar com mais nada. Em poucas horas a loja estava lotada de clientes como nunca estivera. Os mais antigos, sabendo de sua doena, vinham saber 
como estava passando. Outros compravam novelos de l, botes avulsos, artigos do setor de bonecas, pregos de acabamento e molduras para retratos. Parecia que todos 
os clientes haviam esperado a Tools and Dyes reabrir em vez de procurar outra loja e o pensamento encheu Sarah de alegria. Uma mulher pequena, porm vigorosa de, 
no mnimo, 80 anos trouxe um xale de l confeccionado com a mais macia l com tons variados de verde e insistiu em d-lo a Sarah de presente.
        - Para se proteger do frio - disse a mulher com os olhos azul-claros tremulantes.
        O gesto quase a levou s lgrimas, ao abraar a senhora idosa. A mulher costumava fazer xales e traz-los para que Sarah os vendesse na loja por uma comisso. 
Sabia que ela precisava daquele dinheiro para complementar a minguada aposentadoria. O fato de ter despendido tempo e material para lhe confeccionar um presente 
era gratificante.
        Pouco antes do almoo, Rome entrou na loja. Sarah ergueu o olhar ao sino e seus olhos se arregalaram quando o avistou.
        - Vamos at o escritrio um momento - sugeriu ele em tom suave. Imediatamente, Sarah chamou Erica para substitu-la na caixa registradora.
        Quando a porta se fechou, isolando-os no cubculo que ela usava como escritrio, ela o fitou, preocupada.
        - O que h de errado?
        - Tenho de partir para terminar tudo que deixei pendente quando voltei para tomar conta de voc. - Um sorriso malicioso curvou os lbios de Rome. - Poderia 
lhe dizer isso na loja, mas queria beij-la e do modo como vou faz-lo, no poderia ser era pblico.
        Sarah sentiu os joelhos fraquejarem e se recostou  mesa.
        - Oh? De que modo? - A voz saiu rouca, quase gutural.
        Aquela noite, deitada sozinha na cama e sentindo falta do calor do corpo de Rome mais do que julgara possvel, ela soube. Como em uma transmisso teleptica, 
teve certeza e levou a mo ao ventre.
        - Rome, desculpe-me - sussurrou para a escurido do quarto.
        
        
        - No  incomum - disse a dra. Easterwood em tom calmo. O exame que Sarah fizera em si mesma j havia lhe dito o que precisava saber, mesmo sem a confirmao 
dos testes que se encontravam sobre a mesa. - Aquelas plulas eram de dosagem hormonal mnima. A gravidez  bastante provvel quando interrompida a dosagem como 
foi a sua. No seu caso, a gravidez  uma realidade. - Sarah se encontrava bastante tranquila. Passara semanas se acostumando  ideia. No sabia o que faria, mas 
j aceitava a realidade de uma pequena vida sendo gerada dentro dela e a amava. Amara-a desde o momento de sua concepo. De que outro modo poderia se sentir em 
relao a um filho de Rome? - Ter 34 anos quando a criana nascer - continuou a dra. Easterwood. -  tarde para se ter a primeira gestao, mas voc  saudvel 
e no espero complicaes, embora,  bvio, faremos um rigoroso pr-natal e vou pedir alguns exames da criana nos vrios estgios do desenvolvimento. A consulta 
ter de ser quinzenal em vez de mensal. O nico problema que posso antever  que, caso a criana seja grande, ter de fazer uma cesariana. Sua plvis  muito estreita.
        Sarah escutava, cheia de outras preocupaes para se incomodar com as circunstncias do nascimento da criana que seria dali h meses, quando tinha um grande 
problema para lidar no presente. Como iria dar a notcia a Rome? E mais importante: como ele reagiria?
        A dra. Easterwood lhe deu uma quantidade de vitaminas suficiente para levantar um defunto e, em seguida, fez uma coisa inusitada. Abraou Sarah e a beijou 
nas faces.
        - Boa sorte - disse ela. - Sei que h muito tempo desejava esse beb.
        Sempre desejara. Como seria cruel se tivesse de escolher entre Rome e o beb!
        Deu-lhe a notcia naquela mesma noite. Ficara tentada a guardar segredo por quanto tempo fosse possvel, adiar aquele confronto e aproveitar cada momento 
que pudesse viver ao lado dele, mas sabia que, como pai, tinha o direito de saber. Se ocultasse, ele se ressentiria tanto ou mais do que o faria com sua gravidez. 
Contar no foi tarefa fcil. Tentou dizer as palavras durante todo o jantar, mas elas lhe pareciam presas na garganta. Aps a refeio, Rome se dirigiu ao escritrio 
para trabalhar em alguns documentos que trouxera para casa e, por fim, Sarah se juntou a ele. De maneira direta, ela lhe contou. Qualquer vestgio de cor desapareceu 
do rosto de Rome.
        - O qu? - sussurrou ele.
        - Estou grvida - repetiu Sarah mantendo o tom de voz controlado. Os dedos gelados se encontravam cruzados na frente do corpo para evitar que tremessem.
        Rome deixou cair a caneta e fechou os olhos. Aps um momento, voltou a abri-los e eles se encontravam escuros e cheios de amargura.
        - Como pde fazer isso comigo? - indagou em tom spero, erguendo-se com um gesto brusco e virando de costas para ela. A cabea baixa, enquanto esfregava 
o pescoo.
        A acusao a encheu de dor, roubando-lhe o discurso. Sarah sabia que seria um choque para ele, mas de alguma forma, nunca sonhara que Rome pensaria que ficara 
grvida propositalmente, desrespeitando sua vontade.
        Os ombros largos estavam tensos.
        - Sabia como me sentia em relao a esse assunto. Voc sabia... e engravidou assim mesmo. Foi para isso que se casou comigo? Para me usar como um garanho? 
- Ele girou, revelando a face cheia de dor e raiva. - Droga, Sarah! Confiei que voc tomaria as malditas plulas! Por que no tomou?
        - Fiquei gripada. No conseguia tomar nada. 
        Rome paralisou. Engoliu em seco, fitando-lhe a face plida como uma folha de papel e o olhar transtornado. Quando percebeu o que dissera e o quanto a havia 
ferido, o remorso o atingiu com uma fora que quase o fez se dobrar. Sarah o amava. Se tinha certeza de alguma coisa era daquilo. Tambm sabia que ela jamais teria 
engravidado de propsito. Moveu-se, estendendo os braos em direo a ela, mas Sarah deu um passo atrs e esticou a mo para impedi-lo de se aproximar.
        - Consultei-me com a dra. Easterwood hoje - disse ela com a voz baixa e sem entonao. - Quando contra a gripe e no pude tomar as plulas, a interrupo 
na dosagem permitiu a ovulao... e a concepo.
        Sarah havia consultado a mdica naquele mesmo dia e tivera a coragem de lhe contar imediatamente. Amava-o o bastante para lhe contar.
        E tudo que fez, foi atirar nela uma culpa que era mais dele do que de Sarah. Se tivesse pensado, teria sabido que ela no estava em condies de tomar a 
plula. No primeiro dia em que se sentira melhor, havia feito amor com ela. Teria sido naquela noite ou no dia seguinte, no exguo escritrio, com Sarah empoleirada 
na mesa e a face adorvel em xtase por sua possesso bruta, rpida e extremamente prazerosa?
        - Desculpe-me - disse Rome em tom gentil, desejando mais do que tudo no mundo, que no a houvesse magoado. Percebeu a forma tensa com que Sarah tentava se 
controlar. Era como se estivesse envolta em uma dor profunda e a viso lhe contraiu o corao. Naquele momento, apesar da prpria dor e desespero, ele soube que 
Sarah o amava. A percepo tornou vital abrandar a dor que ela estava sentindo. Com um gesto vagaroso estendeu a mo para toc-la mais uma vez e Sarah permitiu que 
a abraasse.
        Rome a puxou contra o corpo, esfregando-lhe as costas com as mos como se aquilo pudesse afastar a dor que lhe impingira. Sarah no estava chorando e aquilo 
o preocupou mais do que um pranto violento o teria feito. Se ela estivesse chorando, estaria dando vazo s emoes que reprimia. O corpo esbelto se encontrava tenso 
em seus braos e Sarah no o abraava. Continuou a lhe acariciar as costas e murmurar palavras gentis at que ela comeou a relaxar. Lentamente, os braos delgados 
escorregaram pelos ombros de Rome. Levou algum tempo para que ele conseguisse tir-la do silncio chocado em que se encontrava, at sentir que Sarah estava preparada 
para discutir a melhor soluo para o problema. Ainda a segurando nos braos, reconfortando-a com seu toque, perguntou:
        - Marcou uma consulta?
        Sarah pareceu no compreender a pergunta.
        - A dra. Easterwood quer me ver duas vezes por ms.
        Rome meneou a cabea.
        - Quis dizer uma consulta para um... um... aborto. - Apesar do que sentia em relao quela situao, era difcil proferir as palavras.
        Sarah se desvencilhou e o fitou, perplexa.
        - O qu?
        Naquele momento, Rome soube que ela no havia pensado na soluo do problema. Sequer havia considerado aquela possibilidade e sentiu um frio na espinha. 
Afastou-se com os olhos escurecidos pelo transtorno que experimentava.
        - No quero que tenha esse beb - disse, sem rodeios. - No quero nenhum filho. Nunca mais.
        Sarah sentiu como se tivesse recebido um soco no peito. Tentou empurrar algum ar para dentro dos pulmes, mas no conseguiu. Fitou-o com medo de desmaiar. 
Por fim, conseguiu inspirar.
        - Este  seu filho tambm! Como pode querer...
        - No - interrompeu ele. A voz spera pela dor. - Enterrei meus filhos. Fiquei de p ao lado da cova, vendo a terra cobri-los. No posso passar por isso 
de novo. No posso aceitar outro filho, portanto, no me pea para tentar. Aprendi a viver sem eles, sem meus meninos, mas nenhuma outra criana... nunca... os substituir. 
- As feies de Rome se encontravam distorcidas pela dor, enquanto tambm ofegava como se fosse quase impossvel continuar.
        Lutou por controle e o conseguiu, embora uma camada de suor lhe brotasse  testa pelo esforo.
        - Eu a amo - disse Rome em tom mais calmo. - Sarah, eu a amo. Mais do que pensei que seria capaz outra vez. Am-la e t-la devolveu-me a razo de viver, 
algo pelo que ansiar todos os dias. Mas outro beb... no. No posso fazer isso. No tenha essa criana. Se me ama, no... no tenha essa criana.
        Sarah oscilou e, em seguida, conseguiu se aprumar, recorrendo a toda a determinao que possua. Nenhuma mulher merecia ouvir aquilo, pensou, perplexa. Amava 
Rome, e por aquele motivo, tinha de amar seu filho. Compreendia a presso a qual estava submetido. Vira a expresso de seu rosto, quando se encontrava parado ao 
lado da sepultura dos filhos e percebeu que desejava deitar l e ser enterrado junto com eles, se pudesse. Mas saber de tudo aquilo e compreend-lo no tornava as 
coisas mais fceis para ela.
        Rome a fitou refletindo o inferno em seus olhos e, de repente, as lgrimas os inundaram e escorreram por seu rosto.
        - Por favor - suplicou com voz trmula. Sarah mordeu o lbio inferior at faz-lo sangrar.
        - No posso - respondeu ela.
        
        
        
     Captulo Dez
        
        
        
        Sarah o encarou. A postura firme sob um fardo que no tinha certeza se poderia carregar.
        - Faria qualquer coisa que me pedisse - disse ela em tom lento e cauteloso. - Exceto isso. Amo-o tanto que seria incapaz de fazer mal a qualquer parte de 
voc e esse beb  parte de voc. Amei-o durante anos, no apenas nos nossos ltimos meses de casados. Amava-o antes de se casar com Diane e depois tambm. Amava 
Justin e Shane porque eram seus filhos. - Sarah meneou a cabea, desnorteada. - Acho que nunca deixarei de am-lo, no importa o que faa. Se no consegue de forma 
alguma aceitar esse beb, a deciso  sua, mas no posso destru-lo.
        Com um movimento lento, parecendo um idoso se arrastando com o peso da idade, Rome girou.
        - E agora? - indagou com voz metlica.
        - A deciso  sua - repetiu Sarah. No conseguia acreditar que sua voz soava to calma, mas sabia que estava encostada contra a parede. - Se quiser partir 
em vez de viver comigo, compreenderei e nunca deixarei de am-lo. Nunca. Se quiser ficar, tentarei... - De repente, a voz falhou, fazendo-a se calar e inspirar fundo 
antes de prosseguir. - Tentarei manter a criana longe de voc, fora de seu caminho. Nunca pedirei para que tome conta dela ou a segure. Juro, Rome, no ter sequer 
de saber o nome dela se no quiser! Para todos os efeitos, no ser um pai!
        - No sei - retrucou Rome, desanimado. - Desculpe-me, mas no sei.
        Rome passou por ela e, aps um instante, Sarah conseguiu comandar as pernas para segui-lo. Ele estacou ao sair do apartamento, com a cabea baixa e sem lhe 
voltar o olhar.
        - Eu a amo. Mais do que possa imaginar. Gostaria de ter lhe dito antes, mas... - Fez um gesto impotente com a mo. - Algo morreu dentro de mim com eles. 
Eram to pequenos e sempre buscavam proteo em mim. Eu era o pai deles e, aos olhos dos meus filhos, no havia nada que no pudesse fazer. Tudo que consegui... 
foi abra-los... quando era tarde demais! - Os lbios de Rome se distorceram com a dor e ele esfregou os olhos para limpar as lgrimas que derramava por seus dois 
meninos. - Tenho de ir. Ficar sozinho por algum tempo. Entrarei em contato de um jeito ou de outro. Cuide-se. - Por fim, voltou o olhar a ela e o que Sarah viu em 
seus olhos a fez cerrar os punhos para conter o grito que queria lhe escapar da garganta.
        Mesmo depois que a porta se fechou e alguns minutos se passaram, ela permaneceu parada no mesmo lugar, fitando a madeira macia, porque no podia fazer mais 
nada. Sabia que seria difcil, mas nunca supusera que a reao de Rome fosse to exacerbada ou a dor que sentia ainda to recente. Percebia a agonia que o sufocava 
como uma faca que penetrasse em sua prpria carne. Ele dissera que a amava. Como era terrvel ver o paraso lhe ser entregue com uma das mos e retirado com a outra!
        Arrastou-se at  sala de estar e se sentou. Todo seu corpo entorpecido pelo choque, mas aos poucos comeou a votar  vida. Se Rome a amava, talvez ficasse. 
Um milagre j havia acontecido. Seria to insensato esperar por outro? E se ele decidisse ficar, talvez com o tempo a ferida deixada pela perda dos filhos fechasse 
o suficiente para permitir que Rome amasse outra criana. Seu beb. Manteria firme sua palavra. Se ele ficasse, no iria lhe impor a criana.
        Rome no voltou para casa naquela noite. Sarah se deitou na cama que dividira come ele todas as noites desde que ficara gripada e chorou at lhe secarem 
as lgrimas.
        Na manh seguinte, aps passar uma noite insone, Sarah chegou  loja no horrio costumeiro. Erica lhe notou a palidez e os olhos inchados pelo choro, porm, 
discreta, no fez nenhum comentrio. Em vez disso, ocupou-se dos clientes, enquanto Sarah permaneceu no escritrio, atualizando a contabilidade. At mesmo aquela 
tarefa era dolorosa, porque tudo a fazia se lembrar de Rome. Fora ele quem organizara os livros, ajudando-a a escolher o sistema de computao, trabalhando ali todos 
os sbados e, possivelmente, a engravidara naquela mesma mesa, onde se encontrava sentada.
        Erica no questionaria, mas aquela tarde, quando Derek chegou e a viu naquele estado logo se prontificou a ajud-la.
        - O que aconteceu? Posso fazer alguma coisa por voc?
        Sarah sentiu crescer a afeio que dedicava quele rapaz. Como um menino de 16 anos podia ser to maravilhoso, escapava-lhe  compreenso. Para Derek, podia 
sorrir. E foi isso que fez.
        - Estou grvida - disse ela.
        Derek desabou sobre outra cadeira no pequeno escritrio e inclinou o corpo musculoso para frente.
        - Isso  ruim?
        - Acho maravilhoso - retrucou Sarah, com voz trmula. - O problema  que Rome no quer o beb. Foi casado antes e teve dois lindos meninos que morreram em 
um acidente de carro h trs anos. Desde ento, ele no suporta sequer ficar prximo de crianas. Ainda  muito doloroso.
        Os lindos olhos de Derek a fitavam, concentrados e extremamente meigos.
        - No desista. Rome s ficar confuso at que a criana nasa e ele a veja. Bebs so muito especiais.
        - Sim e voc tambm - disse Sarah.
        Derek exibiu seu sorriso adorvel e excessivamente sereno. Em seguida, ergueu-se e foi cumprir suas tarefas.
        Outra noite chegou e se foi sem que ela tivesse notcias de Rome, porm, exausta pela falta de sono e sintomas da gravidez, conseguiu dormir. Por fim, percebeu 
que no havia nada mais que pudesse fazer, que os dois se encontravam entrincheirados em suas posies e nas circunstncias da vida que tiveram. Sarah desejara ter 
um lar estvel, com marido e filhos para amar. No podia simplesmente abrir mo daquilo. Desde que houvesse uma chance, no podia perder a esperana e tinha de tentar.
        Enquanto dirigia para casa na noite seguinte, de repente se deu conta de que a primavera havia chegado. A brisa era fria, mas no gelada e folhas verdes 
e brilhantes comeavam a germinar nas rvores. No ltimo vero, Sarah se sentara em seu escritrio, observando a estao do sol dar lugar ao outono e em seguida 
ao inverno. Assim como sua vida. Sem futuro e amor. Apenas uma estrada vazia por onde cruzaria o resto de seus anos. Agora, sabia que depois do inverno, havia a 
primavera. Uma nova vida florescia dentro dela, assim como a primavera brotava da terra. Uma repentina sensao de paz a atingiu. O senso de continuidade da vida 
a acalmando.
        O carro de Rome se encontrava no estacionamento. Com as pernas bambas, encaminhou-se ao apartamento. Teria voltado para ficar ou estaria em seu quarto fazendo 
a mala para partir? Sabendo que os minutos seguintes seriam cruciais para sua felicidade, abriu a porta.
        Um aroma delicioso e condimentado a envolveu.
        Rome surgiu  porta da cozinha. Parecia estranhamente mais magro, embora tivessem se passado apenas dois dias desde a ltima vez em que o vira. Embora o 
rosto estivesse vincado pela tenso, estava barbeado. Trajava a cala que fazia conjunto cora um de seus ternos e uma camisa azul clara social, o que indicava que 
tinha ido trabalhar.
        - Espaguete - disse ele em tom calmo, indicando a cozinha. - Se no puder comer isso, jogarei fora e iremos jantar em algum lugar.
        - Posso comer espaguete - respondeu Sarah no mesmo tom. - Ainda no fiquei doente.
        Rome anuiu e recostou os ombros sobre o batente da porta como se estivesse cansado.
        - No quero deix-la, querida. Quero ficar com voc. Dormir com voc e ver esse belo rosto do lado oposto da mesa do caf da manh todos os dias. Mas no 
sei sobre o beb - prosseguiu ele. - No quero que fale comigo sobre esse assunto e no me envolva nisso. No quero ter nenhuma ligao com ele.
        Sarah concordou com um gesto de cabea, demasiado abalada para dizer mais do que "tudo bem". Em seguida, dirigiu-se a seu quarto para trocar de roupa, deixando-o 
recostado  porta.
        O jantar foi silencioso e tenso. Sarah no lhe perguntou onde estivera ou porque tomara a deciso que lhe comunicara h pouco. Tampouco Rome se props a 
explicar. Dissera que queria dormir com ela, mas quando foram se deitar, Sarah suspeitou que ele se referira ao sentido sexual, j que se dirigiu ao prprio quarto 
pela primeira vez em muito tempo. Tentou no se sentir desapontada, compreendendo o choque que Rome recebera, mas ainda assim sentia falta dele. Sem sua presena, 
sentia-se perdida. A cama parecia imensa e fria. Alm disso, a gravidez estava provocando o curioso efeito de lhe aumentar a libido, como estava citado em um dos 
folhetos que a dra. Easterwood lhe dera. Desejava Rome como amante e no apenas para dormir a seu lado.
        Dois dias depois, Max veio visit-la na loja.
        - Almoce comigo - convidou ele.
        Sarah o fitou de relance a tempo de captar a preocupao refletida nos olhos de Max, antes que ele a disfarasse. Anuiu, concordando e comunicou a Erica 
que iria almoar.
        Max a levou a um pequeno e tranquilo restaurante. Ainda era cedo e ambos eram os nicos clientes, alm de um homem que ocupava uma mesa no canto dos fundos, 
absorto na leitura de um jornal. Pediram o almoo e quando a garonete se afastou, Max lhe lanou um olhar especulativo.
        - Est tudo bem?
        - Sim, claro - respondeu ela, surpresa.
        - Queria me certificar pessoalmente. Rome passou duas noites em meu apartamento e estava um bagao.
        Ento era l que ele estivera, pensou Sarah.
        - Obrigada - agradeceu ela, profundamente grata.
        O sorriso torto de Max poderia fazer derreter as pedras.
        - Querida garota, sabe que enfrentaria drages por voc se eles ainda existissem. - Diga-me o que posso fazer.
        - Suponho que saiba de toda a histria. Max anuiu.
        - Como disse, Rome estava em estado de choque. Tentei lhe dar ch, mas ele recusou, ento resolvi lhe oferecer usque. Porm, no consegui embebed-lo - 
refletiu. - Nem mesmo com meu usque favorito. Mas pelo menos Rome perdeu a aparncia de morto-vivo e comeou a falar. Ningum nunca havia comentado sobre o passado 
dele na firma. Quando ele me contou sobre a primeira esposa e os filhos, foi mais do que eu podia suportar de maneira civilizada e no sou exatamente um homem emotivo. 
- Pela primeira vez, no havia nenhum brilho malicioso nos olhos turquesa. - Foi tudo que Rome me contou na primeira noite. Trabalhou normalmente no dia seguinte, 
embora no estivesse em seu estado normal. Eu diria que era perigoso at mesmo falar com ele. Na segunda noite, contou-me que voc estava grvida.
        Sarah girou o copo com gua com os olhos tristes.
        - Ele lhe contou que...
        - Sim - Max esticou a mo e cobriu a dela. - Pensei que Rome estivesse maluco, abobalhado ou ambos. Se fosse meu filho que estivesse carregando, ficaria 
insuportavelmente orgulhoso. Mas tambm, no tive a experincia de Rome.
        - Diane era minha melhor amiga - sussurrou Sarah. - Conhecia os filhos dele. Foi... terrvel.
        - Ele me contou sobre seu ultimato. Amor,  a mulher mais corajosa que j conheci. Colocou tudo em risco, no foi? E venceu.
        - No venci. Pelo menos no completamente. Estou tendo uma segunda chance. Isso  tudo.
        - Rome me disse que no quer ter nenhuma ligao com essa criana e que no est interessado nela. Se for assim e precisar de qualquer coisa, basta me ligar. 
Ficaria honrado em ser um pai substituto. Eu a levarei para o hospital, segurarei sua mo durante o parto e o que mais desejar. Tem noo - prosseguiu Max, pensativo 
- de como acabei de me comprometer? Rome no  o nico abobalhado. Acho que sempre poderei me contentar com o fato de ele ser muito esperto para deixar que outro 
homem tome conta de sua esposa dessa forma.
        Sarah comeou a rir, tocada pela preocupao do amigo.
        - Meu pobre querido! Estava indo bem at pensar no parto, no  mesmo?
        Max sorriu.
        - Sempre fui extremamente galante, at onde meus melindres me permitem. - A comida chegou e Sarah devorou a dela com bom apetite. O melhor que tinha h dias. 
Max gesticulou com o garfo em direo a ela. - Agora percebo porque Rome estava to determinado a ter direitos exclusivos sobre voc. Aps o trauma que sofreu, deve 
ter ficado desesperado para garantir t-la ao lado dele, ter um pouco de estabilidade de volta a sua vida. Rome no sabia que o amava, certo?
        - Naquela poca, no. Mas agora sabe.
        - Ele tambm a ama. Acho que no se sentia assim quando casaram, mas no  um idiota e logo reconheceu o tesouro que tinha a seu lado. Ainda  um grosseiro, 
claro, mas extremamente esperto e a estupidez  a nica coisa que no consigo suportar. Algumas vezes, fico irritado em perceber o quanto gosto dele.
        Max era precioso. Utilizava sua perspiccia custica e desinteressada para levantar seu astral e confort-la ao mesmo tempo. Fora sincero quando lhe oferecera 
ajuda. Tinha sorte de estar rodeada de amigos que se importavam com ela e com o marido. Rome talvez estivesse se sentindo pressionado e pensando que tinha de lutar 
por seu casamento, mas na verdade, as pessoas gostavam dele e fariam qualquer coisa para ajud-lo.
        Max quisera lhe informar o paradeiro de Rome nas duas noites que ele ficara fora de casa, tanto para ajud-lo quanto para que ela se sentisse mais aliviada. 
No queria que o casamento de Rome corresse risco devido a uma concluso errada.
        -  um homem maravilhoso - disse Sarah antes de provoc-lo. - O que precisa  de uma maravilhosa garota texana para arranc-lo dessa sofisticao britnica.
        Max a fitou com um olhar zombeteiro.
        - Minha sofisticao britnica  atirada pela janela em certas ocasies, amor, e para sua informao, j encontrei uma maravilhosa mulher texana. Eu a levaria 
l em casa para conhecer a famlia, mas ela quer ir com calma.
        A ideia do sofisticado Max com uma fogosa mulher texana era fascinante. Sarah se inclinou para frente. Milhares de perguntas borbulhavam em seus lbios, 
mas ele ergueu uma sobrancelha e a fitou com expresso decidida.
        - No sou de ficar fazendo confidencias amorosas - disse em tom gentil. Acabou sua refeio?
        
        
        Aquela noite, Rome veio ao seu encontro no quarto e fez amor com ela de modo terno e gentil. Sarah respondeu de modo apaixonado. Pouco depois, quando fez 
meno de sair do quarto, a mo delicada pousou em seu brao.
        - Por favor, ainda no. Fique comigo um pouco mais.
        Rome hesitou por um instante e, em seguida, deitou-se de costas e a tomou nos braos.
        - No quero machuc-la - disse para a escurido com voz rouca e aveludada. - Desejo-a loucamente. Se eu ficar, faremos amor outra vez.
        A maneira de Rome se expressar mudara, percebeu ela. No incio do casamento, ele sempre evitara a expresso "fazer amor". Roou a face contra os pelos enrolados 
do peito musculoso e, em seguida, mordeu-lhe suavemente o mamilo.
        - Espero que sim - disse ela, sorrindo. - Gostaria que voltasse a dormir comigo por tanto tempo quanto se sentir  vontade a meu lado.
        Rome enterrou os dedos nos cabelos macios e lhe puxou a cabea para trs.
        - A vontade?  assim que me sinto com voc - afirmou ele, tomando-lhe a mo e a escorregando ao longo do prprio corpo. Estava vido de desejo por ela como 
se no tivessem acabado de fazer amor. - No  muito confortvel, mas  assim que me deixa. Se no se sente em condies fsicas de passar a noite comigo da maneira 
que eu gostaria, ento  melhor me deixar ir.
        - Estou em condies. - Sarah suspirou e rolou para cima dele. - Perfeitamente saudvel.
        Rome foi cuidadoso com ela, controlando a prpria fora e no permitindo que Sarah se esforasse demais. Sabia que a preocupao que demonstrava era apenas 
em relao a ela, no pela criana, mas ainda assim aquilo lhe aquecia a alma. Na escurido, Rome declarou que a amava e, quando por fim adormeceram, ele a manteve 
colada ao seu corpo. A gravidez a obrigava a acordar vrias vezes durante a noite. Cada vez que Sarah retornava para a cama, encontrava-o acordado. Sem nada dizer, 
ele a puxava de volta para seus braos.
        Quando Sarah voltou  consulta quinzenal, a dra. Easterwoood lhe fez uma exame minucioso e, em seguida, fez sinal de positivo com o polegar.
        - Perfeito - diagnosticou a mdica. - Algum enjoo matinal ou manchas?
        - Nada - informou Sarah, feliz.
        - timo. Vamos nos manter assim.
        - Por que quer me ver de 15 em 15 dias?
        - Por causa de sua idade e do fato de ser seu primeiro filho. Estou tendo excesso de zelo, claro, mas quero fazer o parto dessa criana em novembro. Tome 
as vitaminas e a cada duas horas quero que faa uma parada de trinta minutos com os ps para cima. Sem excees.
        Fazer um intervalo de meia hora na loja foi difcil, at que os clientes descobriram que estava grvida. Sarah contou a Erica o que a dra. Easterwood dissera 
e prontamente s 11h, a ajudante ou outra pessoa que estivesse na loja dizia "hora de descansar". Aquele beb estava se tornando um projeto comunitrio. Marcie criou 
o hbito de passar na loja pelo menos uma vez por dia. Max aparecia nos horrios mais inesperados, Erica e os clientes controlavam rigorosamente seus descansos e 
Derek supervisionava toda a operao. Se Sarah erguesse algo, o rapaz descobria de alguma forma e uma suave repreenso por parte dele tinha o efeito de um raio sobre 
ela.
        Estava no quarto ms de gravidez, quando Rome chegou em casa mais cedo em uma quarta-feira. O dia em que a loja fechava aps o almoo. Sarah estava forrando 
as prateleiras dos armrios com papel adesivo. Trabalhava nas prateleiras do fundo, apoiada nas mos e nos joelhos, com todo o torso dentro do armrio. Rome a fitou, 
inclinou-se para frente, segurou-lhe os quadris e a puxou firmemente para trs.
        - Contratarei algum para fazer o trabalho de casa - disse em tom calmo. - Amanh.
        Sarah achou aquilo divertido.
        - Milhes de mulheres em todo o mundo fazem trabalhos caseiros durante toda a gravidez.
        - Voc no  "milhes de mulheres" - retrucou Rome. - Se eu no viajasse tanto, seria diferente. Posso ajud-la durante o tempo em que estou aqui, mas quando 
partir, quero ter certeza de que no estar empoleirada nos armrios ou dentro deles.
        Sarah fizera aquilo antes, quando no estava grvida, mas no lhe disse nada. Perceb-lo preocupado com sua gravidez era um bom sinal. Ele no fazia aquilo 
pelo fato de estar estranha e desajeitada, porque embora estivesse no quarto ms, havia ganhado apenas meio quilo e ainda estava usando suas roupas normais. O nico 
sinal visvel era o aumento do volume dos seios e o fato de estarem mais sensveis, duas caractersticas que pareciam fascin-lo.
        Rome se inclinou e a beijou.
        - Prometa-me - pediu e ela obedeceu. 
        Encontrava-se mais calado do que antes, mas ao mesmo tempo mais prximo e menos reservado. Sarah no sabia o que ele estava pensando, mas sempre que viajava, 
telefonava-lhe com mais frequncia para verificar como estava passando. Quando se encontrava em casa e tinha um jantar de negcios, providenciava para que as esposas 
comparecessem para que Sarah no passasse a noite sozinha. A mo de Rome estava sempre em sua cintura quando caminhavam e nunca esquecia de lhe segurar a mo quando 
ela saa ou entrava do carro. Porm, nunca lhe fazia nenhuma pergunta sobre o beb, sobre o resultado dos ltimos exames ou mesmo sobre a data do nascimento, embora 
se fizesse os clculos seria fcil descobrir.
        Ela sabia que no teria a alegria de escolher nomes com o pai da criana ou especular sobre a fascinante dvida se seria uma menina ou um menino. Por outro 
lado, muitos pais demonstravam pouco ou nenhum interesse em seus bebs apenas para se derreterem todos quando o trabalho de parto comeava. Ainda tinha esperanas. 
Tinha de ter. Embora soubesse que poderia enfrentar muito sofrimento no futuro, nenhum se comparava ao fato de tentar explicar para uma criana que seu pai no podia 
ser incomodado... nunca.
        Mas tinha de se preparar para receber aquele beb. Com ou sem Rome. Portanto, comeou a montar o quarto da criana. Para abrir espao, pediu a Derek que 
a ajudasse a remover vrios itens que havia comprado para seu antigo apartamento. Em seguida, levou-os para a loja e os vendeu.
        Marcie a acompanhava nas compras, lanando mo de sua quase esquecida experincia como me para ajud-la a escolher o que precisava. O bero foi comprado 
e instalado juntamente com um divertido mbile, pronto para ser impulsionado para fascinar a criana que ocuparia o bero. Uma cadeira de balano foi adicionada 
 moblia. Certa tarde, um urso de pelcia apareceu no banco do carona de seu carro, mas quando Sarah olhou ao redor, Derek havia desaparecido. O brinquedo de pelcia 
foi colocado sobre a cadeira de balano e recebeu imediatamente o nome de Boo-Boo.
        Certa noite, enquanto procurava alguns papis que havia perdido, Rome abriu a porta do terceiro quarto e acendeu a luz. Paralisou momentaneamente e de imediato 
apagou a luz, antes de fechar a porta e se afastar com a face sem cor. Nunca mais voltou a abri-la.
        Sarah pediu a Marcie para frequentar as aulas de parto normal com ela para fazer papel de sua treinadora e parceira. A amiga deixou escapar um suspiro.
        - Tem certeza? - indagou, lisonjeada, porm ao mesmo tempo pouco  vontade. - No sei nada sobre partos. Quero dizer, tive Derek, mas ele tinha tudo organizado. 
- Marcie corou como uma adolescente. - Sei que parece bobagem, mas era assim que parecia. Entrei em trabalho de parto as 8h, no momento em que o mdico estava fazendo 
suas visitas pelo hospital. Derek sempre teve muita considerao comigo. Nasceu s 9h30, sem nenhum problema e com muito pouco esforo da minha parte. Apenas alguns 
empurres. Chorou sozinho, antes que o mdico o forasse, comeou a sugar o prprio punho e dormiu. Foi assim.
        Ambas se entreolharam. Em seguida, Marcie revirou os olhos e as duas caram na gargalhada. 
        Sarah fazia todos os exerccios que a dra. Easterwood recomendava para fortalecer as costas e os msculos abdominais e tomava as vitaminas rigorosamente. 
Quando estava no quinto ms de gravidez, a mdica a submeteu a um exame relativamente simples, retirando-lhe uma pequena quantidade de lquido amnitico do tero. 
O beb foi declarado perfeitamente normal e a dra. Easterwood confessou que aquela era sua maior preocupao, mas tudo estava em ordem.
        Horas depois, Rome a acomodou a seu lado para dormir, com a cabea apoiada no ombro largo e o corpo curvado contra o dele. Haviam acabado de fazer amor e 
Sarah estava sonolenta e com o corpo saciado. Naquele momento, o beb a chutou com fora. Era a primeira vez que se movimentava to vigorosamente. H vrias semanas 
vinha sentindo breves e suaves agitaes no ventre, mas nunca antes recebera um forte chute. O minsculo p colidiu com a parte de seu abdome que se encontrava encostado 
na lateral do corpo de Rome. Ele enrijeceu e, em seguida, ergueu-se da cama, praguejando. Ligou a luz e Sarah o fitou, sem poder conter as lgrimas. Rome estava 
transpirando.
        - Desculpe-me - disse ele em tom spero. Inclinou-se e a beijou, acariciando-lhe os cabelos. - Eu a amo, mas no posso suportar isso. Vou dormir em meu quarto 
at que a criana nasa.
        Sarah tentou sorrir, apesar das lgrimas que lhe banhavam os olhos.
        - Compreendo. Desculpe-me tambm.
        Dois dias depois, Rome partiu em uma longa viagem de negcios. Sarah suspeitou que ele tivesse se voluntariado para ir. Se assim fosse, no podia culp-lo. 
As coisas saram fora do controle de Rome e, apesar de seus esforos em ignor-la, sua gravidez se tornava cada vez mais evidente. A silhueta de Sarah havia mudado 
e a obrigava a usar roupas de gestante. O beb mudara os hbitos de dormir e a vida sexual de Rome. No era de se admirar que sentisse necessidade de se afastar.
        Enquanto ele estava fora, Max lhe telefonava todos os dias. Sarah nunca fora to mimada em toda sua vida e tudo por causa de uma gravidez perfeitamente normal. 
Derek a controlava como um gentil dspota na loja e como estava de frias no colgio, no lhe dava trgua. S conseguia desfrutar de alguma privacidade quando se 
encontrava em casa  noite. Rome havia contratado uma empregada domstica. Uma agradvel mulher de meia idade, que no se importava em receber um bom salrio para 
limpar um apartamento que nunca se encontrava bagunado. A sra. Melton se mostrou bastante eficiente e o apartamento estava sempre impecvel e a roupa lavada. Se 
no fosse pela distrao que tinha na loja, Sarah teria enlouquecido de tdio.
        Rome ficou fora durante trs semanas. As mais longas de toda a vida de Sarah, mas os amigos faziam o hercleo esforo de mant-la animada. Nem todos conheciam 
as circunstncias daquele casamento. Apenas Marcie, Derek e Max. Porm, todos os clientes a cobriam de ateno tambm. Se ao menos Rome demonstrasse um dcimo do 
entusiasmo pelo nascimento daquela criana que os estranhos possuam, ela estaria exultando de felicidade.
        Certo dia, Rome telefonou para a loja e, sucinto, disse-lhe que estava em uma reunio, mas que chegaria no dia seguinte. Sarah desligou o telefone e comeou 
a chorar.
        Derek a segurou nos braos e a guiou at o escritrio e fechou a porta. Sarah chorou recostada ao ombro jovem e forte, enquanto ele a balanava suavemente 
nos braos. Em seguida, secou-lhe as lgrimas e a sentou na cadeira, puxando uma outra para se sentar em frente a ela.
        - Era Rome?
        - Sim. Ele chegar amanh. - Sarah assoou o nariz. - Fiquei to feliz em ouvir a voz dele e saber que em breve estar de volta que me emocionei.
        Derek sorriu e lhe deu uma palmada leve no joelho.
        - Recebi a confirmao final de minha bolsa ontem - informou ele, desviando-lhe a mente de Rome. - Seu marido e o sr. Conroy de fato interferiram a meu favor, 
no foi? E devo tudo a voc.
        - Fico feliz por voc. Merece tudo de bom. Derek a observava com olhar firme.
        - Estive lendo sobre gravidez e parto. No caso de algo acontecer a voc e no conseguir chegar ao hospital, acho que posso fazer seu parto.
        No havia dvidas na mente de Sarah de que se Derek lera sobre o assunto, ele podia faz-lo. Alguns podiam achar que Derek mudaria de assunto, mas conhecendo-o, 
ela esperou que o rapaz ligasse o assunto do parto com a bolsa de estudos.
        - Decidi que serei mdico - disse ele com grande dignidade. - Um obstetra. Ver sua barriga crescer e saber que uma vida est se desenvolvendo a dentro foi 
a melhor experincia de minha vida. Quero ajudar muitos bebs a vir ao mundo.
        - No posso imaginar melhor comeo que uma criana poderia ter - retrucou Sarah, quase chorando de emoo. Nenhum homem seria melhor mdico do que Derek 
Taliferro.
        - Eu a amo, sabia? - Os suaves olhos castanho-dourados lhe percorreram a face. - Deu-me a chance que eu nunca teria e ajudou minha me tambm. No estou 
me referindo ao amor entre um homem e uma mulher, por que ainda no estou preparado para isso, mas ainda assim  amor. - Inclinando-se para frente, Derek pousou 
a mo sobre o abdome distendido. Um toque de amor. - Mas se esse beb for uma menina, posso esperar por ela. Acho que sua filha seria muito especial.
        Um sorriso terno bailou nos lbios de Sarah, enquanto afastava um cacho de cabelos pretos da fronte de Derek.
        - Minha filha no poderia ter um homem melhor esperando por ela - sussurrou, antes de lhe beijar a face.
        Sarah voltou mais cedo para casa no dia seguinte, deixando Erica e Derek para fechar a loja, porque queria ver Rome. Sentindo que cairia em prantos se ele 
no estivesse l, quase soltou um grito quando avistou seu carro. Entrou, apressada, no edifcio e se queixou pela demora com que o elevador parecia subir.
        - Rome! - chamou ela, enquanto abria a porta. - Rome! Onde voc est?
        -- Aqui! - Ele gritou do quarto que ocupava.
        Sarah se precipitou em direo ao aposento com o corao batendo na garganta. Rome saiu do toalete no mesmo instante em que ela cruzava a porta, parecendo 
esbelto e estonteante com os cabelos midos e uma toalha branca pendurada no pescoo. Sarah prendeu a respirao e quase se lanou pelo quarto, apenas para hesitar 
no meio do caminho, fitando-o, impotente e confusa, antes de desmaiar pela primeira vez no s durante a gravidez, mas em toda sua vida.
        Rome soltou um grito assustado e voou em direo a ela, mas no conseguiu segur-la a tempo de evitar a queda. Xingando entre dentes, ele a ergueu nos braos 
e a colocou na cama. Uma camada de suor frio lhe cobria a fronte ao perceber a flacidez do corpo delgado. Umedeceu uma toalha com gua fria e a esfregou na face 
plida e nas mos inertes e, por fim, a pousou sobre a testa de Sarah. As plpebras se abriram lentamente se abriram e ela o fitou, confusa.
        - Desmaiei - disse Sarah, perplexa.
        Rome no conseguia lembrar o nome da mdica.
        - Como se chama sua mdica? -- perguntou, determinado, inclinando-se sobre ela.
        - Easterwood. Mas por que... - Erguendo a agenda de telefone, ele procurou pela letra "E" e escorregou o dedo ao longo da coluna dos nomes. - Rome - comeou 
Sarah em tom paciente, tentando se sentar. - No h nada de errado comigo. Apenas desmaiei.
        Espalmando a mo sobre o peito de Sarah, ele a empurrou de volta a posio deitada.
        - No tente se levantar outra vez - ordenou, antes de discar os nmeros no telefone.
        - Ela no est no consultrio. Ser atendido pela secretria eletrnica.
        - A dra. Easterwood, por favor - disse ele com a entonao autoritria de um vice-presidente de empresas. - Aqui  Roman Matthews, o marido de Sarah Matthews.
        Contra todas as leis da natureza bem como aquelas que governavam o consultrio dos mdicos, a dra. Easterwood atendeu. Sarah permaneceu deitada na cama, 
lanando um olhar severo a Rome e imaginando se de alguma forma ele e Derek no possuam algum parentesco. Era perturbador!
        Rome contou rapidamente o que aconteceu e a mdica fez algumas perguntas. Ele lanou um olhar a Sarah.
        - Sim, ela fez um movimento abrupto. Estava correndo. - Rome escutou por alguns instantes e sua expresso se tornou ainda mais fechada. - Compreendo. Quais 
so os riscos se ela entrar em trabalho de parto prematuro e o beb se posicionar para sair antes que possa ser feita uma cesariana?
        Sarah gemeu alto. Todos os indcios lhe diziam que teria um parto perfeitamente normal, j que a criana no parecia ser grande, mas ela sabia que aquilo 
no faria diferena para Rome. Ele a estava fitando com um olhar que faria murchar a grama. Quando desligou, ele se voltou para encar-la.
        - Est correndo um certo risco por estar grvida pela primeira vez em sua idade - disse com rigoroso controle. - E um risco maior ainda devido ao fato de 
seus quadris serem estreitos. E estava correndo, droga! - A face de Rome se contraiu e os punhos se fecharam. -- No quero essa criana, ainda mais se causar algum 
risco a voc. Por que no me contou? O que acha que seria de mim se algo lhe acontecesse por causa de um beb que eu... - Calou-se com o peito arfando e visivelmente 
lutando por controle.
        Sarah se sentou na cama e se atirou nos braos do marido, envolvendo-o e o confortando.
        - Rome, querido, estou bem. Sinceramente. E no se preocupe, porque a nica possibilidade de eu ser submetida a uma cesariana ser no caso de o beb ser 
grande e, at agora, no .
        Rome sacudiu a cabea, fechando os braos em torno dela.
        - No se lembra de como Justin e Shane eram grandes? Ambos passaram de quatro quilos. Para Shane faltou apenas 28 gramas para quatro quilos e meio! O simples 
pensamento de voc carregando uma criana to grande ... assustador - completou ele.
        - No se antecipe aos problemas. Por favor. No tive nenhuma complicao. Sem nuseas, inchao nos ps ou dor nas costas. Estou gozando de perfeita sade!
        Rome ergueu-lhe a face, examinando-a atentamente e reconheceu o amor e a preocupao estampado nela. Preocupao por ele em vez de por si mesma. Beijou-a 
e, em seguida, encostou a cabea de Sarah em seu peito.
        - Eu a amo - disse com voz trmula. - No deixe meu milagre escapar de minhas mos agora.
        - No vou a lugar nenhum - assegurou Sarah. - Esperei muito por voc. No vou deixar que nada acontea agora. Anos, anos e anos - prosseguiu em tom suave. 
- Foi o tempo que esperei por voc. Por isso nunca me casei e todos pensavam que era muito dedicada ao meu trabalho. Nunca me interessei por outro homem alm de 
voc.
        Roando o queixo contra a testa de Sarah, ele fechou os olhos.
        - Amo-a tanto que isso me assusta - disse Rome por fim. - Amei Diane, mas superei a dor de perd-la por sua causa. Foi como se ela tivesse me preparado para 
voc. Deu-me a base sobre a qual me apoiar para alcan-la. Sempre soube que voc estava l e acho que sempre soube que um dia, quando soubesse como amar o suficiente, 
teria voc. Se deixar de dizer isso algumas vezes, me lembre, porque quero que nunca se esquea como me sinto. No consigo querer esse beb, mas isso no mudou o 
que sinto por voc e quero que sempre se lembre disso. Algo em mim se partiu quando os meninos morreram e acho que nunca me recuperarei. Outro filho no os substituir.
        No, nada iria substituir os meninos que ele tanto amava e Rome no conseguia entender que aquela nova criana no era uma substituio, mas uma pessoa com 
seus prprios direitos. Aquele era o outro milagre pelo qual Sarah rezara. O dia em que Rome olharia para seu filho ou filha e sentiria o corao cicatrizar.
        Se aquele dia nunca chegasse, certamente o corao de Sarah  que iria se despedaar.
        
        
        
     Captulo Onze
        
        
        
        - D-me a chave de seu carro - pediu Rome na manh seguinte, quando partia para o trabalho. Franzindo o cenho, Sarah retirou a chave da bolsa e a colocou 
na palma da mo que ele mantinha estendida. Rome pegou sua prpria chave no bolso e a colocou na mo de Sarah.
        - Dirija meu carro at ter o beb.  maior e mais confortvel e lhe dar mais proteo, alm de ser automtico. No precisar mudar as marchas.
        - Se insiste. - Sarah pegou a chave e ergueu uma sobrancelha. - O que isso causar  sua imagem profissional?
        - Ir jog-la pelo ralo - disse Rome, sorrindo. 
        O Mercedes parecia imenso e Sarah dirigiu com enorme cuidado, temerosa de causar qualquer arranho  imaculada carroceria. Estava acostumada a manobrar seu 
ousado e pequeno ZX nas mais estreitas vagas de estacionamento, passar por lacunas no trafego por onde aparentemente s caberia uma bicicleta, mas no poderia fazer 
nada daquilo com o carro de Rome. Aquele fora precisamente o objetivo dele.
        Os dias de vero findaram. Derek voltou  escola e o tempo parecia se arrastar. Sarah sentia o peso da gravidez limitando-a, embora estivesse com a sade 
perfeita e a dra. Easterwood plenamente satisfeita com seu estado. No ganhara muito peso. Apenas quatro quilos e meio, mas era incrvel como podiam pesar quando 
concentrados em apenas um lugar.
        Quando a dra. Easterwood lhe disse que provavelmente ganharia mais quatro quilos antes do parto, Sarah gemeu, incrdula.
        - No serei capaz de me levantar da cama! Nem de fechar a fivela dos meus sapatos!
        - Escutei isso antes - disse a mdica, indiferente. - Vista sandlias de meter no dedo sem salto e pea a seu marido para ajud-la a se levantar.
        Como Rome estava dormindo no prprio quarto, nunca estava por perto para presenciar seus esforos em sair da cama. Sempre tomava o cuidado de se apoiar na 
beirada de uma cadeira para que fosse capaz de se erguer sem fazer um vexame. Banhos relaxantes na banheira eram coisa do passado. No presente, apenas o chuveiro 
lhe era permitido. Raspar as pernas com gilete ou colocar uma meia-cala que envolvesse algumas difceis contores estavam fora de cogitao. Sarah suspirou, fitando 
o pequeno montculo em seu ventre. Mais quatro quilos e meio estavam fora de questo.
        Naquela noite, esquecendo a promessa que fizera a Rome de no lhe contar nada sobre a gravidez, ela gemeu.
        - Pode acreditar nisso? A dra. Easterwood disse que ganharei quatro quilos e meio! J estou enorme! No serei capaz sequer de andar!
        Rome lhe voltou o olhar, surpreso com o evidente aborrecimento na voz dela. Estava com sete meses de gravidez e Diane havia ganhado aquele peso no quarto 
ms. Porm, Sarah nunca estivera grvida e ele percebeu que tinha mais experincia no assunto do que a esposa. Sabia dos medos e desconfortos que as mulheres sentiam 
quando se aproximava a hora do parto e a cintura continuava alargando. A nica coisa que no podia fazer era rir, embora fosse exatamente isso que tinha vontade 
quando olhava para a pequena elevao no abdome de Sarah. Era de fato um beb pequeno, pensou, aliviado, sentindo um peso lhe sair dos ombros.
        Sarah parecia to desamparada! Lembrava-lhe a poca em que ficara gripada e se revoltara por estar doente. Ela no suportava nada alm de estar em prefeita 
forma, capaz de lidar com o que atravessasse seu caminho. Estava precisando de seu conforto, como necessitara quando esteve doente.
        Rome a sentou em seu colo e a beijou com cuidado para que seu brao no tocasse o abdome dilatado. Em vez disso, ps a mo no joelho de Sarah.
        - Acho que est linda - elogiou ele, com sinceridade. Sarah tinha um brilho especial, os cabelos lustrosos e a pele radiante. Beijou-a outra vez e uma de 
suas mos pousou automaticamente nos seios fartos.
        Sarah suspirou de prazer. Os lbios se entreabrindo para receber os dele. Abalado pela proximidade dela e a maciez do corpo de Sarah em seu colo, continuou 
a beij-la, enquanto lhe desabotoava a blusa e procurava a sedosidade quente da pele sensvel. Os seios estavam volumosos, crescendo para atender s necessidades 
de uma criana e lhe enchiam as palmas das mos. Os mamilos, extremamente responsivos ao toque. Sarah enterrou as mos nos cabelos negros e o beijou de maneira apaixonada.
        - Vou explodir - gemeu Rome, afastando os lbios.
        A dra. Easterwood no lhe recomendara absteno de sexo, mas ela no tentou for-lo a fazer amor. Aquela era uma deciso dele e Sarah se sentia um tanto 
tmida mediante a possibilidade. No estava mais esbelta. Iria se sentir estranha e no suficientemente sexy para ele.
        Rome lhe abotoou a blusa, fazendo-a ciente de sua deciso. Ela a aceitou sem argumentar, deslizando do colo do marido.
        - Desculpe-me por estar sendo chorona - disse ela e, de repente, percebeu que havia quebrado sua promessa.
        Rome lhe voltou um olhar indecifrvel que a fez se encolher em seu ntimo. No importava o que sentisse dali para a frente, jamais mencionaria seus problemas 
outra vez. Quando o beb comeou a chutar energicamente, impedindo-a de dormir  noite, Sarah suportou aquilo em silncio. Tolerou as crescentes dores em seus msculos 
sobrecarregados e o total desconforto. Embora parecesse uma eternidade, sabia que em uma questo de semanas tudo aquilo acabaria.
        No primeiro dia de outubro, a dra. Easterwood lhe recomendou parar de dirigir e descansar mais. Aquilo era algo que teria de contar a Rome, porque teria 
de parar de trabalhar na loja. Portanto, em vez de ser mimada por Erica, Derek e um grupo fiel de clientes, havia apenas a sra. Melton para tomar conta dela, embora 
Marcie subisse para ver como ela estava passando vrias vezes ao dia. Rome comeou a passar todas as tardes em casa, embora ela soubesse que ainda teria de comparecer 
a alguns jantares de negcios. Tudo que ele dissera quando perguntou, foi que Max o estava substituindo.
        Sarah descobriu-se demasiado letrgica at mesmo para sentir falta do trabalho na loja. Dedicou-se  leitura e tentou decidir qual nome daria ao beb, mas 
no conseguia se concentrar em nada. Dormia muitas horas durante a tarde, porque parecia ser a parte do dia em que o beb tambm dormia. A noite, a criana costumava 
fazer exerccios aerbicos.
        Durante as noites, deitada na cama acordada e tendo como companhia apenas a criana que no havia nascido, Sarah atormentava-se tentando decidir se tomara 
a deciso certa. O simples pensamento de no ter tido o beb lhe era insuportvel. Aquela criana era parte de Rome, concebida em um ato de amor e, mesmo antes do 
nascimento, a amava com tamanha devoo que chegava a assust-la. No esperara sentir aquele senso de possesso fsica. A criana era parte dela tambm. Uma extenso 
de si mesma. Como tal, se ressentia profundamente quando Rome rejeitava a criana.
        Porm, a deciso que tomara, apesar de ter sido a nica aceitvel, poderia arruinar a vida da criana. Sabia que a averso que Rome demonstrava pelo beb 
no deveria ser subestimada, que fora fruto dos piores dias da vida dele. Ainda podia sentir a angstia, o profundo e absoluto desespero estampado em seu rosto. 
Ainda chorava ao se lembrar do vazio que se refletia no olhar de Rome. Ela o encostara na parede, forando-o a escolher entre aceitar a presena de uma criana que 
ele no queria ou perder o amor da esposa, que ainda parecia to novo e frgil para Rome. Ele nunca esperara encontrar o amor outra vez. No depois da tragdia que 
se abatera em sua vida. Quando amava de verdade, sentia-se assustado e desorientado com aquele sentimento. Porm, quando em face de uma escolha, preferiu ficar com 
ela, mesmo que aquilo lhe custasse um grande desgaste emocional.
        A adoo era uma alternativa que vinha com frequncia  mente de Sarah, apenas para ser rejeitada de imediato. No havia uma soluo fcil. No importava 
o que fizesse, algum sairia ferido. Se abrisse mo de seu beb, aquela perda a assombraria para o resto da vida. Se o amor de Rome um dia fenecesse sob o peso de 
um fardo que ele no podia carregar, iria se ressentir do prprio filho ou filha?
        Desde que tomara a deciso de ter o beb, no se permitira tais pensamentos. Viveria um dia de cada vez, sem planejar um futuro longnquo, ignorando os problemas 
que sabia estarem esperando por ela, porque simplesmente no conseguia enfrent-los. Tudo que conseguira fazer fora viver o presente, mantendo o corpo e a mente 
centrados na vida que se desenvolvia dentro dela. Mantivera-se ocupada com a loja e distrada com a constante companhia das outras pessoas. Porm, agora passava 
a maior parte dos dias sozinha, sem nada para fazer a no ser pensar e estava com medo.
        Se perdesse Rome agora, o que faria? Esperara por um milagre quando se casou com ele e o encontrara. V-lo se afastar iria despeda-la. Ainda assim, arriscara 
destruir seu casamento e o fizera deliberadamente. Rome j estava se mostrando distante dela e se afastava mais a cada dia. Era gentil e solcito com seu bem-estar 
e sade, mas o beb impedia qualquer intimidade verdadeira entre ambos. Sarah comeava a temer que se tornassem meros estranhos.
        O Rome que conhecia era um homem impaciente e dinmico. Fazia as coisas e as pessoas se moverem. Superara uma tragdia to grande que desestabilizaria qualquer 
homem para sempre. Aquele Rome no era o homem educado, cuidadoso e controlado que chegava do escritrio todos os dias, perguntava se ela estava se sentindo bem 
e a ignorava pelo resto da noite. E se aquele distanciamento fosse fruto da indiferena e nunca mais ele se aproximasse dela mesmo sem a barreira da gravidez? Estaria 
apenas fazendo a gentileza de lhe emprestar seu nome at que o beb nascesse?
        Sarah ficou satisfeita pelo fato de sua primeira aula de parto natural ter sido em uma noite em que Rome estava viajando a negcios. Daquela forma, no teve 
de explicar onde estivera. Havia adiado as aulas, esperando que Rome se decidisse a acompanh-la, mas por fim, o tempo obrigou-a a tomar uma deciso. Se no comeasse 
a frequentar as aulas logo, o beb nasceria de qualquer forma. Sentia-se tmida e sem jeito, mas ficou at o fim e sentiu demasiadamente a falta de Rome. Marcie 
era uma amiga querida, mas todas as mulheres na classe estavam acompanhadas dos respectivos maridos e Sarah captou vrios olhares de pena dirigidos a ela. Porm, 
a aula a fez sentir melhor em um aspecto: estava quase dando  luz, mas havia muitas mulheres to deformadas pela gravidez que faziam o discreto volume de seu ventre 
parecer insignificante. Orgulhosa, Sarah deu uma palmada leve na barriga. Gostava de estar exatamente assim.
        Rome voltou para casa mais cedo na tarde seguinte. Entrou na sala de estar, onde Sarah estava sentada com os ps sobre a mesa de centro, enquanto tentava 
solucionar todas as palavras cruzadas do livro que tinha na mo. Pousando a maleta no cho, com movimentos controlados, ele a fitou.
        - Telefonei para voc ontem  noite, e no atendeu. Onde estava?
        Tomada de surpresa, Sarah ergueu o olhar para desvi-lo em seguida. Desejara que Rome no se mostrasse to distante, mas esquecera como ele podia ser desconcertante 
quando colocava algum sob a mira daqueles determinados olhos negros. No estava distante agora e sim irado. Rome desabotoou o blazer do terno e o jogou sobre o 
sof. Sentando-se em frente a ela, escorregou os dedos pelos cabelos negros desgrenhados pelo vento. 
        - Estou esperando - disse em tom suave.
        Sarah fechou o livro de palavras cruzadas e o pousou a seu lado.
        - Desculpe se no lhe contei antes, mas no sabia como tocar no assunto - admitiu Sarah. - Marcie me levou a um curso sobre parto natural que o hospital 
est oferecendo. Ela ser minha treinadora. Ontem foi a primeira aula.
        Os lbios de Rome se comprimiram e mais uma vez ela percebeu algo profundo faiscar em seus olhos. A mesma coisa indecifrvel que reconhecera muitas vezes 
antes.
        - Acho que tenho sorte de no ter pedido a Max que a acompanhasse - disse ele.
        - Rome! - Sarah o fitou chocada e um tanto magoada.
        - Desculpe-me - disse ele, fazendo um gesto abrupto com a mo. - No quis dizer isso. Droga! - praguejou em tom baixo, esfregando a mo na nuca para massagear 
os msculos tensos. - Ficarei feliz quando tudo estiver terminado.
        - Faltam apenas mais algumas semanas - sussurrou Sarah, fitando-o com o corao refletido nos olhos. - E depois?
        Rome inspirou profundamente. O peito musculoso esticando o tecido da camisa. Linhas austeras lhe vincavam o rosto e as laterais dos lbios.
        - Depois terei minha esposa de volta - respondeu ele em tom spero.
        - Sei que tem sido difcil para voc...
        - No, no sabe. No tem ideia. - A voz de Rome se tornou mais aguda. - Deixou isso muito claro quando me deu aquele ultimato: conviva com isso ou v embora. 
Queria o beb mais do que a mim. Pensei sobre o assunto mais do que pensei em qualquer outra coisa em minha vida e quase optei por partir, mas por fim, decidi me 
contentar com o que pudesse ter. Posso estar em segundo lugar para voc agora, mas essa situao no durar para sempre. Quando o beb estiver fora do caminho e 
eu puder toc-la outra vez, ser minha esposa acima de tudo e antes de qualquer outra coisa. Se no conseguir viver com isso, diga-me agora.
        Sarah permaneceu imvel, um pouco plida, mas encarando-o sem hesitar.
        - Ser sua esposa foi tudo que sempre quis ser.
        - No quero o beb entre ns. Tome conta dele, mas quando eu chegar em casa  noite, ser apenas minha. Quero sua ateno total, sem que se sobressalte ou 
corra toda vez que ele chorar.
        - Mesmo que esteja doente? - Estaria Rome ouvindo o que lhe dizia? Esperaria que de fato ignorasse seu prprio filho?
        Rome fez uma careta, como se de repente se desse conta do que estava pedindo.
        - No, claro que no. - Abalado, ele lhe voltou o olhar. - No sei se conseguirei suportar isso. Quero voc, s voc, do modo como era antes. No quero ningum 
mais interferindo em nossa relao.
        - Conseguiremos - disse Sarah em tom suave, desejando envolv-lo nos braos e assegur-lo de que o amava. Porm, sabia que Rome se retrairia para no lhe 
tocar o abdome. Alguns de seus pensamentos deviam estar se refletindo nos olhos, porque Rome se levantou e se inclinou sobre ela. Pela primeira vez em semanas, ele 
a beijou. No apenas um leve roar nos lbios, na face ou na testa, mas um beijo profundo e ntimo. Sarah o correspondeu tmida, quase temerosa em retribuir o beijo, 
mas ele lhe segurou o queixo e lhe tomou os lbios mais uma vez, exigindo e recebendo a paixo que sabia que ela era capaz de lhe dar.
        - Quanto tempo falta? - murmurou ele, erguendo a cabea.
        - Umas trs semanas at que nasa e depois... mais seis semanas.
        Rome suspirou.
        - Sero as mais longas semanas de minha vida.
        
        
        Na semana seguinte, surgiu outra viagem inesperada. Rome estivera reduzindo suas viagens, sempre pedindo a Max que fosse em seu lugar, mas o amigo estava 
na Costa Leste, quando surgiu uma emergncia em Los Angeles. Como um general direcionando as tropas, Anson Edwards enviou Rome  Califrnia. Quando ele contou a 
Sarah, viu o desapontamento estampado em sua face.
        - No ser uma viagem longa. - Tentou confort-la. - No mximo, trs dias. O nascimento no est sendo esperado antes das duas prximas semanas e lhe telefonarei 
todas as noites.
        - No estou preocupada com o beb - respondeu Sarah com sinceridade. - Sentirei sua falta!
        - No por muito tempo. Pressionarei todo mundo at resolver aquela confuso - disse em tom austero. Em seguida, a surpreendeu, tomando-a nos braos como 
no fazia h meses. Ignorando o abdome dilatado, beijou-a com crescente desejo, enquanto as mos escorregavam para tocar os seios volumosos. - No tinha ideia - 
disse, maravilhado, erguendo a cabea e fitando os contornos generosos que lhe enchiam as mos. - Seus seios cresceram mais do que supus. - Um rubor quente se espalhou 
pelas faces de Sarah, enquanto se inclinava na direo dele. Rome riu e a beijou outra vez, ainda a acariciando. - Estarei de volta antes que sinta minha falta - 
prometeu.
        Mais tarde, naquela mesma noite, uma dor na altura da coluna lombar despertou Sarah e a deixou acordada por um longo tempo. Porm, acabou por desaparecer 
e ela suspirou, aliviada. O beb estava calmo e conseguira dormir profundamente. No queria que ele nascesse enquanto Rome estivesse viajando. Apesar de saber que 
o marido no estaria na sala de parto e nem a ajudaria a dar  luz, seria um alvio saber que ele estava por perto.
        A medida que a hora se aproximava, Sarah comeou a temer o trauma do nascimento. Teria se agarrado a Rome se estivessem mais prximos, mas as circunstncias 
haviam criado uma fenda entre eles.
        Na tarde seguinte, a dor voltou e se espalhou pelo baixo ventre. No era de fato dor, mas sim uma sensao de aperto, porm, Sarah sabia que havia chegado 
a hora. Alertou Marcie e, em seguida, telefonou para a dra. Easterwood, que a instruiu a ir para o hospital antes que as contraes se tornassem mais constantes. 
O outro telefonema foi para o hotel de Rome em Los Angeles. Ele no se encontrava, mas Sarah no esperava estivesse l quela hora do dia. Deixou o recado que entrara 
em trabalho de parto, juntamente com o endereo do hospital. Quando desligou, uma lgrima lhe rolou pela face. Queria tanto que Rome estivesse ali! Rapidamente, 
a limpou com o polegar e tocou em seu ventre.
        - Est a caminho - disse ao beb.
        Marcie subiu para pegar a bolsa que levariam para a maternidade e a sra. Melton abraou Sarah. Em seguida, rumaram para o hospital. Sarah foi admitida e 
examinada. Encontrava-se nos primeiros estgios do trabalho de parto e tudo parecia normal. Tudo que tinha a fazer era esperar.
        
        
        Rome estava sentado no escritrio da firma na Costa Oeste, com uma lista de nmeros e estatsticas a sua frente, mas no conseguia se concentrar no trabalho. 
Pensativo, batia com a caneta contra o mata borro, desejando estar em casa com Sarah, em vez de solucionar um problema profissional que no deveria ter acontecido.
        Sarah. Estava mais presente em sua mente nos ltimos dias do que nunca antes estivera e passara um bom tempo durante anos pensando nela. Estava to determinada 
a ter aquela criana. Fincado p com uma determinao que contrastava com sua aparente elegncia e delicadeza. De alguma forma, no imaginara que ela seria do tipo 
maternal, embora Justin e Shane adorassem a "tia" Sarah.
        Fez uma careta, quando as imagens dos filhos se descortinaram diante de seus olhos, interpondo-se entre ele e os papis espalhado sobre a mesa. Meninos sorridentes 
e levados, com os olhos azuis brilhantes de Diane e cabelos castanho-dourados. Como sentia falta deles! Como os amara, acompanhando cada estgio do desenvolvimento 
deles desde o primeiro instante que soube que Diane estava grvida de cada um.
        Muitas vezes, no final da gravidez, quando ela tinha de ir ao toalete a cada hora, desempenhara seu papel, estendendo-lhe a mo para ajud-la a se erguer. 
Esfregara-lhe as costas, amarrara-lhe os sapatos, segurou-lhe a mo e lhe deu apoio e conforto durante o parto.
        No fizera nada daquilo por Sarah.
        Enrijeceu o corpo ante o pensamento. Ela no estava to barriguda quanto Diane estivera, claro, mas a vira apoiar o peso em uma cadeira para poder se levantar 
da cama e no a havia ajudado. Deixara-a sozinha durante as noites, lidando com as dores nas costas e com as constantes visitas ao toalete. Sarah no lhe pedira 
para ajud-la em nada e ele reconheceu, com uma pontada de dor, que isso se deveu ao fato de ter deixado claro que no poderia contar com sua ajuda em nada. Todos 
os dias, ela necessitara de ajuda, mas nunca pedira. Suportara o fardo da gravidez sozinha, sabendo que o marido no desejava aquela criana.
        Gotculas de suor brotaram na testa de Rome. No obstante o que sentia em relao quela gravidez, deveria ter ficado ao lado de Sarah, ajudando-a ao longo 
dos meses. De alguma forma, podia at compreender porque ela se mostrava to determinada em ter aquele beb. O fato de am-lo a fazia amar tambm aquela criana. 
Sarah no se alterara ou lhe fizera exigncias. Simplesmente esperou, amando-o e sem desistir daquele amor. Havia uma fora suave nela que a capacitara a esperar 
por ele durante anos e, apesar de am-lo, ser uma boa amiga. A melhor que Diane tivera. Tambm amara seus filhos e ficara em silncio a seu lado, enquanto ele permanecera 
junto  sepultura deles, pensando que no havia mais razo para viver.
        Sarah era uma mulher de muitos encantos, mas o mais doce deles era o infindvel e eterno amor, cujo brilho suave banhava todos a sua volta e ele se encontrava 
no centro desse sentimento. Como fora capaz de no valoriz-lo?
        Obedecendo a um impulso inegvel, apesar de no conseguir defini-lo, ergueu o fone e ligou para ela. A sra. Melton atendeu e, instantes depois, Rome desligou 
com o rosto plido.
        Abriu a porta de sua sala e rosnou o nome da secretria sentada  mesa.
        - Providencie um voo para Dallas imediatamente. No importa por qual companhia area, desde que seja o prximo. Minha esposa entrou em trabalho de parto.
        Alarmada pelo tom de voz e pela importncia que toda a mulher dava a um nascimento, a secretria pegou o telefone e em uma questo de minutos providenciou 
o voo, colocou uma pilha de relatrios na maleta de Rome e a fechou. Deveria ter estado l, droga! Sarah estava dando  luz com duas semanas de antecedncia. Teria 
tido alguma complicao?
        A dra. Easterwood o avisara da possibilidade de complicaes. Sabia como era estreita a plvis de Sarah. Como ele frequentemente lhe segurava os quadris 
com as mos, enquanto faziam amor, maravilhado com a delicadeza daquele corpo. O beb no era grande, mas teria sido demais para Sarah? Se algo acontecesse a ela...
        No conseguiu completar o pensamento.
        No sabia o que a secretria fizera ou em nome de quem falara, mas conseguiu uma passagem e uma hora mais tarde Rome se encontrava em um voo para Dallas. 
No teve tempo de retornar ao hotel para fechar a conta e pegar sua bagagem. Deixara ordens expressas para que a secretria o fizesse e despachasse a mala para ele. 
Aps o que, agradeceu em tom seco e partiu.
        Deixaria que Anson Edwards e Spencer-Nyle esperassem. Sarah era prioridade.
        Quatro horas e meia depois, aps um atraso em solo em Los Angeles, um voo excessivamente lento e o trfego catico do aeroporto ao hospital que a sra. Melton 
havia lhe indicado, Rome se encaminhou ao posto de enfermagem da ala da maternidade. Sarah cochilava, enquanto Marcie lia uma revista em silncio. Tanto a me quanto 
o beb estavam sendo rigorosamente monitorados, mas o tempo se escoava e nada importante acontecia, embora as contraes estivessem se tornando mais prximas. Havia 
uma televiso pendurada na parede e elas assistiram ao noticirio e, em seguida, a uma comdia. Sarah pensou que Rome j deveria ter ligado, mas talvez estivesse 
ocupado no escritrio. Afinal, havia uma diferena de duas horas no fuso horrio entre os estados.
        Rome entrou no quarto e Marcie ergueu o olhar, surpresa.
        - De onde voc surgiu?
        - De Los Angeles - respondeu ele. Os lbios firmes se curvando em um sorriso momentneo. - Peguei o primeiro voo para c, quando a sra. Melton me contou 
que Sarah havia entrado em trabalho de parto.
        Os olhos de Sarah se abriram lentamente e se voltaram na direo dele, sonolentos. No mesmo instante, ela despertou completamente.
        - Rome! Voc est aqui!
        - Sim - disse ele em tom gentil, segurando-lhe a mo
        - Telefonei para seu hotel e deixei um recado.
        - Eu sei. A sra. Melton me contou. Tambm conversei com a dra. Easterwood. Estava em pnico, pensando que algo de errado havia acontecido j que est duas 
semanas adiantada, mas ela me disse que est tudo bem.
        Sarah estava linda, pensou ele. Os cabelos louro-claros se encontravam atados em uma longa trana. Os olhos, brilhantes e claros tinham um tom verde-amarelado 
e as faces estavam rosadas. Trajava uma das camisolas comuns que usava em casa e tinha a aparncia de uma adolescente. Muito jovem para dar  luz a criana que abaulava 
seu ventre. Ele a beijou com suavidade.
        - J que est aqui, descerei e comerei algo na cafeteria - disse Marcie, com bvia inteno de lhes proporcionar algum tempo sozinhos sem se sentirem embaraados.
        Porm, quando ficaram a ss, no conseguiram dizer nada uma ao outro. Rome lhe segurou a mo, desejando que aquilo j tivesse terminado e Sarah no tivesse 
de enfrentar um parto. No queria que ela sentisse dor, nem mesmo a dor natural de um parto. Por fim, suspirou profundamente.
        - No entrarei na sala de parto com voc, mas estarei esperando.
        - Tudo que preciso saber  que est aqui - retrucou Sarah com sinceridade.
        
        
        A filha nasceu doze horas mais tarde, aps um parto relativamente fcil.
        - Oh,  uma pequena muito graciosa - disse a dra. Easterwood, enquanto colocava a criana nos braos de Sarah. - Veja que cabelos negros!
        - Parece-se com Rome - opinou Marcie com apenas os olhos sorridentes e inundados de lgrimas visveis por sobre a mscara cirrgica. - Juro. Tem at os olhos 
negros!
        Sarah examinou a pequena criana, cujo choro cessara e agora se encontrava relaxada como se estivesse cansada pelo esforo e pronta para dormir. A filha 
de Rome. No podia acreditar. Pensara que seria um menino. Lgrimas lhe banharam os olhos quando tocou os minsculos e midos cachos negros com o dedo trmulo. Aquela 
era a coisa mais preciosa que jamais vira.
        Horas depois, Sarah acordou para descobrir Rome sentado em silncio ao lado da cama. Estava to sonolenta quando a colocaram em seu leito, que s tivera 
tempo de sorrir para o marido, antes de apagar.
        Sem nada dizer, ela o observou ler o jornal. Rome estava cansado. Estivera acordado durante toda a noite, o que se evidenciava pelos crculos escuros embaixo 
dos olhos. Precisava se barbear tambm, mas estava estonteante. Com o entusiasmo de uma mulher que acabara de se tornar me, queria lhe perguntar se ele vira o beb, 
mas sabia que no. Pelo simples fato de ter vindo para o hospital, Rome lhe dera mais do que esperava.
        - Ol - disse Sarah em tom suave.
        Rome ergueu o olhar, relaxando quando uma onda de alvio o engolfou. De alguma forma, at Sarah o saudar, custara a crer que ela estava bem. Ele lhe tomou 
uma das mos e a levou aos lbios, depositando um beijo terno na palma.
        - Ol. Como se sente?
        Sarah pensou em como estava passando e se moveu com energia.
        - Nada mal. Melhor do que esperava. E voc, como se sente?
        - Um morto vivo - respondeu Rome, fazendo-a rir.
        - Por que no vai para casa e dorme um pouco? No vou sair daqui.
        - Acho bom que no saia.
        Rome deixou-se convencer a ir para casa porque de fato necessitava dormir algumas horas antes que desmaiasse de cansao.
        Quando a enfermeira trouxe o beb, Sarah chorou quando os minsculos lbios em forma de boto de rosa lhe procuraram instintivamente o mamilo. Sua filha! 
Tinha 34 anos e h muito havia desistido da ideia de ser me, mas agora tinha aquela vida, respirando em seus braos. Acariciou os cabelos macios que cobriam a pequena 
cabea e, em seguida, examinou os diminutos dedos e os lbulos delicados das orelhas. Como ela se parecia com Rome! Tinha at mesmo a compleio morena, cabelos 
negros e as sobrancelhas com a mesma curvatura das do pai.
        O beb abriu os olhos, olhando vagamente a sua volta e tornou a fech-los, evidentemente satisfeita por tudo estar em ordem em seu mundo. Marcie estava certa. 
Os olhos eram idnticos aos de Rome.
        Sarah deu-lhe o nome de Melissa Kay e, quando chegou em casa, trs dias depois, todos j a chamavam de Missy. Rome passara muito tempo com Sarah no hospital, 
mas sempre se afastava nos horrios em que lhe traziam a criana. E, at onde ela sabia, o marido no tinha visto a filha. No fora ele a traz-las para casa e nem 
Sarah esperava que o fizesse. Compreendia que estaria exigindo demais se a apresentasse a ele atravs daquele mtodo. Rome teria de decidir por si mesmo se queria 
conhecer a prpria filha ou no. Marcie as trouxe para casa e juntas colocaram o beb no bero pela primeira vez. Ambas se inclinaram sobre a grade, admiradas com 
o modo com que a menina se contorceu at encontrar uma posio confortvel.
        Missy era linda e Sarah sabia que se tivesse oportunidade, seria capaz de operar o segundo milagre.
        
        
        
        
        
     Captulo Doze
        
        
        
        Rome levou Sarah para a cama e a abraou pela primeira vez em meses. Os braos a circundando, ternos. Beijou-a repetidas vezes como se no pudesse se saciar 
de t-la em sua cama outra vez. Foi cuidadoso em no machuc-la, mas sentia um desejo desesperado em abra-la. Sarah se enroscou ao corpo forte, desejando que as 
prximas seis semanas tivessem passado em vez de estarem apenas comeando. As mos delicadas lhe exploravam o corpo musculoso, escorregando levemente sobre as vrias 
texturas da pele de Rome.
        - Eu o amo - disse ela contra o pescoo largo.
        - Eu a amo. Nunca mais - retrucou ele em tom srio. - Nunca mais a deixarei se afastar de mim outra vez.
        Sarah adormeceu feliz, mas acordou com o primeiro choro de Missy, anunciando que era hora de amament-la. Cheia de energia, ela escorregou para fora da cama 
e, na ponta dos ps, dirigiu-se ao quarto da filha para afag-la e lhe assegurar que no corria o risco de ficar faminta. Trocou a fralda da criana e, em seguida, 
sentou-se na cadeira de balano e cantarolou baixinho enquanto a amamentava.
        Missy no era um beb irrequieto. Dormiu assim que se saciou. Com cuidado, Sarah a colocou de volta no bero e retornou ao quarto, aninhando-se ao calor 
das costas de Rome.
        Sem se mexer, ele fitava a parede com olhar ptreo.
        Sarah havia trabalhado duro antes, mas nunca se esforara tanto quanto nas semanas que se seguiram. Se Missy no fosse um beb tranquilo, teria sido impossvel. 
Durante o dia, aps Rome sair para o trabalho, passava o mximo de tempo com a filha, brincando e fazendo todo o tipo de tarefas que um beb requeria. A sra. Melton 
se incumbia das pilhas de roupa suja e da limpeza, o que a deixava livre para outras obrigaes. Tentou introduzir mamadeira como suplementao na alimentao de 
Missy, mas a frmula a fez regurgitar grande quantidade e o pediatra a orientou a mant-la apenas com leite materno at que tivesse mais idade. S ento, tentariam 
a frmula outra vez. Aquilo significava que no podia se afastar de Missy por muito tempo, j que tinha de aliment-la em intervalos regulares.
        Sempre a banhava e colocava no bero, antes que Rome chegasse do trabalho e mantinha os dedos cruzados, rezando para que o beb no acordasse antes do horrio 
regular da amamentao. A porta do quarto de Missy estava sempre fechada quando ele estava em casa e o marido nunca olhava naquela direo ou perguntava pela criana. 
Rome lhe dissera como seria, mas antes de viver aquela realidade, Sarah no imaginava o quanto era difcil. Tinha muito orgulho da filha. Desejava lev-la at Rome, 
ergu-la nos braos e dizer: "Veja o que lhe dei." Como conseguia no se sentir encantado com o beb como ela estava? Porm, sempre lembrava a si mesma que o prximo 
passo teria de ser dele. No podia for-lo.
        As outras pessoas no se mostravam to reticentes. Certa noite, Max veio jantar com eles e insistiu em ver o beb. Sarah dirigiu um olhar impotente  face 
constrita do marido e se ergueu para levar o amigo at o quarto da filha. Marcie e Derek eram visitantes assduos e no se intimidavam em conversar sobre Missy na 
presena de Rome. Pelo simples fato de que no podia tampar os ouvidos, ele escutava Marcie descrever a beleza da filha com entusiasmados detalhes. Sabia que a menina 
estava crescendo rapidamente e que j reconhecia as pessoas.
        Rome tinha a expresso de um homem assombrado. Tentava no pensar no quarto de criana e sua ocupante, mas uma dolorosa curiosidade o invadia quando Sarah 
se levantava no meio da noite e se dirigia para l. s vezes, pensava em ficar da porta, olhando, mas um suor frio lhe cobria a pele ante tal pensamento. Um beb... 
no, no podia suportar um outro beb. Ela no era Justin ou Shane. No poderia substituir seus filhos. No se arriscaria. O fato de ter uma filha era novo para 
ele. Conhecera apenas meninos levados e agitados. Sempre se lembrava deles quando se aproximava o Natal. Mais uma data comemorativa sem eles. Aquele seria seu segundo 
Natal com Sarah e descobriu que a dor havia quase desaparecido por causa dela. Ainda restara e sempre existiria um sentimento de perda residual, mas se tornara suportvel. 
Podia pensar em Justin e Shane, relembrar os bons momentos e as coisas engraadas que faziam. Diane estava muito distante dele. Ainda existia o amor pela ex-esposa, 
mas era mais como um amor do passado. Sarah era seu presente e sempre o surpreendia a paixo intensa que sentia por ela, eclipsando o que sentira por Diane porque 
sua capacidade de amar aumentara consideravelmente sob o brilho de Sarah.
        Certa noite, durante a segunda semana de dezembro, Sarah se aconchegou em seus braos como sempre, encontrando o costumeiro e confortvel lugar em seu ombro.
        - Vou voltar a trabalhar na loja amanh - informou ela em tom casual. A voz suave na escurido do quarto.
        Girando o corpo, Rome estendeu a mo e acendeu o abajur. Em seguida, ergueu o torso, apoiando-o no cotovelo para se inclinar sobre ela com o cenho franzido.
        - A Dra. Easterwood a liberou? - indagou em tom spero.
        - Sim. Fiz meu check-up hoje. Ela disse que estou gozando de perfeita sade - afirmou, com um sorriso lento e enfeitiante.
        Era incrvel ver como o desejo mudava as feies de Rome, tornando-as mais rgidas e intensas.
        - Ento por que est vestindo uma camisola?
        - Para que possa retir-la.
        Foi exatamente o que Rome fez. Foi muito cuidadoso, levando-a a um estado de crescente desejo at que estivesse pronta para receb-lo, antes de se posicionar 
entre as coxas macias e penetr-la. Sarah ofegou, mas no de dor. Fazia tanto tempo! Fundiu-se ao corpo musculoso, estremecendo com o prazer avassalador. As mos 
fortes pareciam estar por todos os lugares de sua nova e deliciosa silhueta, explorando e se deleitando com a fartura dos seios firmes, acariciando-a intimamente. 
Sarah perdeu a noo da realidade, arrastada pelo desejo ao reino da inconscincia, onde apenas Rome existia.
        
        
        Agasalhada contra o frio, Missy foi levada  loja na manh seguinte. Sarah precisou lutar para poder pegar a filha no colo. Evitou ficar muito tempo, voltando 
para casa cedo, mas a jornada cansou a ambas. Sarah colocou a filha para tirar uma soneca e, em seguida, cochilou em sua cama. Dormiria por pouco tempo, disse a 
si mesma.
        O choro irritado de Missy a acordou e a fez se levantar. O crescente crepsculo lhe dizia que dormira mais do que pretendera e logo Rome estaria em casa. 
Missy estava voraz. Havia muito que fazer, mas a filha no podia esperar. Sarah se sentou na cadeira de balano e colocou a criana no seio.
        No ouviu Rome entrar, mas de repente, sentiu a presena do marido e dirigiu um olhar ansioso  porta. Sentiu-se fraquejar ao v-lo parado atrs da porta, 
sem ousar entrar, mas os olhos negros a observavam assim como o beb em seus braos. Rome no conseguia ver nada alm do topo da cabea de Missy e uma minscula 
mo sobre o seio de Sarah, porm um espasmo de dor lhe cruzou o rosto. Sem dizer uma palavra, ele girou e se afastou.
        Trmula, Sarah baixou o olhar  filha. Havia bagunado com sua rotina. Devia ter dado banho em Missy antes de amament-la, pois agora a menina iria dormir 
e ficaria irritada ao ser acordada. O que faria se a filha decidisse ter um acesso de choro? A medida que crescia mostrava ter herdado caractersticas do temperamento 
do pai, assim como uma engraada determinao em ter tudo do modo que queria, se era que uma criana daquela idade podia ser to perspicaz. Porm, havia uma determinada 
maneira que Missy gostava de ser segurada e outras pequenas coisas que tinham de ser feitas para satisfaz-la, mostrando-se extremamente inquieta at que lhe fosse 
feita a vontade. Para manter tudo tranquilo, Sarah decidiu no lhe dar banho. Trocou a roupa de Missy e a colocou na cama, esperando que ela dormisse aps aquele 
longo cochilo.
        - Tirei uma soneca esta tarde e dormi demais - Sarah explicou um tanto nervosa quando saiu do quarto da filha.
        Os ombros de Rome estavam tensos, mas ele nada comentou sobre Missy. Em vez disso, preferiu abordar outro assunto.
        - Ir  loja a cansou, no foi?
        - Sim e no sei por qu, j que no fiz nada - respondeu ela, exasperada e agradecida pelo momento de tenso ter passado.
        - Ter de se acostumar outra vez e quero que faa isso de maneira gradual. V com calma - ordenou Rome, dando-lhe um beijo como fazia sempre que chegava 
em casa.
        Mas era bvio que para Sarah no havia como ir com calma. Voltou  rotina da loja com prazer. Havia sentido falta daquele trabalho mais do que imaginara. 
Sempre tomava cuidado em voltar para casa a tempo de cuidar da filha, antes que Rome chegasse, mas a criana se tornava cada vez mais ativa e Sarah j antevia o 
dia em que no poderia mais coloc-la na cama e v-la adormecer de imediato. A cada dia ficava mais horas, acordada. As pernas e os braos se agitando vigorosamente.
        Aps um dia particularmente cansativo, Sarah caiu no sono assim que a cabea encostou ao travesseiro. Rome ficou deitado a seu lado, relaxando e estava quase 
adormecido quando ouviu o beb chorar. Seu corpo se tornou tenso, esperando que Sarah acordasse e se dirigisse ao quarto da criana. No aguentava ouvi-la chorar. 
Porm, Sarah se encontrava profundamente adormecida a seu lado. Havia se exaurido naquele dia.
        Sabia que alguma hora iria ouvir o choro do beb e levantar, mas Rome no sabia se seria capaz de aguentar aquilo por muito tempo. Instantes depois, teve 
certeza de que no conseguiria. Esticou a mo para sacudir Sarah, porm algo o deteve. Talvez a face serena enquanto ela dormia ou talvez as noites no passado, quando 
acordava no meio da noite para atender ao chamado choroso dos filhos. Qualquer que fosse a razo, Rome se levantou e se descobriu parado no corredor.
        Surpreso, percebeu que estava trmulo e gotas de suor lhe escorriam pela espinha.  apenas um beb, disse a si mesmo.
        Apenas um beb.
        Esticou a mo e girou a maaneta da porta do quarto de Missy, mal conseguindo respirar com o peso que lhe oprimia o peito. Havia uma luz frouxa amarela ligada 
em uma tomada prximo ao bero para que Sarah fosse capaz de enxergar quando se levantava no meio da noite. A luz serviu tambm para que Rome visualizasse a criana 
que estava tendo um acesso de choro. Os pequenos punhos cerrados e agitados. As pernas erguidas, enquanto berrava a todos os pulmes. Estava acostumada a ter seus 
desejos satisfeitos imediatamente. No estava disposta a tolerar aquele atraso exagerado.
        Rome engoliu em seco, aproximando-se lentamente do bero. Ela era to pequena que o temperamento que exibia se tornava cmico. Uma menina... o que sabia 
sobre bebs femininos?
        Trmulo, escorregou as mos sob o corpo pequeno e a ergueu, surpreso ao perceber o quanto era leve. Missy berrou um pouco mais, mas o contato com aquelas 
mos grandes lhe mostrou que no estava sozinha e aps alguns soluos, a criana se acalmou.
        A prtica antiga voltou automaticamente. Rapidamente e sem olhar para a face da criana, Rome lhe trocou a fralda e estava quase colocando-a de volta ao 
bero, quando Missy emitiu um rudo suave e alegre. Rome estremeceu e quase a deixou cair. Fitou a face minscula e congelou, mesmerizado, enquanto o beb o encarava 
com inocente confiana e aceitao, fazendo-o quase gritar de dor.
        Aquilo no era justo. Deus do cu! No era justo. Evitara-a. Nunca a segurara no colo ou lhe fitara a face. Rejeitara sua prpria filha, mas nada daquilo 
parecera importar para ela. Simplesmente, olhava para o pai com natural aceitao e, em seguida, comeou a tentar controlar o punho agitado por tempo suficiente 
para enfi-lo na boca faminta.
        Olhar para a filha era como ver a si mesmo, imortalizado. Observou, fascinado, os cabelos negros e os olhos quase negros. Os lbios eram iguais aos de Sarah, 
concluiu. Uma boca macia e delicada, mas o restante era a verso feminina dele. Aquela criana nascera das doces e amorosas horas que passara nos braos de Sarah. 
Uma parte dela e de si mesmo. Quisera a vida daquele beb destruda antes mesmo de comear.
        Um grito baixo e primitivo lhe escapou dos lbios. Rome a ergueu outra vez, aconchegando-a em seus braos e se ajoelhou. Em seguida, inclinando-se sobre 
a filha, chorou.
        Sarah acordou sobressaltada, sabendo que algo estava diferente. As mos procuraram Rome na cama, mas a encontrou vazia e se sentou. Ouviu um som estranho 
e estrangulado, mas no parecia ser de Missy.
        - Rome? - sussurrou, sem obter resposta.
        Levantou-se, apressada, da cama e pegou o robe, vestindo-o e atando-o na cintura. Quando transps a porta, procurou por algum sinal de luz que lhe indicasse 
onde ele poderia estar, mas no havia nenhum. E ento ouviu o barulho sufocado outra vez e sentiu-se congelar. Vinha do quarto da filha. Missy estava sufocando!
        Levou a mo  garganta e se precipitou, descala, pelo corredor, mas levou apenas um segundo para perceber que no se tratava de Missy. Estacou com a respirao 
alterada. Rome?
        A porta do quarto da filha estava aberta e Sarah se moveu em silncio de modo que pudesse espiar o que acontecia l dentro.
        Rome se encontrava ajoelhado no cho com Missy em seus braos. Mantinha-a colada ao peito e os sons estrangulados e angustiantes saiam de sua garganta. 
        Sarah quase gemeu alto. Queria ir ao encontro do marido, envolv-lo nos braos e confort-lo em sua dor. Dor pelos filhos que havia perdido, pela criana 
que renegara. Porm, aquele era um momento de reconhecimento entre ele e a filha, e Sarah retornou ao quarto em silncio. Deitou-se e limpou as lgrimas que lhe 
banhavam a face. Muito tempo se passou at que Rome voltasse para a cama, escorregando para baixo das cobertas suavemente para no acord-la. Sarah sabia que ele 
no conseguia dormir, mas no o tocou. Rome estava travando uma terrvel batalha interna e no podia ajud-lo.
        No dia seguinte, ele nada mencionou, mas havia uma calma nele, um senso de paz que no possua antes. Quando ele saiu para trabalhar, Sarah vestiu Missy 
para passar o dia na loja. No havia nada a fazer a no ser continuar com a mesma rotina.
        Derek ficou apenas meio dia na escola e chegou  loja aps o almoo. Com destreza, ergueu Missy do carrinho, beijando-lhe as faces macias. Dono de uma incrvel 
sensibilidade, o rapaz ergueu o olhar a Sarah, enquanto brincava com a criana.
        - Tudo vai ficar bem para voc?
        - Acho que sim - respondeu ela. - Como soube?
        - Pela sua aparncia. - Derek sorriu com profunda ternura. - Sabia que ele no seria capaz de resistir por muito tempo.
        Talvez Derek fosse intuitivo, pensou Sarah, observando-o, enquanto ele caminhava pela loja com Missy nos braos jovens e fortes. Conversava com a criana 
como se ela fosse capaz de entender cada palavra que dizia e lhe mostrava todos os objetos coloridos que podiam lhe chamar a ateno. E talvez ela estivesse entendendo. 
Max comparara Derek a um arcanjo. Podia no ser um anjo, mas andava acompanhado deles.
        Sarah no saiu de sua rotina. Missy estava completamente acordada quando Rome voltou do escritrio. Eles jantaram como de costume, conversando normalmente. 
Em seguida, Sarah se dedicou  leitura, enquanto ele lia alguns relatrios. Horas depois, ela se vestiu para dormir, verificou como estava Missy e se deitou na cama, 
bocejando.
        Rome saiu do banheiro, secando os ombros largos.
        - Tome - disse ele, atirando-lhe a toalha. - Seque minhas costas.
        Sentou-se na cama e Sarah esfregou-lhe a toalha nas costas e, em seguida, depositou-lhe um beijo rpido na espinha. Jogando a toalha ao cho, Rome girou 
e a pressionou contra os travesseiros.
        - No sou capaz de expressar o quanto a amo - disse em tom calmo.
        - Tente - provocou ela.
        Rome riu, inclinando-se para beij-la com crescente desejo. O ato de amor foi incrivelmente doce e intenso aquela noite. Ele se controlava, satisfazendo-a 
de vrias maneiras antes de se entregar ao prprio xtase e a envolvendo nos braos at que Sarah adormecesse.
        Missy acordou de madrugada, querendo mamar. Antes que Sarah pudesse se levantar da cama, Rome jogou as cobertas para o lado e se ergueu.
        - Fique aqui - disse ele. - Eu a trarei para c. 
        Instantes depois, Rome estava de volta, com uma agitada criana nos braos.
        - Voc sabia, no? - indagou, enquanto lhe entregava a filha. - Estava acordada ontem  noite.
        - Sim, sabia. - Os olhos de Sarah o fitavam refletindo todo o amor que havia no mundo.
        - Deveria me odiar - disse ele em tom spero. -- Pelo que eu queria fazer.
        - Nunca. Estava sofrendo e queria se proteger. Eu entendi.
        Rome olhou para o beb e a face austera e morena exibiu uma expresso terna que fez Sarah derreter por dentro. Com extrema ternura tocou a face de Missy
com o dedo indicador.
        - Ela  mais do que mereo. Estou tendo uma segunda chance, no acha?
        No, no uma segunda chance. Um segundo milagre. Rome morrera por dentro e o amor lhe trouxera a vida de volta. Sempre carregaria as cicatrizes que marcavam
a perda das pessoas que amara, mas podia seguir em frente agora. Podia rir outra vez e aproveitar a passagem das estaes. Ver a filha crescer, deleitar-se com seus
guinchos e risadinhas, com o inocente entusiasmo e amar de todo o corao o seu segundo milagre.
        Rome se inclinou para frente e beijou Sarah com lentido deliberada, repleto de amor e paixo. Aps Missy ser alimentada e colocada no bero, ele quis fazer
amor com a esposa outra vez. Mostrar-lhe o quanto a amava. Ela era seu primeiro milagre. Aquele que lhe trouxera de volta a luz do sol.


Prximos Lanamentos

       ESTRELAS DO ROMANCE
        Autoras de sucesso que brilham nas principais listas de best sellers atuais. Romances inditos e irresistveis. Somente a Harlequin traz para voc uma combinao
to perfeita!

      Susan Andersen
        Autora da lista de best sellers do The New York Times

      Fora de Controle
        Jane Kaplinski pensava que nada poderia faz-la perder a cabea. Porm a recatada princesinha mudou de ideia depois da noite em que conheceu o empreiteiro
responsvel pela restaurao da manso Wolcott. O jeito rude e sexy de Devlin Kavanagh a assustava, mas ele estava completamente alcoolizado! E Jane no toleraria
um bbado, especialmente se este fosse o homem que contratara para trabalhar na casa que ela e suas duas melhores amigas haviam acabado de herdar.
        Restaurar a velha manso era o trabalho dos sonhos de Devlin, mas Jane estava no seu p desde que o surpreendera exausto devido a horas de sono atrasado
e abatido pelos drinques de sua prpria festa de boas-vindas. No entanto, apesar de se esconder em roupas conservadoras e modos glaciais, Jane tinha sedutores olhos
azuis e usava scarpins de oncinha que insinuavam uma mulher que no via a hora de se libertar!

       Prximo Lanamento
      Nora Roberts
        Autora nmero 1 da lista de best sellers do The New York Times,
       Edio n 45

      mpeto
        Rebecca Malone decidiu que era hora de jogar fora tudo que fosse muito familiar, seguir seus impulsos e partir para a Grcia. Ela desejava viver uma aventura
e conseguiria! Quando um homem estranho, porm sexy, a seduz, ela no resiste a dar asas a sua fantasia e comea a bancar o tipo de mulher sofisticada que certamente
o atrairia. Porm, apaixonar-se por Stephen Nickodemus no estava em seus planos. Como ela poderia revelar sua verdadeira identidade para o homem que se tornara
o dono de seu corao? E depois convenc-lo de que, mesmo assim, ela ainda era a mulher que ele amava?
Linda Howard - Corao Eterno (Rainhas do Romance 44)




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